Não quero ser do Restelo
Velho amargo sem cabelo
Mas observo a juventude
E fico pasma com a atitude
Modernice não é coisa bera
Mas a tradição já não é o que era
Tudo se obtém de bandeja
Sem suor nem o que quer que seja
sábado, 29 de junho de 2019
Provérbio provado rimado - DXCI
Não andes sempre a repetir
O que fizeste no passado
Arrisca e procura descobrir
Não dá erva o chão pisado
O que fizeste no passado
Arrisca e procura descobrir
Não dá erva o chão pisado
sexta-feira, 28 de junho de 2019
Provérbio provado rimado - DXC
Há um sinal ortográfico
Por que tenho antipatia
Sei que é assaz bibliográfico
Mas é cá uma mania minha
Dele fujo constantemente
E abdico até do seu uso
É vaidoso e tão repelente
De o pôr nas frases recuso
São as aspas essas irritantes
Que indicam as citações
São vistosas e também pedantes
No texto são atribulações
Os diálogos elas assinalam
Mas creio-as desnecessárias
Pois quando as personagens falam
As aspas são enfim secundárias
Não é preciso que lá estejam
Para que o sentido se entenda
As aspas no discurso sobejam
Não me dêem qualquer reprimenda
Estão presentes numa expressão
Que designa uma concordância
Ou também uma repetição
Dum assunto que tem importância
Há quem dessa expressão exagere
Até se coçar cheio de caspas
E tal como esta rima sugere
É a conhecida idem aspas
Por que tenho antipatia
Sei que é assaz bibliográfico
Mas é cá uma mania minha
Dele fujo constantemente
E abdico até do seu uso
É vaidoso e tão repelente
De o pôr nas frases recuso
São as aspas essas irritantes
Que indicam as citações
São vistosas e também pedantes
No texto são atribulações
Os diálogos elas assinalam
Mas creio-as desnecessárias
Pois quando as personagens falam
As aspas são enfim secundárias
Não é preciso que lá estejam
Para que o sentido se entenda
As aspas no discurso sobejam
Não me dêem qualquer reprimenda
Estão presentes numa expressão
Que designa uma concordância
Ou também uma repetição
Dum assunto que tem importância
Há quem dessa expressão exagere
Até se coçar cheio de caspas
E tal como esta rima sugere
É a conhecida idem aspas
Provérbio provado rimado - DLXXXIX
Lembra-te de ser previdente
E dos factos da vida presente
Planeia os passos que dás
Com cuidado que tu és capaz
Espera com calma na fila
Se a vida for coisa tranquila
Terás certo o teu lugar
A fortuna irás conjugar
Se no entanto se anteceder
O que pretendias fazer
Sossega e bem fundo inspira
À tona dos factos respira
Nem sempre irás conseguir
Poderás porém te afligir
Já que cessa assim a prudência
Quando falta a paciência
E dos factos da vida presente
Planeia os passos que dás
Com cuidado que tu és capaz
Espera com calma na fila
Se a vida for coisa tranquila
Terás certo o teu lugar
A fortuna irás conjugar
Se no entanto se anteceder
O que pretendias fazer
Sossega e bem fundo inspira
À tona dos factos respira
Nem sempre irás conseguir
Poderás porém te afligir
Já que cessa assim a prudência
Quando falta a paciência
Provérbio provado rimado - DLXXXVIII
O Luís é um bicho do mato
Muito esquivo e anti social
Sobrevive no anonimato
Crê que a sua atitude é normal
Cada vez que há reunião
Uma jantarada ou festa
O Luís tem a opinião
De que é uma coisa funesta
Não gosta de sair do ninho
É solitária criatura
Fica sempre no seu cantinho
Que não é amistoso ele jura
Muito esquivo e anti social
Sobrevive no anonimato
Crê que a sua atitude é normal
Cada vez que há reunião
Uma jantarada ou festa
O Luís tem a opinião
De que é uma coisa funesta
Não gosta de sair do ninho
É solitária criatura
Fica sempre no seu cantinho
Que não é amistoso ele jura
Provérbio provado rimado - DLXXXVII
Modelos e cavalos de corridas
Têm as pernas compridas
