Provérbios Provados noutras casas:

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Provérbio provado rimado - MCCCIX

Disseste que fosse à vida 

Sem haver sequer despedida 

Num ápice descartaste 

O que porventura estimaste 


Atónita com tal frieza 

De quem facilmente despreza 

Senti-me perdida de mim 

Por tu me tratares assim 


Tanto te havia querido 

E foste mal agradecido 

Sem um pingo de pudor 

Deitaste no lixo o amor 


É certo que tudo estava 

Tão mau como se afigurava 

E para evitar um conflito 

É que escondeste o delito 


Também foste responsável 

Por deixar de ser saudável 

Aquilo que nos tinha unido 

Por não me teres defendido 


Fingiste então não dar conta 

Daquela constante afronta 

De quem com ódio e despeito 

Nunca me teve respeito 


Devias estando ao meu lado 

Ter o meu valor atestado 

E assim não permitirias 

Tais caprichosas manias 


Mas não soubeste ter mão 

Em quem não tinha noção 

Foste sempre cobardolas 

Não quis as tuas esmolas 


Aparentemente aceitei 

E tão pouco estrebuchei 

Para não dares parte de fraco 

Eu meti a viola no saco 



Provérbio provado rimado - MCCCVIII

É tão foleira a inveja 

O que é do outro deseja 

Não consegue ver brilhar 

Sem logo a seguir cobiçar 


Própria de gente rasteira 

Que assim toma a dianteira 

Emitindo más vibrações 

Enquanto levanta questões 


A inveja é como ferrugem 

Deixa a pessoa à babugem 

Corrói aquele que a tem 

Que só destila desdém 


Vibra em ruim frequência 

Distante de qualquer decência 

É mesmo o maior pecado 

Que havia de ser inventado 



quinta-feira, 6 de junho de 2024

Provérbio provado rimado - MCCCVII

Eu mordia um caroço 

Se isso trouxesse almoço 

E lambia o cu do cão 

Se daí me viesse pão 



Provérbio provado rimado - MCCCVI

Vêem o vinho que bebo 

Não os trambolhões que dou 

Bebida não é placebo 

Que a língua me enrolou 


Diz que o copito de vinho 

Pode dar força à gente 

Por isso bebo sozinho 

Para andar assim contente 


Mas só ando até à hora 

Em que já não posso andar 

Ponho a língua de fora 

E o Gregório vou chamar 



Provérbio provado rimado - MCCCV


Assim como antes te amei 

Depois com rancor te odiei 

Sumiste do meu coração 

Para dar lugar à razão 


Pois se o amor está na veia 

O ódio é na cabeça cheia 

Não duvido que é sentimento 

Que apenas me traz desalento 


Não faz falta a tua presença 

E será a seguir indiferença 

Mas até ao caminho final 

A pugna é descomunal 


Acho que afinal esquecer-te

Vai ser melhor do que ter-te 

Em silêncio aguardo entretanto 

O que já deixou de ser pranto 


Que o silêncio não significa 

Que esquecer se solidifica 

Mas é a verdadeira ajuda 

Enquanto o chip não muda 



Provérbio provado rimado - MCCCIV

Eu nem sei se dormes sozinho 

Pois sem dicas eu não adivinho 

Nem sei se algum cobertor 

Cobrirá o teu ninho de amor 


Por vezes naquelas alturas 

Em que me mandas partituras

Gostaria de dar-te um abraço 

Escutando a dois o compasso 


Para quê tamanho mistério?

