Provérbios Provados noutras casas:

sábado, 13 de maio de 2023

Provérbio provado rimado - MXX

A Rosa casou à primeira

Com um homem milionário

Que a mantinha prisioneira

E além disso era ordinário


Bebia whisky e vinho

Palitava os dentes alto

O casamento sem miminho

Foi um grande sobressalto


Enfim dele se livrou

Quando conheceu o João

Que sua atenção roubou

Por ter um bom coração


Logo ele lhe foi dizendo

Cheio de vergonha e mágoa

Que era pobre não querendo

Alimentá-la a pão e água


Mas a Rosa tão feliz

Do seu amor estava certa

Ficou com ele porque quis

E fez a seguinte descoberta


Mais vale pão e água

Acompanhados de amor

Do que vinho e galinha

Para afogar a dor



Provérbio provado num verso branco - CVII

Enquanto não amanhece e assim se envelhece
Ter na madrugada o corpo-casa 
Compartimentado em áreas de recreio e repouso
Não esquecendo as chamadas áreas comuns
Onde se está mais sozinho em comunhão

Aceitar sem agravo mais uma manhã
Tão branca de descobertas e fosfenos oculares
De palavras que teimam em fazer regressar a madrugada
Porque o medo sabe atravessar várias paredes
E nem sempre foge quando se olha ao espelho

Abrir então de par em par as janelas a fazer entrar a claridade
Dando o peito às balas e os tendões ao equívoco


Provérbio provado rimado - MXIX

Não compres gato por lebre

Nem tão pouco pota por lula

O engano pode até dar febre

Ou no mínimo deixa-te fula 



Provérbio provado rimado -MXVIII

Agora não se pode brincar

Pois alguém certamente se ofende

Mesmo que não queiras apontar

Virá logo quem tudo defende


É uma sociedade asséptica

Do politicamente correcto

Que obedece a uma estética

Que não se promulgou por decreto


Dar uma voz às minorias

Parece-me muito adequado 

Mas levar com contantes manias

De quem sempre se sente visado


Isso já me parece demais

Embora entenda o desconforto

Mas quando há liberdades iguais

A tolerância dá para o torto


O direito a ter opinião

E também sentido de humor

É acalorada discussão

De que ninguém sai vencedor


Já que o que as ideias são mesmo

Nem sempre as acções anuncia

É fácil largar dicas a esmo

Perorando em demasia


O caminho da palavra ao acto

Entre o falar e o fazer

Presta-se a incertezas de facto 

Pois há sempre muito que dizer



Provérbio provado rimado -MXVII

Se tu crês que és bem eterno

Acharás certamente o inferno

De humano te encontrares 

Ao lado de qualquer dos teus pares 


Se te acontecer envelhecer

O fim chegarás a temer

Já que à morte ninguém escapa

Nem o rei nem sequer o papa




Provérbio provado rimado -MXVI

 Ir subindo e descendo a escada

Não estar no mesmo degrau

Porque se assim fico estancada

O processo de viver é mau


É verdade que equilibrada

Mais constante eu vou andando

Mas não tenho um rasgo para nada

Só sei arder em lume brando



Provérbio provado rimado -MXV -

O que nos livros não está
É a vida que te ensinará
Pois cada vez mais experiência
Só aumenta a tua valência

Às vezes só vais aprender
Da pior forma que houver
Dar com os cornos na parede
Cair desamparado sem rede

Encontrar em tudo a lição
Que permita uma evolução
É bem isso que a vida oferece
Mesmo quando assim não parece 

E enquanto andares por cá
Verás que é o melhor que há
Poderes por dentro engrandecer
Aprendendo sempre até morrer


Provérbio provado rimado - MXIV

 Há sempre mais gente a gastar

Do que aqueles que trabalham

Pela reforma iremos esperar

Para ver quantos euros nos calham


Só que o salário não estica

Parecemos viver entre grades

O problema é que a Ordem é rica

Mas porém são pobres os frades




Provérbio provado rimado -MXIII

 Nesta vida há gostos para tudo

Cada um pode e deve escolher

Se prefere ter o rádio mudo

Ou fazer paredes estremecer


O que é afinal o bom gosto?

