Se estás sempre a procrastinar
Para as calendas gregas deixar
Informo-te já que esse dia
No calendário não existia
Por isso deixa de adiar
Que a vida não vai esperar
Em ti podes ter confiança
Mais ânimo e perseverança
segunda-feira, 8 de julho de 2019
Provérbio provado rimado - DCIX
O Faustino é um amargurado
Pelos erros do seu passado
De manhã acorda de trombas
Com vontade de colocar bombas
Ele nunca está satisfeito
Tem se um aperto no peito
Cada frase é uma alfinetada
Porque não pode dar bofetada
É uma pena que o Faustino
Seja infeliz desde menino
Consigo mesmo não tem paz
Assim é desde que foi rapaz
Nunca um mero sorriso
Se lhe aflora ao semblante
Ele está sempre de sobreaviso
Com mais trombas que um elefante
(Ilustração: Junkhead)
Pelos erros do seu passado
De manhã acorda de trombas
Com vontade de colocar bombas
Ele nunca está satisfeito
Tem se um aperto no peito
Cada frase é uma alfinetada
Porque não pode dar bofetada
É uma pena que o Faustino
Seja infeliz desde menino
Consigo mesmo não tem paz
Assim é desde que foi rapaz
Nunca um mero sorriso
Se lhe aflora ao semblante
Ele está sempre de sobreaviso
Com mais trombas que um elefante
(Ilustração: Junkhead)
Provérbio provado rimado - DCVIII
Sabias que há muitas maneiras
De as chatas pulgas matar?
Umas são só brincadeiras
Outras servem para não infestar
Assim é com as situações
Que te andam a molestar
Há um rol de soluções
Para que delas te possas livrar
É simples chegar à resposta
Põe a cabeça a trabalhar
Alguma pode ser uma bosta
Que só te vem atrapalhar
Não desistas perante a desgraça
Vai em frente sem hesitar
E prova lesto a tua raça
Quem és vais às pulgas mostrar
De as chatas pulgas matar?
Umas são só brincadeiras
Outras servem para não infestar
Assim é com as situações
Que te andam a molestar
Há um rol de soluções
Para que delas te possas livrar
É simples chegar à resposta
Põe a cabeça a trabalhar
Alguma pode ser uma bosta
Que só te vem atrapalhar
Não desistas perante a desgraça
Vai em frente sem hesitar
E prova lesto a tua raça
Quem és vais às pulgas mostrar
Provérbio provado rimado - DCVII
Nunca sabemos o futuro
Mas conhecemos o presente
O amanhã é um muro
Que se nos atravessa à frente
O que virá é um misto
De ganas e intuição
Basta aprendermos isto
Não haver antecipação
Quando a esperança ilumina
E o desespero nos cega
O futuro não discrimina
Só depende da nossa entrega
Mas conhecemos o presente
O amanhã é um muro
Que se nos atravessa à frente
O que virá é um misto
De ganas e intuição
Basta aprendermos isto
Não haver antecipação
Quando a esperança ilumina
E o desespero nos cega
O futuro não discrimina
Só depende da nossa entrega
Provérbio provado rimado - DCVI
Sem medo de soar pirosa
Gostava de voar contigo
E nesta rima pavorosa
Ficar a teu lado sem perigo
Alugar um T1 mal parido
Para juntarmos os trapinhos
No subúrbio mais refundido
Onde fôssemos felizes sozinhos
Só eu e tu mais ninguém
E uns vizinhos barulhentos
Com um cão e um gato também
Jantaradas e muitos eventos
Teríamos uma kitchnette
Com os canos entupidos
Assim era também a retrete
Que nos receberia despidos
O senhorio era um chato
Com a renda ao dia oito
O nosso amor ao desbarato
Toda a hora a molhar o biscoito
Gostava de voar contigo
E nesta rima pavorosa
Ficar a teu lado sem perigo
Alugar um T1 mal parido
Para juntarmos os trapinhos
No subúrbio mais refundido
Onde fôssemos felizes sozinhos
Só eu e tu mais ninguém
E uns vizinhos barulhentos
Com um cão e um gato também
Jantaradas e muitos eventos
Teríamos uma kitchnette
Com os canos entupidos
Assim era também a retrete
Que nos receberia despidos
O senhorio era um chato
Com a renda ao dia oito
O nosso amor ao desbarato
Toda a hora a molhar o biscoito
Provérbio provado rimado - DCV
Enquanto o diabo esfrega um olho
Já está terminada a tarefa
Perguntei se o diabo é zarolho
Que não disse a tia Josefa
Então porque não esfrega os dois?
