Poupa-me os teus comentários
Os reflexos incendiários
Que a tua cara fechada
Não me traz preocupada
Tomas as pessoas de ponta
Se representam uma afronta
Ou quando te fazem sombra
Te escurecem a tromba
Seres assim invejosa
E muito tendenciosa
Por dentro só te devora
É o que parece de fora
quinta-feira, 14 de novembro de 2019
Provérbio provado rimado - DCCXII
Num aquário de piranhas
Navegam feras tamanhas
Que se alimentam do sangue
De qualquer peixinho exangue
Engolem os predadores
Todos os que são menores
Apanhado desprevenidos
Os peixes são logo comidos
Comer a presa assim viva
É coisa assaz aflitiva
Tão sombria de se ver
Para quem por lá aparecer
É um tal Deus nos acuda
Que é precisa uma ajuda
Falta ideia peregrina
Que desinfecte a piscina
Navegam feras tamanhas
Que se alimentam do sangue
De qualquer peixinho exangue
Engolem os predadores
Todos os que são menores
Apanhado desprevenidos
Os peixes são logo comidos
Comer a presa assim viva
É coisa assaz aflitiva
Tão sombria de se ver
Para quem por lá aparecer
É um tal Deus nos acuda
Que é precisa uma ajuda
Falta ideia peregrina
Que desinfecte a piscina
Provérbio provado rimado - DCCXI
O circo chegou à aldeia
Trazendo uma mão cheia
De esforçados artistas
Que gostam de dar nas vistas
Ensaiam as piruetas
E as diferentes caretas
Com que entretêm o povo
Que anseia por algo novo
Trazendo uma mão cheia
De esforçados artistas
Que gostam de dar nas vistas
Ensaiam as piruetas
E as diferentes caretas
Com que entretêm o povo
Que anseia por algo novo
Provérbio provado rimado - DCCX
Com o cu virado para a lua
Nasceu o menino rico
Tem uma sanita que é sua
Nunca cagou num penico
Não sabe a sorte que tem
Por ter a família perfeita
Olha os outros com desdém
E uma expressão contrafeita
Falta-lhe a humildade
O afecto pelo semelhante
E a sua realidade
Não se espelha no semblante
Provérbio provado rimado - DCCIX
A quem pretende isolar-me
Respondo com pouco charme
E mesmo assim muito só
Dispenso bem qualquer dó
Pois pena tem a galinha
De quem dela se avizinha
Sem ter um bico afiado
Que pode sair magoado
Respondo com pouco charme
E mesmo assim muito só
Dispenso bem qualquer dó
Pois pena tem a galinha
De quem dela se avizinha
Sem ter um bico afiado
Que pode sair magoado
terça-feira, 12 de novembro de 2019
Provérbio provado rimado - DCCVIII
Rastejam no ninho de víboras
Tantas serpentes carnívoras
Que se alimentam das presas
Por qualquer razão indefesas
Lá o lema é ostracizar
Quem como elas não silvar
E quem tenha vértebra forte
Que dificilmente se entorte
Já se sabe que as serpentes
A abocanhar estão contentes
São um venenoso animal
Que não tem coluna vertebral
Sem qualquer verticalidade
Só demonstra ambiguidade
A serpente rasteja disforme
Às torpezas actua conforme
Depois de se alimentarem
E as vítimas mastigarem
As víboras ficam cansadas
De tanta malícia enjoadas
É melhor que a língua não mordam
Ou umas das outras discordam
Provam do seu próprio veneno
Para as presas perdem terreno
O ninho todas querem reger
Não hesitam pois em moer
Com as mandíbulas de fora
Tenham ou não assessora
A rainha é uma cascavel
Que cumpre um feio papel
Gosta de dividir para reinar
E sói mais confusão lançar
Tantas serpentes carnívoras
Que se alimentam das presas
Por qualquer razão indefesas
Lá o lema é ostracizar
Quem como elas não silvar
E quem tenha vértebra forte
Que dificilmente se entorte
Já se sabe que as serpentes
A abocanhar estão contentes
São um venenoso animal
Que não tem coluna vertebral
Sem qualquer verticalidade
Só demonstra ambiguidade
A serpente rasteja disforme
Às torpezas actua conforme
Depois de se alimentarem
E as vítimas mastigarem
As víboras ficam cansadas
De tanta malícia enjoadas
É melhor que a língua não mordam
Ou umas das outras discordam
Provam do seu próprio veneno
Para as presas perdem terreno
