segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Provérbio provado calado

Falando objectivamente, ele nunca lhe disse que gostava dela. Mas a Júlia escancarou as portas do coração e passou a habitar na ilusão de que era correspondida, nunca imaginando que ele não a rejeitava por cortesia. Claro que aquela amizade colorida - oh, expressão tão sem cor! - oferecia a Jorge o melhor de dois mundos: uma amiga que até era inteligente e espirituosa e bebia com avidez tudo o que ele dizia e um sexo relativamente satisfatório sem compromisso e de borla.
Nunca iam jantar fora, a concertos, ao cinema, beber um copo ou sequer passear no parque e o seu convívio era espaçado: uma vez por mês, quando muito duas se alguma das outras amigas com quem o Jorge tinha sexo ocasional se mostrasse indisponível.
A Júlia levava décadas para conseguir estacionar no bairro onde ele vivia e, mal tocava à campaínha, era recebida com um beijo de fugida na face. Uma ou outra vez tentou abraçá-lo, mas ele tão rígido e desconfortável que desistiu constrangida: na sua paixão cega não queria pressioná-lo de nenhuma forma, por isso nunca revelava os seus anseios de um compromisso mais sério, cuidando que acabaria por cortar a desejada meta sem pressas.
O Jorge não dedicava um único instante a preparar a sua chegada: não arrumava a casa que estava sempre num desalinho, não fazia a cama com lençóis lavados nem preparava uma refeição condigna. Limitava-se a encomendar uma pizza, esquecendo-se sempre de que ingredientes ela não gostava. A pizza chegava enfim, sempre morna, quase fria, e comiam-na à mão em poucas dentadas em frente à televisão; a Júlia demorava um pouco mais pois tinha de descascar cada fatia das azeitonas e dos pimentos.
Depois permaneciam pelo sofá numa conversa ensossa durante mais ou menos hora e meia - o tempo de fazer a digestão - e passavam ao quarto onde se despiam mecanicamente, nunca mutuamente. Às vezes, o Jorge estava mais excitado e atacava-a apressadamente no sofá, a palavra era mesmo essa: atacava-a, já que passava duma posição em que estava tranquilamente sentado para, num salto, lhe enfiar desajeitadamente a língua garganta abaixo enquanto a apalpava com sofreguidão. A Júlia não detestava estes arroubos, até porque não gostava de ser sexualmente tratada como porcelana; achava que ele procedia assim por não conseguir adiar um forte desejo.
No acto propriamente dito, ficava às vezes insatisfeita porque ele terminava amiúde demasiado rápido e raramente queria repetir. Júlia não manifestava esta insatisfação, uma vez que lhe era bastante o amor que sentia (segredava de si para si: será mesmo amor isto que sinto?) e pensava que com uma maior intimidade o sexo aumentaria de qualidade e ele derramar-se-ia aos poucos num afecto desmedido.
Uma vez finda a fruição sexual, a Júlia apertava lentamente o soutien enquanto ia procurando as peças de roupa espalhadas aqui e ali. Depois despediam-se com um beijo na boca: Jorge concedia-lhe um beijo mais demorado, quase terno, do qual rapidamente se recompunha. Não se oferecia para a acompanhar ao carro, mesmo sabendo que o bairro não era muito seguro àquela hora da noite; Júlia nunca lhe pedia que fosse, não queria apresentar-se com uma imagem de fragilidade.
O Jorge soprava-lhe então um vamos falando pouco emotivo antes de fechar a porta atrás de si. Mas nunca era ele quem falava: a Júlia aguardava dois ou três dias para resguardar a devida distância de segurança e, após decorrido esse período, mandava-lhe uma mensagem, no dia seguinte outra e no seguinte outra. Ele não respondia ou, ao fim de algumas mensagens da putativa amiga, devolvia-lhe laconicamente uma linha como se estivesse fazendo um favor.
A Júlia não lhe telefonava: no início tinha chegado, em resultado de impulsos algo incontroláveis, a efectuar algumas tentativas sempre infrutíferas, mas acabou por desistir porque não o queria incomodar. O Jorge acabava eventualmente por telefonar - mais tarde que cedo - sem confessar saudade nem desejo, apenas perguntava mal ela atendia: Olá Júlia, queres passar cá em casa?

