Provérbios Provados noutras casas:

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCXIV

Quem leva um saco para dar
Leva outro também para trazer
No fundo está só a emprestar
Com um intuito de recolher 


Provérbio provado rimado - MDCCXIII

Topo o teu feitio de ginjeira 
Os trejeitos e as reacções 
Queres tudo à tua maneira 
Mesmo se não há condições 

Antecipo o teu comportamento 
Pois conheço-te a personalidade 
Se pudesses tinhas um regimento 
Para satisfazer cada vontade 

Mas comigo não fazes farinha 
Eu já dei para o teu peditório 
Que eu prefiro ficar sozinha 
E defender o meu território 

Pra malucos aqui não há pão 
Nem colo ou palmadas nas costas 
E é tão escusado pedires perdão 
Estou-me a cagar se não gostas 

Desta vez tu pisaste o risco 
E fizeste uma valente merda 
Tira essa postura de arisco
É mais tua que minha a perda

Tu regressa por donde vieste 
Porque a tua atitude me afasta
Foste parvo e não te contiveste
Já sei bem o que a casa gasta 



Provérbio provado rimado - MDCCXII

Por norma uma confidência
Dá lugar à maledicência 
Muitos não sabem guardar 
Um segredo sem o contar 

Têm uma língua de trapos 
E já mereciam uns sopapos 
Por pôr nas bocas do mundo 
O que era segredo profundo 


Provérbio provado rimado - MDCCXI

Se tu gostas de pôr o carro 
À frente dos bois que o arrastam 
Tem lá calma ou não te agarro
E só dois encontros me bastam 

O segundo já foi suplemento 
Dei-te outra oportunidade 
Para ver se um novo momento 
Me despertava uma vontade 

Mas foi tal a falta de interesse 
Não senti qualquer tipo de chama
Como se eu fechada estivesse 
Perante um prenúncio de cama 


Provérbio provado rimado - MDCCX

O demónio anda contigo 
Faz do teu corpo abrigo 
E até se imiscui na cabeça 
Pois ele é uma bela peça 

Faz de ti um ser agitado 
Belicoso e muito irritado 
Em breve tu levas o troco 
Por teres o diabo no corpo 


quinta-feira, 9 de julho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCIX

Eu nunca aprendi nada 
Jogando só pelo seguro 
Mais quero ficar espantada 
E tirar da frente esse muro 

Eu prefiro ir à confiança 
E deixar o medo para trás 
Como outrora quando criança 
De tudo me pensava capaz 

E agora na idade adulta 
Em que a vida é instantânea
Espero não levar uma multa 
Por me manter espontânea 


Provérbio provado rimado - MDCCVIII

Se às vezes te cai a ficha
É quando o destino te lixa
E a sorte não te acarinha
Paciência é assim a vidinha


Provérbio provado rimado - MDCCVII

Não digas mal dos demais
Mesmo nos actos banais
Guarda a tua língua afiada
É melhor ter a boca calada

Tão pouco te vás enfadar
Com o que alguém te contar
Mais atrevido que quem diz
É quem chega a mostarda ao nariz 


sábado, 4 de julho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCVI

O tempo por mais que refiles
É o teu calcanhar de Aquiles 
A idade é o que te atormenta 
Pois queres chegar aos oitenta 

Só um número é diz o povo 
Que se soma a um ano novo 
Não te assina a identidade 
Ou quem és face à sociedade 

Esquece esse teu ponto fraco 
Que te põe os nervos num caco
E não menosprezes a velhice 
Como se fosse grande chatice 

Porque até o Aquiles sofreu 
O que talvez não mereceu 
E apesar de sentir a derrota 
Em Tróia ele não fez batota 

Ficou preso pelo calcanhar 
Que a deusa não quis largar 
Ao ficar assim tão vulnerável 
O desfecho foi inevitável 


Provérbio provado rimado - MDCCV

Ó compadre se tens fome
Tens as tripas a roncar
Procura o que se come
Para a fome contentar

Um cozido à portuguesa
Com orelha e com focinho
Já te arruma a fraqueza
Ao fazer par com o vinho

Porém tu talvez prefiras
Um bom prato de feijoada
Que num ápice tu viras
Se ela for bem apurada

Deixa os feijões de lado
Puxa a cadeira para cá
Toma bacalhau dourado
Outro igual assim não há

Se queres peixe há choco
Bem frito ou com tinta
Que te vai saber a pouco
E te obriga a usar cinta

Não reclames camarada
E pede uma francesinha
Com o picante atestada
O mais forte da cozinha

Seja carne peixe ou pão
O que vier é que morre
Para teres uma refeição
Que o estômago te forre

Se no final houver ceia
Não te será indiferente
Já que a barriga cheia
Faz o coração contente 



quinta-feira, 2 de julho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCIV

Não entendo o que tu esperas
Com tamanho ataque frequente 
Tu desejas lançar-me às feras 
Mas porém eu fico indiferente 

Assim ficas a falar tu sozinha 
Ignoro as tuas provocações 
E a resposta é ficar na minha 
Não dou pasto às tuas questões 

Logo não te devo um só chavo
Um euro ou sequer um tostão 
Contudo deves-me o agravo
Ao vir com sete pedras na mão 


