Crês que precisas de espaço
E que não te falta um abraço
Mas podes as armas baixar
Que eu não te vou sufocar
Quando perderes a alergia
À minha frase de bom dia
Então deixarás de sozinho
Trilhar assim teu caminho
Estou longe de ser perfeita
Mas não tenho a mala feita
Não preciso de um provedor
Apenas de carinho e amor
Bem sei que sou apressada
Impaciente e tão precipitada
Contudo o teu ritmo diverso
Faz-me escrever este verso
Terei de respirar bem fundo
Para ter acesso ao mundo
Que fechas a sete chaves
E rodeias de mil entraves
Terei de refrear a passada
Com que inicio a jornada
E aguardar o teu contacto
Se te dispuseres ao acto
Que eu tentarei ser capaz
De efectuar marcha atrás
Tão certa daquilo que faço
Até que tu estreites o laço
terça-feira, 27 de outubro de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCCXII
Nós vamos crescer devagar
Tal como as árvores fazem
Lançando os ramos no ar
Enquanto a sombra desfazem
Vamos apostar nas raízes
E não nas aves que dançam
Tentando a dois ser felizes
Mais do que nos afiançam
Tal como as árvores altas
Escavam até se enterrar
Vê se não te sobressaltas
Para nós irmos raízes criar
Tal como as árvores fazem
Lançando os ramos no ar
Enquanto a sombra desfazem
Vamos apostar nas raízes
E não nas aves que dançam
Tentando a dois ser felizes
Mais do que nos afiançam
Tal como as árvores altas
Escavam até se enterrar
Vê se não te sobressaltas
Para nós irmos raízes criar
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCCXI
Quero conhecer mais e mais
Essas tuas faces desiguais
E eu também desejo saber
O ponto que te faz derreter
Talvez eu devesse ter medo
De desvendar cada segredo
Mas tão perto de ti corajosa
Esqueço-me de ser ansiosa
Não precisas dessa prudência
Que me acorda a impaciência
Ao tratar com pinças e cuidado
O teu gesto parece ensaiado
Essas tuas faces desiguais
E eu também desejo saber
O ponto que te faz derreter
Talvez eu devesse ter medo
De desvendar cada segredo
Mas tão perto de ti corajosa
Esqueço-me de ser ansiosa
Não precisas dessa prudência
Que me acorda a impaciência
Ao tratar com pinças e cuidado
O teu gesto parece ensaiado
sábado, 24 de outubro de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCCX
Eu não quero ser picuinhas
Pôr-me aqui com queixinhas
Mas às vezes eu fico irritada
Com tanta preguiça instalada
Há quem só aprecie a imagem
Assim interprete a mensagem
Sem sequer conseguir abrir
O texto que ponho a seguir
Nesta casa há uma intenção
Não se trata duma colecção
Reúne expressões e ditados
Tal como foram inventados
É um lugar de escrita criativa
De poemas ou de narrativa
Onde os provérbios são mote
E são produzidos em lote
Portanto vamos lá perder
Só uns minutinhos a ler
E então depois comentar
Se a prova vos agradar
Senão eu tenho a sensação
Que falo apenas para a mão
E assim não é fixe caneco
Sinto que falo para o boneco
Pôr-me aqui com queixinhas
Mas às vezes eu fico irritada
Com tanta preguiça instalada
Há quem só aprecie a imagem
Assim interprete a mensagem
Sem sequer conseguir abrir
O texto que ponho a seguir
Nesta casa há uma intenção
Não se trata duma colecção
Reúne expressões e ditados
Tal como foram inventados
É um lugar de escrita criativa
De poemas ou de narrativa
Onde os provérbios são mote
E são produzidos em lote
Portanto vamos lá perder
Só uns minutinhos a ler
E então depois comentar
Se a prova vos agradar
Senão eu tenho a sensação
Que falo apenas para a mão
E assim não é fixe caneco
Sinto que falo para o boneco
Provérbio provado rimado - MDCCCIX
Uma vida de sacrifício
Igual à dos pais e avós
Não lhes trará benefício
Não os fará menos sós
Assim desacompanhados
São logo atirados às feras
Não admira que frustrados
Tomem medidas severas
E ergam alto as gargantas
Que façam manifestações
E queiram obter às tantas
Muito melhores condições
Têm poucas perspectivas
Os sonhos não vão além
As opções são subjetivas
Assim não vive ninguém
São jovens e são imaturos
Dizem outros da reacção
Preferem vê-los inseguros
Longe do cerne da questão
Igual à dos pais e avós
Não lhes trará benefício
Não os fará menos sós
Assim desacompanhados
São logo atirados às feras
Não admira que frustrados
Tomem medidas severas
E ergam alto as gargantas
Que façam manifestações
E queiram obter às tantas
Muito melhores condições
Têm poucas perspectivas
Os sonhos não vão além
As opções são subjetivas
Assim não vive ninguém
São jovens e são imaturos
Dizem outros da reacção
Preferem vê-los inseguros
Longe do cerne da questão
