Provérbios Provados noutras casas:

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Provérbio provado rimado - XXIV

Tinha um restaurante chinês
A cozinha era uma imundície
E amiúde um cliente à vez
Reparava em tal javardice

Havia intoxicações alimentares
O sushi e o sashimi infectos
E baratas em cima dos bares
Colónoscopias p'los rectos

Quando à noite o sitio fechava
Ia logo entregar o menino
E à mãe sem pena o entregava
Para ir ligeiro p'ró casino

Então a fortuna estourou
A especular na roleta
E bem rápido assim se achou
Tão teso que foi uma treta

Mas quando chegou enfim ao lar
A mulher esperava com calor
Pois quem ao jogo tem azar
Tem sempre sorte no amor

Provérbio provado rimado - XXIII

É regra da pessoa frontal
Dizer a verdade nua e crua
Ter boa coluna vertebral
Ir de costas direitas na rua

Pois quem preza a sinceridade
Não deve nada a ninguém
Essa certeza vem-lhe co'a idade
Aprendeu-a c'o pai e co'a mãe

Pode-se pedir-lhe um extracto
Se assim for tal o desejo
Que o mostra logo no acto
De ser pão pão queijo queijo

Provérbio provado rimado - XXII

Ao finório que é candidato
Sirva-se a soberba num prato
Que a corrida p'rás autarquias
Está tod'ela repleta de manias

Também na luta p'los concelhos
Se desejam os votos dos velhos
E alguns já estão enterrados
Mas nas listas 'inda contemplados

Os políticos passeiam p'las feiras
Quais pavões inchados de peneiras
Que a vitória já se prepara
É preciso ter podre a própria cara

Provérbio provado rimado - XXI

Há paredes com grandes ouvidos
Que levam a água ao seu moinho
Escutam mexericos perdidos
Levam-nos se preciso ao Minho

Não se importam de gastar as solas
Se for p'ra ficarem bem vistas
E fazem figura de parolas
Das galinhas cobiçam as cristas

São mesmo umas pobres coitadas
Queriam era andar de Mercedes
Apoiam-se em pequenos nadas
E ficam a falar co'as paredes

Provérbio provado rimado - XX

O que é barato sai caro
Lá diz o povo e com razão
Pois quando um homem é avaro
Logo lhe voa a ave da mão

Melhor é uma casa na vila
Do que ter duas no arrabalde
Mas se a teimosia se perfila
Dar conselhos é mesmo debalde

Então se sabes o que vales
E no bolso tens uns cobres médios
Lembra-te que p'ra grandes males
Sempre existem grandes remédios

Tenta mimar bem a patroa
Dá-lhe um lar que bem a satisfaça
Em cima da mesa põe a broa
E acompanha-a ao sábado à praça


Provérbio provado rimado - XIX

A mulher é uma barata tonta
Se tenta fazer bem seu trabalho
Toda a tarefa é uma afronta
Ela é uma carta fora do baralho

É a definição de incompetente
Do serviço não percebe um avo
E no fim do mês é descontente
Acha que vale mais que um chavo

No entanto recusa aprender
Com quem assim tão bem a trata
O melhor seria compreender
Que é muito mais tonta que a barata

Provérbio provado rimado - XVIII

O José era veterinário
Mas tirou um curso ordinário
Numa faculdade privada
Que vendia cursos de fachada

O canudo lá emoldurou
Mas depois sem emprego ficou
Até que viu um anúncio p'ró zoo
Que lhe punha as fraquezas a nu

E um dia o belo do Zé
Após tomar de manhã o café
Dirigiu-se para o zoológico
Atulhado de um medo ilógico

Mas depois de ter lá chegado
Percebeu que não aviava gado
Mandaram-no foi pentear macacos
E cuidar de pôr os pêlos em sacos

Provérbio provado rimado - XVII

Ninguém gosta de fazer de vela
Que o diga a minha amiga Anabela
Numa noite quase o fez sem querer
Mas não havia ali nada a temer

Que a união com o dito rapaz
É tranquila e assim com muita paz
E a coisa não era assumida
Ele teria de fazer p'la vida

E construir como peças de um lego
Pôr de parte algum aflito ego
Nesse barco não se segura vela
'Inda que grande no mastro uma tela

Provérbio provado rimado - XVI

O filho é um acumulador
Já lhe disse que deite por favor
Para o lixo todos os cadernos
Que não servem em tempos modernos

Ele guarda-os até da primária
É pessoa um pouco refractária
Porém neste doido acumular
A mãe já se começa a passar

Que em casa já não há espaço
Nem p'ra mais um botão nem um laço
E a mãe quer ter todo o conforto
Não tarda a coisa dá para o torto

É por isso que te digo Alzira
Põe o André a dançar o vira
E que deite fora sem resistir
Velharias mande com os porcos ir

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Provérbio provado rimado - XV

Não pagam dívidas as tristezas
Disso não duvides com certezas
Que os tristes são pobres p'la certa
Desconhecem a alegria d'oferta

