Provérbios Provados noutras casas:

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCXXXII

Tu escuta os mais idosos 
Mesmo se são teimosos 
E até se forem birrentos 
Desligados ou desatentos 

Sempre a darem opiniões 
Às quais juntam palavrões 
Mas tu tenta ter paciência 
Pondo a mão na consciência 

Não sabes o que te espera 
Quando acabar a Primavera 
E deres por ti num Outono 
Enferrujado e com sono 

Por isso tu escuta o que dizem 
Mesmo que de aparelhos precisem
Está provado que o cão velho 
Quando ladra dá bom conselho


quarta-feira, 15 de julho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCXXXI

Por hoje eu fecho a porta 
Apesar da empena torta 
E por ora arrumo a caneta 
Cansada de ser uma poeta 

Mas não vou embora de vez 
Continuo a escrever pra vocês 
Aguardai e não desesperais
Prometo que amanhã há mais 


Provérbio provado rimado - MDCCXXX

Mostras a típica postura 
De quem evita a decisão 
Esperas a melhor altura 
A fim de obter projecção 

E praticas a ambiguidade 
Usas frases contraditórias
Destapando pela metade 
As sentenças obrigatórias

O teu objectivo é agradar 
Ao mesmo tempo a gente 
E por isso não vais opinar 
Se surge um tópico quente 

Pela frente apoias as frentes 
Os dois lados duma discussão 
Ao passo que tu entre dentes 
Já murmuras outra opinião 

Podem ser atitudes opostas 
Dos dois cantos da barricada 
Que ambas têm razão apostas
Considerando as duas erradas 

E por não assumires posição 
Desconheces o que é firmeza 
Vais por onde os outros vão 
Sem ter um grama de certeza 

Essa falta dum compromisso 
Aprova qualquer argumento 
E tu não és confiável por isso 
Pois te prestas ao fingimento 

Sempre a jogar nos dois lados 
Vais tentando avivar o fogo 
Assim não enterras machados 
Com esse teu género de jogo 

És daqueles que não explicam
Tão pouco jamais se revoltam
Porque vais com os que ficam 
E até esperas pelos que voltam 


Provérbio provado rimado - MDCCXXIX

Ó Adérito tu volta filho 
Por mim estás perdoado 
Já me esqueci do sarilho 
Que arranjaste há bocado 

Adérito não te demores
Larga o que estás a fazer 
Mesmo que não decores
As frases que deves trazer 

Perdoo-te a falta de jeito 
Que caracteriza o teu gesto 
E a pouca noção do preceito 
Que o torne menos funesto

Também te desculpo ainda 
O não seres mais carinhoso 
E dou a conversa por finda 
Para tu não ficares receoso 

No fundo eu sou bom coração 
Sinto que mais vale perdoar 
Do que não desculpar uma acção 
E entender que é melhor castigar 


terça-feira, 14 de julho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCXXVIII

Não percebo se és limitado 
Ou se és apenas desleixado 
Ou tens défice de vitaminas 
Dado o modo como raciocinas

Tu não entendes à primeira 
Nem à segunda ou à terceira 
E porque paciência não tenho 
É melhor fazer-te um desenho 


Provérbio provado rimado - MDCCXXVII

Chegaste com uma comitiva 
E uma pose deveras altiva 
Trazendo a atitude postiça
De beata saída da missa 

Trazes uma cruz ao pescoço 
Na boca um sorriso insosso 
E cheia de lábia e de manha 
Inauguras a tua campanha 

Sempre que surges em directo 
Gostas de inventar novo repto 
Para que assim não esqueçam
E essa tua oratória enalteçam

No debate não mostras fleuma
Provocas constante celeuma 
E quando perdes a dianteira 
Mais pareces uma barraqueira

No teu estágio curto de vedeta
Antecipas tal como um profeta 
A eficácia das tuas medidas 
Quando e se forem admitidas

Com uma firme voz de comando 
Vais com promessas acenando 
E evitando os temas profundos 
Tu prometes mundos e fundos 




Provérbio provado do poeta alegado

Tal como de médico e de louco, também de poeta todos temos um pouco. E será mesmo só um pouco? Talvez um pouco mais do que um pouco apenas, que a veia poética é uma pulsão que produz sempre quociente.

Mas afinal o que tolhe esses poetas potenciais? A ditadura da coerência. A imposição dum procedimento. O procedimento que há-de permitir o estilo.  A confusão entre o estilo e a própria voz. A vida a que chamam real que não cede espaço a fantasias. Mas principalmente a vergonha. Ou melhor, o receio da vergonha antes que sequer ela assome. O medo do ridículo acena com um purgatório constante.

