Provérbios Provados noutras casas:

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCXVIII

Esse teu discurso tem brilho 
Debitas chavões em chorrilho 
Se começas não sabes parar 
Tu não aprendes a dialogar 

Tens muita léria e futilidade 
É a marca da personalidade 
À qual falta tanta substância 
Parece capricho de infância 

Porque dá-te muito na veneta
Contares treta atrás de treta 
E assim a cada nova laracha
Provas a conversa de chacha


Provérbio provado rimado - MDCCXVII

Nas alíneas do teu contrato 
Não há nada que salientar 
O teu esforço é dado barato 
Só contigo tu podes contar 

Então sê um peão cumpridor
Sem jamais esperares elogios
Se há prova de que tens valor 
Essa é soma de mais desafios 

E um dia ao estares ausente 
É que a falta te irão sentir 
Não és apenas competente 
Tu és difícil de substituir 

Ao te lançares para a frente 
Doutro emprego que te seduz 
Lembra-te de ser previdente 
Não tornes a assinar de cruz 




Provérbio provado rimado - MDCCXVI

Estou fartinha da tua conversa 
Ultimamente sabe-me a pouco 
Pode ter componente perversa 
Porém o resultado é tão oco

Só o sexo é que tem qualidade 
Mas todavia no dia a seguir 
Sinto que houve apenas metade 
Daquilo que poderia existir 

Com a estima assim decrescente 
Tenho medo de algo te propor 
Por saber que te é indiferente 
Que haja poucas vezes calor 

Já pensei que tu eras medricas 
Por esconderes essa tua afeição 
Mas agora só acho que ficas 
Sem interesse depois da tesão 

Como está é-te mais confortável 
Sem partilhas e sem amarras
Contudo é pra mim questionável
Que desprendas enquanto agarras

Considerei para sempre partir
Para experimentar se falta te faço 
Com receio de então descobrir 
Que jamais existiu esse laço 

Feitas todas as contas não chego
A nenhuma real conclusão 
E neste limbo e desassossego 
Estou mais perto da desilusão 

Os teus silêncios prolongados
Deixam-me muito decepcionada 
Por saber que são planeados 
Para eu não ficar apaixonada 

Eu não sei como não percebeste 
Que esse rumo vem tarde demais 
Ao tirares o que antes me deste 
Fazes estragos monumentais 

Nunca tens a resposta certa 
Não mereces a minha atenção 
Acho uma injustiça completa 
Que me deixes ficar na mão 


Provérbio provado rimado - MDCCXV

Aquele que recebe e chora 
Sem cuidar de quem o ajudou 
Ao virar as costas ignora 
Esquece quem o amparou

É um grande mal agradecido 
Nem sequer percebe o estrago 
De ter posto o outro fodido
E ainda por cima mal pago 


Provérbio provado rimado - MDCCXIV

Quem leva um saco para dar
Leva outro também para trazer
No fundo está só a emprestar
Com um intuito de recolher 


Provérbio provado rimado - MDCCXIII

Topo o teu feitio de ginjeira 
Os trejeitos e as reacções 
Queres tudo à tua maneira 
Mesmo se não há condições 

Antecipo o teu comportamento 
Pois conheço-te a personalidade 
Se pudesses tinhas um regimento 
Para satisfazer cada vontade 

Mas comigo não fazes farinha 
Eu já dei para o teu peditório 
Que eu prefiro ficar sozinha 
E defender o meu território 

Pra malucos aqui não há pão 
Nem colo ou palmadas nas costas 
E é tão escusado pedires perdão 
Estou-me a cagar se não gostas 

Desta vez tu pisaste o risco 
E fizeste uma valente merda 
Tira essa postura de arisco
É mais tua que minha a perda

Tu regressa por donde vieste 
Porque a tua atitude me afasta
Foste parvo e não te contiveste
Já sei bem o que a casa gasta 



Provérbio provado rimado - MDCCXII

Por norma uma confidência
Dá lugar à maledicência 
Muitos não sabem guardar 
Um segredo sem o contar 

Têm uma língua de trapos 
E já mereciam uns sopapos 
Por pôr nas bocas do mundo 
O que era segredo profundo 


Provérbio provado rimado - MDCCXI

Se tu gostas de pôr o carro 
À frente dos bois que o arrastam 
Tem lá calma ou não te agarro
E só dois encontros me bastam 

O segundo já foi suplemento 
Dei-te outra oportunidade 
Para ver se um novo momento 
Me despertava uma vontade 

Mas foi tal a falta de interesse 
Não senti qualquer tipo de chama
Como se eu fechada estivesse 
Perante um prenúncio de cama 


Provérbio provado rimado - MDCCX

O demónio anda contigo 
Faz do teu corpo abrigo 
E até se imiscui na cabeça 
Pois ele é uma bela peça 

Faz de ti um ser agitado 
Belicoso e muito irritado 
Em breve tu levas o troco 
Por teres o diabo no corpo 


quinta-feira, 9 de julho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCIX

Eu nunca aprendi nada 
Jogando só pelo seguro 
Mais quero ficar espantada 
E tirar da frente esse muro 

Eu prefiro ir à confiança 
E deixar o medo para trás 
Como outrora quando criança 
De tudo me pensava capaz 

E agora na idade adulta 
Em que a vida é instantânea
Espero não levar uma multa 
Por me manter espontânea 