- Quem cala consente

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Provérbio provado rimado - CXCV

Para dar quecas inconsequentes
Prefiro ter as mãos dormentes
Já te aviso põe-te na fila
É tão grande que chega a Marvila

Se contigo não posso contar
Nem sequer para pagar o jantar
És uma carta fora do baralho
Não te dês a tanto trabalho

Provérbio provado rimado - CXCIV

É moda ter pêlos na cara
Quem não usa está ultrapassado
Homem que se quer engajado
Tem-na basta e não se mascara

Disfarça uma boca caída
Se também houver bigodaça
Recurvada e bem modernaça
Desde que sem restos de comida

Quanto menos usar a gilette
Mais agrada ao mulherio
Além disso protege do frio
A dignidade não compromete

Deslocar-se à barbearia
É hábito do homem moderno
Barba comprida neste inverno
É bem cara filosofia

A somar à típica rebarba
Tão comum no homem vaidoso
Penteá-la sem parecer chungoso
É de dar água pela barba

Provérbio provado num verso branco - VI

Morrer é um esforço tão penoso
Uma vida inteira desperdiçada
Depois de nós só ficam duas datas no calendário

O dia em completaríamos mais um ano
E somos recordados por pormenores insignificantes
Talvez o modo como preferíamos o bife mal passado
Com os cotovelos em cima da mesa
Rindo nos jantares pouco cerimoniosos
Quando tocar aquela música que nos fazia cantar
Os vindouros lembrar-nos-ão com um sorriso saudoso
Ah como esta canção lhe emprestava alegria

Na tardinha em que se soma mais um crepúsculo
À data da nossa morte sempre demasiado precoce
Seremos lastimados pelo sofrimento
Com que atacámos atalhos sem saber evitar trabalhos
Julgando no entanto cruzar os caminhos correctos
Para que a nossa ambição ou ingenuidade nos atirou
E quando tocar aquela música que nos fazia chorar
Os vindouros lembrar-nos-ão com um sorriso saudoso
Ah como esta canção lhe roubava alegria

Deitarão então duas ou três lágrimas e é o bastante
Que secarão rápido pois viver urge
Atirarão uma moeda pouco valiosa ao ar
Para escolher os atalhos laboriosos pelos quais enveredar
Na senda do esquecimento

Provérbio provado rimado - CXCIII

O melhor remédio é rir
E nem precisa de receita
Uma vez a asneira feita
Não há por onde fugir

É soltar uma boa gargalhada
Daquelas de tirar o juízo
Que muito riso pouco siso
E a loucura não custa nada

Provérbio provado rimado - CXCII

És o amor da minha vida
Dê lá por onde der
E eu sou a tua querida
Venha quem muito vier

Não vale a pena enganar
Nossos sofridos corações
Que tantas voltas hão-de dar
Até encontrar mil razões

De saber com toda a certeza
Somos um do outro afinal
Vamos sentar-nos à mesa
E agir como qualquer casal

Não é preciso um papel assinar
Pois quem procura casamento
Se no fim se quiser largar
Só procura arrependimento

Provérbio provado rimado - CXCI

Se a conversa é quente e tonta
Há mulheres tão escandalizadas
Que quase parece uma afronta
E que não existem provas dadas

Ou cuidarão que foi a cegonha
Que as trouxe voando no bico
Mas para quê tanta vergonha
Surpreendida sou eu que fico

Será que quando vão para a cama
Não mexem nem uma perna
Enquanto o homem que as ama
Imagina que a menina hiberna

Há que ser um pouco mais soltas
Fazer um ou outro gesto
E tentar ser mais desenvoltas
Ao dar o corpo ao manifesto

Provérbio provado rimado - CXC

O primeiro nome era um
Apresentou-se com o segundo
E não teve pudor nenhum
De tecer elogio profundo

