Nos já partilhámos cuecas
Depois de lavadas e secas
E também nasceres do sol
A horas de estar no lençol
Tantas vivências conjuntas
Respostas e até perguntas
Com lágrimas e muito riso
Às vezes com pouco juízo
Eu podia assim continuar
Para a nossa história relatar
Mas seria afinal um cliché
E mais palavras para quê?
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXLVIII
Tu pareces um deus grego
Tal qual Adónis ou Apoio
Com esta massagem ao ego
Aproveito para te dar colo
Dizer que és bem parecido
Está longe de ser mentira
Mas não fiques convencido
Por teres uma cara tão gira
És muito bem proporcionado
E tens uma figura invejável
Mereces até ser idolatrado
Porém isso é pouco saudável
Eu termino agora o discurso
Ou senão nunca mais acaba
E farei uma figura de urso
Com o queixo a escorrer baba
terça-feira, 28 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXLVII
O tempo é sempre o melhor
Contador das nossas histórias
É quem arquitecta as memórias
É quem dá aos instantes valor
Pois o tempo é como um vento
Que nos sopra sobre a cabeça
E faz isso sem que nos impeça
De poder fruir cada momento
Se é visto como passatempo
Levaremos a vida a brincar
Que é inútil querer adivinhar
E há que dar tempo ao tempo
Contador das nossas histórias
É quem arquitecta as memórias
É quem dá aos instantes valor
Pois o tempo é como um vento
Que nos sopra sobre a cabeça
E faz isso sem que nos impeça
De poder fruir cada momento
Se é visto como passatempo
Levaremos a vida a brincar
Que é inútil querer adivinhar
E há que dar tempo ao tempo
Provérbio provado rimado - MDCCXLVI
O trabalho é apenas trabalho
É na vida somente um atalho
Desse modo não te lamentes
Se desejas coisas diferentes
E para do trabalho fugires
Não é necessário mentires
Basta colocar em destaque
Que o conhaque é conhaque
Assim não haverá confusão
Filmes loucos ou frustração
Pois dos dois terás a medida
Que te vai preencher a vida
É na vida somente um atalho
Desse modo não te lamentes
Se desejas coisas diferentes
E para do trabalho fugires
Não é necessário mentires
Basta colocar em destaque
Que o conhaque é conhaque
Assim não haverá confusão
Filmes loucos ou frustração
Pois dos dois terás a medida
Que te vai preencher a vida
Provérbio provado rimado - MDCCXLV
O Arménio é dos que não caga
Também não desocupa a moita
Não se vai já livrar dessa saga
Pois não dorme quando pernoita
Que o problema dele em suma
É não saber como se anima
E sempre que deseja dar uma
Ele não fode nem sai de cima
Também não desocupa a moita
Não se vai já livrar dessa saga
Pois não dorme quando pernoita
Que o problema dele em suma
É não saber como se anima
E sempre que deseja dar uma
Ele não fode nem sai de cima
Provérbio provado rimado - MDCCXLIV
Tu és um empata fodas
E nem sequer és de modas
Não te ralas se atrapalhas
Ao te intrometeres ao calhas
És a nata no meio do leite
Não traz o que se aproveite
Se percebes que estás a mais
Só te vais nos instantes finais
É preciso mostrarem-te a hora
Em que deverás ir-te embora
Nem sequer vês que falhaste
E tantas fodas que empataste
Em que deverás ir-te embora
Nem sequer vês que falhaste
E tantas fodas que empataste
Provérbio provado rimado - MDCCXLIII
Será que ainda estás acordado
Ou caíste nos braços de Morfeu?
Tens um olho tão arremelgado
Apesar do que já escureceu
E se ainda te restar energia
Dá-me um pouco de atenção
Para dormir com mais alegria
Ao invés de sentir frustração
Ou caíste nos braços de Morfeu?
Tens um olho tão arremelgado
Apesar do que já escureceu
E se ainda te restar energia
Dá-me um pouco de atenção
Para dormir com mais alegria
Ao invés de sentir frustração
Provérbio provado rimado - MDCCXLII
Dizem que levo a peito
Qualquer falta de atenção
Mas é porque exijo respeito
E mereço consideração
Se me tratam como invisível
E me põem numa prateleira
Claro que serei irascível
Terei uma ira verdadeira
Porque quem não se sente
Talvez se leve pouco a sério
E não é filho da boa gente
De quem herdou tal critério
Qualquer falta de atenção
Mas é porque exijo respeito
E mereço consideração
Se me tratam como invisível
E me põem numa prateleira
Claro que serei irascível
Terei uma ira verdadeira
Porque quem não se sente
Talvez se leve pouco a sério
E não é filho da boa gente
De quem herdou tal critério
Provérbio provado rimado - MDCCXLI
Por seres muito jeitosa e linda
Estás diariamente na berlinda
Na mente das outras mulheres
Tu és incrível sem o saberes
Tal sorte que sempre te calha
É inveja ou coisa que o valha
Sentimento que é só despeito
De quem é talvez imperfeito
Não te causa qualquer dissabor
Que afinal até dormes melhor
Vão todas pró raio que as parta
Pois da sua cobiça estás farta
Que vão todas dar banho ao cão
Enervar-se e falar com a mão
As censuras que elas destilam
Só os próprios defeitos perfilam
Estás diariamente na berlinda
Na mente das outras mulheres
Tu és incrível sem o saberes
Tal sorte que sempre te calha
É inveja ou coisa que o valha
Sentimento que é só despeito
De quem é talvez imperfeito
Não te causa qualquer dissabor
Que afinal até dormes melhor
Vão todas pró raio que as parta
Pois da sua cobiça estás farta
Que vão todas dar banho ao cão
Enervar-se e falar com a mão
As censuras que elas destilam
Só os próprios defeitos perfilam
Provérbio provado desafinado
A ideia nascera de uma conversa do seu defunto pai com o irmão mais velho, tio de Carlos, que ocupara o lugar de chefe de família quando o pai de ambos se finara.
