Escrever não dá pão para a boca
Coisa de gente meio louca
Só a Internet traz leitores
Nunca a atenção dos editores
Edição literária é negócio
Que se presta ao culto do ócio
Para um autor ser reconhecido
Tem de ser às mesas recebido
Convém ter um padrinho bom
Que o apresente em tal tom
De ter inovadora obra
Que nos escaparates não sobra
Terá de alguns cus lamber
E saber como se vender
Alinhar na cunha mafiosa
Quer escreva poemas ou prosa
Nunca será rico o escritor
Rende pouco o seu labor
Ficará com a mão a latejar
Por tantos autógrafos dar
quinta-feira, 24 de outubro de 2019
Provérbio provado rimado - DCXC
Nem sete nem setenta
Nem oito nem oitenta
Equilíbrio é necessário
Não é facto secundário
É preciso o meio termo
Seja com saúde ou enfermo
Que dê alguma constância
É coisa com importância
Muito à esquerda ou à direita
É política imperfeita
Dizem que é bom ao centro
Entra pelos olhos dentro
No amor ou na paixão
Convém haver contenção
Não se esconder sozinho
Mas não esbanjar carinho
Com conta peso e medida
É que deve ser a vida
E para poder ter proventos
Nem treze nem trezentos
Nem oito nem oitenta
Equilíbrio é necessário
Não é facto secundário
É preciso o meio termo
Seja com saúde ou enfermo
Que dê alguma constância
É coisa com importância
Muito à esquerda ou à direita
É política imperfeita
Dizem que é bom ao centro
Entra pelos olhos dentro
No amor ou na paixão
Convém haver contenção
Não se esconder sozinho
Mas não esbanjar carinho
Com conta peso e medida
É que deve ser a vida
E para poder ter proventos
Nem treze nem trezentos
sábado, 19 de outubro de 2019
Provérbio provado rimado - DCLXXXIX
Discussões no meio da rua
Dão mesmo imensa barraca
De dia ou à luz da lua
Seja a razão forte ou fraca
Se na mesma casa habitam
Os que na rua discutem
Perdem a cabeça e gritam
Para que todos escutem
Que não saiam da dita cuja
E por lá fiquem em brasa
Pois é dito que a roupa suja
Deve ser lavada em casa
Dão mesmo imensa barraca
De dia ou à luz da lua
Seja a razão forte ou fraca
Se na mesma casa habitam
Os que na rua discutem
Perdem a cabeça e gritam
Para que todos escutem
Que não saiam da dita cuja
E por lá fiquem em brasa
Pois é dito que a roupa suja
Deve ser lavada em casa
Provérbio provado rimado - DCLXXXVIII
A cama que tu fizeres
Será nela que te deitarás
Vais fazê-la até aprenderes
Que não podes voltar para trás
Tudo tem sua consequência
Mesmo se não a estás a ver
Usa bem tua inteligência
Quando vais tua cama fazer
Se o lençol tem um grande vinco
Vai-o alisando com esmero
Fá-lo quatro vezes ou cinco
Não sucumbas ao desespero
Compõe bem a tua almofada
Para com prazer te deitares
E depois não penses em nada
Pois também acontecem azares
Quando acordares já refeito
Faz a tua cama novamente
Com o teu melhor ar satisfeito
Por a estares fazendo contente
Será nela que te deitarás
Vais fazê-la até aprenderes
Que não podes voltar para trás
Tudo tem sua consequência
Mesmo se não a estás a ver
Usa bem tua inteligência
Quando vais tua cama fazer
Se o lençol tem um grande vinco
Vai-o alisando com esmero
Fá-lo quatro vezes ou cinco
Não sucumbas ao desespero
Compõe bem a tua almofada
Para com prazer te deitares
E depois não penses em nada
Pois também acontecem azares
Quando acordares já refeito
Faz a tua cama novamente
Com o teu melhor ar satisfeito
Por a estares fazendo contente
Provérbio provado rimado - DCLXXXVII
Toda a escolha precede uma acção
Um passo mais ou menos seguro
Que vai direitinho ao futuro
Mesmo errando na direcção
Quando a expectativa é alta
Falha o plano inicial
Ver-se que se errou é normal
Ser mais prudente faz falta
O que é certo nunca está provado
Cada vez que nasce a manhã
Às vezes é como ir buscar lã
E voltar no fim tosquiado
Um passo mais ou menos seguro
Que vai direitinho ao futuro
Mesmo errando na direcção
Quando a expectativa é alta
Falha o plano inicial
Ver-se que se errou é normal
Ser mais prudente faz falta
O que é certo nunca está provado
Cada vez que nasce a manhã
Às vezes é como ir buscar lã
E voltar no fim tosquiado
Provérbio provado rimado - DCLXXXVI
