Provérbios Provados noutras casas:

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Provérbio provado num verso branco - CLV

Não alcanço a razão por que derrete o alcatrão 
Por debaixo do meu termómetro congelado 
Nem o porquê da cadência dos ponteiros 
Progredir a um ritmo que me é desconhecido 

A cada aurora abro as janelas da casa que sou aqui 
E o vento sopra como sempre sopra
Antes de se abrir a mais uma tempestade 

Não receio contudo a ventania e saio na sua direcção 
Numa busca incessante de respostas nas passagens 
Que cruzam as esquinas que proporcionam encontros

Carrego o passado às costas num cansaço corcunda 
Numa tentativa vã de ler nos que passam
Um resto amável de rara afeição 

Em todos os ecrãs da cidade a realidade obedece a um guião 
Onde os comportamentos se conformam perante regulamentos 
E o eixo do mundo gira a uma velocidade 
Superior à minha capacidade de entendimento 

Então prossigo numa prece pagã
Às nuvens que destapam o amanhã 
Ao chão que me segura o corpo 
Desenhando um ângulo de noventa graus 
Com o diafragma apertado 
E lágrimas cobardes na sua evasão 
Corro atrás do prejuízo sem intervalos 
Numa urgência de adivinhar o que lá vem 

Nenhum futuro assenta apenas num molde individual 


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