Com o último assombro que a interpelou
Até passar a outro que não ao mesmo
Porque a novidade não tem parentes
Nem acumula despojos desnecessários
É uma porta que se abre sempre em sobressalto
O espanto irrompe por ali adentro
Sem se fazer anunciar nem proferir saudações
Transpondo a soleira com pressa e sem ambiguidades
Que é a sua forma de se mostrar competente
A surpresa jamais pede colo ou regaço
Não há tempo para materializar o apego
Apesar de um suspiro não durar mais do que um segundo
Pode vir a ser confundido com um bocejo
E é sabido que qualquer admiração não pode ter sono
A sua natureza é estar em constante alerta
No entanto a realidade é exigente a pedir maravilhas
Embora uma boa surpresa não passe de uma redundância
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