O tio Justiniano era um sapateiro à antiga, dos bons, e quando vira o irmão em palpos de aranha, sem conseguir descortinar no filho uma vocação, logo se predispusera a ajudar sem pestanejar ou sequer pensar duas vezes.
- Traz o miúdo amanhã à oficina, meu irmão. Prometo-te que, com estas mãos que muitas solas hão-de bater, farei do teu filho Carlos um bom trabalhador e ensinar-lhe-ei o ofício de sapateiro.
E assim foi: o rapaz, que não dava nada para os estudos, foi aprender com quem sabia da poda, o tio Justiniano, que, com toda a paciência que conseguiu reunir, lá se propôs ensinar ao sobrinho o bê-á-bá da profissão.
O que o tio nunca teve coragem de dizer ao irmão é que aquela amostra de homem quase feito não tinha qualquer jeito para a coisa.
Os anos foram passando e a família foi encolhendo. Não era que fosse um profissional incansável ou diligente ou sequer atento ao pormenor mas, como lá na terra e nas suas redondezas, não havia mais ninguém que consertasse calçado, o Carlos ia dando para o gasto.
Conquanto se aproximasse o aniversário em que teria trinta velas para soprar, não lograra ainda arranjar uma namorada que futuramente, celebrados os esponsais, o ajudasse a tomar conta da oficina.
Até que um belo dia, estando Carlos entretido com estes pensamentos, entrou-lhe porta adentro a Dona Conceição, São para os amigos, com o propósito de lhe encomendar um conserto. A São ainda rompia meias solas, estava bem de ver.
- Ó Carlos, tu pouco sais daqui da loja, rapaz. Anda logo mais ao baile no salão da filarmónica, vai haver concerto. Sempre te distrais um bocado...
Quando a luz eléctrica se apoderou dos candeeiros, Carlos assim fez. Após o conserto dos botins da Dona São, encaminhou-se para o tal concerto no antigo lagar de azeite convertido em salão de festas.
O sítio estava composto, a bem dizer não havia muito que fazer por aquelas bandas. Carlos entrou e foi apertando mãos à esquerda e à direita. Subitamente, pareceu-lhe vislumbrar uma silhueta familiar. Parecia mesmo a Manuela, antiga colega e paixoneta dos tempos de escola. E não só parecia, como de facto era Manuela que, com um sorriso rasgado, quase convidativo, o saudou sem cerimónias.
Num misto de perplexidade e regozijo, tirou-lhe as medidas: como Manuela espigara, que bela mulher se pusera! Porém, a sua timidez não lhe permitiu dirigir-lhe mais do que um simples e inaudível Boa noite, como se de duas frases separadas se tratasse. Assim: primeiro Boa e, segundos depois que lhe pareceram meia hora, a palavra noite a medo, meio engolida.
Nesse instante, a Manuela dera de caras com Fabrício e dera-lhe as costas, contente pelo par garboso com quem bailar. Isto depreendera Carlos da cena, que nesse dia não fizera a barba sequer.
Passou grande parte da noite enfiado a um canto do salão, cogitando qual seria a melhor forma de chamar a atenção de Manuela que, nos braços de Fabrício, rodava deliciada pela pista, sorrindo acalorada de cada vez que trocava os passos da dança.
Carlos tinha dois pés esquerdos e o chão do salão parecia-lhe torto. Por isso, nem arriscou convidar a Manuela para a valsa seguinte. Ai, socorro!, como iria captar sobre si o olhar daquela donzela tão formosa?
Até que, ao passar de repente os olhos pela grupeta de músicos, a que o povo orgulhosamente chamava orquestra, teve uma ideia peregrina.
As aulas de música tinham acontecido há já uma eternidade mas, à data, a professora dizia que ele até tinha queda, que tinha noção dos tempos e dos compassos.
Observou então, num relance, os instrumentos no palco: o acordeão parecia demasiado intrincado e a guitarra não podia ser: Carlos era canhoto. E calculava não ter suficiente caixa torácica para qualquer um dos sopros.
O que restava? O rabecão. O enorme e sólido rabecão que se afigurava fácil de dedilhar e atrás do qual se poderia esconder caso o recital fosse um fiasco.
No intervalo foi negociar com o contrabaixista que lhe emprestou a sua compreensão e um chapéu de coco.
E foi nestes preparos que Carlos entrou em palco, incentivado pelos aplausos do público.
Na manhã seguinte, a São apareceu novamente na loja com a desculpa de indagar acerca do andamento do arranjo dos botins.