Atirou-lhe tu és a mais bela
Mulher à face do mundo
Ela ruborizou-se singela
Com esse sentimento fecundo

Mas a mãe logo se acercou
A saber donde era oriundo
Tal fulano como se não fosse
Um amigo do noivo Raimundo

Pôs então os pontos nos is
Deixou-o todo corcundo
Mais nada a filha ouvir quis
Fugiu como se ele um imundo

Foi assim que o nosso Miguel
Soltou um suspiro tão fundo
E com o coração num tropel
Declarou o amor moribundo

Provérbio provado rimado - CLXXXIX

Aqui há por vezes asneiras
Que chocam quem é susceptível
Mas calma são só brincadeiras
Só ofendem a gente sensível

Que isto de falar português
É chamar os bois pelos nomes
E só os reis na sua vez
Tiveram asseados cognomes

Provérbio provado rimado - CLXXXVIII

À meia noite quebrou-se o encanto
De tão bela Bela adormecida
Que o sapato largou na corrida
Não sei qual é o vosso espanto

Mas talvez fosse a Cinderela
Que afinal comeu a maçã
Com veneno da bruxa vilã
Que era a madrasta dela

Quando chegaram os anões
Que vinham cantando baixinho
Encontraram o Capuchinho
Ajeitando o lobo nos colchões

E então a Pequena sereia
Numa rocha em Copenhaga
Toda essa ilusão apaga
Pois no fundo é muito feia

Quando estas histórias ouves
Livra-te de fazeres confusão
E trocares cada ocasião
Ou temos a burra nas couves

Provérbio provado rimado - CLXXXVII

Uma vez conheci um Simão
Era tão carente de atenção
Parecia ser um bom amigo
E buscar no meu ombro abrigo

História de vida complicada
E dela não escondia nada
Cedo ficou orfão de pai
Perdeu-o chorando num ai

A partir daí não mais soube
Gostar da sorte que lhe coube
Aceitava lesto uma relação
Já sabendo não lhe dar vazão

Mas fugiu assim de repente
Sem sequer ter ficado contente
Estimei-o e foi um ingrato
A montanha pariu um rato

Provérbio provado rimado - CLXXXVI

Se me visto com roupa mostarda
Quase pareço um cachorro
E já a baguete me aguarda
Grito bem alto socorro

Quando escolho o azul
A nada original ganga
Apetece-me fugir para sul
E usar somente uma tanga

Mas se opto pelo preto
Não é de luto sinal
Logo envergo um amuleto
Que lhe dê alegria no final

Quando uso o vermelho
A que não chamo encarnado
Aceito à mesma conselho
De um transeunte corado

Não ponho roxo nem rosa
Não têm nenhuma graça
São uma mistura manhosa
Nem servem para levar à praça

Conforme a disposição
Não faltam cores a rodos
É a que vier à mão
Que o sol nasce para todos

Sei que o provérbio em questão
Trata mas é da justiça
Que querem foi imaginação
Ou talvez bastante preguiça