Chega a ser curioso que não se questionem a norma e a imposição sociais que acabam também por conter uma percentagem de erro e até de abstração.
Um dia, quando tudo for estatística, amparar a mediana será uma tentação.

Recuperando a meada, esticado que vai o fio no percurso, existe então uma veia poética universal inexplorada pela humanidade?
A fala do corpo não pode reclamar exclusividade; a voz interior, essa sim!, assina qualquer desejo com maior expressividade.

Os indivíduos continuam a surpreender-se com o rumo que seguem os próprios pensamentos quando a realidade extravasa o molde. São momentos de assombro e de convívio entre o temor e o espanto.
Para além das primeiras impressões, manda a óptica. Ter retina não basta. O sobrolho não se franze com linhas iguais em todos os olhos. Pestanas e sobrancelhas não dependem de compassos pré-determinados.
O modo de ver de cada pessoa muda as ocorrências para que melhor sirvam às circunstâncias.

Enquanto o médico e o louco têm uma receita para todas as questões, o poeta não apresenta soluções. Quando muito, imprime ncvos ritmos às perspectivas de quem o lê.
De cada vez que a leitura de um verso destapa uma nova estrada para um pensamento antigo, ocorrendo uma sensação de familiaridade ou identificação, não vale a pena procurar mais: é então que ocorre poesia.



- De poeta e de louco todos temos um pouco 

sábado, 11 de julho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCXXVI

O que a gente leva da vida 
É somente a vida que se leva 
Para que não seja esquecida 
É conveniente que se escreva 

Que se registem os momentos 
Bons ou maus ou assim assim 
Letras livres de julgamentos
Que pouco interessam no fim 


Provérbio provado rimado - MDCCXXV

A Fátima não tem descanso 
Nunca o seu gesto é manso
E em cada jornada é normal 
Ter sempre tensa a cervical 

Por agruras do seu calendário 
É tão apertado o seu horário 
E nessa rotina de lufa-lufa
Não pode ser flor de estufa 

Sempre a operar várias frentes 
Vai murmurando entre dentes 
Que não ganha soldo de bombeira 
Nem lhe pagam por cada rasteira

Ela anda em modo de corrida 
Não conhece outro tipo de vida 
Pois no fundo é muito receptiva 
A andar numa de roda-viva 


Provérbio provado rimado - MDCCXXIV

Há pessoas que não são capazes 
De manter a bocarra fechada 
Julgam-se dessa forma sagazes
Mas colocam a gente indignada 

Desbocadas em qualquer contexto 
Perdem sempre uma boa ocasião 
De assim calarem um pretexto 
Que os fez ter cada má intenção 

Não se julgue que é coisa pouca 
De desculpas ficar à míngua 
Que se o peixe morre pela boca 
Muita gente morre pela língua 

Quando certas palavras proferem
Estão em busca duma justificação 
E por tais desígnios esconderem 
É difícil que obtenham perdão 




Provérbio provado rimado - MDCCXXIII

Vejam bem o caro Rafael 
Já merecia o prémio Nobel 
Por ter escrito de antemão 
Um relato de desilusão 

Ao ter gizado esse enredo 
Deu-lhe um arrepio de medo 
E então decorou entrevistas 
Para evitar dar nas vistas 

Tendo cada gesto estudado 
Desejou jamais ser enganado 
E ao mostrar tal comportamento 
Não soube aproveitar o momento 

Foi assim que o nosso Rafael 
Representou um lindo papel 
Afinal ele um Óscar merecia 
Porque em cada acto fingia

Quando chegou a despedida 
Deu um doce e depois foi à vida 
Não fez nada do que prometeu 
E no fim foi um ar que lhe deu 



Provérbio provado rimado - MDCCXXII

A saudade pode até ressonar 
Se o amor se vira para o lado 
É o seu modo de reclamar 
Ao ver que este foi adiado 

Mas se a insónia experimentar 
Não precisa de ser despertado 
Que a saudade é preciso lembrar 
É o amor que ficou acordado 

Sempre alerta e em pose de dar 
Não exige ser recompensado 
Saudade e amor estão a par
Se este último for demorado 

Se parece que está a ensaiar 
Por não ter o texto decorado 
Tem um modo de improvisar 
Que o faz ser mal aproveitado 

O que irá no futuro causar 
Por agora é um caso ignorado 
Contudo se a saudade ajudar 
Ao vivo será bem desfrutado 


Provérbio provado rimado - MDCCXXI

É uma história muito antiga 
Que está repleta de intriga
Pois há que razões inventar 
Para as guerras justificar 

No mapa de tal geografia 
Só o poder tem primazia 
Como um jogo de tabuleiro 
Ganha quem arrisca primeiro 