- Ó Carlos, eu bem sei que te disse que fosses à festa, que fosses e que te distraísses, que te faria bem... Mas que raio de ideia foi aquela de agarrares no rabecão da orquestra para chamar a minha atenção? Desafinaste o tempo todo, homem!
- Quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?
- Traz o miúdo amanhã à oficina, meu irmão. Prometo-te que, com estas mãos que muitas solas hão-de bater, farei do teu filho Carlos um bom trabalhador e ensinar-lhe-ei o ofício de sapateiro.
E assim foi: o rapaz, que não dava nada para os estudos, foi aprender com quem sabia da poda, o tio Justiniano, que, com toda a paciência que conseguiu reunir, lá se propôs ensinar ao sobrinho o bê-á-bá da profissão.
O que o tio nunca teve coragem de dizer ao irmão é que aquela amostra de homem quase feito não tinha qualquer jeito para a coisa.
Os anos foram passando e a família foi encolhendo. Não era que fosse um profissional incansável ou diligente ou sequer atento ao pormenor mas, como lá na terra e nas suas redondezas, não havia mais ninguém que consertasse calçado, o Carlos ia dando para o gasto.
Conquanto se aproximasse o aniversário em que teria trinta velas para soprar, não lograra ainda arranjar uma namorada que futuramente, celebrados os esponsais, o ajudasse a tomar conta da oficina.
Até que um belo dia, estando Carlos entretido com estes pensamentos, entrou-lhe porta adentro a Dona Conceição, São para os amigos, com o propósito de lhe encomendar um conserto. A São ainda rompia meias solas, estava bem de ver.
- Ó Carlos, tu pouco sais daqui da loja, rapaz. Anda logo mais ao baile no salão da filarmónica, vai haver concerto. Sempre te distrais um bocado...
Quando a luz eléctrica se apoderou dos candeeiros, Carlos assim fez. Após o conserto dos botins da Dona São, encaminhou-se para o tal concerto no antigo lagar de azeite convertido em salão de festas.
O sítio estava composto, a bem dizer não havia muito que fazer por aquelas bandas. Carlos entrou e foi apertando mãos à esquerda e à direita. Subitamente, pareceu-lhe vislumbrar uma silhueta familiar. Parecia mesmo a Manuela, antiga colega e paixoneta dos tempos de escola. E não só parecia, como de facto era Manuela que, com um sorriso rasgado, quase convidativo, o saudou sem cerimónias.
Num misto de perplexidade e regozijo, tirou-lhe as medidas: como Manuela espigara, que bela mulher se pusera! Porém, a sua timidez não lhe permitiu dirigir-lhe mais do que um simples e inaudível Boa noite, como se de duas frases separadas se tratasse. Assim: primeiro Boa e, segundos depois que lhe pareceram meia hora, a palavra noite a medo, meio engolida.
Nesse instante, a Manuela dera de caras com Fabrício e dera-lhe as costas, contente pelo par garboso com quem bailar. Isto depreendera Carlos da cena, que nesse dia não fizera a barba sequer.
Passou grande parte da noite enfiado a um canto do salão, cogitando qual seria a melhor forma de chamar a atenção de Manuela que, nos braços de Fabrício, rodava deliciada pela pista, sorrindo acalorada de cada vez que trocava os passos da dança.
Carlos tinha dois pés esquerdos e o chão do salão parecia-lhe torto. Por isso, nem arriscou convidar a Manuela para a valsa seguinte. Ai, socorro!, como iria captar sobre si o olhar daquela donzela tão formosa?
Até que, ao passar de repente os olhos pela grupeta de músicos, a que o povo orgulhosamente chamava orquestra, teve uma ideia peregrina.
As aulas de música tinham acontecido há já uma eternidade mas, à data, a professora dizia que ele até tinha queda, que tinha noção dos tempos e dos compassos.
Observou então, num relance, os instrumentos no palco: o acordeão parecia demasiado intrincado e a guitarra não podia ser: Carlos era canhoto. E calculava não ter suficiente caixa torácica para qualquer um dos sopros.
O que restava? O rabecão. O enorme e sólido rabecão que se afigurava fácil de dedilhar e atrás do qual se poderia esconder caso o recital fosse um fiasco.
No intervalo foi negociar com o contrabaixista que lhe emprestou a sua compreensão e um chapéu de coco.
E foi nestes preparos que Carlos entrou em palco, incentivado pelos aplausos do público.
Na manhã seguinte, a São apareceu novamente na loja com a desculpa de indagar acerca do andamento do arranjo dos botins.
- Ó Carlos, eu bem sei que te disse que fosses à festa, que fosses e que te distraísses, que te faria bem... Mas que raio de ideia foi aquela de agarrares no rabecão da orquestra para chamar a minha atenção? Desafinaste o tempo todo, homem!
- Quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?
