sábado, 13 de maio de 2023
Provérbio provado rimado -MXV -
Provérbio provado rimado - MXIV
Há sempre mais gente a gastar
Do que aqueles que trabalham
Pela reforma iremos esperar
Para ver quantos euros nos calham
Só que o salário não estica
Parecemos viver entre grades
O problema é que a Ordem é rica
Mas porém são pobres os frades
Provérbio provado rimado -MXIII
Nesta vida há gostos para tudo
Cada um pode e deve escolher
Se prefere ter o rádio mudo
Ou fazer paredes estremecer
O que é afinal o bom gosto?
É coisa assaz discutível
Pois para cada pessoa aposto
O seu é o mais admissível
Pode até firme defendê-lo
Mas está só a o latim gastar
Já que um pé para cada chinelo
É medida que é de louvar
Cada um decide o que prefere
Seja bonitinho ou feio
É por isso que o seu gosto difere
Daqueles que habitam no meio
Mesmo até aqueles que apostam
Que a sua é a escolha mais bela
Sabem que uns só dos olhos gostam
E outros gostam mais da remela
Provérbio provado rimado - MXII
Sou mesmo sem meias medidas
Ou gosto ou muito detesto
Era preciso ter mais vidas
Para andar morna como o resto
Digo o que me vem à cabeça
Embora até às vezes reflicta
Por pensar que talvez não mereça
Quem ouve tamanha desdita
Fui mudando com o tempo a passar
Já não compro todas as guerras
Às vezes já prefiro calar
Respeitar os costumes das terras
Mesmo quando conceitos defendem
Que não fazem qualquer sentido
Se assim as gentes entendem
Dar tudinho por garantido
A desculpa de ser tradição
Que permite alguns comportamentos
Não devia permitir uma acção
Que tolera emolumentos
Provérbio provado rimado - MXI
É um prato frio a vingança
Que se come depois da ressaca
Quando já acalmou essa dança
Que decide qual a parte fraca
Não convém então rejubilar
Enquanto não se sai vencedor
Pois o último a gargalhar
É aquele que se ri melhor
Provérbio provado rimado - MX
Lá naquela cidade do Oeste
Há cerâmica com mão de mestre
Toda a louça tem forma de falo
Avantajado que é um regalo
Na terra há uma expressão gira
Que talvez alguma gente fira
E por ser assim desbocada
Torna-se ainda mais engraçada
Pois que quem essa louça fabrica
Mais bem disposto assim fica
Dizendo quando sai do trabalho
Às cinco nem mais um caralho
quinta-feira, 11 de maio de 2023
Provérbio provado rimado - MIX
Cala as tuas impuras opiniões
Sossega as apressadas paixões
Deixa ir de mansinho com a maré
Tudo o que parece e afinal não é
Aprende à força pelo cansaço
Sem mover perna nem braço
Tu não és nada de especial
Nem um ser complexo só banal
Dom talento não me faças rir
Deixa-te ficar só a assistir
Quietinho na oca plateia
Ao espectáculo da alcateia
Não digas nada aos costumes
Pode ser que assim te esfumes
Na agonia vil e discreta
Que é esta vida tão incerta
Provérbio pouco esperto lá no fundo
Será que os chico-espertos respondem todos pelo nome de Francisco? Ou que a chico-esperteza nacional - tantas vezes confundida com um desembaraço próximo do improviso - habita toda fora das grandes urbes?
Nada mais incorrecto! Tanto o Francisco José como a Maria Francisca podem não transportar um mililitro de sangue camponês nem nunca se terem dedicado ao cultivo e comércio de produtos agrícolas.
O que os nossos supracitados conterrâneos arriscam ter em comum é a tão afamada Esperteza saloia, que os faz viver num mundo paralelo, onde a sua capacidade de visão é de tal forma magnânima que lhes permite vislumbrar mais alto e mais além do que os que os rodeiam, e em que se sentem os mais capazes da sua estirpe.
Ao lidarmos com o chico-esperto luso durante algum tempo - e nem é preciso muito -, percebemos que o dito iluminado é sobremaneira grosseiro e tem tantas arestas por limar que dificilmente arredondará. Lá no seu pedestal convivem, as mais das vezes, a falta de educação, de civilidade e de bom gosto nos casos menos graves, a desonestidade e a velhacaria nos mais agudos.
Ao invés de se pautar por uma sagacidade digna de acelerar os processos sociais, a sua suposta inteligência é tão superficial, e a sua intuição de tal forma se imbebe do ego, que só faz retroceder qualquer intento de aproveitar os seus atributos no alcance do bem geral.
O chico-esperto coça, assim, para dentro. A sua cabeça é o seu guia - mesmo que careça da mais ligeira cartografia -, o seu estômago, onde se evidencia um umbigo proeminente, é o seu comandante. É por isso que o chico-esperto raramente faz engordar a satisfação alheia, putativa alegria essa que, diga-se, até lhe faz um nadinha de comichão.
