O fulano é escanifobético
O discurso não é sintético
Nunca consegue resumir
Nem novas ideias parir
Mesmo assim escanifobético
No seu ficheiro alfabético
Tudo tem regra e uma ordem
Mesmo quando elas lhe mordem
A palavra é escanifobético
E sem nenhum teor profético
Ele põe as barbas de molho
Fecha o carro com um ferrolho
Nas crenças o escanifobético
É um personagem céptico
Praticante do niilismo
Com pitada de narcisismo
Quando come o escanifobético
Tudo engole à pressa frenético
Pois nada quer partilhar
A última migalha mastigar
Esquisitóide e escanifobético
Muito estranho pouco ético
E pouca gente o suporta
Quando lhes segura na porta
O rosto do escanifobético
É todo muito assimétrico
Tem maior o olho direito
A boca num esgar a preceito
Aos trinta o escanifobético
Já se apresenta caquético
E com manifesta calvíce
A caminhar para a velhice
Um dia o escanifobético
Teve um ataque epiléptico
E uma febre de arrasar
Ninguém o foi lamentar
Foi a morte do escanifobético
Com um final pouco hipotético
Moderadamente infeliz
Teve a vida que ele quis
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
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