Provérbio provado rimado - MDCCXL
Se me achas uma mais-valia
Mas me deixas na ignorância
Pensa assim no bom que seria
Validares a minha importância
E dizeres então alto e bom som
Que sou competente e que gostas
Sem qualquer lamúria no tom
De me dar palmadinhas nas costas
Não me farias de todo um favor
Já que esse elogio eu mereço
Para conhecer o meu valor
Sendo digna do teu apreço
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXXXIX
Põe o lobo mau a redigir
Uma lei do código penal
E depressa irás descobrir
Como defende o seu igual
Vai mudar os regulamentos
Para que os que devoram ovelhas
Possam estar desse crime isentos
Não cheguem a levar nas orelhas
É assim mesmo na governação
Que a política é um jogo sujo
Apadrinha quem está de feição
E quem a concordar é sabujo
Quando alguém se faz militante
Deve estar ciente que engraxar
É postura do mais importante
Se quiser vir um dia a liderar
Vai lambendo cus à medida
Que sobe degraus dois a dois
E com a ideologia esbatida
Já nem olha para trás depois
A vaidade alheia alimenta
E defende o próprio interesse
Faz o que o aparelho sustenta
Indiferente ao que o povo padece
O que aprende ao tomar partido
É a ser tão competente a lamber
As botas de quem foi escolhido
Para que uma nação vá reger
Faz menção de se pôr na fila
E de ser o melhor concorrente
Enquanto directrizes compila
Para quando ele for presidente
Quem pela sua bitola alinhar
Quando um dia cantar vitória
Não se vai esquecer de engraxar
E de novo se repete a história
Pois sempre haverá lambe botas
Lambe cus que são engraxadores
E que assim desconhecem derrotas
Estão no pódio com os vencedores
sexta-feira, 24 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXXXVIII
Um embrulho às três pancadas
Sem um laço ou uma fita rosa
Pode esconder coisas variadas
E uma oferta bem generosa
Quando o gesto falha o alvo
O bolo queima e a frase sai torta
Fica lá fundo no peito a salvo
O carinho que afinal importa
Não se mede o amor em moedas
Nem a amizade em perfeição
Para combater atitudes azedas
O que conta sempre é a intenção
Provérbio provado rimado - MDCCXXXVII
Queres sempre botar faladura
Mesmo quando é má altura
E fazes um discurso soturno
Seja este ou não oportuno
Faz-te falta ter mais noção
Do instante em que a multidão
Já está farta do tema comprido
Que teimas lançar-lhe ao ouvido
Tens de identificar o momento
Em que precisas enfim de parar
Que a plateia não está a contento
E pouco lhe falta para bocejar
Provérbio provado rimado - MDCCXXXVI
Esta actual juventude
Gosta muito de ajuizar
Mas não há nessa atitude
Muitas ganas de trabalhar
Os velhos no fim da vida
Querem mandar na tradição
Mas a coisa sendo espremida
Passa pouco de vã intenção
Ao juntar as duas gerações
O desfecho não é promissor
Pois abundam tantas reacções
Cada um quer levar a melhor
Pretendem ter ambos razão
Mas esse fosso geracional
Só aumenta mais a divisão
Muito mais do que era ideal
Têm tanto ainda a aprender
Lenha verde e velho gogo
O que costuma acontecer
É muito fumo e pouco fogo
quinta-feira, 23 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXXXV
Nem tudo o que parece sagrado
Esconde dentro uma salvação
E pode estar muito iluminado
Mas o brilho é só uma ilusão
O conceito do que é o divino
Depende do deus que se adora
E até um monge beneditino
Pode pôr as mangas de fora
Há que olhar para o pregador
E para as virtudes que sustenta
Porque o mijo do senhor prior
Não é composto de água benta
Provérbio provado rimado - MDCCXXXIV
Playboy de trazer por casa
Tem lábia para dar e vender
Não resiste a arrastar a asa
Se por ele passa uma mulher
Seja alta baixa ou gordinha
O macho não se faz rogado
E vá acompanhada ou sozinha
Sempre um piropo é lançado
Para conversar está disposto
Também para trocar galhardetes
Vai rodeando o sexo oposto
Até que elas lhe atirem piretes
Tão firme não larga a labita
De qualquer rabo de saias
A uma feia ele chama bonita
Pois todas servem de cobaias
Pratica um tipo de assédio
Que chega quase a molestar
Mesmo que lhe mostrem o médio
Não há meio de se pôr a andar
Nesse acto de tanta insistência
As fêmeas respondem fugindo
Que lhes dê o Senhor paciência
E perceba que não é bem-vindo
Furioso ao ser dispensado
Vai faltar-lhes então ao respeito
Por ficar muito ressabiado
Vai dizer que se põem a jeito
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXXXIII
Estou farta das tuas bocas
Das insinuações indirectas
Se me queixo tu não te tocas
E respondes com uma careta
Vejo que te estás nas tintas
Porque os ombros encolhes
E prossegues fazendo fintas
Essa é a atitude que escolhes
Mas não vou perder a cabeça
Nem me vou passar dos carretos
Espero só que a raiva arrefeça
Com uns truques muito concretos
E enquanto tu fazes piadas
Com o intuito de provocar
Por mim elas são ignoradas
Para ti eu estou-me a cagar
Guarda os comentários mordazes
E as tuas alusões zombeteiras
Há pessoas que não são capazes
De te ouvir sem perder as estribeiras
Furiosas por serem picadas
Não aguentam tanto remoque
Tão cansadas de alfinetadas