Para galgar as passarelas
E trepar por sobre as janelas
São profissões passageiras
Quase parecem brincadeiras
Mas puxam pelo corpinho
Que o diga o cavalinho
Mas que raio de comparação
Ambos são moda da estação
Servem interesses de negócio
E vaidades patetas do ócio
Quando ganham renome
Já passaram imensa fome
Após criarem a fama
Já se podem deitar na cama
Um dia de qualquer maneira
São postos na prateleira
E para sempre são esquecidos
Foram heróis arrefecidos
Têm as pernas compridas
Para galgar as passarelas
E trepar por sobre as janelas
São profissões passageiras
Quase parecem brincadeiras
Mas puxam pelo corpinho
Que o diga o cavalinho
Mas que raio de comparação
Ambos são moda da estação
Servem interesses de negócio
E vaidades patetas do ócio
Quando ganham renome
Já passaram imensa fome
Após criarem a fama
Já se podem deitar na cama
Um dia de qualquer maneira
São postos na prateleira
E para sempre são esquecidos
Foram heróis arrefecidos
Provérbio provado rimado - DLXXXVI
Maria estás cheia de apetite
Não te preocupes com a celulite
Tens a barriga a dar horas
Já não perdes pelas demoras
Vai directa comer a sopinha
O bife grelhado e a saladinha
E já no fim para terminar
Um bom gelado vais enfardar
Não te preocupes com a celulite
Tens a barriga a dar horas
Já não perdes pelas demoras
Vai directa comer a sopinha
O bife grelhado e a saladinha
E já no fim para terminar
Um bom gelado vais enfardar
Provérbio provado rimado - DLXXXV
Atirei o pau ao gato
É tão desastrada canção
Violenta com aparato
Põe o bicho em muita tensão
O pobre do bichaninho
Existe noutra expressão
Aqui há gato mansinho
Que às vezes é um tigrão
Significa que se desconfia
De determinada situação
Mas pode ser só uma mania
Desajustada reacção
É tão desastrada canção
Violenta com aparato
Põe o bicho em muita tensão
O pobre do bichaninho
Existe noutra expressão
Aqui há gato mansinho
Que às vezes é um tigrão
Significa que se desconfia
De determinada situação
Mas pode ser só uma mania
Desajustada reacção
Provérbio provado rimado - DLXXXIV
Lançar a semente lançar
Sem a terra primeiro adubar
E plantar sem nenhum cuidado
Nesse solo mal amanhado
É caminho para uma colheita
Que tem tudo para ser imperfeita
Porque cada um vai colher
O que semeou com descrer
Sem a terra primeiro adubar
E plantar sem nenhum cuidado
Nesse solo mal amanhado
É caminho para uma colheita
Que tem tudo para ser imperfeita
Porque cada um vai colher
O que semeou com descrer
Provérbio provado rimado - DLXXXIII
Eu sempre gostei de escrever
Mas nunca andei a aprender
Simplesmente muito pratico
Nenhum dia parada eu fico
Seja prosa ou poesia
De escrever eu tenho a mania
Seja séria ou com chalaça
Dou um ar da minha graça
Às vezes lá fico a olhar
Quando a rima estou a terminar
E penso que não faz sentido
Que não é nada divertido
Mas publico-a mesmo assim
Levo a coisa até ao fim
E sigo para bingo contente
O caminho é sempre em frente
Mas nunca andei a aprender
Simplesmente muito pratico
Nenhum dia parada eu fico
Seja prosa ou poesia
De escrever eu tenho a mania
Seja séria ou com chalaça
Dou um ar da minha graça
Às vezes lá fico a olhar
Quando a rima estou a terminar
E penso que não faz sentido
Que não é nada divertido
Mas publico-a mesmo assim
Levo a coisa até ao fim
E sigo para bingo contente
O caminho é sempre em frente
Provérbio provado rimado - DLXXXII
Na minha praia é Inverno
Ao sabor das marés eu vivo
Habito o meu próprio inferno
Com as tempestades convivo
Eu raramente me acalmo
O vento forte é meu companheiro
Sempre soube que um mar calmo
Nunca fez um bom marinheiro
Ao sabor das marés eu vivo
Habito o meu próprio inferno
Com as tempestades convivo
Eu raramente me acalmo
