Eu não sou de ninguém disse ela
Num soneto a poeta Florbela
Por se crer dos demais diferente
Estava sempre apartada da gente
Quem me quiser há-de ser luz
Do sol que o calor produz
Mais ou menos ela assim dizia
Mergulhada na sua poesia
Quem me quiser há-de ser voz
Do pequeno insecto veloz
Um amor tão pleno ansiava
Para ver se assim se salvava
Ter outro e outro num momento
Uma força viva em movimento
Mas sabia não haver tal homem
A não ser o que os versos consomem
Amou demasiado o irmão
Por quem fez das tripas coração
Foi um amor assaz proibido
Que para ela fazia sentido
Tantos nomes feios lhe chamaram
Com o dote de louca a brindaram
Que um dia lhes fez a vontade
Deixando a vida pela metade
Foi assim que a Florbela Espanca
Viu na morte uma pomba branca
Que traria a paz ansiada
À sua vida amargurada
terça-feira, 12 de novembro de 2019
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