Pode dar-lhes depois o amoque
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXXXII
Tu escuta os mais idosos
Mesmo se são teimosos
E até se forem birrentos
Desligados ou desatentos
Sempre a darem opiniões
Às quais juntam palavrões
Mas tu tenta ter paciência
Pondo a mão na consciência
Não sabes o que te espera
Quando acabar a Primavera
E deres por ti num Outono
Enferrujado e com sono
Por isso tu escuta o que dizem
Mesmo que de aparelhos precisem
Está provado que o cão velho
Quando ladra dá bom conselho
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXXXI
Por hoje eu fecho a porta
Apesar da empena torta
E por ora arrumo a caneta
Cansada de ser uma poeta
Mas não vou embora de vez
Continuo a escrever pra vocês
Aguardai e não desesperais
Prometo que amanhã há mais
Provérbio provado rimado - MDCCXXX
Mostras a típica postura
De quem evita a decisão
Esperas a melhor altura
A fim de obter projecção
E praticas a ambiguidade
Usas frases contraditórias
Destapando pela metade
As sentenças obrigatórias
O teu objectivo é agradar
Ao mesmo tempo à gente
E por isso não vais opinar
Se surge um tópico quente
Pela frente apoias as frentes
Os dois lados duma discussão
Ao passo que tu entre dentes
Já murmuras outra opinião
Podem ser atitudes opostas
De dois cantos das barricadas
Que ambas têm razão apostas
Considerando as duas erradas
E por não assumires posição
Desconheces o que é firmeza
Vais por onde os outros vão
Sem ter um grama de certeza
Essa falta dum compromisso
Aprova qualquer argumento
E tu não és confiável por isso
Pois te prestas ao fingimento
Sempre a jogar nos dois lados
Vais tentando avivar o fogo
Assim não enterras machados
Com esse teu género de jogo
És daqueles que não explicam
Tão pouco jamais se revoltam
Porque vais com os que ficam
E até esperas pelos que voltam
Provérbio provado rimado - MDCCXXIX
Ó Adérito tu volta filho
Por mim estás perdoado
Já me esqueci do sarilho
Que arranjaste há bocado
Adérito não te demores
Larga o que estás a fazer
Mesmo que não decores
As frases que deves trazer
Perdoo-te a falta de jeito
Que caracteriza o teu gesto
E a pouca noção do preceito
Que o torne menos funesto
Também te desculpo ainda
O não seres mais carinhoso
E dou a conversa por finda
Para tu não ficares receoso
No fundo eu sou bom coração
Sinto que mais vale perdoar
Do que não desculpar uma acção
E entender que é melhor castigar
terça-feira, 14 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXXVIII
Não percebo se és limitado
Ou se és apenas desleixado
Ou tens défice de vitaminas
Dado o modo como raciocinas
Tu não entendes à primeira
Nem à segunda ou à terceira
E porque paciência não tenho
É melhor fazer-te um desenho
Provérbio provado rimado - MDCCXXVII
Ao chegar com uma comitiva
E uma pose deveras altiva
Trazes certa atitude postiça
De beata saída da missa
Trazes uma cruz ao pescoço
Na boca um sorriso insosso
E cheia de lábia e de manha
Inauguras a tua campanha
Sempre que surges em directo
Gostas de inventar novo repto
Para que assim não esqueçam
E essa tua oratória enalteçam
No debate não mostras fleuma
Provocas constante celeuma
E quando perdes a dianteira
Mais pareces uma barraqueira
No teu estágio curto de vedeta
Antecipas tal como um profeta
A eficácia das tuas medidas
Quando e se forem admitidas
Com uma firme voz de comando
Vais com promessas acenando
E evitando os temas profundos
Tu prometes mundos e fundos
Provérbio provado do poeta alegado
Tal como de médico e de louco, também de poeta todos temos um pouco. E será mesmo só um pouco? Talvez um pouco mais do que um pouco apenas, que a veia poética é uma pulsão que produz sempre quociente.
Mas afinal o que tolhe esses poetas potenciais? A ditadura da coerência. A imposição dum procedimento. O procedimento que há-de permitir o estilo. A confusão entre o estilo e a própria voz. A vida a que chamam real que não cede espaço a fantasias. Mas principalmente a vergonha. Ou melhor, o receio da vergonha antes que sequer ela assome. O medo do ridículo acena com um purgatório constante.
Chega a ser curioso que não se questionem a norma e a imposição sociais que acabam também por conter uma percentagem de erro e até de abstração.
Um dia, quando tudo for estatística, amparar a mediana será uma tentação.
Recuperando a meada, esticado que vai o fio no percurso, existe então uma veia poética universal inexplorada pela humanidade?
A fala do corpo não pode reclamar exclusividade; a voz interior, essa sim!, assina qualquer desejo com maior expressividade.
Os indivíduos continuam a surpreender-se com o rumo que seguem os próprios pensamentos quando a realidade extravasa o molde. São momentos de assombro e de convívio entre o temor e o espanto.
Para além das primeiras impressões, manda a óptica. Ter retina não basta. O sobrolho não se franze com linhas iguais em todos os olhos. Pestanas e sobrancelhas não dependem de compassos pré-determinados.
O modo de ver de cada pessoa muda as ocorrências para que melhor sirvam às circunstâncias.
