É um Provérbio provado
Que aqui vos é contado
É o Provérbio bovino
P'rá menina e p'ró menino
Ouvir
domingo, 3 de maio de 2020
Provérbio provado rimado - DCCCXIII
Não sei o que de ti pensar
Passas o dia a fingir
É tão falso o teu sorrir
Estás sempre a representar
Quando uma conversa inicias
Pareces assim interessada
Mas com a tua cara enrugada
A tua aversão denuncias
És sempre tão acessível
Que até faz desconfiar
Que algo tu queiras lucrar
Tanta bondade é impossível
Já de mim constantemente
Te acercas com ar preocupado
A saber como tenho passado
Se estou ou não estou doente
Ainda agora aqui chegaste
Quando me apanhaste sozinha
E com o teu ar de santinha
O teu charme podre lançaste
Vieste desejar-me melhoras
Também um bom fim de semana
Tu és tão hipócrita ó Ana
Que pelo olho de vidro choras
Passas o dia a fingir
É tão falso o teu sorrir
Estás sempre a representar
Quando uma conversa inicias
Pareces assim interessada
Mas com a tua cara enrugada
A tua aversão denuncias
És sempre tão acessível
Que até faz desconfiar
Que algo tu queiras lucrar
Tanta bondade é impossível
Já de mim constantemente
Te acercas com ar preocupado
A saber como tenho passado
Se estou ou não estou doente
Ainda agora aqui chegaste
Quando me apanhaste sozinha
E com o teu ar de santinha
O teu charme podre lançaste
Vieste desejar-me melhoras
Também um bom fim de semana
Tu és tão hipócrita ó Ana
Que pelo olho de vidro choras
Provérbio provado rimado - DCCCXII
Parabéns ó querida Anette
Chegou mais um aniversário
Felicito-te como compete
Não desejo fazer o contrário
Apesar de já não nos vermos
Desde outro passado Maio
Mas foi por não podermos
A vida é difícil c'um raio
Vê que nem sempre é verdade
Incontestável um ditado
Ao menos na nossa amizade
Quem não é visto é lembrado
Pois tanto de ti me lembro
Mesmo que não te telefone
Desde Janeiro a Dezembro
Vou recordando o teu nome
E sei que se preciso for
Se houver necessidade
Contarei com o teu amor
Pois és amiga de verdade
Chegou mais um aniversário
Felicito-te como compete
Não desejo fazer o contrário
Apesar de já não nos vermos
Desde outro passado Maio
Mas foi por não podermos
A vida é difícil c'um raio
Vê que nem sempre é verdade
Incontestável um ditado
Ao menos na nossa amizade
Quem não é visto é lembrado
Pois tanto de ti me lembro
Mesmo que não te telefone
Desde Janeiro a Dezembro
Vou recordando o teu nome
E sei que se preciso for
Se houver necessidade
Contarei com o teu amor
Pois és amiga de verdade
sábado, 2 de maio de 2020
Provérbio provado rimado - DCCCXI
O que se passa na cama
É segredo de quem ama
Dizia Drummond de Andrade
A quem o verso agrade
É que o leito dos amantes
Guarda a magia dos instantes
Não tem limites visíveis
Pode ter gemidos audíveis
Se o amor é verdadeiro
Até o quarto extravasa
Torna-se o derradeiro
É maior que toda a casa
Enche a vida de sabor
É leal e não aldabra
A vera história de amor
Não tem fim nunca acaba
É segredo de quem ama
Dizia Drummond de Andrade
A quem o verso agrade
É que o leito dos amantes
Guarda a magia dos instantes
Não tem limites visíveis
Pode ter gemidos audíveis
Se o amor é verdadeiro
Até o quarto extravasa
Torna-se o derradeiro
É maior que toda a casa
Enche a vida de sabor
É leal e não aldabra
A vera história de amor
Não tem fim nunca acaba
Provérbio provado rimado - DCCCX
Como agente da autoridade
Tenho de impor o respeito
Às vezes há promiscuidade
Mulheres que destapam o peito
Casais que estão nas viaturas
Com os vidros embaciados
Pouco cooperantes criaturas
Lá têm de ser multados
Hoje eu avistei um casal
Em pleno monte a dar uma
Só que eles dois afinal
Estavam só a apanhar caruma
Os dois debruçados estavam
Por sobre uma serapilheira
As aparências enganavam
E rimos da brincadeira
Logo me quis recolher
Disseram-me sem malícia
