Quem leva um saco para dar
Leva outro também para trazer
No fundo está só a emprestar
Com um intuito de recolher
sexta-feira, 10 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXIII
Topo o teu feitio de ginjeira
Os trejeitos e as reacções
Queres tudo à tua maneira
Mesmo se não há condições
Antecipo o teu comportamento
Pois conheço-te a personalidade
Se pudesses tinhas um regimento
Para satisfazer cada vontade
Mas comigo não fazes farinha
Eu já dei para o teu peditório
Que eu prefiro ficar sozinha
E defender o meu território
Pra malucos aqui não há pão
Nem colo ou palmadas nas costas
E é tão escusado pedires perdão
Estou-me a cagar se não gostas
Desta vez tu pisaste o risco
E fizeste uma valente merda
Tira essa postura de arisco
É mais tua que minha a perda
Tu regressa por donde vieste
Porque a tua atitude me afasta
Foste parvo e não te contiveste
Já sei bem o que a casa gasta
Provérbio provado rimado - MDCCXII
Por norma uma confidência
Dá lugar à maledicência
Muitos não sabem guardar
Um segredo sem o contar
Têm uma língua de trapos
E já mereciam uns sopapos
Por pôr nas bocas do mundo
O que era segredo profundo
Provérbio provado rimado - MDCCXI
Se tu gostas de pôr o carro
À frente dos bois que o arrastam
Tem lá calma ou não te agarro
E só dois encontros me bastam
O segundo já foi suplemento
Dei-te outra oportunidade
Para ver se um novo momento
Me despertava uma vontade
Mas foi tal a falta de interesse
Não senti qualquer tipo de chama
Como se eu fechada estivesse
Perante um prenúncio de cama
Provérbio provado rimado - MDCCX
O demónio anda contigo
Faz do teu corpo abrigo
E até se imiscui na cabeça
Pois ele é uma bela peça
Faz de ti um ser agitado
Belicoso e muito irritado
Em breve tu levas o troco
Por teres o diabo no corpo
quinta-feira, 9 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCIX
Eu nunca aprendi nada
Jogando só pelo seguro
Mais quero ficar espantada
E tirar da frente esse muro
Eu prefiro ir à confiança
E deixar o medo para trás
Como outrora quando criança
De tudo me pensava capaz
E agora na idade adulta
Em que a vida é instantânea
Espero não levar uma multa
Por me manter espontânea
Provérbio provado rimado - MDCCVIII
Se às vezes te cai a ficha
É quando o destino te lixa
E a sorte não te acarinha
Paciência é assim a vidinha
É quando o destino te lixa
E a sorte não te acarinha
Paciência é assim a vidinha
Provérbio provado rimado - MDCCVII
Não digas mal dos demais
Mesmo nos actos banais
Guarda a tua língua afiada
É melhor ter a boca calada
Tão pouco te vás enfadar
Com o que alguém te contar
Mais atrevido que quem diz
É quem chega a mostarda ao nariz
Mesmo nos actos banais
Guarda a tua língua afiada
É melhor ter a boca calada
Tão pouco te vás enfadar
Com o que alguém te contar
Mais atrevido que quem diz
É quem chega a mostarda ao nariz
sábado, 4 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCVI
O tempo por mais que refiles
É o teu calcanhar de Aquiles
A idade é o que te atormenta
Pois queres chegar aos oitenta
Só um número é diz o povo
Que se soma a um ano novo
Não te assina a identidade
Ou quem és face à sociedade
Esquece esse teu ponto fraco
Que te põe os nervos num caco
E não menosprezes a velhice
Como se fosse grande chatice
Porque até o Aquiles sofreu
O que talvez não mereceu
E apesar de sentir a derrota
Em Tróia ele não fez batota
Ficou preso pelo calcanhar
Que a deusa não quis largar
Ao ficar assim tão vulnerável
O desfecho foi inevitável
Provérbio provado rimado - MDCCV
Ó compadre se tens fome
Tens as tripas a roncar
Procura o que se come
Para a fome contentar
Um cozido à portuguesa
Com orelha e com focinho
Já te arruma a fraqueza
Ao fazer par com o vinho
Porém tu talvez prefiras
Um bom prato de feijoada
Que num ápice tu viras
Se ela for bem apurada
Deixa os feijões de lado
Puxa a cadeira para cá
Toma bacalhau dourado
Outro igual assim não há
Se queres peixe há choco
Bem frito ou com tinta
Que te vai saber a pouco
E te obriga a usar cinta
Não reclames camarada
E pede uma francesinha
Com o picante atestada
O mais forte da cozinha
Seja carne peixe ou pão
O que vier é que morre
Para teres uma refeição
Que o estômago te forre
Se no final houver ceia
Não te será indiferente
Já que a barriga cheia
Faz o coração contente
Tens as tripas a roncar
Procura o que se come
