Perturba a administração hospitalar
Tantos doentes sempre a chegar
Que raio de ideia porem-se a adoecer
Assim uma empresa não consegue render
Aguardam a triagem horas a fio
De preferência sem largar um pio
No pulso lhes põem pulseiras às cores
Que não correspondem às suas dores
Pelo próprio pé muitos deles entram
Mas logo uma cama cedo frequentam
E estão sempre a dizer mal da comida
Mas que gentinha mal agradecida
Os sábios doutores e as enfermeiras
Às vezes não conhecem as boas maneiras
E mesmo as benditas auxiliares
Prestam cuidados com muitos esgares
No SNS estar-se hospitalizado
É uma aventura que assusta um bocado
Uma pessoa tem o coração nas mãos
Enquanto se agarra aos corrimãos
E quando por fim a alta recebe
Outro desgraçado provindo da plebe
Lhe ocupa a cama e a arrastadeira
Teme lá passar a semana inteira
Mas não é nada mau dali poder sair
Há quem simplesmente não tenha p'ra onde ir
E quem só saia num saco de plástico
A rima falou sério de modo sarcástico
(Ilustração: Maria Antónia Gomes)
terça-feira, 15 de outubro de 2019
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