Tornei a perguntar à tia
Porque o mafarrico depois
Os malvados não apanharia
Que seja cego surdo e mudo
E não ouça que o nomeias
Já lhe basta ser grande cornudo
Ter todas as divisões cheias
De boas intenções no inferno
Nunca ouviste dizer ó sobrinha?
Que eu fique no meu sono eterno
Bem longe dessa ardente casinha
Já está terminada a tarefa
Perguntei se o diabo é zarolho
Que não disse a tia Josefa
Então porque não esfrega os dois?
Tornei a perguntar à tia
Porque o mafarrico depois
Os malvados não apanharia
Que seja cego surdo e mudo
E não ouça que o nomeias
Já lhe basta ser grande cornudo
Ter todas as divisões cheias
De boas intenções no inferno
Nunca ouviste dizer ó sobrinha?
Que eu fique no meu sono eterno
Bem longe dessa ardente casinha
Provérbio provado rimado - DCIV
É tão bom passar pelas brasas
Leva-nos num sonho com asas
E até a almofada babamos
Assim vimos quando acordamos
Pode até ser só meia hora
Para aquele que a sesta adora
Sente-se como que renovado
Depois do sono retemperado
A sesta ser lei devia
Para devolver a energia
Da fadiga pós prandial
Que ataca qualquer comensal
Leva-nos num sonho com asas
E até a almofada babamos
Assim vimos quando acordamos
Pode até ser só meia hora
Para aquele que a sesta adora
Sente-se como que renovado
Depois do sono retemperado
A sesta ser lei devia
Para devolver a energia
Da fadiga pós prandial
Que ataca qualquer comensal
sábado, 6 de julho de 2019
Provérbio provado rimado - DCIII
Ao dares água sem caneca
Queres é que o outro se amanhe
Que tenha força e estaleca
E nele a vontade se entranhe
Mas é decisão questionável
Não pores à disposição
De alguém o que é desejável
É que lhe ofereças a mão
Queres é que o outro se amanhe
Que tenha força e estaleca
E nele a vontade se entranhe
Mas é decisão questionável
Não pores à disposição
De alguém o que é desejável
É que lhe ofereças a mão
sexta-feira, 5 de julho de 2019
Provérbio provado rimado - DCII
Se muito te lavas e pouco te enxugas
Ficas com a alma cheia de rugas
Não queiras saber o que quero dizer
Pois até a mim custa compreender
A alma jovem é mais saudável
Mesmo que assim permaneça instável
Dá-se a todos independentemente
Do que tiver a ganhar com a gente
Assim terás talvez percebido
O meu discurso pré concebido
E não ficarás de braços cruzados
Ao ler hoje os Provérbios Provados
Vais dar de ti até ao fim do dia
Com mais arroubo encanto e poesia
Chegado à noite não me agradeças
Pois amanhã de novo começas
Ficas com a alma cheia de rugas
Não queiras saber o que quero dizer
Pois até a mim custa compreender
A alma jovem é mais saudável
Mesmo que assim permaneça instável
Dá-se a todos independentemente
Do que tiver a ganhar com a gente
Assim terás talvez percebido
O meu discurso pré concebido
E não ficarás de braços cruzados
Ao ler hoje os Provérbios Provados
Vais dar de ti até ao fim do dia
Com mais arroubo encanto e poesia
Chegado à noite não me agradeças
Pois amanhã de novo começas
quinta-feira, 4 de julho de 2019
Provérbio provado rimado - DCI
O Rui combinou com a Gorete
Encontrarem-se hoje às sete
Querida vai lá ter a casa
Vamos ver se ninguém se atrasa
Ele ficou até tarde acordado
Com o livro que lia interessado
De manhã o Rui adormeceu
E ela com o nariz na porta bateu
Não adiantou por mais que tocasse
Que o Rui da cama abdicasse
Mergulhado num sono profundo
Esquecido que existia mundo
Encontrarem-se hoje às sete
Querida vai lá ter a casa
Vamos ver se ninguém se atrasa
Ele ficou até tarde acordado
Com o livro que lia interessado
De manhã o Rui adormeceu
E ela com o nariz na porta bateu
Não adiantou por mais que tocasse
Que o Rui da cama abdicasse
Mergulhado num sono profundo
Esquecido que existia mundo
Provérbio provado rimado - DC
Estratagemas debaixo do pano
Não faltam na sociedade
Há por aí tanto engano
Tanta gente a faltar à verdade
Dinheiro por baixo da mesa
E pela porta do cavalo
Foge aos impostos com certeza
Vai para o bolso que é um regalo
Não faltam na sociedade
Há por aí tanto engano
Tanta gente a faltar à verdade
Dinheiro por baixo da mesa
E pela porta do cavalo
Foge aos impostos com certeza
Vai para o bolso que é um regalo
Provérbio provado madrugado
Já estou reformado há cerca de dez anos, mas os mais de cinquenta anos de trabalho deixaram-me hábitos madrugadores. Não preciso de despertador: às seis horas salto da cama com mais energia que um jovem de vinte anos.
