Provérbios Provados noutras casas:

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Provérbio provado rimado - MDCXVI

Beber água não é pecado 
Ou teria um sabor ampliado 
Só o álcool é que inebria 
Traz descaramento e alegria 

Mas a história subsequente 
É ficar a pessoa dormente 
E fazer até juras eternas 
Enquanto não segura as pernas 

O melhor é ao lar recolher 
E as consequências esquecer 
Pois a ressaca ao acordar 
Trará muito remorso e pesar 

Há que ponderar a lição 
Para não haver repetição 
Que beber de barriga vazia 
Não é uma atitude sadia 

Então dar um passo primeiro 
Antes do segundo e o terceiro 
É agir com mais precaução 
Evitando assim admiração 

Tal como em qualquer documento 
Há que considerar o intento 
Não se deve beber sem comer 
Nem assinar nada sem ler 


Provérbio provado rimado - MDCXV

O teu Eu dá logo uma pista 
De que és um ser narcisista 
E pra mim já não é segredo 
A tua construção de enredo 

Tu tens uma forma de estar 
Que só serve pra evidenciar 
Um tal excesso de perfeição 
Que terás enquanto cidadão 

Acima de qualquer criatura 
Crês que fazes boa figura 
Mas é tudo tão premeditado 
O gesto é sempre ensaiado 

O teu tipo de mitomania 
Dá colo a toda a fantasia 
E com imaginação de sobra 
Tens umas atitudes de cobra 

Apesar de te creres importante 
Como a cobra és um rastejante 
Até o próprio Deus não te deu 
Umas asas para cruzares o céu 



Provérbio provado rimado - MDCXIV

O Luís arrecada um tesouro 
De trinta lingotes de ouro 
Não o usa porque tem temor 
Como se fosse outro o senhor 

Até pode gastar mas não quer 
O seu fito é apenas recolher 
E espalhar sovinice ao redor 
Do que ser pobre é bem pior 

Tal e qual um porco-mealheiro 
Largará a soma do dinheiro 
Quando o próprio Luís se partir 
E para debaixo da terra sumir 

Tão absurda é a sua situação 
Por esconder assim cada tostão 
Quando um dia lhe der o fanico 
O Luís vai então morrer rico 

É tão grande a sua avareza 
Viverá sempre na pobreza 
Por temer o futuro à frente 
Acaba por sofrer no presente

Ansiando pelo bolo completo 
O Luís só subsiste inquieto 
Não se acha nenhum avarento 
Que não viva num tormento 


terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Provérbio provado rimado - MDCXIII

À noite deves-te deitar cedo 
Para de manhã cedo erguer 
Todos sabem e não é segredo 
Dá saúde e também faz crescer 

Porém eu tão tarde sossego 
E escrevo madrugada afora 
Que mais pareço um morcego 
Que se esquece às vezes da hora 

Preciso de mais horas seguidas 
Para dormir o sono dos justos 
Deixando estas rimas esquecidas 
Para o corpo não pagar custos 

Contrario desta forma o ditado 
Deito tarde para cedo erguer 
E é tão fácil ver o resultado 
Faz um mal que não queiram saber 


Provérbio provado rimado - MDCXII

Se tu grandes ventos semeias 
Vais depois colher tempestades 
Diz o povo que só diz verdades 
Mesmo que tenhas outras ideias 

E apesar de não ser a estação 
Em que surgem os temporais 
Serão de tal maneira abissais 
Para que aprendas a lição 

Não sacudas mais as ventanias 
Aproveita a bonança que segue 
Deixando que o tempo sossegue 
Para que tenham paz os teus dias 


Provérbio provado rimado - MDCXI

O Gaspar é um sacripanta 
É pessoa assaz desprezível 
Costuma aclarar a garganta 
Pra dizer uma frase insensível 

O seu gesto é de rocha fria 
Não mostra qualquer expressão 
E quem o rodeia desconfia 
Que é de pedra o seu coração 

Agressivo e com mau fundo 
É capaz de ser um velhaco 
E também um sacana rotundo 
Nunca dando parte de fraco 

Se acaso encontro o Gaspar 
Penso que sentirá um vazio 
Não queria estar no seu lugar 
E mesmo no Verão sentir frio 


Provérbio provado num verso branco - CLIV

O ano velho dá lugar ao novo que é velho 
Porque do velho se faz novo continuamente 

As marés continuam nos seus saltos cíclicos 
Enquanto as ondas perdem conchas na areia 