Para a fome contentar
Um cozido à portuguesa
Com orelha e com focinho
Já te arruma a fraqueza
Ao fazer par com o vinho
Porém tu talvez prefiras
Um bom prato de feijoada
Que num ápice tu viras
Se ela for bem apurada
Deixa os feijões de lado
Puxa a cadeira para cá
Toma bacalhau dourado
Outro igual assim não há
Se queres peixe há choco
Bem frito ou com tinta
Que te vai saber a pouco
E te obriga a usar cinta
Não reclames camarada
E pede uma francesinha
Com o picante atestada
O mais forte da cozinha
Seja carne peixe ou pão
O que vier é que morre
Para teres uma refeição
Que o estômago te forre
Se no final houver ceia
Não te será indiferente
Já que a barriga cheia
Faz o coração contente
quinta-feira, 2 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCIV
Não entendo o que tu esperas
Com tamanho ataque frequente
Tu desejas lançar-me às feras
Mas porém eu fico indiferente
Assim ficas a falar tu sozinha
Ignoro as tuas provocações
E a resposta é ficar na minha
Não dou pasto às tuas questões
Logo não te devo um só chavo
Um euro ou sequer um tostão
Contudo deves-me o agravo
Ao vir com sete pedras na mão
segunda-feira, 29 de junho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCIII
O rato é um bicho nojento
No lixo encontra sustento
Ele está onde há sujidade
Nas catacumbas da cidade
Nesse mundo só há escuridão
Mas o rato pressente o clarão
Foge logo a escapar da morte
Apressado abusando da sorte
Dá valor aos pressentimentos
Já que o rato tem sentimentos
Sente medo e sente euforia
Tem presságios de epifania
Tem um faro de perdigueiro
Por isso é sempre o primeiro
A pôr em curso o desafio
De abandonar o navio
Provérbio provado rimado - MDCCII
Faz o bem sem olhar a quem
Mesmo se não retorna tal bem
Que a moral cristã te ordena
Enquanto os pecadores condena
E apesar de não teres benefício
Fá-lo-ás sem qualquer sacrifício
Sempre justo e tão abnegado
O teu gesto é desinteressado
domingo, 28 de junho de 2026
Provérbio provado num verso branco - CLVII
Subitamente rompe-se um mundo inteiro do lado de fora
E o lado de lá acrescenta surpresa ao nascimento
Mas desse espanto não atestam certidões e certificados
Porque nenhuma memória antecede a descoberta
Até que esta reste somente como memória
Toda a existência se torna então promessa
Como um presente onde o presente avalia
O melhor de cada dia a bem da história de cada um
Colecção de verdades individuais supérfluas
De poses ensaiadas que o próprio enganam
Da veneração de mentiras comummente aceites
E tantas vezes o interior se vai esboroando em segredo
O erro filosófico foi acreditar que o raro é útil
Para que se aceite mais facilmente a vulgaridade
Que torna intocáveis convicções e vaidades
O peito transporta este enorme elefante branco
Que não move moinhos e apenas consome
O oxigénio que dá liberdade ao pensamento
E o lado de lá acrescenta surpresa ao nascimento
Mas desse espanto não atestam certidões e certificados
Porque nenhuma memória antecede a descoberta
Até que esta reste somente como memória
Toda a existência se torna então promessa
Como um presente onde o presente avalia
O melhor de cada dia a bem da história de cada um
Colecção de verdades individuais supérfluas
De poses ensaiadas que o próprio enganam
Da veneração de mentiras comummente aceites
E tantas vezes o interior se vai esboroando em segredo
O erro filosófico foi acreditar que o raro é útil
Para que se aceite mais facilmente a vulgaridade
Que torna intocáveis convicções e vaidades
O peito transporta este enorme elefante branco
Que não move moinhos e apenas consome
O oxigénio que dá liberdade ao pensamento
Provérbio provado rimado - MDCCI
Acontece ao teu coração
Colocar-se no sítio errado
E sem qualquer hesitação
Sair pela boca disparado
Podem achar-te descuidada
E até pensar que és louca
Lá no fundo és precipitada
Tens o coração ao pé da boca
Colocar-se no sítio errado
E sem qualquer hesitação
Sair pela boca disparado
Podem achar-te descuidada
E até pensar que és louca
Lá no fundo és precipitada
Tens o coração ao pé da boca
Provérbio provado rimado - MDCC
O Ambrósio é o meu motorista
Que é sempre tão leal e servil
Ele nunca roçou a conquista
E atura o meu modo infantil
Conduz devagar o veículo
Onde eu passeio a vaidade
Sem jamais coçar o testículo
Satisfaz-me qualquer vontade
