Provérbios Provados noutras casas:

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Provérbio provado rimado - MDCXXXIV

O Vítor é um bonacheirão 
Que pode tornar-se brigão
E ficar violento e rezinga
Se no tasco abusa da pinga 

Mais um shot da tal aguardente 
Deixa o Vítor deveras contente 
Muito solto e até desinibido 
Não suspeita que será banido 

Ele dá seca a todos em volta 
Antes de precisar de escolta 
E nem sonha no que se mete 
Até ter de abraçar a retrete 

Quando a bebida é a quarta 
O chão já roda que se farta 
E o Vítor com o eixo trocado 
Dá um tralho sobre o sobrado 

E é tal o tamanho da torta 
Que lhe apontam a porta
Pois ó Vítor se bebes demais 
É visto que tropeças e cais 


sábado, 21 de fevereiro de 2026

Provérbio provado rimado - MDCXXXIII

No mundo ninguém é perfeito 
Basta que se vá pondo a jeito 
Muitos erros todos cometemos 
E com eles depois aprendemos 

Face a todo o tipo de perigos 
Não adianta infligir-se castigos 
Porque enfim uma passada má 
Qualquer ser humano a dá 


Provérbio provado rimado - MDCXXXII

O Alexandre é um cozinheiro 
Faz um belo prato de carneiro 
Que não sabe a sebo e a ranço 
Nem ele admitiria o falhanço 

O segredo do chef na cozinha 
É ele exagerar na mãozinha 
Com que põe na comida tempero
O Alexandre actua com esmero

E se algum cliente se queixa 
Ele vai repetir sempre a deixa 
Quem deseja o arroz sem sal
Que vá directo para o hospital 


Provérbio provado rimado - MDCXXXI

Quer seja exposto ou escondido 
O de dentro é sempre o pior 
O mais duro e o mais sofrido 
O que causa o maior dissabor 

Porque enfim as dores internas
Somatizam como um reflector 
Até geram tremuras nas pernas 
Subindo pelo corpo um calor 

Para o próprio o caso é feio
Tira o brilho à vida e a cor
Pouco dói todo o mal alheio
O penoso é mesmo o interior 



Provérbio provado rimado - MDCXXX

É um pássaro tão refinado 
Exprime-se num belo trinado
Exigente e também caprichoso 
Não desiste e é muito teimoso 

Guarda um enorme desgosto 
Olha que papagaio indisposto 
Faz supor que sofre bastante 
Por não ser deveras importante 

Reclamando luxos e benesses
Em cantos que parecem preces 
Quer obter mimos especiais 
Que não são sequer essenciais 

O papagaio até teme maleitas 
Por não ter amêndoas confeitas
Tantas febres e achaques assim 
Vão trazer-lhe proveitos no fim 


Provérbio provado rimado - MDCXXIX

Palavras são boas de dizer 
Todavia são más de cumprir 
Pois que fácil é prometer 
Até uma situação surgir 

Frases que lançam promessas 
O certo é que as leve o vento 
Já que são ditas às pressas 
Não honram o sentimento 

Portanto não enchem barriga 
São vãs e por dentro tão ocas 
Quem vá cair nessa cantiga 
Irá enfrentar cenas loucas 

Sem obras são tiros sem balas
Se juntas são como as cerejas 
E quando finalmente te calas
Já disseste mais do que desejas 


Provérbio provado rimado - MDCXXVIII

Quando conheci o Alberto 
Não foi na minha cantiga 
Armou-se logo em esperto 
Atirou-se à minha amiga 

Senti-me tão posta de lado 
Sem ter a quem dar carinho 
E o Alberto todo emproado 
Por ela está pelo beicinho 

O que ele não desconfia 
É que a Elsa faz colecção 
De homens e tem alergia 
Ao início de uma relação 

Então o Alberto há-de dar 
O tempo por muito perdido 
E talvez até possa voltar 
Para mim todo arrependido 

Eu perdoo mas não esqueço 
Que não repita a brincadeira 
Digo-lhe sabendo que mereço 
Alberto há mais quem queira 


Provérbio provado rimado - MDCXXVII

Simulas não estar interessado 
Com essa expressão tão ausente 
Mas não é por estares ocupado 
Só dás uma de ser indiferente 

Se acaso à fala nos damos 
Tu só me ofereces desdém 
E dessa forma não chegamos 
A ir um pouco mais além 

Quanto mais tu me criticas 
Assim mesmo pra contrariar 
Mais eu capto as tuas dicas
Quem desdenha quer comprar 


sábado, 14 de fevereiro de 2026

Provérbio provado rimado - MDCXXVI

Uma mãezinha devotada
Um pai tão trabalhador 
Nessa casa remediada
Eras o mais malfeitor 