Ao longo dos dias navegar à vista 
Sem instrumentos que meçam o vento 

De acordo com as várias limitações disponíveis 
Cada um é a pessoa e as suas circunstâncias


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Provérbio provado rimado - MDCX

Vale muito a autenticidade 
E supera qualquer aparência 
Mais do que outra qualidade 
É instinto de sobrevivência 

Mostrar-se assim todo inteiro 
Não como os demais querem ver 
Vai expôr o ser verdadeiro 
Apesar do que quer esconder 

Neste circo de fingimentos 
É difícil para quem é sensível 
Ter de representar em momentos 
Ou então tornar-se invisível 

Agir como manda o figurino 
Proceder segundo um modelo 
Está tão longe de ser genuíno 
Mais vale sê-lo que parecê-lo



Provérbio provado rimado - MDCIX

Mesmo que nem a todos agrades 
Não pões a cortesia de lado 
E apesar das dificuldades 
Não gostas de ser ignorado 

Desejas que a tua vontade 
Seja no mínimo atendida 
Porém vês que na realidade 
Acontece ela ser preferida 

Analisa bem essas manias 
Vai revendo a tua posição 
Como o gato queres enguias 
E sequer espinhas te dão 



Provérbio provado rimado - MDCVIII

A inveja que é silenciosa 
Fica dentro a fermentar 
É a estirpe mais perigosa 
Dessa forma não vai estancar 

Vai mirando os bens alheios 
Não sentindo o próprio mal
É um dos defeitos mais feios 
A cobiça torna-se normal 

A sorte que os outros bafeja 
É considerada uma afronta 
E o que o invejoso deseja 
É tomar toda a gente de ponta 

A constante comparação 
Fá-lo menos merecedor 
Lembra a sua imperfeição 
Alimenta ainda mais rancor 

Deve ser uma triste existência 
Sentir tanta avidez e ganância 
Carregando no peito a ausência 
Que o faz ser topado à distância 


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Provérbio provado com cuidado - II

Nunca tivera um emprego que emprego se chamasse, mas à Cremilde nunca faltara trabalho. Tivera cinco filhos, mas apenas três vingaram. Por mais que o tentasse evitar, não foram poupados às dores de crescimento. Ela também não fora, nem o haviam sido os seus antepassados: naquelas terras onde viviam era o tempo das sementeiras que marcava o tempo do relógio.
Um a um, os filhos acabaram por partir. O mais velho trocara a vida rude da agricultura por uma ainda mais rude a operar uma máquina de moldes de cutelaria. Casara. Tivera dois filhos. A única filha trocara o lar onde crescera desde criança até mulher por um novo lar onde cumpriria o papel de única nora. Casara. Tivera dois filhos. O filho mais novo, o mais curioso e ambicioso dos três, fora procurar a fronteira mais próxima e depois, não contente com um, cruzara mais um par de países. A Cremilde não sabia se tinha chegado a casar ou a ser pai.

Todo o seu semblante se animava e o futuro passava a ter um propósito quando antecipava a visita dos netos. Nos dias que precediam a chegada da criançada, dedicava-se a preparar a sua vinda. Lavava tapetes e lençóis com afinco, retirava das superfícies qualquer suspeita de pó, confeccionava compotas de frutos variados e até ia apanhar flores ao quintal da vizinha Silvina que depois dispunha em jarras pela casa fora.
Os netos costumavam ficar vários dias aos seus cuidados e o que a avó dedicada mais temia era que apanhassem alguma doença durante esse período. Por isso, mal pressentia uns raios de sol, corria a abrir as janelas de todas as assoalhadas de par em par.


- Casa onde entra o sol não entra o médico 

Provérbio provado rimado - MDCVII

Nem tudo o que luz é ouro 
Nem tudo o que balança cai 
Por isso protege o teu couro 
Para depois não gritares ai 

Não te fies nas aparências 
Há um fruto além da casca 
E desconfia das evidências 
Ou então vais ver-te à rasca 

E quando te vierem acenar 
Com amostras do paraíso 
Poderás então gargalhar 
Dizer-lhes que tenham juízo 


sábado, 27 de dezembro de 2025

Provérbio provado rimado - MDCVI

O que dizem os meus olhos?
Que estou farta de trambolhos 
De homens lentos e carentes 
Da vida a sós descontentes 

Também há o tipo tarado 
Que quer sexo consumado 
Tão cheio de pressa e tesão 
Não mostra nenhuma emoção 