Provérbio provado rimado - MDCCVIII

Se às vezes te cai a ficha
É quando o destino te lixa
E a sorte não te acarinha
Paciência é assim a vidinha


Provérbio provado rimado - MDCCVII

Não digas mal dos demais
Mesmo nos actos banais
Guarda a tua língua afiada
É melhor ter a boca calada

Tão pouco te vás enfadar
Com o que alguém te contar
Mais atrevido que quem diz
É quem chega a mostarda ao nariz 


sábado, 4 de julho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCVI

O tempo por mais que refiles
É o teu calcanhar de Aquiles 
A idade é o que te atormenta 
Pois queres chegar aos oitenta 

Só um número é diz o povo 
Que se soma a um ano novo 
Não te assina a identidade 
Ou quem és face à sociedade 

Esquece esse teu ponto fraco 
Que te põe os nervos num caco
E não menosprezes a velhice 
Como se fosse grande chatice 

Porque até o Aquiles sofreu 
O que talvez não mereceu 
E apesar de sentir a derrota 
Em Tróia ele não fez batota 

Ficou preso pelo calcanhar 
Que a deusa não quis largar 
Ao ficar assim tão vulnerável 
O desfecho foi inevitável 


Provérbio provado rimado - MDCCV

Ó compadre se tens fome
Tens as tripas a roncar
Procura o que se come
Para a fome contentar

Um cozido à portuguesa
Com orelha e com focinho
Já te arruma a fraqueza
Ao fazer par com o vinho

Porém tu talvez prefiras
Um bom prato de feijoada
Que num ápice tu viras
Se ela for bem apurada

Deixa os feijões de lado
Puxa a cadeira para cá
Toma bacalhau dourado
Outro igual assim não há

Se queres peixe há choco
Bem frito ou com tinta
Que te vai saber a pouco
E te obriga a usar cinta

Não reclames camarada
E pede uma francesinha
Com o picante atestada
O mais forte da cozinha

Seja carne peixe ou pão
O que vier é que morre
Para teres uma refeição
Que o estômago te forre

Se no final houver ceia
Não te será indiferente
Já que a barriga cheia
Faz o coração contente 



quinta-feira, 2 de julho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCIV

Não entendo o que tu esperas
Com tamanho ataque frequente 
Tu desejas lançar-me às feras 
Mas porém eu fico indiferente 

Assim ficas a falar tu sozinha 
Ignoro as tuas provocações 
E a resposta é ficar na minha 
Não dou pasto às tuas questões 

Logo não te devo um só chavo
Um euro ou sequer um tostão 
Contudo deves-me o agravo
Ao vir com sete pedras na mão 


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCIII

O rato é um bicho nojento 
No lixo encontra sustento
Ele está onde há sujidade 
Nas catacumbas da cidade 

Nesse mundo só há escuridão 
Mas o rato pressente o clarão 
Foge logo a escapar da morte 
Apressado abusando da sorte 

Dá valor aos pressentimentos 
Já que o rato tem sentimentos
Sente medo e sente euforia 
Tem presságios de epifania

Tem um faro de perdigueiro 
Por isso é sempre o primeiro 
A pôr em curso o desafio 
De abandonar o navio 


Provérbio provado rimado - MDCCII

Faz o bem sem olhar a quem 
Mesmo se não retorna tal bem 
Que a moral cristã te ordena
Enquanto os pecadores condena

E apesar de não teres benefício 
Fá-lo-ás sem qualquer sacrifício 
Sempre justo e tão abnegado 
O teu gesto é desinteressado 


domingo, 28 de junho de 2026

Provérbio provado num verso branco - CLVII

Subitamente rompe-se um mundo inteiro do lado de fora
E o lado de lá acrescenta surpresa ao nascimento
Mas desse espanto não atestam certidões e certificados
Porque nenhuma memória antecede a descoberta
Até que esta reste somente como memória

Toda a existência se torna então promessa
Como um presente onde o presente avalia
O melhor de cada dia a bem da história de cada um
Colecção de verdades individuais supérfluas
De poses ensaiadas que o próprio enganam
Da veneração de mentiras comummente aceites
E tantas vezes o interior se vai esboroando em segredo

O erro filosófico foi acreditar que o raro é útil
Para que se aceite mais facilmente a vulgaridade
Que torna intocáveis convicções e vaidades
O peito transporta este enorme elefante branco
Que não move moinhos e apenas consome
O oxigénio que dá liberdade ao pensamento

 

Provérbio provado rimado - MDCCI

Acontece ao teu coração 
Colocar-se no sítio errado 
E sem qualquer hesitação  
Sair pela boca disparado 

Podem achar-te descuidada
E até pensar que és louca 
Lá no fundo és precipitada
Tens o coração ao pé da boca 


Provérbio provado rimado - MDCC

O Ambrósio é o meu motorista
Que é sempre tão leal e servil
Ele nunca roçou a conquista
E atura o meu modo infantil

Conduz devagar o veículo
Onde eu passeio a vaidade
Sem jamais coçar o testículo
Satisfaz-me qualquer vontade

Pois sou pessoa de capricho
Além disso bastante birrenta
Convivo com gente de nicho
Que a soberba me contenta

Sou queque e muito afectada
Porque tenho um gene fidalgo
E só pretendo ser bem tratada
Ó Ambrósio apetece-me algo