Provérbios Provados noutras casas:

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Provérbio provado rimado - MCV

Mais vale de longe um bem

Do que ver um mal de perto

E quem o disse é alguém

Que é deveras esperto


Mais vale um sim tardio

Disse a mesma pessoa

Do que um não macio

A expressão é tão boa


Também mais vale ter fome

Do que de fastio sofrer

Quando puder logo come

Até se vir a encher


Estes três belos ditados

Encerram sabedoria 

Mais vale serem decorados

Para evitar a agonia



domingo, 9 de julho de 2023

Provérbio provado rimado - MCIV

A Maria é uma gaja porreira
Está sempre na brincadeira
Mas enfim a vida dela
Não tem sido sempre tão bela

Ela farta-se de trabalhar
Até faz horas extra num bar 
Tenta levar tudo na boa
Porque a idade não perdoa 


Provérbio provado num verso branco - CXV

O POETA DE IVA ZERO 


Este poeta não limpa regularmente o pó aos móveis

Nunca se lembra de comprar o passe com antecedência 

Foi sempre incapaz de compreender as taxas de juro 

Não vigia a tensão arterial nem o colesterol

Tem ciclos de sono tão irregulares como a sua escrita 

Este poeta anda sempre à boleia dos acontecimentos 


Tudo nele vai ao encontro do improviso do imprevisto

Não lhe vive um pingo de auto censura nas hélices duplas

A própria sequência dos nucleótidos foi nele um fruto do acaso 


O poeta desconfia que as vidas não fazem qualquer sentido

Mas continua a insistir em caminhar no sentido contrário

Que as direcções opostas também precisam de representantes 

E todo o percurso pede o seu percursor 


Como não ambiciona servir de exemplo dá-se ao luxo

De ignorar tendências e seus respectivos apertos de mão 

De não frequentar as escolas de estética que matam a estética 

O poeta dedica as duas orelhas dois olhos duas mãos 

Ao momento de assombro que dá origem a cada novo verso 


Não deixa de sofrer as consequências da sua natureza

Que ressalta com o impacto da revolta da rejeição até do insulto

Não cimentou as paredes na construção da dita zona de conforto

Essa divisão imaculada e moderadamente aquecida 

Onde se vai escondendo a modernidade




Provérbio provado rimado -MCIII

Para quem sabe olhar para trás

Nenhuma rua é sem saída

Pois de aprender foi capaz

Teve a lição percebida


Olhar para trás sem remorsos

Sem dever nada a ninguém

Ter memorizado os troços

Sem culpa e sem desdém


Quando nova encruzilhada

Se lhe atravessar no caminho

Vai saber escolher a estrada

Mesmo se estiver sozinho



Provérbio provado rimado - MCII

Cada amor verdadeiro

É sempre precipitado

Confia que é o primeiro

Que não será terminado


Tal como num filme famoso

Crê que tudo ultrapassa

Até que no fim pesaroso

Vê que foi uma trapaça


Conclui então sem maldade

Que esse amor que se esquece

É porque não foi de verdade

Porque esse nunca envelhece



Provérbio provado num verso branco - CXIV

Não quis precipitar-te a estima de forma consciente

Foi involuntariamente que te empurrei

A minha direcção ainda não tinha então intenção


Apareci-te num vestido tão comprido de certezas

Que não duvidaste que eu soubesse o que estava a fazer 

Nesse princípio fui nos lençóis paciente

Mas não tardei em unir-nos as bibliotecas 


Um veículo desenfreado intenso acelerado

Desconhecendo como pode pausar um motor 

Foi o que nos condenou ao fim


A porta bateu pesada e repentinamente 

Tão depressa findou como começou o amor

De tanto querermos que o nós fosse um nós

Criámos em nós uma ilusão


Teríamos precisado de menos sim e mais talvez

Um talvez impede muita mentira 



Provérbio provado rimado - MCI

O passado já não é agora

É preciso recomeçar

O futuro espera lá fora

E há-de chegar devagar


Mas se chegar apressado

Que sossegue o futuro o facho

Não vá estar adiantado

E passar como um fogacho


Se for chama repentina

E tiver curta duração

Cada um assim descortina

Qual será a sua função 


E se o futuro surgir

Como um arrebatamento

Também poderá distinguir

Qual o próximo movimento


Já sabes tu lê o passado

Para lá do presente muro

Ficarás assim preparado

Para o que trouxer o futuro



Provérbio provado mascarado - II

Já antes de ter de as usar por imposição sanitária, abominava as máscaras. Muito antes da pandemia que abalou o século XXI ao chegar à vintena.

Nunca logrei compreender as pessoas que as vestiam como capa, esconderijo, alçapão. Essas eram as gentes que alvitravam que as máscaras eram uma necessidade, funcionando como defesa social e o mais das vezes laboral. 

É verdade, sempre tive dificuldade em entender. Eu, a de cara lavada, peito aberto às balas e cérebro andarilho. E quem não gostasse dos perdigotos que tivesse lá paciência!

As ditas máscaras tinham o condão de me usurpar o ar até ao sufoco. Tal como me conseguiam oprimir quaisquer olhos altivos e línguas mentirosas.

E, tal como o vírus se foi embora, podendo as pessoas deixar cair definitivamente as várias protecções, também a dissimulação tende a resvalar, revelando-se a verdadeira face quando a face não espera.