Estou perdida nesse ermo 
Onde não há meio termo 
Vou ficar quieta na toca 
Cada cavadela sua minhoca 

Eu cá vou parar de escavar 
Já perdi a fé de encontrar 
O tal gesto verdadeiro 
Que não seja interesseiro 


Provérbio provado rimado - MDCV

Qualquer chefe que se preze 
Muito emprenha pelos ouvido
Conquanto assim menospreze 
Os que não são os preferidos 

E também faz do seu gabinete 
Uma espécie de confessionário 
Achando que não é um frete 
Escutar cada novo fadário 

Nessa tal porta fazem fila 
Para queixinhas vomitar 
E dali ninguém desopila 
Sem intrigas várias largar 

Vão lançando no ar suspeições 
Que não têm pingo de verdade 
E através de dissimulações 
Desejam mais notoriedade 

Até que o chefe constata 
Que tem sido injusto talvez 
Já que a gente mais pacata 
Não implora pela sua vez 


quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Provérbio provado rimado - MDCIV

Para longe tu podes fugir 
Sem sequer calcular a distância 
Estás-te apenas a querer iludir 
Ao alimentares essa ânsia 

Isso não te permite acalmar 
Deixa-te somente agitado 
Sentes um aperto ao respirar 
Tens medo de ficar perturbado 

Nessa altura só queres escapar 
E esconder-te como a avestruz 
Quando vês a vida a complicar 
Foges como o diabo da cruz 


Provérbio provado rimado - MDCIII

Quem me dera a mim amar 
Sendo enfim correspondido 
Só me resta porém soluçar 
Se me encontro arrependido 

Um balanço maior dou ao passo 
Do que a perna que está disponível 
E redunda no fim em fracasso 
O que antes pensei concebível 

Por ser muito precipitado 
E tantas vezes irrealista 
Se defino um alvo afastado 
Mais me lanço a essa pista 

E se ajo de forma imprudente
Não me posso depois queixar 
Por pôr sempre o carro à frente 
Dos bois que o deviam levar 


Provérbio provado rimado - MDCII

Não sei se é o amor que me perde 
Ou sou eu quem perde o amor 
Quando tal ocorre fico verde 
Ou vermelha de tanto rubor 

Já não sei o que à vida faça 
Tenho a cabecinha às voltas 
O amor parece uma trapaça 
Que deixa no fim pontas soltas 


Provérbio provado rimado - MDCI

O Semedo é pouco erudito 
Sendo um tipo rudimentar 
Não possui fraseado bonito 
Não dobra a língua ao falar 

Dizem que é tímido e discreto 
Mas é só falta de instrução 
Esse é o calcanhar secreto 
Que o faz agir com contenção 

Quando um diálogo enceta 
Faz-se muito despercebido 
Evitando a ideia concreta 
É tão vago e indefinido 

Solta as palavras com poupança 
Por estranhar-lhes os significados 
No que diz não tem confiança 
Não deseja meter-se em assados 


Provérbio provado rimado - MDC

Tu és um sujeito atrevido 
Tens um modo pouco polido 
E começas a lançar piropos 
Sempre que estás com os copos 

Vês em cada mulher uma musa 
Que te deixa cheinho de tusa 
Até chamas algumas de flor 
Perguntando se dá para pôr 

Outras vais nomear de boneca 
Para ver se te calha uma queca 
E propões arrastando a asa 
Ó febra junta-te aqui à brasa 

Tantas curvas e tu sem travões 
Começam a faltar-te opções 
É então que tu ficas confuso 
Sem rosca para o teu parafuso 

Se não inventares outro mote 
Vais ficar como o Dom Quixote 
Sempre em busca da tal Dulcineia 
Que não te vá fazer cara feia

Elas pensam que tu és otário 
Porque és um bocado ordinário
Dom Juan de trazer por casa 
Do que esperam fazes tábua rasa 


Provérbio provado rimado - MDXCIX

Vou contar de uma senhora 
Que é muito observadora 
Mas depois não fica calada 
Tudo conta à rapaziada 

Se algo descobre adora 
Ser a principal oradora 
Sem tabus ou sequer freios 
Ela tudo expõe sem rodeios 

Quer sempre saber na hora 
O boato que corre por fora 
Para então concluir ao seu jeito 
Sem ter pelos visados respeito 

Dos conflitos instigadora 
Já nas rixas não se demora 
Afastando-se logo das brigas 
Diz Eu cá não sou de intrigas