É digno de pena, mas infelizmente sucede: a esperteza saloia faz por ser mesquinha, manhosa e matreira. Raramente o espertalhão declara ao que vem de peito aberto, as suas intenções são tão turvas como um rio poluído. É por isso que se confrange com a transparência e a limpidez: são águas onde não sabe habitualmente navegar.
O chico-esperto sabe mais a dormir do que o resto da população acordada. Os demais concidadãos andam só por ver andar. Quando se apodera de um tópico - e como ele gosta de agarrar essa oportunidade a fim de demonstrar a sua supremacia! -, faz uma pequena pausa inicial para deixar oxigenar a guelra do interlocutor; logo de seguida aferra-se ao tema, num debitar de tal forma egocêntrico de considerações, que o outro não mais consegue respirar.
Está visto que adora o palco, tendo no entanto especial apetência pelos jogos de bastidores onde opera pela calada. Pode supôr-se que terá eventualmente um séquito de delfins: errado!, o chico-esperto dá-se com toda a gente mas lá no fundo não confia em ninguém.
Muitas das suas fabulosas composições terminam com o suspiro profundo: Ah, se fosse eu a mandar... Pois é, tem a secreta esperança de vir a governar lá na sua, ainda que pequena, esfera. Só que mais tarde ou mais cedo o chico-esperto cai em desgraça: não é possível enganar toda a gente durante todo o tempo. Além disso, deve ser um bocado cansativo.
- Esperteza saloia
Provérbio provado rimado - MVIII
Provérbio mesmo a preceito
Dele não há que ter medo
Posso usá-lo ao peito
Não é tarde nem é cedo
Não é cedo nem é tarde
Para um provérbio usar
Todo o que não é cobarde
Numa rima o vai provar
Provérbio provado rimado - MVII
É em Mercúrio que o sol mais queima
Não chega lá tão longe a Plutão
É um facto mesmo para quem teima
Que este é só um planeta anão
Porém nós os sortudos da Terra
Temos calor em boa proporção
Mas temos de travar mais a guerra
Que combaterá contra a poluição
Pois o Homem que se julga dono
Senhor e proprietário deste quinhão
Já lixou toda a camada de ozono
Que filtrava bem toda a radiação
Crê que é amo e senhor do pedaço
Não mede o efeito de cada acção
Só acordará quando já for escasso
O ar que respira dentro do caixão
sexta-feira, 28 de abril de 2023
Provérbio provado rimado - MVI
Sim o amor é possível
Sim o amor é urgente
Mas é também extinguível
Quando este já não se sente
Sim que seja infinito
Enquanto possa durar
É um sentimento bonito
Até um dia acabar
Tantos poetas cantaram
O amor desde outrora
Depois também continuaram
Os que são poetas agora
Mas é mais fácil porém
Se se trata de aconselhar
Pois não assume ninguém
Que difícil é praticar
quarta-feira, 26 de abril de 2023
Provérbio provado rimado - MV
Diogo nenhuma me ligas
Sempre rodeado de amigas
Com um certo ar de enfado
Não sei se estás orientado
Eu bem te lanço a escada
Mas reages pouco ou nada
Deixando contudo no ar
Que te posso vir a interessar
Já vi que preferes as pitas
Mais frescas e mais bonitas
Mas se reparares nesta cota
A idade mal se nota
Sinto-me ainda capaz
De satisfazer um rapaz
Também tenho boa conversa
Julgo que isso te interessa
Por isso ouve bem Diogo
Nunca acendas um fogo
Que não possas apagar
Vais-te acabar por queimar
domingo, 23 de abril de 2023
Provérbio provado rimado - MIV
Não acredito em amores
Só me têm dado dissabores
Cada vez que penso que é desta
Acaba-se cedo a festa
No entanto não tenho amargura
Acho sempre que tudo tem cura
E após queda aparatosa
De voar já estou desejosa
Pois quem acaba de chegar
Pelos outros não tem de pagar
Merece alegria e esperança
Que em si eu tenha confiança
Que o amor nem na selva tem lei
Nem por ela jamais esperei
É preciso guião não haver
Nem local onde se esconder
Mas tem deveres e direitos
Mesmo que de gestos mal feitos
Tem lugares e palavras erradas
Tem pernas galgando estradas
Dispensa corrimão e gaiola
Não se aprende decerto na escola
E por mais que nos livros se escreva
Do amor é pouco o que se leva
Porque mesmo a dois se está só
No em cada um dá um nó
Há várias coisas impossíveis
Que são no amor indizíveis
Não lhe servem as definições
Presentes em tantas citações
Não se sente da mesma maneira
Cada vez que assoma à soleira
É verdade que é um mistério
Que se quer descobrir a sério
E há quem troque toda a vida
Por uma paixão correspondida
Que queira embarcar na viagem
E pelo andar da carruagem
Possa ver a sua companhia
Com dedicação e empatia
terça-feira, 22 de março de 2022
Provérbio provado rimado - MIII
Ela é uma velha gaiteira
Quando sai da cabeleireira
Adora sapatos de cunhas
De trazer pintadas as unhas
Tem sempre os lábios rosados
E os olhos bem maquilhados
A velha anda bem trajada
Gosta que a vejam arranjada
Já não tem por cá o seu velho
Mas ainda se olha ao espelho
E pra ele arreganha a tacha
Porque bem jeitosa se acha
Quem quer vê-la bem disposta
É das compras que ela gosta
Já se sabe que velha gaiteira
Nunca falta a uma feira
quinta-feira, 29 de julho de 2021
Provérbio provado rimado - MII
Sabes que gosto de ti
Do chão até à lua?
