Quando o amor chega ao fim
Se percebe que é como jardim
Que não foi cada dia cuidado
Sem que o par tenha reparado
Esqueceram-se os dois de podar
Ramos mortos e as flores regar
E após o desleixo nessa altura
Está visto que se deu a ruptura
Porque o apelo não é infinito
Nem o outro é sempre bonito
O amor tem de ter alimento
Ou será de estímulo isento
Há amores que duram vidas
Se estão as vontades unidas
E se existe carinho e respeito
Todavia nenhum é perfeito
Gostava de saber o segredo
Pra poder repetir esse enredo
E alcançar quase a felicidade
Que traria uma cara-metade
Mas tal como a mãe natureza
É processo sem grande certeza
Há que ouvir o que ela nos diz
Quando o plano é ser-se feliz
Na curva que dispõe o ouvido
Fica aquele mistério resolvido
A felicidade está só em semear
Que o colher vai um dia acabar
E a memória dessa sementeira
Pode durar uma vida inteira
A ideia é que se faça crescer
Todo o fruto em vez de colher