Em casa manda a mulher
Na rua manda a polícia
Tenho de impor o respeito
Às vezes há promiscuidade
Mulheres que destapam o peito
Casais que estão nas viaturas
Com os vidros embaciados
Pouco cooperantes criaturas
Lá têm de ser multados
Hoje eu avistei um casal
Em pleno monte a dar uma
Só que eles dois afinal
Estavam só a apanhar caruma
Os dois debruçados estavam
Por sobre uma serapilheira
As aparências enganavam
E rimos da brincadeira
Logo me quis recolher
Disseram-me sem malícia
Em casa manda a mulher
Na rua manda a polícia
Provérbio provado rimado - DCCCIX
Que palavra linda o mar
Tão azul só no céu termina
Para lá não me canso de olhar
Mesmo no tempo que me confina
Quando posso uma escapadela
Fecho os olhos e encontro-me lá
Vejo o mar parcela a parcela
Ou no todo tão vasto que há
Vejo todas as aves marinhas
As conchas e seixos que rolam
Quem me dera umas asas minhas
Ser um ser dos que descolam
Mas só olho para os voos todos
E se em terra entra a gaivota
Vejo como o faz com que modos
É porque o mar a enxota
São as leis da natureza
Tudo tem uma razão de ser
E o mar é o rei com certeza
Que tem na tempestade a mulher
Tão azul só no céu termina
Para lá não me canso de olhar
Mesmo no tempo que me confina
Quando posso uma escapadela
Fecho os olhos e encontro-me lá
Vejo o mar parcela a parcela
Ou no todo tão vasto que há
Vejo todas as aves marinhas
As conchas e seixos que rolam
Quem me dera umas asas minhas
Ser um ser dos que descolam
Mas só olho para os voos todos
E se em terra entra a gaivota
Vejo como o faz com que modos
É porque o mar a enxota
São as leis da natureza
Tudo tem uma razão de ser
E o mar é o rei com certeza
Que tem na tempestade a mulher
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Provérbio provado rimado - DCCCVIII
Para o bom Ivo Oliveira
A paixão não é brincadeira
Entrega-se com intensidade
Dá corpo e alma com vontade
Mas o Ivo tem tido azar
Parece que o estão a testar
A ver onde chega a paciência
A bendita da resiliência
Num ano só baldas levou
De quem desculpas lhe atirou
Sem um mínimo de fundamento
Nem pesar ou arrependimento
Ele lá deu voltas à cabeça
Conquanto a coisa não mereça
Até que a realidade percebeu
E não foi por tais voltas que deu
As fulanas de braço dado
Com o seu novo namorado
À força veio a perceber
O corno é o último a saber
A paixão não é brincadeira
Entrega-se com intensidade
Dá corpo e alma com vontade
Mas o Ivo tem tido azar
Parece que o estão a testar
A ver onde chega a paciência
A bendita da resiliência
Num ano só baldas levou
De quem desculpas lhe atirou
Sem um mínimo de fundamento
Nem pesar ou arrependimento
Ele lá deu voltas à cabeça
Conquanto a coisa não mereça
Até que a realidade percebeu
E não foi por tais voltas que deu
As fulanas de braço dado
Com o seu novo namorado
À força veio a perceber
O corno é o último a saber
Provérbio provado rimado - DCCCVII
A vida é uma mentira
Não há volta só ira
Engano sempre em frente
Connosco e com toda a gente
A fingir o tempo passamos
E a nossa alma esmagamos
Mas não sabemos quem somos
Nem quem aos outros propomos
Também não se safa a criança
Igualmente é carente de esperança
Assim que mal nasce percebe
Que é veneno a água que bebe
Se a morte fosse solução
Já não haveria caixão
Disponível para tanta pessoa
Que nisso visse coisa boa
Então só nos resta viver
E assim continuar a sofrer
Com sorrisos de preferência
É aí que reside a ciência
Uma latente hipocrisia
Mascarada de vã alegria
Vamos à vida a morte é certa
Mas embora em data incerta
Não há volta só ira
Engano sempre em frente
Connosco e com toda a gente
A fingir o tempo passamos
E a nossa alma esmagamos
Mas não sabemos quem somos
Nem quem aos outros propomos
Também não se safa a criança
Igualmente é carente de esperança
Assim que mal nasce percebe