A Teresa é muito festiva
De se divertir não se esquiva
O que mais adora é dançar
Tenha ela ou não tenha par
Ela fecha os olhos na pista
Seja qual for o artista
Assim sente a batida melhor
À medida que lhe sobe o calor
Vai despindo as camadas
Das camisolas suadas
Às tantas já está de alças
E não pode despir as calças
Ela tem um bom jogo de ancas
Independentemente das tamancas
Quer é abanar o capacete
Todo o fim de semana repete
(Ilustração: Junkhead)
De se divertir não se esquiva
O que mais adora é dançar
Tenha ela ou não tenha par
Ela fecha os olhos na pista
Seja qual for o artista
Assim sente a batida melhor
À medida que lhe sobe o calor
Vai despindo as camadas
Das camisolas suadas
Às tantas já está de alças
E não pode despir as calças
Ela tem um bom jogo de ancas
Independentemente das tamancas
Quer é abanar o capacete
Todo o fim de semana repete
(Ilustração: Junkhead)
Provérbio provado rimado - DCLXXXV
Muito bem come o vilão
Principalmente se lho dão
Não se arma em esquisito
Isso então seria bonito
Pois quando alguém tem fome
Até duros cardos come
Prova também beldroegas
Com fome não se é piegas
Principalmente se lho dão
Não se arma em esquisito
Isso então seria bonito
Pois quando alguém tem fome
Até duros cardos come
Prova também beldroegas
Com fome não se é piegas
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
Provérbio provado rimado - DCLXXXIV
O Jorge alugou um café
E tomou por sócio o Zé
Mas a dita sociedade
Não correu bem na verdade
Agora gere sozinho
Sai-lhe bem do courinho
Balcão mesas e bar
E pouco pode descansar
Espera encontrar novo sócio
Para expandir o negócio
Mas com calma terá de ir
É de manhã à noite a bulir
O café enche com a bola
E cheira bastante a cebola
Quando se fazem patuscadas
Os ganhos são favas contadas
E tomou por sócio o Zé
Mas a dita sociedade
Não correu bem na verdade
Agora gere sozinho
Sai-lhe bem do courinho
Balcão mesas e bar
E pouco pode descansar
Espera encontrar novo sócio
Para expandir o negócio
Mas com calma terá de ir
É de manhã à noite a bulir
O café enche com a bola
E cheira bastante a cebola
Quando se fazem patuscadas
Os ganhos são favas contadas
Provérbio provado rimado - DCLXXXIII
Onde o rico é um pouco excêntrico
O pobre é um maluco idêntico
A sua sina é diferente
Um anda sempre contente
Mas mais vale de pobre filho
Embora talvez maltrapilho
Que ser escravo de rico
O ditado não é mexerico
O pobre é um maluco idêntico
A sua sina é diferente
Um anda sempre contente
Mas mais vale de pobre filho
Embora talvez maltrapilho
Que ser escravo de rico
O ditado não é mexerico
Provérbio provado rimado - DCLXXXII
O Tomás é um depravado
Diz ele que é a mente sua
Mas exagera um bocado
A ver se me volta a ver nua
Conta ele que tem calores
Quando no meu corpo pensa
Não sei que faz a tais ardores
Para poder notar a diferença
Que responderei ao Tomás
Para que mostre desempenho?
Anda lá com isso rapaz
Necessidade aguça o engenho
Diz ele que é a mente sua
Mas exagera um bocado
A ver se me volta a ver nua
Conta ele que tem calores
Quando no meu corpo pensa
Não sei que faz a tais ardores
Para poder notar a diferença
Que responderei ao Tomás
Para que mostre desempenho?
Anda lá com isso rapaz
Necessidade aguça o engenho
terça-feira, 15 de outubro de 2019
Provérbio provado num verso branco - LXIII
De noite é que sou teu e tu és minha
Quando é escuro como breu
É que as almas se deslumbram
Vultos imprecisos que se iluminam
Sussurram e suspiram
Enchem os lábios de promessas
Até os estores começarem a subir com a claridade
Onde a realidade é uma bofetada
E a dádiva é morta
Só sabemos ser separados de dia
Quando é escuro como breu
É que as almas se deslumbram
Vultos imprecisos que se iluminam
Sussurram e suspiram
Enchem os lábios de promessas
Até os estores começarem a subir com a claridade
Onde a realidade é uma bofetada
E a dádiva é morta
Só sabemos ser separados de dia
Provérbio provado rimado - DCLXXXI
Se uma tempestade houver
E te inundar todo o prédio
Sabias que quando Deus quer
Até água fria é remédio?