Provérbio asinino - II

Lá mais para a frente haveria de vir uma moda muito pós-revolucionária de pôr nomes mais curtos e simples às crianças. Mas naquela época, mal os bebés abriam a goela com o primeiro choro, logo lhes pespegavam um nome clássico e no mínimo trissilábico, que depois se tornava ainda maior com o respectivo formato diminutivo.
Era esse o caso do Armandinho. Haveria de ser o Armandinho até à puberdade, quando se começou a dar ares de Armando por ter precoces os pêlos do buço e a voz atestada de testosterona. Quando por ele chamavam Ó Armando!, logo vinha o ditote: umas vezes a pé, outras andando. O jovem exasperava-se, mas bendizia não lhe terem posto Alfredo como ao melhor amigo, que inevitavelmente tinha um cú de meter medo e, como era muito bem disposto, nunca se zangava com as piadas sobre o seu traseiro, antes baixava as calças expondo-o ao vento e rindo-se muito, desde que não houvesse nenhuma senhora presente.
Os dois amigos eram inseparáveis e, uma vez terminada a escolaridade obrigatória, dedicaram-se a contribuir para o sustento familiar. Mais certo seria dizer a escolaridade possível: por sorte lá na aldeia até havia uma escola e muita criançada para encher os bancos da sala onde conviviam as quatro classes. Depois de realizado o exame da quarta classe, continuar os estudos só mesmo na longínqua vila, por isso os dois jovens sabiam de antemão que mais estudos só chegariam em concumitância com o serviço militar. Tanto um como o outro tinham famílias numerosas onde a todos cabiam as suas tarefas. Para as irmãs mais espigadotas sobrava o árduo trabalho de casa: arejar, limpar e lavar, além de coser e cozer, enquanto iam tomando conta dos irmãos mais novos numa antecipação do futuro papel de mães.
As ocupações dos rapazes eram todas elas fora de portas, dedicando-se mormente a apascentar gado e recolher lenha. E se muito davam às pernas por aqueles carreiros serranos com os sapatos esburacados, a canseira não era tão digna de monta como à primeira vista poderia parecer: as cabras, a bem dizer, guardavam-se sozinhas, conhecedoras das ervas mais tenras por onde enfileiravam os cascos e faro caprino, seguindo as estraditas de caganitas da véspera. Andar à cata de lenha era porém mais moroso, pois esta nunca era suficiente em casa: a preparação das refeições consumia muitos toros e, além disso, era necessário manter sempre viva a lareira para fazer face ao frio daquelas altitudes. Havia que ter bom olho na recolha dos vários tamanhos possíveis de paus já que, se se limitassem a escolher troncos grossos e compridos, perderiam depois algumas horas a rachar lenha, tarefa, essa sim, passível de pôr um homem a suar em bica.
Para transportar toda essa lenha levavam cada qual o seu burro; à época, os tractores mal tinham começado a cuspir poluição no auxílio que mais tarde emprestariam à agricultura, e naquelas terras pedregosas nem sequer caberiam nas estreitas passagens por onde pastavam as cabras tilintando os seus chocalhos. Uns sons mais fechados e graves, outros mais agudos que correspondiam aos badalos mais pequenos, era esse todo o barulho que interrompia as sestas transgressoras dos dois amigos. Mentira, não era o único: às vezes os burros largavam a zurrar num concerto interminável, instigados por sabe-se lá que misteriosa atrabile. E por mais que os tentassem fazer calar, nada feito: primeiro começava por berrar o do Armando, umas vezes a pé outras andando; quando este muar se calava, logo respondia o do Alfredo no seu cú de meter medo. Ficavam horas naquilo, à vez, até se fartarem, mas nunca em uníssono.

- Quando um burro fala, o outro abaixa as orelhas

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Provérbio provado rimado - CLXXXV

Quem bem faz para si o faz
Quem mal faz é para si também
Que a lei do retorno lhe traz
Esse bem ou o mal porém

Serve para simples e doutos
Isso muito na vida já vi
Por isso não faças aos outros
O que não queres que te façam a ti

Provérbio incendiário

Passou a usar calças mais largas e compridas: tinha engordado bastante com a imobilidade forçada a que a sua vida ficou confinada. De si para si justificava-se com uma suposta depressão, enquanto comia cada vez mais desalmadamente. A isso ajudava o facto de a depressão normalmente se fazer acompanhar de uma mudança nos hábitos alimentares: uns perdem o apetite até à quase inanição, outros empanturram-se com comida altamente calórica e pouco nutritiva. Era este último o seu caso: entregava-se ao sofá a comer porcarias enquanto via porcarias na televisão. Até começou a comprar uma revista dita feminina que pormenorizava as emissões televisivas até ao fecho dos canais. Essa revista trazia também uns quantos artigos a armar ao científico de qualidade duvidosa, priviligiando a pseudo psicologia motivacional de pacotilha a que normalmente se chama auto ajuda. Um dia o Pedro tinha lido "Dez factos que lhe permitem identificar uma depressão" e achou que a doença vinha mesmo a calhar para lhe angariar alguma simpatia em tribunal.