Eu ainda esbanjo saúde, felizmente, mas a minha bem amada Adelina que Deus tem deixou-me há dois anos, corroída pela velhice. A dada altura, começou a ficar alheada e sem expressão e a memória só recordava o passado mais distante. Foi um dó de alma ver a Adelina de repente uma velhinha, dependente de mim para tudo. Na saúde e na doença, até que a morte nos separe, não é? Estou longe de ser perfeito, mas cumpri o meu papel de marido dedicado até ao fim. A Clarinha, a nossa filha, ajudava como podia, mas com duas crianças pequenas não podia desdobrar-se muito mais.
A seguir à morte da Adelina senti um vazio imenso, mas durou pouco pois a minha necessidade de ser útil cedo encontrou nos netos uma via. Agora acordo, faço a minha higiene diária e recebo-os muito cedinho em casa. A Clarinha entrega-mos ainda ensonados e cheios de remelas para que lhes dê o pequeno almoço e os leve à escola. Mais que uma obrigação, tenho um propósito que me impele a saltar da cama com alegria: ver os meus netos crescer todos os dias mais um bocadinho.
- De manhã é que se começa o dia
Eu ainda esbanjo saúde, felizmente, mas a minha bem amada Adelina que Deus tem deixou-me há dois anos, corroída pela velhice. A dada altura, começou a ficar alheada e sem expressão e a memória só recordava o passado mais distante. Foi um dó de alma ver a Adelina de repente uma velhinha, dependente de mim para tudo. Na saúde e na doença, até que a morte nos separe, não é? Estou longe de ser perfeito, mas cumpri o meu papel de marido dedicado até ao fim. A Clarinha, a nossa filha, ajudava como podia, mas com duas crianças pequenas não podia desdobrar-se muito mais.
A seguir à morte da Adelina senti um vazio imenso, mas durou pouco pois a minha necessidade de ser útil cedo encontrou nos netos uma via. Agora acordo, faço a minha higiene diária e recebo-os muito cedinho em casa. A Clarinha entrega-mos ainda ensonados e cheios de remelas para que lhes dê o pequeno almoço e os leve à escola. Mais que uma obrigação, tenho um propósito que me impele a saltar da cama com alegria: ver os meus netos crescer todos os dias mais um bocadinho.
- De manhã é que se começa o dia
Provérbio provado rimado - DXCIX
Muita tanga junta não há que saber
Tem mais buracos que um queijo gruyére
Assim é a Sónia está sempre a inventar
Ela come minhoca e arrota caviar
No ano passado disse que foi à América
Mas afinal não saiu da Península Ibérica
Todas as semanas diz que sushi come
Só que é capaz de até passar fome
Argumenta que compra calçado francês
Já a vi tanta vez a sair do chinês
Não percebo a razão de tamanha vaidade
De contar vantagem sobre a sua actividade
Provérbio provado rimado - DXCVIII
No teu prédio e imediações
Não sucumbas às comparações
Ou sentir-te-ás sempre sozinho
Que vida boa é a do vizinho
O vizinho anda na maior
Rodeado de imenso amor
Com o bolso tão recheado
O vizinho não compra fiado
Mas nem tudo é o que aparenta
Ele como tu sobreviver tenta
Não há estrada tão maravilhosa
Que não seja também montanhosa
Não sucumbas às comparações
Ou sentir-te-ás sempre sozinho
Que vida boa é a do vizinho
O vizinho anda na maior
Rodeado de imenso amor
Com o bolso tão recheado
O vizinho não compra fiado
Mas nem tudo é o que aparenta
Ele como tu sobreviver tenta
Não há estrada tão maravilhosa
Que não seja também montanhosa
quarta-feira, 3 de julho de 2019
Provérbio provado num verso branco - LIV
Muito racional é institucional
Desenhados a regra e esquadro
De linhas rectas se arquitectam
São o menor caminho entre dois pontos
Perder tempo com curvas é para os fracos
São edifícios que não desmoronam
Mestres na arte do auto controlo
Praticantes da fuga em frente
Sem dúvidas ou remorsos
Pessoas sem vincos sem vísceras
De humor inalterável superfície imaculada
Beberam todos da mesma cartilha
Dão palestras e aplaudem-se entre si
Elevaram-se a um tal pedestal
Que olham para baixo com condescendência
Para os que curvam ao sabor do acaso
Na mais longa mais fértil distância entre dois pontos
