Provérbios Provados noutras casas:

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Provérbio provado rimado - MLXL

O José tornou-se abstémio
Como se ganhasse um prémio 
Absteve-se de praticar
Tudo o que implicasse pinar

Do sexo se abstraiu
E a falta não assumiu
Foi-se entretendo sozinho 
Tratava ele do Zezinho

Até que passaram uns meses 
Dos seus caprichos burgueses
O José já andava à rasca 
E teve de sair da casca

Decidiu mandar às urtigas
Toda a espécie de intrigas
E não quis uma profissional
Para aquele acto sexual

Andou armado em falcão
De roda da prima do João 
Que os golpes lhe aparou
No fim o Zé lá facturou

Tendo o hábito recuperado
Não ficou mais o Zé pendurado
Basta-lhe apenas telefonar
Quando o pincel quer molhar 



Provérbio provado rimado - MLXXXIX

O desenrascanço do tuga
Opera em modo de fuga
Está sempre pronto a bazar
Quando o querem entalar

Os contras ele contorna
O tuga não se transtorna
Arranja sempre um buraquinho
Em tudo sabe dar um jeitinho


Provérbio provado rimado - MLXXXVIII

É um estado emocional

Que sentem os progenitores

Quando a roupa no estendal

Perde a paleta de cores 


Os filhos foram estudar

Para uma terra distante 

Ficou então vazio o lar

Já não entram de rompante


A casa tão silenciosa 

Traz a solidão que se sente 

Qual doença infecciosa

Que deixa a gente doente 


Chora o pai e chora a mãe 

Até chora a avó e o tio

Pois voaram para Santarém

E deixaram o ninho vazio 




Provérbio provado rimado - MLXXXVII

Ouço dizer que a preguiça

É a mãe de todos os vícios

E creio que essa premissa

Potencia muitos sacrifícios


Pois se é a preguiça uma mãe

Devemos uma mãe respeitar

Escutá-la como convém 

Se nos diz para descansar 



Provérbio provado rimado - MLXXXVI

Sou o vento da cidade
Que bate na gelosia
Quando vem a tempestade
Sou a gaivota que mia

Gato preto sem idade
À porta da Ti Maria
Sou também a claridade
Quando rompe um novo dia

Tenho em mim uma vontade
Uma tal fé e alegria
Mas a tristeza na verdade
Também me faz companhia

Vai-me valendo a amizade
Para ir tendo parceria
Que às vezes a realidade
É uma coisa que se adia 

Decido em liberdade
E tenho ainda a mania 
De deixar pela metade
O que antes me afligia

Quando mete autoridade
Perco-me naquela teimosia
De lhe achar pouca bondade
Ou força não exerceria

Quando tenho vitalidade
Aproveito em demasia
Misturo-me na sociedade
Com a suspeita que fingia

Creio na imparcialidade
Mas se um dos lados pedia
Benefícios com maldade
Que lhe dessem primazia

Falta-me a humildade
Reconheço-lhe alergia
Chamada de simplicidade
Quando é mais uma covardia

Com tanta frontalidade
Digo até o que não queria
E logo com assiduidade
Ouço alguma aleivosia

Pois a lei da igualdade
Que a justiça já porfia
Me dê verticalidade
Sem pingo de sobranceria

Com esta familiaridade
Desejo-vos todo o dia
Com a maior brevidade
O dobro do que eu desejaria 


Provérbio provado rimado - MLXXXV

A Sofia é terapeuta
E um bocado pespineta
Põe na merda os pacientes
Ficam ainda mais doentes

Se me vê seco o cabelo
Anuncia com muito zelo
Uma máscara tem de fazer
Ou então terá de o prender 

Este tipo de mimo dispara
A Sofia é uma ave rara 
Que escolheu a sua profissão
Num impulso de ocasião 


Provérbio provado rimado - MLXXXIV

Havia uma fundação 
No tempo do velho fascismo
Que prestava muita atenção
Ao trabalho com altruísmo

Essa dita associação 
Expurgava quem fosse bandalho 
Dedicando-se à promoção
Da alegria no trabalho 