Que é veneno a água que bebe
Se a morte fosse solução
Já não haveria caixão
Disponível para tanta pessoa
Que nisso visse coisa boa
Então só nos resta viver
E assim continuar a sofrer
Com sorrisos de preferência
É aí que reside a ciência
Uma latente hipocrisia
Mascarada de vã alegria
Vamos à vida a morte é certa
Mas embora em data incerta
Provérbio provado rimado - DCCCVI
Para quem com mortos compete
Nos jardins tenros do amor
A coisa tão pouco promete
Prevê-se que não haja fervor
Pois quem se escuda no passado
Como desculpa para não dar
É bom que se tenha cuidado
O coração não quer ofertar
Se se trata de amores novos
Não faça logo uma festa
E não ponha todos os ovos
Assim todos na mesma cesta
Nos jardins tenros do amor
A coisa tão pouco promete
Prevê-se que não haja fervor
Pois quem se escuda no passado
Como desculpa para não dar
É bom que se tenha cuidado
O coração não quer ofertar
Se se trata de amores novos
Não faça logo uma festa
E não ponha todos os ovos
Assim todos na mesma cesta
Provérbio provado afogueado - II
Sou o Roberto e, apesar de ainda não ter feito trinta anos, já sou proprietário de vários estabelecimentos turísticos na capital. Na verdade, são apenas três apartamentos com dois quartos cada e a precisar de obras em Moscavide, que alugo à noite a turistas de pé descalço através de uma plataforma online, mas esses pormenores todos não precisam de saber as moças mais incautas das aplicações de encontros onde constituí perfil, a quem me apresento como empresário de hotelaria, formado na escola da vida e amigo do meu amigo.
Já me aconteceu ir tomar uns cafezinhos com algumas dessas alminhas, mas a maioria é desinteressante: umas só falam das aulas no ginásio, outras da novela que estão a seguir, muitas mostram fotografias dos animais de estimação. Além disso, são quase todas tímidas - ou fazem-se! - quando lhes pergunto se têm curiosidade em conhecer os meus alojamentos turísticos. Eu bem lanço a escada... E, por falar em escada, quase cheguei a levar uma delas à porta de um dos T2, mas quando me encostei a ela no elevador acanhado, começou com uma conversa da vacina da gata no veterinário e tal e escapuliu-se; claro que aquilo foi desculpa de mau pagador, deve ter pensado que ia para algum condomínio de luxo da Estrela à Lapa.
Enfim, que eu não me chame Roberto, que chamo!, se não hei-de levar a minha avante e encontrar uma princesa que me leve a desinstalar aquela aplicação: estou farto de tanta conversa de chacha com excesso de emojis que nunca dá em nada, é preciso ter azar! Mas isto vai, isto vai.
- Quem quer fogo, busque a lenha
Já me aconteceu ir tomar uns cafezinhos com algumas dessas alminhas, mas a maioria é desinteressante: umas só falam das aulas no ginásio, outras da novela que estão a seguir, muitas mostram fotografias dos animais de estimação. Além disso, são quase todas tímidas - ou fazem-se! - quando lhes pergunto se têm curiosidade em conhecer os meus alojamentos turísticos. Eu bem lanço a escada... E, por falar em escada, quase cheguei a levar uma delas à porta de um dos T2, mas quando me encostei a ela no elevador acanhado, começou com uma conversa da vacina da gata no veterinário e tal e escapuliu-se; claro que aquilo foi desculpa de mau pagador, deve ter pensado que ia para algum condomínio de luxo da Estrela à Lapa.
Enfim, que eu não me chame Roberto, que chamo!, se não hei-de levar a minha avante e encontrar uma princesa que me leve a desinstalar aquela aplicação: estou farto de tanta conversa de chacha com excesso de emojis que nunca dá em nada, é preciso ter azar! Mas isto vai, isto vai.
- Quem quer fogo, busque a lenha
Provérbio provado inquietado
Não importa quem tem ou não razão, Emanuel, nisto da educação dos filhos ninguém tem a guarda do Santo Graal.
