Que ao lado se vive melhor
No entanto há em cada lugar
Um lugar para o seu pormenor
Os problemas alheios parecem
Diminutos e insignificantes
Em face dos próprios parecem
Ser muito menos importantes
Qualquer perspectiva de fora
Tende sempre a valorizar
O que é dos outros embora
Não exista escassez no seu lar
Esse olho gordo e mesquinho
De um fundamento é vazio
Pensa que na casa do vizinho
Nunca há ponta de fastio
É reflexo do grande egoísmo
Que por dentro o vai devorando
Parafuso de um mecanismo
Que avulso se vai bastando

