Escusas de à farmácia ir
Ou sequer ao senhor doutor
Já que não irás sucumbir
Se não o quiser o Criador
E te inundar todo o prédio
Sabias que quando Deus quer
Até água fria é remédio?
Escusas de à farmácia ir
Ou sequer ao senhor doutor
Já que não irás sucumbir
Se não o quiser o Criador
Provérbio provado rimado - DCLXXX
Onde são maus os polícias
Podem surgir as milícias
São grupos sem preparação
Que não podem fazer detenção
Dedicam-se a amedrontar
Quem vai na rua a passar
Sem ter culpas no cartório
O seu método é aleatório
Querem semear o pavor
São da violência a favor
Louvam a raça caucasiana
São uns caras de cu à paisana
Podem surgir as milícias
São grupos sem preparação
Que não podem fazer detenção
Dedicam-se a amedrontar
Quem vai na rua a passar
Sem ter culpas no cartório
O seu método é aleatório
Querem semear o pavor
São da violência a favor
Louvam a raça caucasiana
São uns caras de cu à paisana
Provérbio provado rimado - DCLXXIX
Vê lá se és mais mãos largas
E abres os cordões à bolsa
Ou terás noites amargas
Sem a companhia da moça
Só queres despender trinta
Melhor se fôra o dobro
Terias cama com pinta
Própria para teu recobro
Assim não te safas borracho
Ela vai dar-te com os pés
Ficarás com cara de tacho
Pois só terás cafunés
E abres os cordões à bolsa
Ou terás noites amargas
Sem a companhia da moça
Só queres despender trinta
Melhor se fôra o dobro
Terias cama com pinta
Própria para teu recobro
Assim não te safas borracho
Ela vai dar-te com os pés
Ficarás com cara de tacho
Pois só terás cafunés
Provérbio provado baralhado
Que mais queres que te diga acerca da Virgínia, Paulo? Já te disse que não te metas nisso! Eu já te conheço, pá, vais chegar ao pé dela na pontinha dos pés, cheio de medo de amarfanhar a tua camisa bem engomada, a medir cada palavra com régua e esquadro. A Virgínia gosta de gente espontânea, não de pessoas que pensam mil vezes para não errar. Com ela é sim ou não, Paulo, não há nins!
Já a conheço desde a adolescência - e se a conheço bem! Toda a sua vida foi errática, foi aprendendo às cabeçadas, a pisar em falso constantemente, a cagar-se de alto para quem se ri das suas quedas. A Virgínia não olha para os falhanços como o fim da estrada, vê a rejeição como um sinal de viragem numa nova direcção.
Foi sempre assim em tudo, principalmente nas relações que terminam muitas vezes de forma dramática. Ela não deixa pedra sobre pedra; é daquelas mulheres que põe fogo ao circo e depois não fica quietinha à espera que chegue um bombeiro - como tu, pá, por exemplo gostarias de apagar competente e calmamente o incêndio. Não!, a Virgínia agarra ela mesma na mangueira e ressurge renascida de entre as cinzas, como se nada tivesse ocorrido. Num minuto está de calças rasgadas e cabelo desgrenhado, no instante seguinte aparece de vestido e saltos altos, impecavelmente penteada e maquilhada.
Às vezes, dou por mim a pensar que a Virgínia é mesmo uma personagem dum filme, assim uma coisa meio trágico-cómica, consegues ver? Por isso é que eu te digo - ouve bem o que eu te digo, Paulo! -, ela não é como as outras mulheres que tens conhecido por aí. Vai dar-te cabo da cabeça, destabilizar-te a vidinha toda, pá, como já vi suceder a outros gajos até mais espertos do que tu. É que lá está: ela é mais vivida do que tu, mais inteligente do que tu e os teus amigos todos juntos, a Virgínia é mais homem que muito homem.
Mas que mais te hei-de dizer para tirares dali a ideia, Paulo? Bem sabes que sou muito amigo dela, mas também sou teu e tenho o dever de te avisar...
Uma vez chateei-me a sério com a Virgínia: pediu-me conselhos - coisa invulgar nela -, e pôs-se a falar sozinha, a responder às suas próprias perguntas e depois desse bonito serviço ainda se pôs a questionar sobre a veracidade das respostas, foi um autêntico diálogo de surdos. Claro que não fiquei chateado muito tempo - para quê? -, porque sei que se fosse preciso se esqueceria do umbigo para me ajudar: dar-me-ia o único casaco numa noite de Inverno e a sua última côdea.