Pois sou pessoa de capricho
Além disso bastante birrenta
Convivo com gente de nicho
Que a soberba me contenta
Sou queque e muito afectada
Porque tenho um gene fidalgo
E só pretendo ser bem tratada
Ó Ambrósio apetece-me algo
Que é sempre tão leal e servil
Ele nunca roçou a conquista
E atura o meu modo infantil
Conduz devagar o veículo
Onde eu passeio a vaidade
Sem jamais coçar o testículo
Satisfaz-me qualquer vontade
Pois sou pessoa de capricho
Além disso bastante birrenta
Convivo com gente de nicho
Que a soberba me contenta
Sou queque e muito afectada
Porque tenho um gene fidalgo
E só pretendo ser bem tratada
Ó Ambrósio apetece-me algo
Provérbio provado rimado - MDCXCIX
O tempo tem duplo sentido
Além de se ver percorrido
Passa e ao passar amarrota
Fazendo pregas com batota
E não é possível controlar
O que não pára de passar
Em face das horas presentes
Somos apenas sobreviventes
Além de se ver percorrido
Passa e ao passar amarrota
Fazendo pregas com batota
E não é possível controlar
O que não pára de passar
Em face das horas presentes
Somos apenas sobreviventes
Provérbio provado rimado - MCDXCVIII
Todos nos conhecem um pouco
Mas ninguém sabe quem somos
Mais de que na casca é nos gomos
Que se esconde um gene de louco
Se calhar há uma veia poética
Que relata como o que sentimos
É diferente do que assistimos
De uma forma algo profética
Esta é uma filosofia de bolso
Não quer ninguém convencer
Deixa espaço para escolher
Se mostrar ferida se osso
E para quem prefere exibir
Conquistas e tanta alegria
Só porque tem essa mania
Do bom e do mau distinguir
Que então ignore os sinais
Ponha toda a fé no remédio
Que combate o tipo de tédio
Que se cola às coisas banais
Por isso não esqueças de dar
Uns ares dessa tua graça
Que mesmo face à desgraça
Sabe como se reinventar
Mas ninguém sabe quem somos
Mais de que na casca é nos gomos
Que se esconde um gene de louco
Se calhar há uma veia poética
Que relata como o que sentimos
É diferente do que assistimos
De uma forma algo profética
Esta é uma filosofia de bolso
Não quer ninguém convencer
Deixa espaço para escolher
Se mostrar ferida se osso
E para quem prefere exibir
Conquistas e tanta alegria
Só porque tem essa mania
Do bom e do mau distinguir
Que então ignore os sinais
Ponha toda a fé no remédio
Que combate o tipo de tédio
Que se cola às coisas banais
Por isso não esqueças de dar
Uns ares dessa tua graça
Que mesmo face à desgraça
Sabe como se reinventar
Provérbio provado rimado - MCDXCVII
Feito de carne de sonho e de vento
Ruma o navio por mares de espanto
Cruza a tormenta e o próprio lamento
Ignora o perigo escondido num canto
Lá no horizonte na noite escura
O farol acende um olho de brasa
É a lucidez que a mente procura
Há nessa luz a promessa de casa
Na distância que encurta o caminho
A alma distrai-se no fim da viagem
Solta-se o leme que navega sozinho
Cego pelo brilho da falsa miragem
A barra é o limite o aceno da terra
Onde a soberba supera a atenção
Ignora demónios que o mar encerra
Nas águas revoltas da vaga ilusão
Basta um segundo de falsa certeza
Para que o descuido roube o desvio
Uma rocha desfaça qualquer grandeza
Que à boca da barra se perde o navio
Ruma o navio por mares de espanto
Cruza a tormenta e o próprio lamento
Ignora o perigo escondido num canto
Lá no horizonte na noite escura
O farol acende um olho de brasa
É a lucidez que a mente procura
Há nessa luz a promessa de casa
Na distância que encurta o caminho
A alma distrai-se no fim da viagem
Solta-se o leme que navega sozinho
Cego pelo brilho da falsa miragem
A barra é o limite o aceno da terra
Onde a soberba supera a atenção
Ignora demónios que o mar encerra
Nas águas revoltas da vaga ilusão
Basta um segundo de falsa certeza
Para que o descuido roube o desvio
Uma rocha desfaça qualquer grandeza
Que à boca da barra se perde o navio
sexta-feira, 26 de junho de 2026
Provérbio provado rimado - MCDXCVI
Tu tens a tendência perversa
De vir estragar a conversa
Com umas larachas da treta
Eu vou responder-te à letra
Sei que não estavas à espera
Que eu virasse uma fera
É assim de semblante triste
Tiveste a paga que pediste
Depois da resposta escutares
Escusas de então dar-te ares
Guarda lá no saco a viola
Que daqui não levas esmola
Subscrever:
Mensagens (Atom)



















