Provérbios Provados noutras casas:

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Provérbio provado rimado - MDCCIII

O rato é um bicho nojento 
No lixo encontra sustento
Ele está onde há sujidade 
Nas catacumbas da cidade 

Nesse mundo só há escuridão 
Mas o rato pressente o clarão 
Foge logo a escapar da morte 
Apressado abusando da sorte 

Dá valor aos pressentimentos 
Já que o rato tem sentimentos
Sente medo e sente euforia 
Tem presságios de epifania

Tem um faro de perdigueiro 
Por isso é sempre o primeiro 
A pôr em curso o desafio 
De abandonar o navio 


Provérbio provado rimado - MDCCII

Faz o bem sem olhar a quem 
Mesmo se não retorna tal bem 
Que a moral cristã te ordena
Enquanto os pecadores condena

E apesar de não teres benefício 
Fá-lo-ás sem qualquer sacrifício 
Sempre justo e tão abnegado 
O teu gesto é desinteressado 


domingo, 28 de junho de 2026

Provérbio provado num verso branco - CLVII

Subitamente rompe-se um mundo inteiro do lado de fora
E o lado de lá acrescenta surpresa ao nascimento
Mas desse espanto não atestam certidões e certificados
Porque nenhuma memória antecede a descoberta
Até que esta reste somente como memória

Toda a existência se torna então promessa
Como um presente onde o presente avalia
O melhor de cada dia a bem da história de cada um
Colecção de verdades individuais supérfluas
De poses ensaiadas que o próprio enganam
Da veneração de mentiras comummente aceites
E tantas vezes o interior se vai esboroando em segredo

O erro filosófico foi acreditar que o raro é útil
Para que se aceite mais facilmente a vulgaridade
Que torna intocáveis convicções e vaidades
O peito transporta este enorme elefante branco
Que não move moinhos e apenas consome
O oxigénio que dá liberdade ao pensamento

 

Provérbio provado rimado - MDCCI

Acontece ao teu coração 
Colocar-se no sítio errado 
E sem qualquer hesitação  
Sair pela boca disparado 

Podem achar-te descuidada
E até pensar que és louca 
Lá no fundo és precipitada
Tens o coração ao pé da boca 


Provérbio provado rimado - MDCC

O Ambrósio é o meu motorista
Que é sempre tão leal e servil
Ele nunca roçou a conquista
E atura o meu modo infantil

Conduz devagar o veículo
Onde eu passeio a vaidade
Sem jamais coçar o testículo
Satisfaz-me qualquer vontade

Pois sou pessoa de capricho
Além disso bastante birrenta
Convivo com gente de nicho
Que a soberba me contenta

Sou queque e muito afectada
Porque tenho um gene fidalgo
E só pretendo ser bem tratada
Ó Ambrósio apetece-me algo
 

Provérbio provado rimado - MDCXCIX

O tempo tem duplo sentido
Além de se ver percorrido
Passa e ao passar amarrota
Fazendo pregas com batota

E não é possível controlar
O que não pára de passar
Em face das horas presentes
Somos apenas sobreviventes


Provérbio provado rimado - MCDXCVIII

Todos nos conhecem um pouco
Mas ninguém sabe quem somos
Mais de que na casca é nos gomos
Que se esconde um gene de louco

Se calhar há uma veia poética
Que relata como o que sentimos
É diferente do que assistimos
De uma forma algo profética

Esta é uma filosofia de bolso
Não quer ninguém convencer
Deixa espaço para escolher
Se mostrar ferida se osso

E para quem prefere exibir
Conquistas e tanta alegria
Só porque tem essa mania
Do bom e do mau distinguir

Que então ignore os sinais
Ponha toda a fé no remédio
Que combate o tipo de tédio
Que se cola às coisas banais

Por isso não esqueças de dar
Uns ares dessa tua graça
Que mesmo face à desgraça
Sabe como se reinventar 



Provérbio provado rimado - MCDXCVII

Feito de carne de sonho e de vento
Ruma o navio por mares de espanto
Cruza a tormenta e o próprio lamento
Ignora o perigo escondido num canto

Lá no horizonte na noite escura
O farol acende um olho de brasa
É a lucidez que a mente procura
Há nessa luz a promessa de casa