A Virgínia é uma pessoa encantadora e ao pé dela nunca há tédio, só óptimas conversas intermináveis. Claro que divaga imenso e é capaz de passar da Primeira Grande Guerra à segunda lei da termodinâmica num piscar de olhos... mas já estou habituado a essas súbitas mudanças no discurso. Ela é muito faladora, extravagante, expansiva e apaixonante. Vai seguramente deixar uma marca na minha vida, lembrar-me-ei sempre dela e daquela sua forma única de levar a existência. Mas como amiga, como uma boa amiga, percebes Paulo?, sabendo que é um poço de defeitos e qualidades e que nunca se sabe o que sai do balde a cada dia.
Pois é, rapaz, estou a dizer-te estas coisas todas, pois estou a topar-te: mortinho por lhe dares a mão de olhos fechados, logo tu que és um medricas do caraças! E escusava de ter estado para aqui a gastar o meu latim, podia simplesmente ter-te dito que a Virgínia
- Não joga com o baralho todo
Já a conheço desde a adolescência - e se a conheço bem! Toda a sua vida foi errática, foi aprendendo às cabeçadas, a pisar em falso constantemente, a cagar-se de alto para quem se ri das suas quedas. A Virgínia não olha para os falhanços como o fim da estrada, vê a rejeição como um sinal de viragem numa nova direcção.
Foi sempre assim em tudo, principalmente nas relações que terminam muitas vezes de forma dramática. Ela não deixa pedra sobre pedra; é daquelas mulheres que põe fogo ao circo e depois não fica quietinha à espera que chegue um bombeiro - como tu, pá, por exemplo gostarias de apagar competente e calmamente o incêndio. Não!, a Virgínia agarra ela mesma na mangueira e ressurge renascida de entre as cinzas, como se nada tivesse ocorrido. Num minuto está de calças rasgadas e cabelo desgrenhado, no instante seguinte aparece de vestido e saltos altos, impecavelmente penteada e maquilhada.
Às vezes, dou por mim a pensar que a Virgínia é mesmo uma personagem dum filme, assim uma coisa meio trágico-cómica, consegues ver? Por isso é que eu te digo - ouve bem o que eu te digo, Paulo! -, ela não é como as outras mulheres que tens conhecido por aí. Vai dar-te cabo da cabeça, destabilizar-te a vidinha toda, pá, como já vi suceder a outros gajos até mais espertos do que tu. É que lá está: ela é mais vivida do que tu, mais inteligente do que tu e os teus amigos todos juntos, a Virgínia é mais homem que muito homem.
Mas que mais te hei-de dizer para tirares dali a ideia, Paulo? Bem sabes que sou muito amigo dela, mas também sou teu e tenho o dever de te avisar...
Uma vez chateei-me a sério com a Virgínia: pediu-me conselhos - coisa invulgar nela -, e pôs-se a falar sozinha, a responder às suas próprias perguntas e depois desse bonito serviço ainda se pôs a questionar sobre a veracidade das respostas, foi um autêntico diálogo de surdos. Claro que não fiquei chateado muito tempo - para quê? -, porque sei que se fosse preciso se esqueceria do umbigo para me ajudar: dar-me-ia o único casaco numa noite de Inverno e a sua última côdea.
A Virgínia é uma pessoa encantadora e ao pé dela nunca há tédio, só óptimas conversas intermináveis. Claro que divaga imenso e é capaz de passar da Primeira Grande Guerra à segunda lei da termodinâmica num piscar de olhos... mas já estou habituado a essas súbitas mudanças no discurso. Ela é muito faladora, extravagante, expansiva e apaixonante. Vai seguramente deixar uma marca na minha vida, lembrar-me-ei sempre dela e daquela sua forma única de levar a existência. Mas como amiga, como uma boa amiga, percebes Paulo?, sabendo que é um poço de defeitos e qualidades e que nunca se sabe o que sai do balde a cada dia.