Há só um objectivo final 
É arrecadar o vil metal 
E essa ambição tudo come
Do prato de quem passa fome 

São incríveis os vários álibis
Que constroem esses perfis 
Dos que pegam no microfone 
Com trejeitos dum cicerone 

E faltando tanto à verdade 
São modelos da falsidade 
Mostram que em tempo de guerra 
O que há mais é mentira na terra 




Provérbio provado rimado - MDCCXX

Ninguém atina com a razão 
De pareceres tão porcalhão 
Mas no fundo és um doente 
Em ti o achaque é frequente 

Tu sofres de dores constantes 
Queixas-te em muitos instantes 
E por isso o teu corpo achacoso
Jamais se apresenta cheiroso 

Toma todos os dias um banho 
Ou terás um cheiro estranho 
Como uma cebola nos sovacos 
Que se entranha nos casacos 

Os teus pés têm odor a queijo 
Assim ninguém te dá um beijo 
Todo o corpo te cheira a mofo
Quem se abeira tem de ter estofo

E o perfume do teu cabelo 
É igual ao bafo do camelo 
Precisa de imenso champô 
Mas toda a gente se calou

Não há quem tenha coragem 
De te transmitir a mensagem 
Ou então dar-te um sabonete 
Para usares depois da retrete 



Provérbio provado rimado - MDCCXIX

A cada ser humano sobram
As próprias interrogações 
Dispensa quando lhe cobram
E impõem outras condições 

Porque ele é dono e senhor 
Da sua entrada da frente 
E não vai incluir o favor 
De abri-la a toda a gente 

Tudo isto eu mesma intuí
Agindo com bons modos 
Afinal cada um sabe de si 
Só Deus é que sabe de todos 


sexta-feira, 10 de julho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCXVIII

Esse teu discurso tem brilho 
Debitas chavões em chorrilho 
Se começas não sabes parar 
Tu não aprendes a dialogar 

Tens muita léria e futilidade 
É a marca da personalidade 
À qual falta tanta substância 
Parece capricho de infância 

Porque dá-te muito na veneta
Contares treta atrás de treta 
E assim a cada nova laracha
Provas a conversa de chacha


Provérbio provado rimado - MDCCXVII

Nas alíneas do teu contrato 
Não há nada que salientar 
O teu esforço é dado barato 
Só contigo tu podes contar 

Então sê um peão cumpridor
Sem jamais esperares elogios
Se há prova de que tens valor 
Essa é soma de mais desafios 

E um dia ao estares ausente 
É que a falta te irão sentir 
Não és apenas competente 
Tu és difícil de substituir 

Ao te lançares para a frente 
Doutro emprego que te seduz 
Lembra-te de ser previdente 
Não tornes a assinar de cruz 




Provérbio provado rimado - MDCCXVI

Estou fartinha da tua conversa 
Ultimamente sabe-me a pouco 
Pode ter componente perversa 
Porém o resultado é tão oco

Só o sexo é que tem qualidade 
Mas todavia no dia a seguir 
Sinto que houve apenas metade 
Daquilo que poderia existir 

Com a estima assim decrescente 
Tenho medo de algo te propor 
Por saber que te é indiferente 
Que haja poucas vezes calor 

Já pensei que tu eras medricas 
Por esconderes essa tua afeição 
Mas agora só acho que ficas 
Sem interesse depois da tesão 

Como está é-te mais confortável 
Sem partilhas e sem amarras
Contudo é pra mim questionável
Que desprendas enquanto agarras

Considerei para sempre partir
Para experimentar se falta te faço 
Com receio de então descobrir 
Que jamais existiu esse laço 

Feitas todas as contas não chego
A nenhuma real conclusão 
E neste limbo e desassossego 
Estou mais perto da desilusão 

Os teus silêncios prolongados
Deixam-me muito decepcionada 
Por saber que são planeados 
Para eu não ficar apaixonada 

Eu não sei como não percebeste 
Que esse rumo vem tarde demais 
Ao tirares o que antes me deste 
Fazes estragos monumentais 

Nunca tens a resposta certa 
Não mereces a minha atenção 
Acho uma injustiça completa 
Que me deixes ficar na mão 


Provérbio provado rimado - MDCCXV

Aquele que recebe e chora 
Sem cuidar de quem o ajudou 
Ao virar as costas ignora 
Esquece quem o amparou

É um grande mal agradecido 
Nem sequer percebe o estrago 
De ter posto o outro fodido
E ainda por cima mal pago 


Provérbio provado rimado - MDCCXIV

Quem leva um saco para dar
Leva outro também para trazer
No fundo está só a emprestar
Com um intuito de recolher