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCCVIII
Mantenho a mente em forma
Com cinquenta e tal reflexões
Cada dia respeito esta norma
Para estar em boas condições
Tal ginástica para a cabeça
É a semente para a velhice
Para que assim não esqueça
Sem memória é uma chatice
Que no meu ginásio principal
Há estantes e não aparelhos
É uma Biblioteca Municipal
Onde cheira a livros velhos
Faço lá exercícios bastantes
Passo a mão nas lombadas
E namoro livro nas estantes
Leio frases que são contadas
Eu acabo por me apaixonar
Se me agrada uma narrativa
E esse título vou requisitar
Quando o enredo me motiva
O que acontece de seguida
Pode ser uma boa surpresa
Existir uma ideia escondida
Rodeada de imensa beleza
Era bom que todos lessem
É a minha convicção sincera
Que as surpresas acontecem
Quando menos delas se espera
Com cinquenta e tal reflexões
Cada dia respeito esta norma
Para estar em boas condições
Tal ginástica para a cabeça
É a semente para a velhice
Para que assim não esqueça
Sem memória é uma chatice
Que no meu ginásio principal
Há estantes e não aparelhos
É uma Biblioteca Municipal
Onde cheira a livros velhos
Faço lá exercícios bastantes
Passo a mão nas lombadas
E namoro livro nas estantes
Leio frases que são contadas
Eu acabo por me apaixonar
Se me agrada uma narrativa
E esse título vou requisitar
Quando o enredo me motiva
O que acontece de seguida
Pode ser uma boa surpresa
Existir uma ideia escondida
Rodeada de imensa beleza
Era bom que todos lessem
É a minha convicção sincera
Que as surpresas acontecem
Quando menos delas se espera
terça-feira, 6 de outubro de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCCVII
Há a ideia que a pressa
É a inimiga da perfeição
E é normal que esqueça
A cautela e a ponderação
É facto bem comprovado
Que dispensa argumentos
Quem é muito apressado
Vai estragar os momentos
Engolir sem antes mastigar
Não permite sentir o sabor
Isso não é viver mas tragar
A postos para o dissabor
É a inimiga da perfeição
E é normal que esqueça
A cautela e a ponderação
É facto bem comprovado
Que dispensa argumentos
Quem é muito apressado
Vai estragar os momentos
Engolir sem antes mastigar
Não permite sentir o sabor
Isso não é viver mas tragar
A postos para o dissabor
domingo, 20 de setembro de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCCVI
Gosta a Ana de dar nas vistas
Mas o que ela dá é bandeira
É do género daqueles artistas
Que sabem o pregão da feira
Está visto que o espalhafato
Lhe é fatia da personalidade
Para mais tem falta de tacto
Não lhe assiste a civilidade
Foge-lhe o pé para o chinelo
Quando ambiciona ter razão
E até chega a roupa ao pêlo
De quem lhe faça acusação
Provérbio provado rimado - MDCCCV
Dei casa ao pobre do Inácio
Que pedia um tecto e pão
Mas o gajo com ingratidão
Desdenhou do meu palácio
Reclamando da minha sopa
Ele disse com ar de desdém
Falta-lhe sal e brio também
Condiz bem com a tua roupa
Do meu sofá tomou posse
Fazendo do braço almofada
E de resto não fez mais nada
Como se um fidalgo ele fosse
Pedi-lhe que o lixo levasse
E quase lhe deu um enfarte
Ter trabalho não faz parte
Nem que a casa desabasse
Teimou que a sala era fria
E exigindo um aquecedor
Armou-se muito em estupor
Cheio de soberba e mania
Pareceu-me tão destituído
De vergonha e até de pudor
Não sabendo ser um senhor
Foi pobre e mal agradecido
sábado, 19 de setembro de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCCIV
Tu estás sempre a protelar
Com uma cara de preguiça
E já cansado ao acordar
Fazes de adiar premissa
Que a tua frase favorita
É amanhã o mais tardar
E todos vêem que é fita
Estás apenas a atrasar
Se não fazes o que queres
Não penses estar tramado
Vai fazendo o que puderes
Que assim fazes um bocado
E o que podes fazer hoje
Faz a sério e com afã
Sem lamentar o que foge
Não deixes para amanhã
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCCIII
Querida não faças barulho
E abafa já esses gemidos
Embora me dêem orgulho
As paredes têm ouvidos
Não gosto de dar barraca
Acordar todos os vizinhos
Por isso fecha a matraca
Pára com os teus risinhos
Provérbio provado rimado - MDCCCII
Diz-me com quem andas
E eu dir-te-ei quem tu és
Tens a mania que mandas
Nos rios onde há jacarés
Se tiveres por companhia
Várias famintas piranhas
Vai passar-te essa mania
Ao veres as suas manhas
Aprenderás por osmose
A teres ruins intenções
E a nova linha que cose
As tuas futuras acções
Tu serás rude e maldoso
Num gesto de imitação