Não aquecem se há gentilezas
Os amigos não reúnem às mesas
Sua alma sucumbe deserta
Por não q'rerem uma vida incerta

Apoquentam-se com miudezas
Quando vagueiam p'las redondezas
Com a alma em constante alerta
Comprimida numa f'rida aberta

Pois nem todos têm as mesmas riquezas
Como eu com grandes e francesas
É por isso que agradeço a esperta
Original e q'rida amiga Berta

Provérbio provado rimado - XIV

De noite todos são pardos
Têm medo de água fria
E são ásperos como cardos
Quando rompe a monotonia

Deitam-se na almofada
Fazem contas de cabeça
Dos sonhos não lembram nada
Nem ninguém que os mereça

Vivem sem respirar fundo
Morrem sem deixar lembrança
E continua igual o mundo
Com eles não houve dança

Sobre talvez um lamento
Alguém os há-de chorar
Mas faltou o sentimento
Por não ousarem amar

Provérbio provado rimado - XIII

O piropo se é engraçado
Até um sorriso arranca
Porém quando é depravado
Merece uma resposta franca

Tem mais fama que proveito
O desgraçado do trolha
Mas por vezes lá diz a preceito
Uma frase feita à sua escolha

Em cima do andaime profere
O ditote és boa comó milho
E conquanto até se esmere
Só arranja um grande sarilho

Provérbio provado rimado - XII

Às vezes a boca não calo
Se a mostarda me chega ao nariz
Sem filtros tudo tal qual falo
Aquilo que ninguém nunca diz

As calças recuso baixar
Não tenho truques na manga
Quem quer em mim poder mandar
Cuidado que solto a franga

Se há coisa que mais detesto
É quem não sabe dar a cara
E manda dizer pelo resto
Pois cobardemente não encara

E assim a medo delega
Apoiada em gente nefasta
Os fracos sobrecarrega
Há que dizer-lhe um basta

Provérbio provado rimado -XI

Rir é o melhor remédio
Para enfrentar a manhã
Afasta bem qualquer tédio
E esquece o diário afã

Permite soltar as risadas
Que enterram a ansiedade
E até acreditar em fadas
Que não conhecem maldade

Rir de tudo e um par de botas
Da quinta pata do cavalo
E das estúpidas anedotas
Que se contam no intervalo

É uma espécie de placebo
Que faz mais bem que mal
No focinho do cão o sebo
Que alimenta o animal

Pois mesmo a piada veloz
Tem muito efeito na gente
Afasta o piegas e atroz
Simular intransigente

E é melhor ainda rir
Da sua própria pessoa
Para assim poder fugir
Da seriedade à toa

Provérbio provado rimado - X

No dia em que a égua pariu
Nesse instante o cavalo fugiu
Logo se sentiu abandonada
No estábulo assim foi deixada

Olhou tristonha o filhote
Apertado com um garrote
Que sozinho tentava fugir
Sabendo que ia cair

No campo andavam vindimas
Que ali reuniam as primas
Foi naquela época da uva
Que tirou o cavalinho da chuva

Do macho teve sempre saudade
Mesmo até ter passado da idade
Pois no coração ninguém manda
Isso lhe disse a prima Vanda

Provérbio provado rimado - IX

Há pessoas que realmente
Têm mesmo muita lata
E de repente à gente
Dizem a palavra que mata

Provérbio provado rimado - VIII

Normal é quando se esconde
Uma pulga atrás da orelha
Porque o cochicho está onde
Se encontra a beata da velha

Segredinhos são apanágio
De gente muito calhandreira
E propagam-se por contágio
Basta começar a primeira

P'la frente cerram os lábios
Fazendo um gesto com a mão
E vomitam provérbios sábios
Enquanto simulam compaixão

Pior é que muitas vezes passam
Por serem cordatas e discretas
Mas boas reputações devassam
Com suas mordazes indirectas

Provérbio provado rimado - VII

Foi o gato que comeu a língua
E o deixou p'ra sempre em silêncio
Ficou portanto à míngua
De palavras o pobre Inocêncio

E se já era muito calado
Mais ainda pôde acontecer
De ter o pescoço dobrado
E os olhos ao chão oferecer

Esta pequena história nos ensina
Que o que aparenta tragédia
Apesar de ser pequenina
Tem ternura acima da média

Provérbio provado rimado - VI

Quem não tem esqueletos no armário
Que atire a primeira pedra
Isso é porque o imaginário
De boas ideias não medra

Macaquinhos na cabeça
E no sótão muitos baús
É bem normal não se esqueça
Que a originalidade seduz

Provérbio provado rimado - V

Um take away queria abrir
Não sabia se pizza ou se tostas
P'ra depois poder fugir
Com uma perna às costas

Evasão era a palavra chave
Para um paraíso fiscal
E a ASAE era um entrave
No meio de tal chavascal

Foi assim que no fim da história
Deu um grande tiro no pé
Que só deixou a memória
Do sapato a cheirar a chulé