O caso tem contornos de sério 

Para pedir a um detective 

Que saiba que contigo não estive 


Que não estive e provavelmente 

Esse encontro não é evidente 

Porque o futuro mais certo 

É que fique tudo em aberto 



Provérbio provado rimado - MCCCIII

Se afirmas que não te conheço 

Porque a tua atitude não meço 

Eu respondo que vives escondido 

Convencido que és bom partido 


Se prolongas essa postura 

Assim é que ninguém te atura 

Não tendo nada que mostrar 

Vais nenhuma alma agradar 


Mostras ser um tipo duro 

Mas és afinal inseguro 

Não lidas bem com o stress 

Da tua vida sem interesse 


É por isso que tanto impões 

As tuas estéreis conclusões 

Pendurado na graça alheia 

A tua existência é tão feia 


Nunca dás um ponto sem nó 

Isso é bem capaz de dar dó 

Desconheces a espontaneidade 

Sem saber como estar à vontade 


Ainda bem que te bloqueei 

E que o teu capítulo encerrei 

Pois tu o meu sangue bebias 

Enquanto mudar-me querias 


Fica lá na tua vidinha 

Entretanto sigo com a minha 

Vou sempre de passeio trocar 

Quando acaso te encontrar 


Deixa de vir à minha zona 

É uma conduta fanfarrona 

Para ver se me topas na rua 

Já não sou nem mais serei tua 


Assim encarecida te peço 

Não me mostres o teu sucesso 

Que para ele me estou a cagar 

Não preciso de ti para brilhar 


Também tenho o meu valor 

Que antes te causava rubor 

Acho que me iludias ou seja 

O que tu tinhas era inveja 



Provérbio provado rimado - MCCCII

Quando conheci a Verónica 

Percebi que era daltónica 

Já que no sinal verde parava 

E depois no vermelho arrancava 


Verdadeira agonia na estrada 

Não podia ser contrariada 

Pois não aceitava os conselhos 

Que rogavam stop nos vermelhos 


Porque via diferentes cores 

Das que viam outros condutores 

Volta e meia era multada 

E ficava mesmo chateada 


Quando a multa já era a quarta 

Quiseram ficar-lhe com a carta 

Então ela injustiça bradou 

E a dita nunca entregou 


Até que seja apreendida 

Vai passando despercebida 

Conduzindo agora ilegal 

Cuidadosa com o pé no pedal 


A polícia não é competente 

E ela tem um ar inocente 

Nunca põe a boca à torneira 

Evitando assim dar bandeira 


Enquanto não sofre castigo 

Representa ao volante um perigo 

Tende atenção à passagem 

Que pode arruinar a viagem 



quarta-feira, 5 de junho de 2024

Provérbio provado rimado - MCCCI

Se te pensas muito maior 

Do que és na realidade 

Tens um gene de estupor 

Essa é que é a verdade 


Inchado e tão presumido 

No final do pacote te achas 

E é por seres assim convencido 

Que te digo Toma lá bolachas 


Enche bem a barriguinha 

Mastigando-as devagar 

Tal como qualquer criancinha 

Para os outros estás-te a lixar 



Provérbio provado rimado - MCCC

O seu sobrenome é Coutinho 
Faz parte do Zé Povinho 
Mas não sei mais pormenores 
Acerca dos seus valores 

Só uma coisa eu sei 
Pois assim considerei 
Ele tem alma de poeta 
Com o que isso acarreta 

E por ser tão misterioso 
Tão da sua vida cioso 
Aumenta a curiosidade 
Do que faz na sua cidade 


Provérbio provado rimado - MCCXCIX

Fico enfim pianinho 

Que não sou tão corajosa 

E bato a bola baixinho 

Duma asneira desejosa 


É mandá-los trabalhar 

E não me tirem do eixo 

Que desato a praguejar 

Enquanto assim me queixo



terça-feira, 4 de junho de 2024

Provérbio provado rimado - MCCXCVIII

Só da poesia eu preciso 

Tem para o alto uma escada 

Para elevar sem mais nada 

Qualquer lago de Narciso 


Também salva o calcanhar 

De Aquiles ou semelhante 

Que um verso contrastante

Assim consegue brilhar 


Trata toda a vã maleita 

Que a qualquer um assalta 

Pois afinal não faz falta 

Para uma rima perfeita 


E quando se escapa a musa 

Se nem a sorte perdura 

Nem o azar sempre dura 

Então voltará a tusa



domingo, 26 de maio de 2024

Provérbio provado num verso branco - CXLIV

Aquele coração que foi janela estilhaçada 

Sobreviveu a uma tempestade de pedras velozes 

Que lhe britaram com fúria a superfície 


Resta-lhe que não mais se conduza num ímpeto 

Na direcção do olho do furacão 

Que se desloque com cuidado redobrado 

Cautelosamente na ponta dos vasos para não sangrar 

Veia ante veia rumo ao ninho que o espera 

E onde se conserva o amor soberano 


- Esse quando assim inquestionável também absoluto 

E quando se consegue sustentar o suficiente 

Cada grama de desperdício é uma dádiva extra -


Mas se aquele coração tiver pressa pode a cabeça 

Emprestar-lhe um pensamento a fundo perdido 

Que lhe recomende um passo mais lento 

Um movimento de espião incógnito sem palco 

Nem luzes que sobre ele incidam excessivamente 


Lá vai ele sorrateiro em peúgas de lã 

Caçador atrasando a meta no rasto da presa 

Já não quer chegar adiantado como dantes 

Antes do princípio ser sequer princípio e o fim fim 

Agora quer arribar ao porto certo no ponto certo 

 

