sábado, 28 de março de 2015

Provérbio provado conversado

Vamos de passeio, percorrendo uma longa estrada ladeada de cerejeiras em flor. Somos quatro no carro, e contemplamos e comentamos a magnífica paisagem. Fora isto, nada mais se diz; navegamos em silêncio como se no fundo do mar.
No banco de trás, a minha amiga Luísa leva um livro abandonado no colo:
- Como se chama esse livro, Lu?
- Pela estrada fora
- É esse o título? É mesmo assim que vamos.
Gonçalo, o meu companheiro do lado, conversa com os seus botões no registo habitual: é discreto e silencioso como um peixe lento.
Resta-me o Lourenço, que no ir mirando as cerejeiras vai de lado, mas alheado, calado e mergulhado nos seus pensamentos. Até que num momento se interrompe e sai-se com esta:
- As cerejas parecem flores do silêncio. E também respiram sozinhas. No entanto, juntam-se às duas e três para terem companhia.
E de repente, entre sins, enfins e afins, entre amigos, despontam palavras animadas, soltas e mal passadas.

- As conversas são como as cerejas: atrás d'umas vêm as outras

terça-feira, 24 de março de 2015

Provérbio individualista

Somos por costume social atacados por conselhos que não pedimos e observações impertinentes - por vezes ambíguas - fora de hora(s) e de lugar. Têm algum poder de poder azedar o dia ou parte dele.
Durante uns tempos utilizava em resposta a expressão "Como assim?" com uma certa indiferença mas, se não calava os predadores, ameaçava também ser início de mais palpites idiotas.
Por estes tempos, adoptei então um provérbio que rasteira mais considerações:

- Cada um sabe de si

P.S. - Post livre de preconceitos de apatia, e quiçá observando que às vezes há resposta, mas é invariavelmente só uma e a continuação do provérbio acima...
- E Deus sabe de todos...