Provérbio provado rimado - MLXXXIII

Não andes tão agastado

Se a vida não vai de feição

Quanto mais fores preocupado 

Menos ela te presta atenção


Adquire alguma leveza

Não sofras sem necessidade

Que qualquer dia de certeza

Mudará essa realidade 


O que é mau nem sempre dura

E está a bonança à espreita

Não te afundes na amargura

Por não teres uma vida perfeita


Porque todos se sentem aquém

Do que para si imaginaram

Só que nem todos porém

Tanto como tu desejaram


Se a queres no fim exibida

Aos olhos do pior inimigo

Deixa isso e goza a vida

Que não a levarás contigo



Provérbio provado rimado - MLXXXII

Quem deixa a raiva ganhar

Não sabe erguer-lhe barreiras

Está sempre a desatinar

Perde amiúde as estribeiras


Vê tudo branco num instante

E os olhos revira até 

Cospe frases de rompante

Nem se percebe o que é


Fica tão roxo e vermelho

Que parece ir explodir

É surdo a qualquer conselho

Que o tente dissuadir


Até que recupere o controlo

E os estribos na mão segure

Fará figura de tolo

Enquanto essa cena dure



Provérbio provado rimado - MLXXXI

Sempre que um morto se enterra

Tem fama de ser bestial

Foi o maior lá da terra

Foi um homem fenomenal


De repente os seus pecados

Como uma nuvem que passa

Foram todos perdoados

O que não deixa de ter graça


Só teve na vida virtudes

Não houve um gesto mal feito

Louvam as suas atitudes

Não lembram um só defeito


Até que alguém da parentela

Destoando enfim do conjunto

Pede que não se gaste vela

Com tão ruim defunto



Provérbio provado rimado - MLXXX

O Chico ontem abusou

De vinho se enfrascou

E no fim para estragar

Pediu um shot no bar


Ficou ébrio e repetitivo

Com um atraso cognitivo

Caiu como um peso morto

Dizendo que o chão estava torto


O mais certo de acontecer

É o Chico tudo esquecer

Nem ficar envergonhado

Por a tosga ter apanhado



Provérbio provado rimado - MLXXIX

Quem em Junho não descansa

Enche a bolsa e farta a pança

Como eu estou a descansar

A pança não vou fartar



Provérbio provado num verso branco - CXIII

Cinco gatos para um só novelo
Limitam as hipóteses de um sexto
Sete cães a um osso com carne
Não permitem que pousem as moscas

A lei do mais forte é
Tão animal quanto humana

O mais forte desfia o novelo
O mais forte ataca o osso 
Não deixa ficar pontas soltas
Deposita as sobras no tapete

O mais forte domina cem fracos
Com grades e mordaças a fingir
Não há cadeados mas um medo presente

Entre os fracos surgem hierarquias
Várias categorias de fraqueza
Medalhas ao peito dos que as estabeleceram

A lei do mais fraco é
Tão humana como animal 


Provérbio provado rimado -MLXXVIII

Na vida a estrada continua

Mesmo se o piloto dorme 

Vai em frente nessa rua

Guinando como conforme


O cinto de segurança

Não esqueças de apertar

Para o caso de uma mudança

Logo te fazer estacionar


Não temas a despistagem

Quando andas a conduzir

Desfruta bem da viagem

E de tudo o que nela surgir


A caixa de velocidades

Dominarás sem problemas

Apesar das adversidades

Do que sejam os teus dilemas


Faz por ter boa atitude

Sempre que a rota te detenha

Que é preciso que tudo mude

Para que tudo se mantenha




Provérbio provado rimado - MLXXVII

Quem me dera ser mileurista

Mas aufiro um baixo salário

Sou uma espécie de artista

Com um emprego ordinário


Dizem que devo dar graças

Por ao menos trabalho ter

Mas sou explorada caraças

Para poder sobreviver 


A quantidade de conhecimento

Necessário para a minha função

Exige que seja um portento

Que preste muita atenção


Quando chego ao fim do dia

Tenho a cabeça cansada 

Se quero escrever poesia

Só me sai matéria pesada 


Voltei para a casa dos pais

Não consigo pagar uma renda

Como eu há tantos iguais

E outros só com uma tenda 


Para quando mais dignidade

E o meu lugar no mundo

Companhia nesta cidade

Um sono que seja profundo


Esta letra para canção

É um grito de alguma revolta

É pena não ter um refrão

Ser apenas um verso à solta 



Provérbio provado rimado - MLXXVI

Se não te expões à divulgação
És tipo morto para a comunicação
E dos teus feitos faz propaganda
Com stories fixes da tua banda

