Que a gente cita de cor
Depois do corvo criado
Ele há-de dar-te o pior
No momento em que surgiu
Mais só do que Cristo na cruz
Com as patas a tremer de frio
Tu tentaste mostrar-lhe a luz
Arranjaste-lhe com desvelo
Um ninho muito confortável
Passaste-lhe a mão pelo pêlo
Para que se sentisse estável
Transportaste-o nas palminhas
Foi levado ao colo na estrada
E no fim como já adivinhas
Sentiste no rosto a chapada
Nem sequer luva branca calçou
Em tal gesto de raiva brutal
Ou qualquer gratidão demonstrou
Viu a tua dádiva como trivial
Não devias estar surpreendido
Atendendo aos genes que tem
Por não ter enfim retribuído
Vê somente o que lhe convém
Teus cuidados foram escusados
Já devias saber de antemão
Que após os corvos criados
Um par de olhos te comerão

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