O ninho todas querem reger
Não hesitam pois em moer
Com as mandíbulas de fora
Tenham ou não assessora
A rainha é uma cascavel
Que cumpre um feio papel
Gosta de dividir para reinar
E sói mais confusão lançar
Provérbio provado rimado - DCCVII
O mar está deveras bravo
Aguardo a maré vaza que tarda
Enquanto uma rima alinhavo
Por instantes baixo a guarda
Sempre a olhar por cima do ombro
É como ando ultimamente
A cada dia novo assombro
E desânimo consequentemente
Não aprovo a desconfiança
Porém é como agora me sinto
Amanhã volverá a esperança
Nela creio sabendo que minto
Aguardo a maré vaza que tarda
Enquanto uma rima alinhavo
Por instantes baixo a guarda
Sempre a olhar por cima do ombro
É como ando ultimamente
A cada dia novo assombro
E desânimo consequentemente
Não aprovo a desconfiança
Porém é como agora me sinto
Amanhã volverá a esperança
Nela creio sabendo que minto
Provérbio provado rimado - DCCVI
É uma criatura macabra
Enxertada em corno de cabra
O feitio é tão mau que dói
De ninguém ela se condói
Ela só rosna não fala
Hostiliza toda a sala
Nem tão pouco sabe pedir
Mais parece que está a cuspir
Desconhece um obrigada
Tem ar de quem oferece porrada
Só lhe falta a mão na anca
Para apregoar peixe na banca
Que má sorte ter de privar
Com tal fulaninha lidar
Pelas costas era bom vê-la
Pôr um ponto final na querela
Mas contudo não há fim à vista
Há que suportar tal artista
Dava jeito saber até quando
Depende de quem está no comando
Enxertada em corno de cabra
O feitio é tão mau que dói
De ninguém ela se condói
Ela só rosna não fala
Hostiliza toda a sala
Nem tão pouco sabe pedir
Mais parece que está a cuspir
Desconhece um obrigada
Tem ar de quem oferece porrada
Só lhe falta a mão na anca
Para apregoar peixe na banca
Que má sorte ter de privar
Com tal fulaninha lidar
Pelas costas era bom vê-la
Pôr um ponto final na querela
Mas contudo não há fim à vista
Há que suportar tal artista
Dava jeito saber até quando
Depende de quem está no comando
Provérbio provado rimado - DCCV
Entro muda e saio calada
Da boca não me arrancam nada
Só estou disponível para os meus
Os outros é olá e adeus
Se queres aos meus pertencer
Não precisas de fortuna ter
Só um coração abundante
Que se comove a todo o instante
Deverás ter grandes os braços
Que se demorem em abraços
E uma boca sem poupança
Onde habitem laivos de criança
Como vês muito não peço
Embora seja só o começo
Hei-de querer autenticidade
Que rima com sinceridade
Se tu mesmo sempre fores
Podes partilhar tuas dores
Aqui me terás por inteiro
Um humano assim verdadeiro
Cada vez menos faço fretes
E já não enfio barretes
Embora o silêncio me custe
É preferível ao embuste
Da boca não me arrancam nada
Só estou disponível para os meus
Os outros é olá e adeus
Se queres aos meus pertencer
Não precisas de fortuna ter
Só um coração abundante
Que se comove a todo o instante
Deverás ter grandes os braços
Que se demorem em abraços
E uma boca sem poupança
Onde habitem laivos de criança
Como vês muito não peço
Embora seja só o começo
Hei-de querer autenticidade
Que rima com sinceridade
Se tu mesmo sempre fores
Podes partilhar tuas dores
Aqui me terás por inteiro
Um humano assim verdadeiro
Cada vez menos faço fretes
E já não enfio barretes
Embora o silêncio me custe
É preferível ao embuste
Provérbio provado rimado - DCCIV
Que falem à vontade de mim
Mas não comem do meu pudim
Está guardado para quem merece
E mesmo longe não me esquece
Para quem por mim tem apreço
E não duvida que o mereço
Para quem a palavra amizade
Não profere com leviandade
Quem sabe com que linhas me coso
Só pode ser para mim amistoso
Ser sincero quando é preciso
Se perco de repente o juízo
Puxar-me as orelhas às vezes
E dizer-me não te menosprezes
Saber que me deve abraçar
Quando rio para não chorar
Mas não comem do meu pudim
