Não mostram sequer um sorriso
A quem lhes contar certas lérias
Pois do riso é ausente o juízo
Nem o mais singular disparate
Os dois lábios lhes faz descolar
Prescindem de qualquer debate
Antes mesmo de ele começar
Não demonstram abertura
Para partilhar sentimentos
Defendendo que não é altura
Querem estar da dádiva isentos
Nunca oferecem de si a porção
Que as faça ficar vulneráveis
Transmitindo uma ideia então
De que os outros são descartáveis
Tal como não dão não recebem
Cada gesto de borla oferecido
Que é grátis nem se apercebem
A indiferença é o seu apelido
Praticam a estudada distância
Onde abraços estão interditos
Quem observa essa arrogância
Julga-os humanos esquisitos
Não há réstia de humanidade
Em tamanha atitude fechada
Permanente indisponibilidade
Onde a mão está cheia de nada
Desconhecem a frase amável
Que as palavras só boas são
E este é argumento inegável
Se for bom também o coração

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