Por debaixo do meu termómetro congelado
Nem o porquê da cadência dos ponteiros
Progredir a um ritmo que me é desconhecido
A cada aurora abro as janelas da casa que sou aqui
E o vento sopra como sempre sopra
Antes de se abrir a mais uma tempestade
Não receio contudo a ventania e saio na sua direcção
Numa busca incessante de respostas nas passagens
Que cruzam as esquinas que proporcionam encontros
Carrego o passado às costas num cansaço corcunda
Numa tentativa vã de ler nos que passam
Um resto amável de rara afeição
Em todos os ecrãs da cidade a realidade obedece a um guião
Onde os comportamentos se conformam perante regulamentos
E o eixo do mundo gira a uma velocidade
Superior à minha capacidade de entendimento
Então prossigo numa prece pagã
Às nuvens que destapam o amanhã
Ao chão que me segura o corpo
Desenhando um ângulo de noventa graus
Com o diafragma apertado
E lágrimas cobardes na sua evasão
Corro atrás do prejuízo sem intervalos
Numa urgência de adivinhar o que lá vem
Nenhum futuro assenta apenas num molde individual

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