« (...) A Kristóf podia confiar-se tudo. Não era preciso convencê-lo de nada, pois, desde a mais tenra infância, estava imbuído dos princípios que norteiam o entendimento da vida social. O velho juiz sabia que também Kristóf queria salvar a sociedade - não era necessário discutir isso com ele, a tal ponto o entusiasmo, a fé e a convicção emanavam da sua pessoa, de cada uma das suas palavras. Poder-se-ia confiar-lhe a sociedade... Mas o velho juiz observava o jovem juiz num ar de reflexão crítica, atrás da cortina de fumo do cigarro. «Tem o seu excesso de formalismo» pensou. «É pura correcção. Nunca o vi com uns copos, nunca lhe ouvi uma palavra descuidada.» O juiz estava quase nos setenta, já vira muito, vira a nudez moral dos homens, pior do que a nudez física, e julgava conhecê-los. Observava a «correcção» de Kristóf com uma certa preocupação. «Só se cuida assim quem se vigia.» (...)»
In Divórcio em Buda - Sándor Márai
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
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