O teu filho desrespeitou a avó do meu ao cuspir no chão lá de casa e o meu não o devia ter empurrado como retaliação. Foram os dois mal educados, para não dizer pior. E, se ficou só por aí e a situação se finou assim, já não foi nada mau, podia ter dado molho, estás a perceber, Emanuel?, aquelas hormonas, aquelas hormonas... Afinal já têm aquela altura toda e manias a condizer, mas no fundo são fedelhos, ainda andam de cueiros, ainda cheiram a leite.
Apertemos as mãos, Emanuel, sou padrinho do teu filho e tu és padrinho do meu. Além disso, se não fossem os putos, outras preocupações nos inquietariam e, como amigos que somos, estaríamos aqui à mesma a conversar sobre o assunto. Aperta-me lá a mão, anda!
- Quem tem filhos tem cadilhos, quem não os tem cadilhos tem
O teu filho desrespeitou a avó do meu ao cuspir no chão lá de casa e o meu não o devia ter empurrado como retaliação. Foram os dois mal educados, para não dizer pior. E, se ficou só por aí e a situação se finou assim, já não foi nada mau, podia ter dado molho, estás a perceber, Emanuel?, aquelas hormonas, aquelas hormonas... Afinal já têm aquela altura toda e manias a condizer, mas no fundo são fedelhos, ainda andam de cueiros, ainda cheiram a leite.
Apertemos as mãos, Emanuel, sou padrinho do teu filho e tu és padrinho do meu. Além disso, se não fossem os putos, outras preocupações nos inquietariam e, como amigos que somos, estaríamos aqui à mesma a conversar sobre o assunto. Aperta-me lá a mão, anda!
- Quem tem filhos tem cadilhos, quem não os tem cadilhos tem
Provérbio provado rimado - DCCCV
Andam sempre juntos os três
São a conta que Deus fez
Cocó Ranheta e Facada
São os três da vida airada
O Cocó é muito afectado
Presumido porque doutorado
E ele julga tudo saber
Às vezes chega a ofender
O Ranheta é um impertinente
Que quase nunca está contente
É uma pessoa tão rabugenta
Parece já andar nos setenta
Já por sua vez o Facada
É uma surpresa encartada
Conhecido por mau pagador
Não lhe queiras ser cobrador
Como se juntaram curioso
É um facto assaz misterioso
Mas essa parte não vou contar
Vou deixar o mistério no ar
Provérbio provado rimado - DCCCIV
No meio da circunstância
De um acto de importância
Uns correm para o pão
Outros deitam-se ao chão
É quase impossível prever
O que cada um vai fazer
Mas é esperada a vitória
Dos fracos não reza a história
De um acto de importância
Uns correm para o pão
Outros deitam-se ao chão
É quase impossível prever
O que cada um vai fazer
Mas é esperada a vitória
Dos fracos não reza a história
Provérbio provado rimado - DCCCXIII
Na casa da Maria Parda
Uns comem tudo outros nada
E há com cada reboliço
Por seis rodelas de chouriço
Que a juntar a uns ovinhos
Assim bem escalfadinhos
Dão belos pratos de ervilhas
Para repartir pelas filhas
Mas nunca reina o consenso
Às vezes falta bom senso
Uns devoram outros só picam
E cheios de fominha ficam
Uns comem tudo outros nada
E há com cada reboliço
Por seis rodelas de chouriço
Que a juntar a uns ovinhos
Assim bem escalfadinhos
Dão belos pratos de ervilhas
Para repartir pelas filhas
Mas nunca reina o consenso
Às vezes falta bom senso
Uns devoram outros só picam
E cheios de fominha ficam
quinta-feira, 30 de abril de 2020
Provérbio provado nos Contos que cabem em casa - I
sexta-feira, 24 de abril de 2020
Provérbio provado inflamado
Há dias em que acordo virada do avesso e não há quem me desdobre a indumentária. Fico particularmente sensível nessas ocasiões: não tenho papas na língua e com os dentes trituro as palavras. Abomino meios termos, emoções mornas e eufemismos: é sempre tudo a ferro e fogo. Claro que depois pago a factura. Com IVA.
Tenho de começar a aprender que
- É grão saber calar e comer
Tenho de começar a aprender que
- É grão saber calar e comer
Provérbio provado beijado
Dava beijos muito lentos e prolongados na perspectiva de que lhe durassem mais os amores.