Colérico e até rancoroso
Se não te for de feição
Mas se os invés imitares
Os sapos e as borboletas
Tu serás melhor se ficares
Nessas águas mais quietas
Com quem nadares no rio
Tu vais ser mais parecido
Não escolhas um desvio
Onde te encontres cingido
Afasta-te dos predadores
Que são uma má influência
E elege nos teus arredores
O que te trará sapiência
Prefere estar rodeado
De calma e de bondade
Serás mais afortunado
Por conhecer a amizade
E eu dir-te-ei quem tu és
Tens a mania que mandas
Nos rios onde há jacarés
Se tiveres por companhia
Várias famintas piranhas
Vai passar-te essa mania
Ao veres as suas manhas
Aprenderás por osmose
A teres ruins intenções
E a nova linha que cose
As tuas futuras acções
Tu serás rude e maldoso
Num gesto de imitação
Colérico e até rancoroso
Se não te for de feição
Mas se os invés imitares
Os sapos e as borboletas
Tu serás melhor se ficares
Nessas águas mais quietas
Com quem nadares no rio
Tu vais ser mais parecido
Não escolhas um desvio
Onde te encontres cingido
Afasta-te dos predadores
Que são uma má influência
E elege nos teus arredores
O que te trará sapiência
Prefere estar rodeado
De calma e de bondade
Serás mais afortunado
Por conhecer a amizade
Provérbio provado rimado - MDCCCI
Quem diz a verdade crua
Sem a máscara da praxe
Prefere ser posto na rua
Se esperarem que se abaixe
Mas a mentira é estimada
Se o antro é de impostura
Há quem bata em retirada
Por não aguentar a agrura
Para longe bate as asas
Dá assim aos calcanhares
À procura de outras casas
Onde ninguém se dê ares
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCC
Se fosse a época da apanha
E tivessem de vergar a mola
Havia de ver muita manha
Tal como no tempo da escola
Havendo batata para apanhar
Haveria desculpas aos molhos
Como forma de assim recusar
E atirar areia para os olhos
Não estaria cá tanta gente
Se lavoura fosse esta casa
Estaria vazia certamente
Depois de baterem a asa
Provérbio provado rimado - MDCCXCIX
O Luís não é bom de assoar
E é difícil alguém o levar
Porque ele é muito teimoso
Para além de ser rancoroso
Se lhe vires ranho no nariz
Deixa lá sossegado o Luís
Para não acordar o vulcão
Que vai ser a sua reacção
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXCVIII
Tens algum trunfo escondido
Por baixo do que aparentas
Para teres no cargo ascendido
Enquanto desculpas inventas
Alto e bom som há quem diga
Que subiste na horizontal
Por não engolir a cantiga
Do teu esforço profissional
Provérbio provado rimado - MDCCXCVII
Diz a nossa voz popular
Com a boca cheia de fado
Habituada a só agourar
Com o bolso despovoado
Há males que vêm por bem
Repete assim muitas vezes
Embora não sobre vintém
Em nenhum dos doze meses
O mal nunca desaparece
E o bem acumula atrasos
Dessa forma o ditado parece
Negar-se a cumprir prazos
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXCVI
A saudade é um abraço
Que ainda não aconteceu
No meio da falta de espaço
Que o gesto só favoreceu
E tal como aquele aperta
Sente-se bem a pressão
E fica a saudade deserta
De logo retomar a união
Que ainda não aconteceu
No meio da falta de espaço
Que o gesto só favoreceu
E tal como aquele aperta
Sente-se bem a pressão
E fica a saudade deserta
De logo retomar a união
Provérbio provado rimado - MDCCXCV
O seu nome era Frederico
Tinha alcunha de beto rico
Era tão magrinho e franzino
Desde que era pequenino
As marcas no seu vestuário
Suprimiam o ar ordinário
Mas era um dez réis de gente
Embora lhe fosse indiferente
Sem ter nunca fome de nada
Nem sopa ou sequer feijoada
E tão cheio de tédio e fastio
O seu aspecto não era sadio
Um dia caiu num desmaio
Que parecia um badagaio
Deu ao pobre do Frederico
Nessa hora um grande fanico
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXCIV
Já está carunchoso o Alcino
Pois já lhe murchou a beleza
Recorda os tempos de menino
Com melancolia e tristeza
Carrega o peso dos Janeiros
Que aos anos já está rendido
Por senti-los os derradeiros
Fica o Alcino deprimido
Está com os pés para a cova
Ele sente-se feito num caco
E nenhuma surpresa é nova
Porque já é um velho macaco
É uma raposa com sabedoria
A chegar ao ocaso da vida
E o que o próprio afligia
Agora tem menos medida
Um homem entrado nos anos
A que chamam terceira idade
E tal como os outros humanos
Não dispensa a sua liberdade
Num instante está na fronteira
Foi tão rápida a vida diacho
O Alcino é como a bananeira
Que já não consegue dar cacho
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