Enquanto o médico e o louco têm uma receita para todas as questões, o poeta não apresenta soluções. Quando muito, imprime ncvos ritmos às perspectivas de quem o lê.
De cada vez que a leitura de um verso destapa uma nova estrada para um pensamento antigo, ocorrendo uma sensação de familiaridade ou identificação, não vale a pena procurar mais: é então que ocorre poesia.
- De poeta e de louco todos temos um pouco
Mas afinal o que tolhe esses poetas potenciais? A ditadura da coerência. A imposição dum procedimento. O procedimento que há-de permitir o estilo. A confusão entre o estilo e a própria voz. A vida a que chamam real que não cede espaço a fantasias. Mas principalmente a vergonha. Ou melhor, o receio da vergonha antes que sequer ela assome. O medo do ridículo acena com um purgatório constante.
Chega a ser curioso que não se questionem a norma e a imposição sociais que acabam também por conter uma percentagem de erro e até de abstração.
Um dia, quando tudo for estatística, amparar a mediana será uma tentação.
Recuperando a meada, esticado que vai o fio no percurso, existe então uma veia poética universal inexplorada pela humanidade?
A fala do corpo não pode reclamar exclusividade; a voz interior, essa sim!, assina qualquer desejo com maior expressividade.
Os indivíduos continuam a surpreender-se com o rumo que seguem os próprios pensamentos quando a realidade extravasa o molde. São momentos de assombro e de convívio entre o temor e o espanto.
Para além das primeiras impressões, manda a óptica. Ter retina não basta. O sobrolho não se franze com linhas iguais em todos os olhos. Pestanas e sobrancelhas não dependem de compassos pré-determinados.
O modo de ver de cada pessoa muda as ocorrências para que melhor sirvam às circunstâncias.
Enquanto o médico e o louco têm uma receita para todas as questões, o poeta não apresenta soluções. Quando muito, imprime ncvos ritmos às perspectivas de quem o lê.
De cada vez que a leitura de um verso destapa uma nova estrada para um pensamento antigo, ocorrendo uma sensação de familiaridade ou identificação, não vale a pena procurar mais: é então que ocorre poesia.
- De poeta e de louco todos temos um pouco
sábado, 11 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXXVI
O que a gente leva da vida
É somente a vida que se leva
Para que não seja esquecida
É conveniente que se escreva
Que se registem os momentos
Bons ou maus ou assim assim
Letras livres de julgamentos
Que pouco interessam no fim
Provérbio provado rimado - MDCCXXV
A Fátima não tem descanso
Nunca o seu gesto é manso
E em cada jornada é normal
Ter sempre tensa a cervical
Por agruras do seu calendário
É tão apertado o seu horário
E nessa rotina de lufa-lufa
Não pode ser flor de estufa
Sempre a operar várias frentes
Vai murmurando entre dentes
Que não ganha soldo de bombeira
Nem lhe pagam por cada rasteira
Ela anda em modo de corrida
Não conhece outro tipo de vida
Pois no fundo é muito receptiva
A andar em grande roda-viva
Provérbio provado rimado - MDCCXXIV
Há pessoas que não são capazes
De manter a bocarra fechada
Julgam-se dessa forma sagazes
Mas colocam a gente indignada
Desbocadas em qualquer contexto
Perdem sempre uma boa ocasião
De assim calarem um pretexto
Que os fez ter cada má intenção
Não se julgue que é coisa pouca
De desculpas ficar à míngua
Que se o peixe morre pela boca
Muita gente morre pela língua
Quando certas palavras proferem
Estão em busca duma justificação
E por tais desígnios esconderem
É difícil que obtenham perdão
Provérbio provado rimado - MDCCXXIII
Vejam bem o caro Rafael
Já merecia o prémio Nobel
Por ter escrito de antemão
Um relato de desilusão
Ao ter gizado esse enredo
Deu-lhe um arrepio de medo
E então decorou entrevistas
Para evitar dar nas vistas
Tendo cada gesto estudado
Desejou jamais ser enganado
E ao mostrar tal comportamento
Não soube aproveitar o momento
Foi assim que o nosso Rafael
Representou um lindo papel
Afinal ele um Óscar merecia
Porque em cada acto fingia
Quando chegou a despedida
Deu um doce e depois foi à vida
Não fez nada do que prometeu
E no fim foi um ar que lhe deu
Provérbio provado rimado - MDCCXXII
A saudade pode até ressonar
Se o amor se vira para o lado
É o seu modo de reclamar
Ao ver que este foi adiado
Mas se a insónia experimentar
Não precisa de ser despertado
Que a saudade é preciso lembrar
É o amor que ficou acordado
Sempre alerta e em pose de dar
Não exige ser recompensado
Saudade e amor estão a par
Se este último for demorado
Se parece que está a ensaiar
Por não ter o texto decorado
Tem um modo de improvisar
Que o faz ser mal aproveitado
O que irá no futuro causar
Por agora é um caso ignorado
Contudo se a saudade ajudar
Ao vivo será bem desfrutado
Provérbio provado rimado - MDCCXXI