Desenhados a regra e esquadro
De linhas rectas se arquitectam
São o menor caminho entre dois pontos
Perder tempo com curvas é para os fracos
São edifícios que não desmoronam
Mestres na arte do auto controlo
Praticantes da fuga em frente
Sem dúvidas ou remorsos
Pessoas sem vincos sem vísceras
De humor inalterável superfície imaculada
Beberam todos da mesma cartilha
Dão palestras e aplaudem-se entre si
Elevaram-se a um tal pedestal
Que olham para baixo com condescendência
Para os que curvam ao sabor do acaso
Na mais longa mais fértil distância entre dois pontos
Provérbio provado rimado - DXCVII
Não sei contar até dez
O meu filtro é inexistente
Se implicas chega a tua vez
De ficar comigo descontente
Pois abro a boca e vai disto
Se me chega a mostarda ao nariz
E se reincidires insisto
Apesar de não ser como quis
Claro que depois me arrependo
De ser tão precipitada
Seria mais calma em podendo
Não ser criatura estouvada
O meu filtro é inexistente
Se implicas chega a tua vez
De ficar comigo descontente
Pois abro a boca e vai disto
Se me chega a mostarda ao nariz
E se reincidires insisto
Apesar de não ser como quis
Claro que depois me arrependo
De ser tão precipitada
Seria mais calma em podendo
Não ser criatura estouvada
Provérbio provado rimado - DXCVI
Com papinhas de aveia
Ou bolos de tuta e meia
Se enganam os tolos da vida
Com qualquer conversa fingida
Basta argumento demente
Ou até mesmo insipiente
Em tudo acreditam os tolos
É só dar-lhes papas e bolos
Ou bolos de tuta e meia
Se enganam os tolos da vida
Com qualquer conversa fingida
Basta argumento demente
Ou até mesmo insipiente
Em tudo acreditam os tolos
É só dar-lhes papas e bolos
Provérbio provado rimado - DXCV
Tudo passa a correr
Nesta vida tão fugaz
E eu tento compreender
Se de viver sou capaz
Se sou capaz de sorrir
Quando acordo com a telha
Calma hei-de conseguir
Estou a ficar cansada e velha
Que a falta de energia
Seja tão proporcional
A maior sabedoria
Em meu ser individual
Nesta vida tão fugaz
E eu tento compreender
Se de viver sou capaz
Se sou capaz de sorrir
Quando acordo com a telha
Calma hei-de conseguir
Estou a ficar cansada e velha
Que a falta de energia
Seja tão proporcional
A maior sabedoria
Em meu ser individual
Provérbio provado rimado - DXCIV
Quando discutimos um tema
Sobre o qual pouco sabemos
Pode gerar um problema
E menos até percebemos
Se as pessoas com quem discutimos
Ainda sabem menos que nós
A uma má discussão assistimos
Cada um quer ter sua voz
Mas também surge ideia brilhante
De uma boa mente iluminada
Aqui surge conversa importante
Que deve ser compartilhada
Se é fértil a discussão
E boas conclusões produz
Aplica-se o provérbio então
Da discussão nasce a luz
Sobre o qual pouco sabemos
Pode gerar um problema
E menos até percebemos
Se as pessoas com quem discutimos
Ainda sabem menos que nós
A uma má discussão assistimos
Cada um quer ter sua voz
Mas também surge ideia brilhante
De uma boa mente iluminada
Aqui surge conversa importante
Que deve ser compartilhada
Se é fértil a discussão
E boas conclusões produz
Aplica-se o provérbio então
Da discussão nasce a luz
Provérbio provado rimado - DXCIII
Eu cá gosto do calor
Daquele que até faz vapor
O frio deixa-me zangada
Não me apetece fazer nada
O calor dá-me energia
Vontade e alegria
Põe-me um sorriso no rosto
De manhã até ao sol posto
E as noites quentes de Verão
Prestam-se a muita diversão
Venha então o calor já faz falta
Para animar o semblante da malta
Vamos laurear a pevide
Desde Belém a Carnide
Seja praia campo ou cidade
Passeemos com diversidade
Daquele que até faz vapor
O frio deixa-me zangada
Não me apetece fazer nada
O calor dá-me energia
Vontade e alegria
Põe-me um sorriso no rosto
De manhã até ao sol posto
E as noites quentes de Verão
Prestam-se a muita diversão
Venha então o calor já faz falta
Para animar o semblante da malta
Vamos laurear a pevide
Desde Belém a Carnide
Seja praia campo ou cidade
Passeemos com diversidade
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