É coisa assaz discutível

Pois para cada pessoa aposto

O seu é o mais admissível


Pode até firme defendê-lo

Mas está só a o latim gastar

Já que um pé para cada chinelo

É medida que é de louvar


Cada um decide o que prefere

Seja bonitinho ou feio

É por isso que o seu gosto difere

Daqueles que habitam no meio


Mesmo até aqueles que apostam

Que a sua é a escolha mais bela

Sabem que uns só dos olhos gostam

E outros gostam mais da remela



Provérbio provado rimado - MXII

 Sou mesmo sem meias medidas

Ou gosto ou muito detesto

Era preciso ter mais vidas

Para andar morna como o resto


Digo o que me vem à cabeça

Embora até às vezes reflicta

Por pensar que talvez não mereça

Quem ouve tamanha desdita


Fui mudando com o tempo a passar

Já não compro todas as guerras

Às vezes já prefiro calar

Respeitar os costumes das terras


Mesmo quando conceitos defendem

Que não fazem qualquer sentido

Se assim as gentes entendem

Dar tudinho por garantido


A desculpa de ser tradição

Que permite alguns comportamentos

Não devia permitir uma acção

Que tolera emolumentos



Provérbio provado rimado - MXI

 É um prato frio a vingança

Que se come depois da ressaca

Quando já acalmou essa dança

Que decide qual a parte fraca


Não convém então rejubilar

Enquanto não se sai vencedor

Pois o último a gargalhar

É aquele que se ri melhor 



Provérbio provado rimado - MX

Lá naquela cidade do Oeste

Há cerâmica com mão de mestre

Toda a louça tem forma de falo

Avantajado que é um regalo 


Na terra há uma expressão gira

Que talvez alguma gente fira

E por ser assim desbocada

Torna-se ainda mais engraçada


Pois que quem essa louça fabrica

Mais bem disposto assim fica

Dizendo quando sai do trabalho

Às cinco nem mais um caralho



quinta-feira, 11 de maio de 2023

Provérbio provado rimado - MIX


Cala as tuas impuras opiniões

Sossega as apressadas paixões 

Deixa ir de mansinho com a maré 

Tudo o que parece e afinal não é 


Aprende à força pelo cansaço 

Sem mover perna nem braço 

Tu não és nada de especial 

Nem um ser complexo só banal 


Dom talento não me faças rir 

Deixa-te ficar só a assistir 

Quietinho na oca plateia 

Ao espectáculo da alcateia 


Não digas nada aos costumes 

Pode ser que assim te esfumes 

Na agonia vil e discreta 

Que é esta vida tão incerta






Provérbio pouco esperto lá no fundo

Será que os chico-espertos respondem todos pelo nome de Francisco? Ou que a chico-esperteza nacional - tantas vezes confundida com um desembaraço próximo do improviso - habita toda fora das grandes urbes?

Nada mais incorrecto! Tanto o Francisco José como a Maria Francisca podem não transportar um mililitro de sangue camponês nem nunca se terem dedicado ao cultivo e comércio de produtos agrícolas.

O que os nossos supracitados conterrâneos arriscam ter em comum é a tão afamada Esperteza saloia, que os faz viver num mundo paralelo, onde a sua capacidade de visão é de tal forma magnânima que lhes permite vislumbrar mais alto e mais além do que os que os rodeiam, e em que se sentem os mais capazes da sua estirpe. 

Ao lidarmos com o chico-esperto luso durante algum tempo - e nem é preciso muito -, percebemos que o dito iluminado é sobremaneira grosseiro e tem tantas arestas por limar que dificilmente arredondará. Lá no seu pedestal convivem, as mais das vezes, a falta de educação, de civilidade e de bom gosto nos casos menos graves, a desonestidade e a velhacaria nos mais agudos.

Ao invés de se pautar por uma sagacidade digna de acelerar os processos sociais, a sua suposta inteligência é tão superficial, e a sua intuição de tal forma se imbebe do ego, que só faz retroceder qualquer intento de aproveitar os seus atributos no alcance do bem geral.

O chico-esperto coça, assim, para dentro. A sua cabeça é o seu guia - mesmo que careça da mais ligeira cartografia -, o seu estômago, onde se evidencia um umbigo proeminente, é o seu comandante. É por isso que o chico-esperto raramente faz engordar a satisfação alheia, putativa alegria essa que, diga-se, até lhe faz um nadinha de comichão.

É digno de pena, mas infelizmente sucede: a esperteza saloia faz por ser mesquinha, manhosa e matreira. Raramente o espertalhão declara ao que vem de peito aberto, as suas intenções são tão turvas como um rio poluído. É por isso que se confrange com a transparência e a limpidez: são águas onde não sabe habitualmente navegar.

O chico-esperto sabe mais a dormir do que o resto da população acordada. Os demais concidadãos andam só por ver andar. Quando se apodera de um tópico - e como ele gosta de agarrar essa oportunidade a fim de demonstrar a sua supremacia! -, faz uma pequena pausa inicial para deixar oxigenar a guelra do interlocutor; logo de seguida aferra-se ao tema, num debitar de tal forma egocêntrico de considerações, que o outro não mais consegue respirar.