Está guardado para quem merece
E mesmo longe não me esquece
Para quem por mim tem apreço
E não duvida que o mereço
Para quem a palavra amizade
Não profere com leviandade
Quem sabe com que linhas me coso
Só pode ser para mim amistoso
Ser sincero quando é preciso
Se perco de repente o juízo
Puxar-me as orelhas às vezes
E dizer-me não te menosprezes
Saber que me deve abraçar
Quando rio para não chorar
Provérbio provado rimado - DCCIII
Um provérbio me soprou
Uma verdade tão sábia
Que não é isenta de lábia
No meu espírito pousou
Fiz as pazes com o erro temido
Que como pessoa eu cometo
Afinal não assim tão abjecto
Desde que não seja repetido
Caminhando de encontro à velhice
Submersa no vil quotidiano
Perdoo-me que errar é humano
Só persistir no erro é burrice
Uma verdade tão sábia
Que não é isenta de lábia
No meu espírito pousou
Fiz as pazes com o erro temido
Que como pessoa eu cometo
Afinal não assim tão abjecto
Desde que não seja repetido
Caminhando de encontro à velhice
Submersa no vil quotidiano
Perdoo-me que errar é humano
Só persistir no erro é burrice
Provérbio provado rimado - DCCII
O Tozé é um pouco trombudo
Não lhe é fácil o sorriso
Também é atento contudo
Mostra os dentes quando é preciso
Ele gosta de se acautelar
Já que não aprecia surpresas
Imprevistos costuma evitar
Fazendo uso das suas certezas
Raramente ele é surpreendido
Para não se lamentar depois
Acredita que homem prevenido
É tão forte que vale por dois
Não lhe é fácil o sorriso
Também é atento contudo
Mostra os dentes quando é preciso
Ele gosta de se acautelar
Já que não aprecia surpresas
Imprevistos costuma evitar
Fazendo uso das suas certezas
Raramente ele é surpreendido
Para não se lamentar depois
Acredita que homem prevenido
É tão forte que vale por dois
Provérbio provado rimado - DCCI
Travar guerras consecutivas
Sem nenhuma glória e em vão
São situações coercivas
Que impõem ao fraco a razão
Dele pode não rezar a História
Nestes casos tão envergonhada
Que não enaltece a memória
Dos que batem em retirada
Sem nenhuma glória e em vão
São situações coercivas
Que impõem ao fraco a razão
Dele pode não rezar a História
Nestes casos tão envergonhada
Que não enaltece a memória
Dos que batem em retirada
Provérbio provado rimado - DCC
Eu não sou de ninguém disse ela
Num soneto a poeta Florbela
Por se crer dos demais diferente
Estava sempre apartada da gente
Quem me quiser há-de ser luz
Do sol que o calor produz
Mais ou menos ela assim dizia
Mergulhada na sua poesia
Quem me quiser há-de ser voz
Do pequeno insecto veloz
Um amor tão pleno ansiava
Para ver se assim se salvava
Ter outro e outro num momento
Uma força viva em movimento
Mas sabia não haver tal homem
A não ser o que os versos consomem
Amou demasiado o irmão
Por quem fez das tripas coração
Foi um amor assaz proibido
Que para ela fazia sentido
Tantos nomes feios lhe chamaram
Com o dote de louca a brindaram
Que um dia lhes fez a vontade
Deixando a vida pela metade
Foi assim que a Florbela Espanca
Viu na morte uma pomba branca
Que traria a paz ansiada
À sua vida amargurada
Num soneto a poeta Florbela
Por se crer dos demais diferente
Estava sempre apartada da gente
Quem me quiser há-de ser luz
Do sol que o calor produz
Mais ou menos ela assim dizia
Mergulhada na sua poesia
Quem me quiser há-de ser voz
Do pequeno insecto veloz
Um amor tão pleno ansiava
Para ver se assim se salvava
Ter outro e outro num momento
Uma força viva em movimento
Mas sabia não haver tal homem
A não ser o que os versos consomem
Amou demasiado o irmão
Por quem fez das tripas coração
Foi um amor assaz proibido
Que para ela fazia sentido
Tantos nomes feios lhe chamaram
Com o dote de louca a brindaram
Que um dia lhes fez a vontade
Deixando a vida pela metade
Foi assim que a Florbela Espanca
Viu na morte uma pomba branca