Nessa manhã chegou cabisbaixo à comarca, onde o fizeram aguardar numa pequena antecâmara antes de o introduzirem na sala de audiências. Ali não era preciso esconder a pulseira electrónica; pelo contrário, até era um acessório passível de lhe granjear pena, por isso o Pedro pôde alçar as calças largalhonas.
Uma vez começada a sessão, manteve os olhos baixos enquanto o juíz lia a ocorrência usando termos jurídicos que desconhecia. Trocada por miúdos, a coisa podia ser resumida assim: Pedro Miguel Oliveira dos Santos, 32 anos, solteiro e ex-bombeiro, tinha sido apanhado em flagrante delito quando abandonava o local onde tinha começado a deflagrar um incêndio florestal. Os habitantes da aldeia mais próxima tinham chamado a polícia, que lhe descobrira no porta bagagens várias velas iguaizinhas às que justamente tinham dado origem ao fogo. Isto pôde comprovar-se in situ pois estas não estavam totalmente consumidas, sendo por isso ainda possível controlar o dito incêndio, que teria resultado numa calamidade a avaliar pelo abafado vento suão que soprava nesse dia.
Após ler os factos, o juíz tirou calmamente os óculos e perguntou:
- O que tem a dizer em sua defesa?
Pedro ergueu finalmente os olhos envergonhado, tentando convocar na memória os subterfúgios que jizara, mas encontrou o cérebro vazio e apenas lhe ocorreu responder:

- Onde há fumo há fogo

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Provérbio provado rimado - CLXXXIV

Todos os caminhos vão até Roma
Vê lá não fiques na redoma
De só o Vaticano visitar
Com tanta piazza p'ra calcorrear

Da Navona até à Fontana
Onde a multidão se esgana
P'ra tirar a tal fotografia
Da praxe com muita alegria

E dali até ao Coliseu
É um ar que se lhe deu
Encontram-se os gladiadores
São todos barbudos senhores

Hão-de aparecer Pinóquios
De madeira em solilóquios
Com um ar bem engraçado
No seu nariz tão esticado

Depois o gelado ou as pizzas
De um bom par de euros precisas
Se o orçamento não for mau
Não tarda voltas num ciao

Provérbio provado rimado - CLXXXIII

Não há pachorra para montras
Andar a apalpar ó senhores
E ver duas ou três lontras
Que suam nos provadores

Vem sempre um vendedor
Perguntando se pode ajudar
Não me chateeie por favor
Já tenho de o rabo arrastar

Se não há bom dinheiro
Ou nem uma ideia precisa
Fico quieta não enfeiro
Não me perco na pesquisa

Para mim centro comercial
Fica sempre para depois
E já me chega no Natal
Pôr o carro à frente dos bois

Pois logo chega a rebaja
Fica tudo pela metade
É ver quem é que agarra
O barato com qualidade

Provérbio provado rimado - CLXXXII

Tenho uma mancheia de palavras
Para te dizer meu amor
Só que não saem são escravas
Do meu coração sem calor

Ficou gelado ai tão frio
Sem a tua bela presença
Que fiquei num tal desvario
Sem ti faz toda a diferença

E quando agora me procuras
Escondo-me não revelo nada
Só calo bem fundo as juras
Fico-me pela conversa fiada

Provérbio provado procrastinado

Muitas vezes usamos determinadas frases feitas quando queremos dizer precisamente o contrário.
É o caso da expressão abaixo; o que invariavelmente pensamos quando a dizemos é no fundo: na eventualidade de voltarmos a falar, hás-de ser tu a contactar...

- Vamos falando

Provérbio provado rimado - CLXXXI

Já sabia que não ias ligar
Ainda assim preparei o jantar
E ali na minha cozinha
Fui comê-lo mesmo sozinha

Apesar de ter esse feeling
Penteei-me com uma grinalda
E fiz até mesmo um peeling
Mas acabei por levar a balda