Na distância que encurta o caminho
A alma distrai-se no fim da viagem
Solta-se o leme que navega sozinho
Cego pelo brilho da falsa miragem

A barra é o limite o aceno da terra
Onde a soberba supera a atenção
Ignora demónios que o mar encerra
Nas águas revoltas da vaga ilusão

Basta um segundo de falsa certeza
Para que o descuido roube o desvio
Uma rocha desfaça qualquer grandeza
Que à boca da barra se perde o navio



sexta-feira, 26 de junho de 2026

Provérbio provado rimado - MCDXCVI

Tu tens a tendência perversa 

De vir estragar a conversa 

Com umas larachas da treta 

Eu vou responder-te à letra 


Sei que não estavas à espera 

Que eu virasse uma fera 

É assim de semblante triste 

Tiveste a paga que pediste 


Depois da resposta escutares

Escusas de então dar-te ares

Guarda lá no saco a viola 

Que daqui não levas esmola 




quarta-feira, 24 de junho de 2026

Provérbio provado rimado - MCDXCV

Trabalha de boca fechada
Que o serviço não espera
Entra muda e sai calada
Como se tu fosses bera

Não sei se ouviste dizer
Um baú aberto não guarda
Tesouro que queres proteger
Dessa gente que é carneirada 



segunda-feira, 22 de junho de 2026

Provérbio provado rimado - MCDXCIV

De cada vez que tu erras
A lição que retiras é nula
Dessa forma só te enterras
Não sabes ser quem calcula

Se deparas com uma situação
Em que poderás dar-te mal
Não controlas essa tentação
De ir lá direitinho ao local

Parece que o alvo tem mel
Ou que não te sabes conter
Ao entrar nesse carrossel
Onde irás decerto sofrer

Com a cabeça toda à roda
Ficas rapidamente grogue
Ignorando onde pára a moda
Ou até que alguém interrogue

Quando a volta chega ao fim
Não resistes a entrar de novo
Mostrando-te parvo assim
Por isso eu não me  comovo

Porque insistes em repetir
Aquilo que já deu errado
Teimoso por querer persistir
Só sabes chover no molhado

 

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Provérbio provado rimado - MCDXCIII

Quando no caminho resvalas
O mais certo é caíres a seguir 
E por entre veredas e valas 
Pensarás então em desistir 

Mas cair não é só prejuízo 
Pois também ensina a erguer 
Levantar e subir é preciso 
Para assim continuar a viver 

Pouco tempo depois percorrido 
Nova queda virá de surpresa 
E percebes após teres caído 
Que te reerguerás de certeza 

Quanto mais zangado ficares 
Com os saltos que traz o destino 
Importância darás aos azares 
Que acontecem no teu casino 

Já que viver é jogar à batota 
Com o medo todo disfarçado 
E assim prosseguindo na rota 
Somar mais horas ao passado 

Tão intensa e por vezes sofrida 
Oscilando entre sorte e perigo 
O melhor é que gozes a vida 
Porque não a levarás contigo 


quinta-feira, 4 de junho de 2026

Provérbio provado rimado - MCDXCII

Se tu gostas de coleccionar
Dispensa os bens materiais
Aquilo que tu deves guardar
São relíquias mais especiais

Na mente arrecada instantes
Em que então viveste a sério
Memórias mais interessantes
Para compôr o teu hemisfério

Guarda a colecção de momentos
Num dos corredores da memória
Valem mais do que testamentos
São as balizas da tua história

É somente o que tu levarás
E que deixarás em herança
O melhor do que foste capaz
Vai escrever a tua lembrança

Nem carros nem propriedades
Te darão mais propósito ao ser
Ou trarão mais possibilidades
Na estrada que irás percorrer

O melhor que tu podes legar
É a rota que foi percorrida
E não tem de ser exemplar
Ou ter só degraus de subida

E se desbarataste o sucesso
Ao olhos desta sociedade
É porque afinal o progresso
Está trocado na prioridade

Se apenas tu arrecadaste
Tens de somas a conta cheia
Foi porque apenas valorizaste
Engrossar o teu pé de meia

Mas depois no descanso final
O pé está como outros gelado
Todo o saldo fica residual
Assim não serás lembrado

O futuro no seu despontar
Enche palcos de novas cores
Do passado só vai recordar
Coisas simples e pormenores