É uma história muito antiga
Que está repleta de intriga
Pois há que razões inventar
Para as guerras justificar
No mapa de tal geografia
Só o poder tem primazia
Como um jogo de tabuleiro
Ganha quem arrisca primeiro
Há só um objectivo final
É arrecadar o vil metal
E essa ambição tudo come
Do prato de quem passa fome
São incríveis os vários álibis
Que constroem esses perfis
Dos que pegam no microfone
Com trejeitos dum cicerone
E faltando tanto à verdade
São modelos da falsidade
Mostram que em tempo de guerra
O que há mais é mentira na terra
Provérbio provado rimado - MDCCXX
Ninguém atina com a razão
De pareceres tão porcalhão
Mas no fundo és um doente
Em ti o achaque é frequente
Tu sofres de dores constantes
Queixas-te em muitos instantes
E por isso o teu corpo achacoso
Jamais se apresenta cheiroso
Toma todos os dias um banho
Ou terás um cheiro estranho
Como uma cebola nos sovacos
Que se entranha nos casacos
Os teus pés têm odor a queijo
Assim ninguém te dá um beijo
Todo o corpo te cheira a mofo
Quem se abeira tem de ter estofo
E o perfume do teu cabelo
É igual ao bafo do camelo
Precisa de imenso champô
Mas toda a gente se calou
Não há quem tenha coragem
De te transmitir a mensagem
Ou então dar-te um sabonete
Para usares depois da retrete
Provérbio provado rimado - MDCCXIX
A cada ser humano sobram
As próprias interrogações
Dispensa quando lhe cobram
E impõem outras condições
Porque ele é dono e senhor
Da sua entrada da frente
E não vai incluir o favor
De abri-la a toda a gente
Tudo isto eu mesma intuí
Agindo com bons modos
Afinal cada um sabe de si
Só Deus é que sabe de todos
sexta-feira, 10 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCXVIII
Esse teu discurso tem brilho
Debitas chavões em chorrilho
Se começas não sabes parar
Tu não aprendes a dialogar
Tens muita léria e futilidade
É a marca da personalidade
À qual falta tanta substância
Parece capricho de infância
Porque dá-te muito na veneta
Contares treta atrás de treta
E assim a cada nova laracha
Provas a conversa de chacha
Provérbio provado rimado - MDCCXVII
Nas alíneas do teu contrato
Não há nada que salientar
O teu esforço é dado barato
Só contigo tu podes contar
Então sê um peão cumpridor
Sem jamais esperares elogios
Se há prova de que tens valor
Essa é soma de mais desafios
E um dia ao estares ausente
É que a falta te irão sentir
Não és apenas competente
Tu és difícil de substituir
Ao te lançares para a frente
Doutro emprego que te seduz
Lembra-te de ser previdente
Não tornes a assinar de cruz
Provérbio provado rimado - MDCCXVI
Estou fartinha da tua conversa
Ultimamente sabe-me a pouco
Pode ter componente perversa
Porém o resultado é tão oco
Só o sexo é que tem qualidade
Mas todavia no dia a seguir
Sinto que houve apenas metade
Daquilo que poderia existir
Com a estima assim decrescente
Tenho medo de algo te propor
Por saber que te é indiferente
Que haja poucas vezes calor
Já pensei que tu eras medricas
Por esconderes essa tua afeição
Mas agora só acho que ficas
Sem interesse depois da tesão
Como está é-te mais confortável
Sem partilhas e sem amarras
Contudo é pra mim questionável
Que desprendas enquanto agarras
Considerei para sempre partir
Para experimentar se falta te faço
Com receio de então descobrir
Que jamais existiu esse laço
Feitas todas as contas não chego
A nenhuma real conclusão
E neste limbo e desassossego
Estou mais perto da desilusão
Os teus silêncios prolongados
Deixam-me muito decepcionada
Por saber que são planeados
Para eu não ficar apaixonada
Eu não sei como não percebeste
Que esse rumo vem tarde demais
Ao tirares o que antes me deste
Fazes estragos monumentais
Nunca tens a resposta certa
Não mereces a minha atenção
Acho uma injustiça completa
Que me deixes ficar na mão
Provérbio provado rimado - MDCCXV
Aquele que recebe e chora
Sem cuidar de quem o ajudou
Ao virar as costas ignora
Esquece quem o amparou
É um grande mal agradecido
Nem sequer percebe o estrago
De ter posto o outro fodido
E ainda por cima mal pago
Provérbio provado rimado - MDCCXIV
Quem leva um saco para dar
Leva outro também para trazer
No fundo está só a emprestar
Com um intuito de recolher
Leva outro também para trazer
No fundo está só a emprestar
Com um intuito de recolher
Provérbio provado rimado - MDCCXIII
Topo o teu feitio de ginjeira
Os trejeitos e as reacções
Queres tudo à tua maneira
Mesmo se não há condições
Antecipo o teu comportamento
Pois conheço-te a personalidade
Se pudesses tinhas um regimento
Para satisfazer cada vontade
Mas comigo não fazes farinha
Eu já dei para o teu peditório
Que eu prefiro ficar sozinha
E defender o meu território
Pra malucos aqui não há pão
Nem colo ou palmadas nas costas
E é tão escusado pedires perdão
Estou-me a cagar se não gostas
Desta vez tu pisaste o risco