Pois é, rapaz, estou a dizer-te estas coisas todas, pois estou a topar-te: mortinho por lhe dares a mão de olhos fechados, logo tu que és um medricas do caraças! E escusava de ter estado para aqui a gastar o meu latim, podia simplesmente ter-te dito que a Virgínia
- Não joga com o baralho todo
Provérbio provado rimado - DCLXXVIII
Onde muitos costumam tropeçar
Sempre algum se há-de espalhar
Mas quem nunca se aventurou
Esse nunca perdeu nem ganhou
Sempre algum se há-de espalhar
Mas quem nunca se aventurou
Esse nunca perdeu nem ganhou
Provérbio provado rimado - DCLXXVII
Perturba a administração hospitalar
Tantos doentes sempre a chegar
Que raio de ideia porem-se a adoecer
Assim uma empresa não consegue render
Aguardam a triagem horas a fio
De preferência sem largar um pio
No pulso lhes põem pulseiras às cores
Que não correspondem às suas dores
Pelo próprio pé muitos deles entram
Mas logo uma cama cedo frequentam
E estão sempre a dizer mal da comida
Mas que gentinha mal agradecida
Os sábios doutores e as enfermeiras
Às vezes não conhecem as boas maneiras
E mesmo as benditas auxiliares
Prestam cuidados com muitos esgares
No SNS estar-se hospitalizado
É uma aventura que assusta um bocado
Uma pessoa tem o coração nas mãos
Enquanto se agarra aos corrimãos
E quando por fim a alta recebe
Outro desgraçado provindo da plebe
Lhe ocupa a cama e a arrastadeira
Teme lá passar a semana inteira
Mas não é nada mau dali poder sair
Há quem simplesmente não tenha p'ra onde ir
E quem só saia num saco de plástico
A rima falou sério de modo sarcástico
(Ilustração: Maria Antónia Gomes)
Tantos doentes sempre a chegar
Que raio de ideia porem-se a adoecer
Assim uma empresa não consegue render
Aguardam a triagem horas a fio
De preferência sem largar um pio
No pulso lhes põem pulseiras às cores
Que não correspondem às suas dores
Pelo próprio pé muitos deles entram
Mas logo uma cama cedo frequentam
E estão sempre a dizer mal da comida
Mas que gentinha mal agradecida
Os sábios doutores e as enfermeiras
Às vezes não conhecem as boas maneiras
E mesmo as benditas auxiliares
Prestam cuidados com muitos esgares
No SNS estar-se hospitalizado
É uma aventura que assusta um bocado
Uma pessoa tem o coração nas mãos
Enquanto se agarra aos corrimãos
E quando por fim a alta recebe
Outro desgraçado provindo da plebe
Lhe ocupa a cama e a arrastadeira
Teme lá passar a semana inteira
Mas não é nada mau dali poder sair
Há quem simplesmente não tenha p'ra onde ir
E quem só saia num saco de plástico
A rima falou sério de modo sarcástico
(Ilustração: Maria Antónia Gomes)
Provérbio provado rimado - DCLXXVI
O que possas fazer amanhã
Pela calminha matinal
Não faças hoje com afã
Pois será depressa e mal
Sabes o que diz o ditado
Fazer depressa e bem
Fica mal alinhavado
E há muito pouco quem
Pela calminha matinal
Não faças hoje com afã
Pois será depressa e mal
Sabes o que diz o ditado
Fazer depressa e bem
Fica mal alinhavado
E há muito pouco quem
Provérbio provado rimado - DCLXXV
Partida largada fugida
É a história da vida
Essa eterna corrida
Tantas vezes destemida
Parece uma brincadeira
Por vezes tal é a maneira
Como chega sorrateira
De longe tão forasteira
Sempre a dar-nos lições
Andamos aos tropeções
À procura de definições
Para as nossas confusões
É a história da vida
Essa eterna corrida
Tantas vezes destemida
Parece uma brincadeira
Por vezes tal é a maneira
Como chega sorrateira
De longe tão forasteira
Sempre a dar-nos lições
Andamos aos tropeções
À procura de definições
Para as nossas confusões
sexta-feira, 11 de outubro de 2019
Provérbio provado rimado - DCLXXIV
A Mena não é flor que se cheire
Desprezível não vale um alqueire
Torna-se impossível conviver
Com ela o que hei-de fazer?
Uma coisa há a decidir
A Mena não me vai ver mais rir
E dou por encerrado o discurso
Não a quero no meu percurso
As que são mais dissimuladas
Que a ela andem abraçadas
E depois falem mal por trás
Essa gente de tudo é capaz
Desprezível não vale um alqueire
Torna-se impossível conviver
Com ela o que hei-de fazer?
Uma coisa há a decidir
A Mena não me vai ver mais rir
E dou por encerrado o discurso
Não a quero no meu percurso
As que são mais dissimuladas
Que a ela andem abraçadas
E depois falem mal por trás
Essa gente de tudo é capaz
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