Este é o mundo da difusão
És tipo montra em exposição
E se não és um gajo em voga
É melhor que te dediques ao yoga

Se não descobres como vencer 
És tipo quem só sabe perder
Põe de lado as ideias abstractas
E vai mas é plantar batatas 


Provérbio provado rimado - MLXXV

Viva os Santos Populares
São festejos singulares
Que cada terra promove
Duram até vinte e nove

Manjerico pico pico 
À janela do Frederico
É vaso que dá sinal
Que aí vem o arraial

O que interessa é que a sardinha
Já esteja bem gordinha 
Assada a pingar no pão
Serve bem de refeição

Depois para quem não gosta
Na sardinha não aposta
Há a bela da bifana
Que o diga a Joana

Mangueiras de imperial
A servir no arraial
Estão a preço de turista
Mesmo para quem é bairrista

As marchas na Avenida
Trazem a gente entretida
Os refrões todos iguais
Tornam os bairros especiais

À mistura com as canções
Há arquinhos e balões
Todo o povo dá à anca
De chanata e saia branca

Mas se acaso chover
Pão nem vinho irão haver
Que a chuva de Santo António
Dá o vinho ao demónio



terça-feira, 27 de junho de 2023

Provérbio provado rimado - MLXXIV

Junta-te a boas companhias 

Que não façam patifarias

Que nunca fujam sem pagar

Quando consomem num lugar 


Que ponderem sempre com tino

Não blasfemem contra o destino 

Não os acometa a preguiça

Não faltem ao domingo à missa 


Foge sim dos amalucados 

Dos estróinas e depravados

Que desconhecem a poupança 

Só se prestam à desconfiança 


Dão bastante desassossego 

Não permitem o aconchego

E até podem cheios de malícia

Andar a fugir à polícia 


É assim que dita a sociedade

Que saibas escolher a amizade 

Com os bons te ajuntarás 

Se quiseres viver em paz 



Provérbio provado rimado - MLXXIII

Logo vou ter com a Teté
Que me vai oferecer um café
E depois um jantar italiano
Não me deixa ir ao engano 

Gnochi ou pasta al dente 
Com um antipasti diferente
Alcachofras e tostas de trigo 
No final um pudim de figo 

O melhor dessa sobremesa
É toda a conversa à mesa 
Já que a família da Teté
É uma gente de boa fé

É uma ligação muito antiga
Que eu tenho com esta amiga 
Crescemos juntas a par
Sem parar de confraternizar

Nunca me deixa pendurada
Solitária ou enrascada
Não me larga ao abandono
Mesmo quando cheia de sono

Permanece aqui ao meu lado
Tenha eu ou não namorado
A todos sorrindo e acolhendo 
À frente de ninguém se encolhendo

Não receia dar opinião 
Seja qual for a reunião 
E sabe ser imparcial
Em qualquer contexto social 

Depois deste louvor feito
Tento ser uma amiga de jeito
Quando vou a Teté encontrar 
Não vou para me enganar 


Provérbio provado rimado - MLXXII

Se dá tanta saúde o trabalho

Que trabalhem então os doentes

Eu já estou feita num frangalho

E tenho outras coisas pendentes


Se me saísse o Euromilhões

Se eu sequer o jogasse

Abriria decerto os cordões

De toda a bolsa que usasse


A reforma antecipada

Pediria de imediato

Para ir viver vida airada

E não planear cada acto


Sem ter do futuro receio

Dedicar-me-ia à escrita

Com algumas viagens plo meio

Desconheceria a desdita


Dígitos na conta bancária

Seriam então cinco ou seis

Não seria mais bibliotecária

Comeria à mesa dos reis


Com passeios nos intervalos

Se tivesse uma fortuna minha 

Porque o trabalho faz calos

De manhã é bom na caminha


Sendo eu pobre só me resta

Até quase aos setenta penar

Intercalando sesta e festa 

Espero conseguir lá chegar