Quando me encontro aqui
Bem longe da tua rua
Estou sempre em ti pensando
De cada vez que respiro
O coração vai pulsando
Enquanto por ti suspiro
O meu príncipe encantado
Chegou aos quarenta e tal
Talvez um pouco atrasado
Mas chegou bem não faz mal
Se me derem a escolher
Entre o fica ou não fica
Quero-te até vir a mulher
Que traz consigo a fava rica
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
Provérbio provado rimado - MI
Logo eu que eufemismos detesto
E me bato pela frontalidade
Deixo sempre por dizer o resto
Quando de ti tenho vontade
Não que seja de dizer um medo
É mais uma espécie de receio
Quase que parece um segredo
Confessar-te o coração cheio
Já o amor outras vezes morreu
Tive então de me despedir
E por saber que isso aconteceu
Não quero que se vá repetir
Sinto-me pois assim vulnerável
E não grito aos quatro ventos
Acaba por ser mais confortável
Esconder os meus sentimentos
Gosto muito de ti é o que digo
Protelando até à exaustão
Nos momentos em que estou contigo
Definir-me com exactidão
Quando um dia disser que te amo
Abrirás os olhos com espanto
Pensando talvez que reclamo
Por não retribuíres outro tanto
Lá terei de esse risco correr
Se efectivamente não me amares
Ver-te rápido desaparecer
Enquanto dás aos calcanhares
Provérbio provado rimado - M
Quem fala do esfarrapado
É quase sempre o roto
E o sujo do mal lavado
Fazendo um ar de maroto
São de vidro os telhados
De quem gosta de opinar
Antes fossem mais ponderados
Em vez de se porem a falar
Criticar por desporto somente
É coisa um pouco infantil
É um hábito de muita gente
Que se esquece de ser gentil
Provérbio provado rimado - CMXCIX
Em tendo duas opções
Se uma eliminares
Aqui não há excepções
Ficas com zero pares
É feita de escolhas a vida
E ao percorreres o caminho
Há uma constante medida
Que tens de tomar sozinho
Sacode o pó dos sapatos
Olha com esperança em frente
Tu és dono dos teus actos
Grava isso na tua mente
É tão fácil de decorar
Esta espécie de ladainha
Solta o pé que a está a travar
Vamos embora siga a marinha
Provérbio provado rimado - CMXCVIII
Às segundas terças e quartas
No espelho não sou eu que estou
Aparecem caretas tão fartas
De pessoa que já se cansou
Mas em outros dias aternados
O espelho devolve um sorriso
Quando estou com os dentes cerrados
E acho que dele não preciso
É tão estranha a relação
Que tenho com essa imagem
Raramente existe atracção
Ou espaço para uma mensagem
Fico ali a olhar-me inquieta
Se páro mais do que um minuto
Aguardando uma coisa secreta
Que acrescente um contributo
Mas só se dá uma estranheza
Maior que a passagem dos anos
E também a frequente certeza
De que somos num vários humanos
Serei só apenas eu quem rima
Quando está diante do espelho?
A fazer caretas não se ensina
A um qualquer macaco velho
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
Provérbio provado rimado - CMXCVII
Se tu sofres dos pirolitos
Estás a ficar lelé da cuca
Fazes parte desses malditos
És uma pessoa maluca
Estás lirú da cachimónia
És um desaparafusado
Gargalhas sem parcimónia
Ficaste descompensado
O vírus deu-te cabo da tola
E depois fritou-te o fusível
Não tarda vais de charola
Numa ambulância disponível
Chegado enfim ao hospital
Não consegues articular
Uma única frase normal
Então têm de te internar
Lá terás de ter paciência
Aguentar firme ó David
E esperar que a ciência
Acabe com esse Covid


