A boa sorte é sempre pouca sorte nessa viagem 

As rédeas exigem aprendizagem e muito esforço 

Desistir parece mais fácil e por isso é mais difícil 

Mas para onde o coração se inclina o pé caminha 



Provérbio provado rimado - MCCXCVII

Se a verdade amarga 

Então a mentira é doce 

Pois esta segunda a embarga 

Por mais estupenda que fosse 


Estorva a coisa concreta 

Pintada com as cores reais 

E faz com que uma treta 

Ganhe contornos banais 



Provérbio provado rimado - MCCXCVI

Quem quer prosperar na vida 

Terá de ser diligente 

Convém gastar por medida 

E não decidir a quente 


Actuar com confiança 

Sem medo e sem lamento 

Abrir uma conta poupança 

Que lhe assegure o sustento 


E se ir ao longe quiser 

Deve poupar o cavalo 

Para a viagem render 

Fazer também intervalo 


Ter tudo assim tão pensado 

Com devida antecipação 

Evita que fique assustado 

Se algo não vai de feição 



Provérbio provado rimado - MCCXCV

Se digo um disparate 

Que dá azo a confusão 

Devo engolir tal dislate 

Pedindo por isso perdão 


E se depois pinto a manta 

Arco com a consequência 

A desculpa não adianta 

Quando é dita com frequência 


Mais vale assim encaixar 

Sem fazer cara de frete 

Que o melhor é parar 

Ou é o diabo a sete 


Pois o capeta de baixo 

O coisa ruim com má cara 

Conhecido também por diacho 

Toda a contenda prepara 


Comporta-se como um farsante 

Ao ver a sua casa a arder 

E nesse momento importante 

Opta por se ir esconder 






segunda-feira, 6 de maio de 2024

Provérbio provado rimado - MCCXCIV

O Carlos é tão embirrante 

Faz tudo de má vontade 

Mas veste aquele ar importante 

De quem é dono da verdade 


Se dele alguém precisar 

Para que lhe faça um favor 

Não adianta solicitar 

Que responde com rancor 


Tem um hábito que irrita 

Sempre que é convocado 

É fazer de mau da fita 

E apresentar tudo errado 


O Carlos assim só espera 

Que mais coisas não lhe peçam 

Mostrando as garras de fera 

Até que um dia o despeçam 


Então ficará nessa altura 

Com um ar ainda mais doentio 

Por não ter noção da postura 

Que lhe confere mau feitio 



sexta-feira, 3 de maio de 2024

Provérbio provado rimado - MCCXCIII

São tantos jovens analistas 

Que opinam com propriedade 

Em política especialistas 

Mas apenas pela metade 


Apressados na opinião 

Com os olhos semicerrados 

Quando vão à televisão 

Fazem pose empertigados 


Não estudaram com consistência 

Não está firme o seu pensamento 

Contudo com vã prepotência 

Exigem um reconhecimento 


Por crerem que os seus veredictos 

Devem ser com louvor validados 

Sabem considerar interditos 

Outros cérebros destacados 


Não percebem que ter ideias 

Não é nada de transcendente 

Tantos há com as mãos cheias 

Que não chegam a presidente 


Convocando um dito verdadeiro 

Que parece caído do céu 

A opinião é como o traseiro 

Em que cada um tem o seu 



Provérbio provado rimado - MCCXCII

Se queres sonhar de verdade 

Não te esqueças de encarar 

A estrada da realidade 

Que não pára de passar 


Que o sonho anda à boleia 

Do que chamamos presente 

Os minutos passando em cadeia 

Mostram o futuro à frente 


Nós somos contemporâneos 

Dos sonhos em cada instante 

Já que eles são momentâneos 

Não ficam guardados na estante 


A somar às possibilidades 

Que cada sonho desperta 

Também há fragilidades 

Nem sempre um sonho acerta 


Mas são afinal a medida 

Que torna os dias maiores 

O sonho comanda a vida 

E faz-nos assim ser melhores 



Provérbio provado rimado - MCCXCI

O Nando gosta de esbanjar 

Mas anda a contar os tostões 

Já que não consegue poupar 

Não esconde as suas intenções 


O que mais o atrofia 

É a vida desconfortável 

Por isso tem firme a mania 

Que é assaz condenável 


Parecer mais do que é 

É uma regra para o Nando 

Ai quem lhe dera um chalé 

Consigo em voz de comando