E fizeste uma valente merda
Tira essa postura de arisco
É mais tua que minha a perda
Tu regressa por donde vieste
Porque a tua atitude me afasta
Foste parvo e não te contiveste
Já sei bem o que a casa gasta
Provérbio provado rimado - MDCCXII
Por norma uma confidência
Dá lugar à maledicência
Muitos não sabem guardar
Um segredo sem o contar
Têm uma língua de trapos
E já mereciam uns sopapos
Por pôr nas bocas do mundo
O que era segredo profundo
Provérbio provado rimado - MDCCXI
Se tu gostas de pôr o carro
À frente dos bois que o arrastam
Tem lá calma ou não te agarro
E só dois encontros me bastam
O segundo já foi suplemento
Dei-te outra oportunidade
Para ver se um novo momento
Me despertava uma vontade
Mas foi tal a falta de interesse
Não senti qualquer tipo de chama
Como se eu fechada estivesse
Perante um prenúncio de cama
Provérbio provado rimado - MDCCX
O demónio anda contigo
Faz do teu corpo abrigo
E até se imiscui na cabeça
Pois ele é uma bela peça
Faz de ti um ser agitado
Belicoso e muito irritado
Em breve tu levas o troco
Por teres o diabo no corpo
quinta-feira, 9 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCIX
Eu nunca aprendi nada
Jogando só pelo seguro
Mais quero ficar espantada
E tirar da frente esse muro
Eu prefiro ir à confiança
E deixar o medo para trás
Como outrora quando criança
De tudo me pensava capaz
E agora na idade adulta
Em que a vida é instantânea
Espero não levar uma multa
Por me manter espontânea
Provérbio provado rimado - MDCCVIII
Se às vezes te cai a ficha
É quando o destino te lixa
E a sorte não te acarinha
Paciência é assim a vidinha
É quando o destino te lixa
E a sorte não te acarinha
Paciência é assim a vidinha
Provérbio provado rimado - MDCCVII
Não digas mal dos demais
Mesmo nos actos banais
Guarda a tua língua afiada
É melhor ter a boca calada
Tão pouco te vás enfadar
Com o que alguém te contar
Mais atrevido que quem diz
É quem chega a mostarda ao nariz
Mesmo nos actos banais
Guarda a tua língua afiada
É melhor ter a boca calada
Tão pouco te vás enfadar
Com o que alguém te contar
Mais atrevido que quem diz
É quem chega a mostarda ao nariz
sábado, 4 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCVI
O tempo por mais que refiles
É o teu calcanhar de Aquiles
A idade é o que te atormenta
Pois queres chegar aos oitenta
Só um número é diz o povo
Que se soma a um ano novo
Não te assina a identidade
Ou quem és face à sociedade
Esquece esse teu ponto fraco
Que te põe os nervos num caco
E não menosprezes a velhice
Como se fosse grande chatice
Porque até o Aquiles sofreu
O que talvez não mereceu
E apesar de sentir a derrota
Em Tróia ele não fez batota
Ficou preso pelo calcanhar
Que a deusa não quis largar
Ao ficar assim tão vulnerável
O desfecho foi inevitável
Provérbio provado rimado - MDCCV
Ó compadre se tens fome
Tens as tripas a roncar
Procura o que se come
Para a fome contentar
Um cozido à portuguesa
Com orelha e com focinho
Já te arruma a fraqueza
Ao fazer par com o vinho
Porém tu talvez prefiras
Um bom prato de feijoada
Que num ápice tu viras
Se ela for bem apurada
Deixa os feijões de lado
Puxa a cadeira para cá
Toma bacalhau dourado
Outro igual assim não há
Se queres peixe há choco
Bem frito ou com tinta
Que te vai saber a pouco
E te obriga a usar cinta
Não reclames camarada
E pede uma francesinha
Com o picante atestada
O mais forte da cozinha
Seja carne peixe ou pão
O que vier é que morre
Para teres uma refeição
Que o estômago te forre
Se no final houver ceia
Não te será indiferente
Já que a barriga cheia
Faz o coração contente
Tens as tripas a roncar
Procura o que se come
Para a fome contentar
Um cozido à portuguesa
Com orelha e com focinho
Já te arruma a fraqueza
Ao fazer par com o vinho
Porém tu talvez prefiras
Um bom prato de feijoada
Que num ápice tu viras
Se ela for bem apurada
Deixa os feijões de lado
Puxa a cadeira para cá
Toma bacalhau dourado
Outro igual assim não há
Se queres peixe há choco
Bem frito ou com tinta
Que te vai saber a pouco
E te obriga a usar cinta
Não reclames camarada
E pede uma francesinha
Com o picante atestada
O mais forte da cozinha
Seja carne peixe ou pão
O que vier é que morre
Para teres uma refeição
Que o estômago te forre
Se no final houver ceia
Não te será indiferente
Já que a barriga cheia
Faz o coração contente
quinta-feira, 2 de julho de 2026
Provérbio provado rimado - MDCCIV
Não entendo o que tu esperas
Com tamanho ataque frequente
Tu desejas lançar-me às feras
Mas porém eu fico indiferente
Assim ficas a falar tu sozinha
Ignoro as tuas provocações
E a resposta é ficar na minha
Não dou pasto às tuas questões
Logo não te devo um só chavo
Um euro ou sequer um tostão
Contudo deves-me o agravo
Ao vir com sete pedras na mão
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