Está visto que adora o palco, tendo no entanto especial apetência pelos jogos de bastidores onde opera pela calada. Pode supôr-se que terá eventualmente um séquito de delfins: errado!, o chico-esperto dá-se com toda a gente mas lá no fundo não confia em ninguém. 

Muitas das suas fabulosas composições terminam com o suspiro profundo: Ah, se fosse eu a mandar... Pois é, tem a secreta esperança de vir a governar lá na sua, ainda que pequena, esfera. Só que mais tarde ou mais cedo o chico-esperto cai em desgraça: não é possível enganar toda a gente durante todo o tempo. Além disso, deve ser um bocado cansativo.


- Esperteza saloia 

Provérbio provado rimado - MVIII

Provérbio mesmo a preceito

Dele não há que ter medo

Posso usá-lo ao peito

Não é tarde nem é cedo 


Não é cedo nem é tarde

Para um provérbio usar

Todo o que não é cobarde

Numa rima o vai provar



Provérbio provado rimado - MVII

 É em Mercúrio que o sol mais queima

Não chega lá tão longe a Plutão

É um facto mesmo para quem teima

Que este é só um planeta anão


Porém nós os sortudos da Terra

Temos calor em boa proporção

Mas temos de travar mais a guerra

Que combaterá contra a poluição


Pois o Homem que se julga dono

Senhor e proprietário deste quinhão

Já lixou toda a camada de ozono

Que filtrava bem toda a radiação


Crê que é amo e senhor do pedaço

Não mede o efeito de cada acção

Só acordará quando já for escasso

O ar que respira dentro do caixão



sexta-feira, 28 de abril de 2023

Provérbio provado rimado - MVI

Sim o amor é possível

Sim o amor é urgente

Mas é também extinguível

Quando este já não se sente


Sim que seja infinito

Enquanto possa durar

É um sentimento bonito

Até um dia acabar


Tantos poetas cantaram

O amor desde outrora

Depois também continuaram

Os que são poetas agora 


Mas é mais fácil porém

Se se trata de aconselhar 

Pois não assume ninguém

Que difícil é praticar 



quarta-feira, 26 de abril de 2023

Provérbio provado rimado - MV

Diogo nenhuma me ligas

Sempre rodeado de amigas

Com um certo ar de enfado

Não sei se estás orientado


Eu bem te lanço a escada

Mas reages pouco ou nada

Deixando contudo no ar 

Que te posso vir a interessar


Já vi que preferes as pitas

Mais frescas e mais bonitas

Mas se reparares nesta cota

A idade mal se nota


Sinto-me ainda capaz

De satisfazer um rapaz

Também tenho boa conversa

Julgo que isso te interessa


Por isso ouve bem Diogo

Nunca acendas um fogo

Que não possas apagar

Vais-te acabar por queimar 



domingo, 23 de abril de 2023

Provérbio provado rimado - MIV

 Não acredito em amores

Só me têm dado dissabores

Cada vez que penso que é desta

Acaba-se cedo a festa


No entanto não tenho amargura

Acho sempre que tudo tem cura 

E após queda aparatosa

De voar já estou desejosa 


Pois quem acaba de chegar

Pelos outros não tem de pagar

Merece alegria e esperança

Que em si eu tenha confiança


Que o amor nem na selva tem lei

Nem por ela jamais esperei

É preciso guião não haver

Nem local onde se esconder


Mas tem deveres e direitos

Mesmo que de gestos mal feitos

Tem lugares e palavras erradas

Tem pernas galgando estradas 


Dispensa corrimão e gaiola

Não se aprende decerto na escola

E por mais que nos livros se escreva

Do amor é pouco o que se leva 


Porque mesmo a dois se está só

No em cada um dá um nó

Há várias coisas impossíveis

Que são no amor indizíveis


Não lhe servem as definições

Presentes em tantas citações

Não se sente da mesma maneira

Cada vez que assoma à soleira 


É verdade que é um mistério

Que se quer descobrir a sério

E há quem troque toda a vida

Por uma paixão correspondida 


Que queira embarcar na viagem

E pelo andar da carruagem

Possa ver a sua companhia

Com dedicação e empatia 





terça-feira, 22 de março de 2022

Provérbio provado rimado - MIII

 Ela é uma velha gaiteira

Quando sai da cabeleireira

Adora sapatos de cunhas

De trazer pintadas as unhas


Tem sempre os lábios rosados

E os olhos bem maquilhados

A velha anda bem trajada

Gosta que a vejam arranjada


Já não tem por cá o seu velho

Mas ainda se olha ao espelho

E pra ele arreganha a tacha

Porque bem jeitosa se acha


Quem quer vê-la bem disposta

É das compras que ela gosta

Já se sabe que velha gaiteira

Nunca falta a uma feira