Para o compadre, o Cometa era a oitava maravilha do mundo. Sempre que ia à venda, gabava-o, não cabendo em si de tanto orgulho:
- Não há nestes arredores um animal com a fibra do meu Cometa! Olhem só para aquele lombo firme, aquelas ancas redondas; que beleza de flanco!
Os presentes entreolhavam-se, mordendo os lábios para suster o riso. O vizinho Manuel da Cerca bem tentava abrir-lhe os olhos:
- Ó homem, o teu cavalo está tão magro que até se lhe conseguem contar as costelas!
O compadre abria os braços de indignação:
- Costelas, Manuel? Aquilo são músculos, tu estás cego? O meu Cometa vende saúde!
Um certo dia, o compadre Anacleto, vaidoso do seu animal, resolveu levá-lo à feira anual concelhia para o exibir. Lavou-lhe os cascos, atou-lhe um laçarote na testa e pôs-se a caminho, puxando o cavalo que lá se ia arrastando atrás do dono muito a custo.
Chegados ao recinto, um feirante, que reparara no esforço do Cometa, abordou o compadre:
- Ó tiozinho, trouxe o bicho para o talho ou para o cemitério?
O compadre sentiu-se ofendido e retorquiu prontamente:
- Cemitério? Isto é carne da boa! O meu cavalo está gordo e apto para o trabalho!
O povo em redor riu a bom rir. Onde todos viam um esqueleto ambulante, o Anacleto via um campeão de raça.
- O olho do dono é que engorda o cavalo
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