- A mentira só dura enquanto a verdade não chega 

Provérbio provado rimado - MC

Não venhas para aqui chatear 

A mim não me dizes nada

Estás sempre a contrariar

Ainda levas uma chapada


Mas eu não sou violenta

Apesar de seres muito otário

Não sei porque ninguém tenta

Dizer-te Ai o meu canário


A paciência tu torras

De qualquer comum mortal

Vá lá deixa-te de porras

Não sejas tão anormal



Provérbio provado mendigado

Entrava no máximo de carruagens que conseguia varrer no mais curto espaço de tempo, só evitava as horas de ponta. Era escusado: quanto mais apertados iam os passageiros menos para ele olhavam. Maldizia para dentro a era digital: os ecrãs eram a melhor desculpa para evitarem encará-lo. 

Nas paragens era muitas vezes empurrado de vários lados, depois de ter fechado os olhos durante um percurso em que a composição se tornava mais veloz. A velocidade tinha o condão de lhe acordar na memória o girar da roleta e das slot machines de uma forma que o atordoava.

No início, quando começou a mendigar, ficava envergonhado não sabendo como se dirigir às pessoas. Não tinha a certeza se o famoso estribilho Façam o favor de me auxiliar! dava ou não resultado... Mas cedo descobriu o seu próprio pregão que, estranhamente, lhe granjeava alguma simpatia alheia. Havia até algumas viagens em que arrecadava mais moedas, se cantasse o provérbio como se um refrão.


- Quem gasta mais do que tem, a pedir vem 

Provérbio provado rimado - MLXLIX

Quando a casa arrumas

Limpas a própria cabeça

Convences pessoas algumas

Onde colocar cada peça


Arrumas de fora para dentro

Os quartos e a tua tola

Não páras por um momento

É essa a tua bitola


Depois de tudo arrumado

Bem tentas ir descansar

Mas sofres um bom bocado

Não consegues acalmar


Estás sempre cheia de stresses

Tens de aprender melhor

É bom que logo comeces

A tirar o pé do acelerador


Se a casa de merda se encher

Não faças disso muito caso

O que tens de proteger

É o cérebro do atraso


Porque é com a moleirinha

Que deves poder contar

Que limpe a casa a vizinha

E tu que vás relaxar



Provérbio provado rimado - MLXLVIII

Quem dá erros ao escrever
Culpa a escrita inteligente
Mas dá bem para perceber
Que a coisa lhe é indiferente

Se o chamam à atenção
Responde logo ufano
Não deixas de ter razão
Só que errar é humano

A conversa acaba assim
Com esta tirada simpática
Mas ele continua no fim
A dar pontapés na gramática 


Provérbio provado rimado - MLXLVII

Diz que a justiça é cega

Uma balança carrega

E trava uma batalha

Em que tarda mas não falha



quinta-feira, 29 de junho de 2023

Provérbio provado rimado - MLXLVI

Parece que foste embruxada
Que pisaste uma pilha de sal
Andas com a vida azarada
E ainda te dói o dorsal

Os azares que tu tens tido
É coisa que ninguém merece 
Carecem de ter um sentido
São causa de muito stress

Se há lições a tirar
De todas eis a melhor
No meio de tanto azar
Podia bem ser pior 



Provérbio provado rimado - MLXLV

Quem boa ou má cama fizer

Será nela que se deitará

Se escolher um lençol qualquer

Com as culpas no fim arcará



quarta-feira, 28 de junho de 2023

Provérbio provado rimado - MLXLIV

Quem ajuíza que a tropa

Faz de todos uns homenzinhos

Normalmente agora não topa

Que se ponham alinhadinhos


Já deixou de ser popular

Nem sequer é obrigatório

O velho serviço militar

Tornou-se um acto provisório


Mas há muitos velhos do Restelo

Saudosos de palas bater

Que lhe conferem certo zelo

Não se cansam de o defender


São senhores tão saudosistas

Da egrégia lei carunchosa

Apresentam laivos fascistas

Recordam a ordem respeitosa


É uma gente que diz

Estavam melhor na parada

Convencidos de que o país

Está entregue à bicharada



Provérbio provado rimado - MLXLIII

Quando o Sérgio joga bilhar

É a mesa que está descaída

Por não conseguir acertar

Na tacada assim pretendida


No caso do ténis de mesa

A bola está sempre furada

Não consegue que essa empresa

Não termine em grande abada


Só desculpas tenta inventar

O Sérgio repetindo absorto

É ele que não sabe dançar

Mas diz que é o chão que está torto 



Provérbio provado rimado -MLXLII

Quase ao nível do divino

Crês que se eleva o teu ser

Mas és para outros pequenino

No que tens para oferecer


Pois ninguém nunca é bom juiz

Em defesa da própria ideia

É tão raro fazer como diz

De erros tem uma mão cheia 



Provérbio provado rimado - MLXLII

Como o sol da noite és belo

Numa noite que é de trovões

Pões qualquer um num chinelo 

Por gostares das tuas feições


Tal excesso de confiança

Parece despropositado

És assim desde criança

Achas que és de beleza dotado 


De facto não tens noção

Do tamanho da fealdade

Por isso te faz confusão

Ficar na zona da amizade


Terás um interesse alheio

Porque toda a pessoa merece

E diz que quem ama o feio

Muito bonito lhe parece



Provérbio provado rimado - MLXLI

Não gostava de chefiar

Pois as pessoas são estranhas

A equipa de todo o lugar

Sempre tem suas artimanhas


Para ordenar sou sem jeito

Que é pasto para a anarquia

Era um trabalho imperfeito

Que eu faria enquanto chefia


Seria incapaz de um ralho

De pôr incompetências a nu

Se queres bem feito um trabalho

É melhor que o faças tu