Que traria a paz ansiada
À sua vida amargurada
Provérbio provado rimado - DCXCIX
Tenho na guelra muito sangue
Reajo quando me ofendem
Não se espantem que me zangue
Se a perna à socapa me estendem
Dirão que tenho mau génio
Que sou muito intempestiva
Mas falta-me o oxigénio
Se lido com gente esquiva
Muito tempo eu não aguento
Malvadezas e maus tratos
Perco logo o discernimento
E ponho limpinhos os pratos
Reajo quando me ofendem
Não se espantem que me zangue
Se a perna à socapa me estendem
Dirão que tenho mau génio
Que sou muito intempestiva
Mas falta-me o oxigénio
Se lido com gente esquiva
Muito tempo eu não aguento
Malvadezas e maus tratos
Perco logo o discernimento
E ponho limpinhos os pratos
Provérbio provado rimado - DCXCVIII
Cada um é como cada qual
E tem a sorte que merece
No entanto por mais que tropece
A sorte não é proporcional
Um erro e nova tentativa
Mais sorte não significam
Mas porém a vida dignificam
Tornam-na mais combativa
E tem a sorte que merece
No entanto por mais que tropece
A sorte não é proporcional
Um erro e nova tentativa
Mais sorte não significam
Mas porém a vida dignificam
Tornam-na mais combativa
Provérbio provado perguntado - II
Está tudo bem(?) é normalmente uma pergunta de retórica que se segue a um Bom dia. Não é que quem pergunte tenha verdadeiro interesse na resposta. É uma muleta social que todos, autómatos do quotidiano, repetimos a quem connosco se cruza. É pela inflexão da voz e eventual sorriso que se consegue separar o trigo - os que querem realmente saber se está tudo bem - do joio - a quem se responde maquinalmente Está tudo bem, obrigada.
- Separar o trigo do joio
- Separar o trigo do joio
Provérbio provado rimado - DCXCVII
Que era fácil não disse ninguém
Esta vida de adulto tão dura
O que é fácil é ficar-se aquém
Desalinhar na formatura
Tantas regras tantos é suposto
Que põem a cabeça à roda
Tanto acto feito a contragosto
Tão difícil é a vida toda
Enfrentar muitas dificuldades
Põe uma pessoa em frangalhos
São tantas as adversidades
É o cabo dos trabalhos
Esta vida de adulto tão dura
O que é fácil é ficar-se aquém
Desalinhar na formatura
Tantas regras tantos é suposto
Que põem a cabeça à roda
Tanto acto feito a contragosto
Tão difícil é a vida toda
Enfrentar muitas dificuldades
Põe uma pessoa em frangalhos
São tantas as adversidades
É o cabo dos trabalhos
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
Provérbio provado rimado - DCXCVI
Lá no fundo tens medo suspeito
Talvez uma fraqueza secreta
Por isso não me guardas no peito
Já encheste a tua camioneta
Porque afinal eu sou muita areia
Não sabes o que fazer comigo
Ficas doido de cabeça cheia
E corres a esconder-te do perigo
Talvez uma fraqueza secreta
Por isso não me guardas no peito
Já encheste a tua camioneta
Porque afinal eu sou muita areia
Não sabes o que fazer comigo
Ficas doido de cabeça cheia
E corres a esconder-te do perigo
Provérbio provado rimado - DCXCV
Juízes fazem vista grossa
À alienação parental
Cada um para dentro coça
Como se isso fosse normal
As crianças andam aos tombos
Como se peças de xadrez
Algumas com marcas nos lombos
Das instituições às mercês
Que futuro irão elas ter
Se cedo trilham este caminho?
Delas ninguém quer saber
Nem sequer lhes empresta carinho
É urgente aligeirar
Os processos de adopção
Para quem está disposto a amar
Lhes poder deitar uma mão
À alienação parental
Cada um para dentro coça
Como se isso fosse normal
As crianças andam aos tombos
Como se peças de xadrez
Algumas com marcas nos lombos
Das instituições às mercês
Que futuro irão elas ter
Se cedo trilham este caminho?
Delas ninguém quer saber
Nem sequer lhes empresta carinho
É urgente aligeirar
Os processos de adopção
Para quem está disposto a amar
Lhes poder deitar uma mão
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