Começava assim por encostar os seus lábios aos do outro com uma suavidade quase receosa, estudando-lhes a polpa e a eventual disponibilidade. Após este primeiríssimo contacto, que efectuava sustendo a respiração, já podia pressionar um pouco mais e efectuar uma entrega concertada: o lábio superior tendia a quedar-se mais invisível ao passo que o inferior se distendia num prolongamento da separação que mediava o primeiro do segundo beijo.
Depois ousava timidamente a ponta da língua ao encontro da língua parceira e era então que deixava de apenas adivinhar para passar a saborear o sal da boca alheia. Nessa altura, as duas bocas conheciam-se e sucedia-se uma pausa para um sorriso seguido de um beijo mais acentuado.
À medida que o medo se distanciava e se permitia um abandono exponencial, os beijos intensificavam-se com mais língua e mais saliva e misturavam-se com dentes e dedos.
Uma excitação toda corpórea percorria a coluna vertebral, ora do lóbulo da orelha ao sexo já pulsante ora no sentido contrário, querendo escapar a um entumescimento precoce, concentrando-se na anatomia de cada beijo partilhado.
Enquanto esses beijos durassem vívidos, assim se estabeleceria a possibilidade de um amor futuro e seu pretenso desgosto.
- Boca que apetece, coração que padece
Começava assim por encostar os seus lábios aos do outro com uma suavidade quase receosa, estudando-lhes a polpa e a eventual disponibilidade. Após este primeiríssimo contacto, que efectuava sustendo a respiração, já podia pressionar um pouco mais e efectuar uma entrega concertada: o lábio superior tendia a quedar-se mais invisível ao passo que o inferior se distendia num prolongamento da separação que mediava o primeiro do segundo beijo.
Depois ousava timidamente a ponta da língua ao encontro da língua parceira e era então que deixava de apenas adivinhar para passar a saborear o sal da boca alheia. Nessa altura, as duas bocas conheciam-se e sucedia-se uma pausa para um sorriso seguido de um beijo mais acentuado.
À medida que o medo se distanciava e se permitia um abandono exponencial, os beijos intensificavam-se com mais língua e mais saliva e misturavam-se com dentes e dedos.
Uma excitação toda corpórea percorria a coluna vertebral, ora do lóbulo da orelha ao sexo já pulsante ora no sentido contrário, querendo escapar a um entumescimento precoce, concentrando-se na anatomia de cada beijo partilhado.
Enquanto esses beijos durassem vívidos, assim se estabeleceria a possibilidade de um amor futuro e seu pretenso desgosto.
- Boca que apetece, coração que padece
Provérbio provado num estado de alma
Tantas vezes presa por ter cão e presa por não ter, cativa entre a espada e a parede, passo pela vida como cão por vinha vindimada. A resposta não vem na ponta da língua, que depressa e bem não há ninguém. A solução tarda como uma agulha num palheiro. Só enquanto o pau vai e vem folgam as costas e é então que me repito que há mais marés que marinheiros.
- Ai vida, vida, que é mais curta que comprida
- Ai vida, vida, que é mais curta que comprida
Provérbio provado rimado - DCCCXII
Às vezes não damos valor
Tudo nos parece incolor
Tão vulgar e sensaborão
Porque está mesmo ali à mão
Mas contudo a dura realidade
É que a verdadeira felicidade
Precisa de ser interrompida
Para poder ser sentida
Tudo nos parece incolor
Tão vulgar e sensaborão
Porque está mesmo ali à mão
Mas contudo a dura realidade
É que a verdadeira felicidade
Precisa de ser interrompida
Para poder ser sentida
Provérbio provado rimado - DCCCXI
Se a tua mota queres preservar
Não a prendas com correntes de ar
Enfia-lhe as rodas na garagem
Longe dos olhos da gatunagem
Que o motão é a tua griffe
Dá-te um certo ar de patife
Até está na foto de perfil
Para mostrar que andas a mil
No bolóide apareces montado
Com ar de putanheiro encartado
Convencido que muito te admiro
Convidas-me para dar um giro
Não a prendas com correntes de ar
Enfia-lhe as rodas na garagem
Longe dos olhos da gatunagem
Que o motão é a tua griffe
Dá-te um certo ar de patife
Até está na foto de perfil
Para mostrar que andas a mil
No bolóide apareces montado
Com ar de putanheiro encartado
Convencido que muito te admiro
Convidas-me para dar um giro
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