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCIII

O rato é um bicho nojento 
No lixo encontra sustento
Ele está onde há sujidade 
Nas catacumbas da cidade 

Nesse mundo só há escuridão 
Mas o rato pressente o clarão 
Foge logo a escapar da morte 
Apressado abusando da sorte 

Dá valor aos pressentimentos 
Já que o rato tem sentimentos
Sente medo e sente euforia 
Tem presságios de epifania

Tem um faro de perdigueiro 
Por isso é sempre o primeiro 
A pôr em curso o desafio 
De abandonar o navio 


Provérbio provado rimado - MDCCII

Faz o bem sem olhar a quem 
Mesmo se não retorna tal bem 
Que a moral cristã te ordena
Enquanto os pecadores condena

E apesar de não teres benefício 
Fá-lo-ás sem qualquer sacrifício 
Sempre justo e tão abnegado 
O teu gesto é desinteressado 


domingo, 28 de junho de 2026

Provérbio provado num verso branco - CLVII

Subitamente rompe-se um mundo inteiro do lado de fora
E o lado de lá acrescenta surpresa ao nascimento
Mas desse espanto não atestam certidões e certificados
Porque nenhuma memória antecede a descoberta
Até que esta reste somente como memória

Toda a existência se torna então promessa
Como um presente onde o presente avalia
O melhor de cada dia a bem da história de cada um
Colecção de verdades individuais supérfluas
De poses ensaiadas que o próprio enganam
Da veneração de mentiras comummente aceites
E tantas vezes o interior se vai esboroando em segredo

O erro filosófico foi acreditar que o raro é útil
Para que se aceite mais facilmente a vulgaridade
Que torna intocáveis convicções e vaidades
O peito transporta este enorme elefante branco
Que não move moinhos e apenas consome
O oxigénio que dá liberdade ao pensamento

 

Provérbio provado rimado - MDCCI

Acontece ao teu coração 
Colocar-se no sítio errado 
E sem qualquer hesitação  
Sair pela boca disparado 

Podem achar-te descuidada
E até pensar que és louca 
Lá no fundo és precipitada
Tens o coração ao pé da boca 


Provérbio provado rimado - MDCC

O Ambrósio é o meu motorista
Que é sempre tão leal e servil
Ele nunca roçou a conquista
E atura o meu modo infantil

Conduz devagar o veículo
Onde eu passeio a vaidade
Sem jamais coçar o testículo
Satisfaz-me qualquer vontade

Pois sou pessoa de capricho
Além disso bastante birrenta
Convivo com gente de nicho
Que a soberba me contenta

Sou queque e muito afectada
Porque tenho um gene fidalgo
E só pretendo ser bem tratada
Ó Ambrósio apetece-me algo
 

Provérbio provado rimado - MDCXCIX

O tempo tem duplo sentido
Além de se ver percorrido
Passa e ao passar amarrota
Fazendo pregas com batota

E não é possível controlar
O que não pára de passar
Em face das horas presentes
Somos apenas sobreviventes


Provérbio provado rimado - MCDXCVIII

Todos nos conhecem um pouco
Mas ninguém sabe quem somos
Mais de que na casca é nos gomos
Que se esconde um gene de louco

Se calhar há uma veia poética
Que relata como o que sentimos
É diferente do que assistimos
De uma forma algo profética

Esta é uma filosofia de bolso
Não quer ninguém convencer
Deixa espaço para escolher
Se mostrar ferida se osso

E para quem prefere exibir
Conquistas e tanta alegria
Só porque tem essa mania
Do bom e do mau distinguir

Que então ignore os sinais
Ponha toda a fé no remédio
Que combate o tipo de tédio
Que se cola às coisas banais

Por isso não esqueças de dar
Uns ares dessa tua graça
Que mesmo face à desgraça
Sabe como se reinventar 



Provérbio provado rimado - MCDXCVII

Feito de carne de sonho e de vento
Ruma o navio por mares de espanto
Cruza a tormenta e o próprio lamento
Ignora o perigo escondido num canto

Lá no horizonte na noite escura
O farol acende um olho de brasa
É a lucidez que a mente procura
Há nessa luz a promessa de casa

Na distância que encurta o caminho
A alma distrai-se no fim da viagem
Solta-se o leme que navega sozinho
Cego pelo brilho da falsa miragem

A barra é o limite o aceno da terra
Onde a soberba supera a atenção
Ignora demónios que o mar encerra
Nas águas revoltas da vaga ilusão

Basta um segundo de falsa certeza
Para que o descuido roube o desvio
Uma rocha desfaça qualquer grandeza
Que à boca da barra se perde o navio



sexta-feira, 26 de junho de 2026

Provérbio provado rimado - MCDXCVI

Tu tens a tendência perversa 

De vir estragar a conversa 

Com umas larachas da treta 

Eu vou responder-te à letra 


Sei que não estavas à espera 

Que eu virasse uma fera 

É assim de semblante triste 

Tiveste a paga que pediste 


Depois da resposta escutares

Escusas de então dar-te ares

Guarda lá no saco a viola 

Que daqui não levas esmola