A própria mãe venderias
Se isso trouxesse lucro 
E consternado chorarias
Bem ao pé do seu sepulcro 

E quando fosse a leitura 
Dos quinhões do testamento 
Novamente nessa altura 
Fingirias um tormento 

Lágrimas de crocodilo 
Deitarias ao recordar 
De semblante já tranquilo 
A harmonia familiar 

Desde que tu empochasses
Sem qualquer tipo de esforço 
E uns cobres tu ganhasses
Terias nenhum remorso


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Provérbio provado rimado- MDCXXVI

O Zé gosta de ser solteirão 
Nas mulheres não faz distinção 
Escolhendo em cima da hora 
Aquela que finge que adora 

Só lhe interessa o seu proveito 
Pelas moças tem pouco respeito 
Faz-se sempre de desentendido 
Depois de se ver bem servido 

O Zé não quer compromissos
Ele livra-se assim de enguiços
Abdicando de ter mais controlo 
Pensa o Zé que tem pouco de tolo 

Então ele perde a melhor parte 
A amizade e o sexo com arte 
Na verdade quer e não quer 
Não sabe o que anda a perder 

De noite dorme tão frustrado 
Por não ter ninguém ao seu lado 
De manhã com a tenda armada 
Acorda o Zé sem namorada 



sábado, 7 de fevereiro de 2026

Provérbio provado clonado

Há homens a quem a fortuna vai assoprado as palhinhas. Mas há mais aprendizes que mestres, mais ingratos que sapatos, mais marés que marinheiros e mais Marias na terra. 
Não, os homens não são mesmo todos iguais.  Há quem se aponte o dedo e quem se ria de si ao espelho. E quem seja pródigo nas desculpas; são como as cerejas, não é verdade? 
Também como as desculpas os homens: atrás de um vem outro e preferem andar em pares que, quando prevenidos valem por quatro, quando atrevidos duram tanto como uma garrafa de vinho. 

Segundo se diz, à boca cheia, andou Deus a clonar costelas para os alinhar assim em par à sua imagem e semelhança. O que não está lá muito bem claro é a quem pertencia a costela duplicada. Também se diz, aqui à boca pequena, que a costela original era, na verdade, de uma mulher, tal como mulher era Deus. 
E há mais, amigos. Isto não sabemos com certeza, não viemos cá levantar polémicas. O que ouvimos é que o machismo resolveu a questão colocando-lhe um agá maiúsculo no nome. Veio o Diabo e soprou. 
Mas homem morto não fala, não temos como confirmar nada disto.  Só Deus nunca morreu. 


- O homem põe e Deus dispõe 

Provérbio provado do raciocínio demorado

Sebastião come tudo, tudo, tudo. Felizmente, possui um metabolismo aceleradíssimo e consegue decompor as calorias ainda mal lhe atravessaram a glote: sobra pouco para o intestino assimilar.  
Lamentavelmente, o seu aceleramento metabólico dá-se todo ao nível do sistema digestivo: os neurónios não acompanham a corrida e o pensamento é lento como a passada de um caracol pastelão, sendo capaz de dar cabo da paciência a um santo.  Parece exagero?  Mas não: só mesmo por milagre se aguenta uma conversa inteirinha com o Sebastião. 
Ele prolonga os ditongos, arrasta as palavras, faz pausas infinitas entre frases. O interlocutor menos avisado vai aguardando que conclua qualquer das ideias - uma que seja! -, mas é debalde: o raciocínio do Sebastião não progride. 
Creio sinceramente que se dará conta de que agasta quem com ele tenta dialogar; acho mesmo que tem essa noção, é impossível que não lhe passe pela massa cinzentona. 
Porém, por tantas vezes se perder na argumentação, é capaz de dar valentes secas com apreciações da tanga, prolongando até ao limite a chamada conversa de chacha. 
O discurso do Sebastião consegue ser a amálgama mais pastosa de frases feitas e ideias rebatidas de que há memória. Ou seja, para resumir a coisa, não se aprende rigorosamente nada.  Uma picada de mosca tsé-tsé é capaz de dar menos sonolência. 

Numa destas ocasiões, já fartinho de tanta potassa, o Adérito virou a cabeça na sua direcção e disparou: Ó homem de Deus, tu vê lá se fazes um resumo, vê lá se te decides mas é, caneco!, estou prestes a perder toda a paciência contigo! 
Mau grado a agressividade latente na voz do amigo, o Sebastião nem pestanejou. Inspirou muito devagar, como que para arejar os corredores do cérebro, e uns segundos depois, no que pareceu uma eternidade, saiu-se com esta:


- Quem decide depressa arrepende-se devagar