O vento forte é meu companheiro
Sempre soube que um mar calmo
Nunca fez um bom marinheiro
Provérbio provado rimado - DLXXXI
A casinha é uma maravilha
Onde convive a pandilha
É uma malta muito querida
Que trata bem a Margarida
Nunca foi preciso banir
Nunca aqui me pude afligir
Adoro todos os momentos
Sois todos bons elementos
Mas se um dia houver chatice
E se alguém fizer uma tolice
Será logo expulso de cá
Pois só faz falta quem está
Onde convive a pandilha
É uma malta muito querida
Que trata bem a Margarida
Nunca foi preciso banir
Nunca aqui me pude afligir
Adoro todos os momentos
Sois todos bons elementos
Mas se um dia houver chatice
E se alguém fizer uma tolice
Será logo expulso de cá
Pois só faz falta quem está
Provérbio provado rimado - DLXXX
Quando um tiro é disparado
Sem que se veja o alvo
Pode atingir algo errado
Cuidado ninguém está a salvo
Acerta em qualquer pessoa
É tentativa sem certeza
Arremesso muito à toa
Que carece de delicadeza
Hipótese que se experimenta
Resultado que não se antevém
Um disparo que quando se tenta
Pode acertar ao lado também
No fundo isso é a vida
Um enorme tiro no escuro
Uma interrogação desmedida
Uma aposta cega no futuro
Sem que se veja o alvo
Pode atingir algo errado
Cuidado ninguém está a salvo
Acerta em qualquer pessoa
É tentativa sem certeza
Arremesso muito à toa
Que carece de delicadeza
Hipótese que se experimenta
Resultado que não se antevém
Um disparo que quando se tenta
Pode acertar ao lado também
No fundo isso é a vida
Um enorme tiro no escuro
Uma interrogação desmedida
Uma aposta cega no futuro
Provérbio provado rimado - DLXXIX
O destino traçado nas estrelas
É tão misteriosa expressão
Estão lá longe não consigo vê-las
E no entanto ao alcance da mão
Elas têm mais que fazer
Que traçar o nosso destino
Já lhes basta desfalecer
Depois do raiar matutino
Será que quando nascemos
Já temos o caminho traçado?
E o tanto que aprendemos
Só faz parte do passado?
Tantas vezes desconfiamos
Que não há destino nenhum
Mas noutras nos deparamos
Que é para o que nasce cada um
É tão misteriosa expressão
Estão lá longe não consigo vê-las
E no entanto ao alcance da mão
Elas têm mais que fazer
Que traçar o nosso destino
Já lhes basta desfalecer
Depois do raiar matutino
Será que quando nascemos
Já temos o caminho traçado?
E o tanto que aprendemos
Só faz parte do passado?
Tantas vezes desconfiamos
Que não há destino nenhum
Mas noutras nos deparamos
Que é para o que nasce cada um
Provérbio provado rimado - DLXXVIII
Livra-te do que não precisas
Se tens rotas as camisas
Ou tens amigo que não presta
Banco que nada te empresta
Na gaveta faca que não corta
Que se percam pouco importa
Vão para o lixo sem misericórdia
É lá o lugar da mixórdia
Se tens rotas as camisas
Ou tens amigo que não presta
Banco que nada te empresta
Na gaveta faca que não corta
Que se percam pouco importa
Vão para o lixo sem misericórdia
É lá o lugar da mixórdia
Provérbio provado rimado - DLXXVII
Com os ordenados de merda
Que neste país proliferam
A meio do mês já há perda
As casas de penhores prosperam
As rendas ainda por cima
Atingiram bárbaros limites
E qualquer um se lastima
Tem de negar todos os convites
Não se vive só se sobrevive
Isto assim é uma grande treta
A remar para trás inclusive
Meus amigos a coisa está preta
Que neste país proliferam
A meio do mês já há perda
As casas de penhores prosperam
As rendas ainda por cima
Atingiram bárbaros limites
E qualquer um se lastima
Tem de negar todos os convites
Não se vive só se sobrevive
Isto assim é uma grande treta
A remar para trás inclusive
Meus amigos a coisa está preta
Provérbio provado rimado - DLXXVI
Eu cá uso palavras caras
Que não são assim tão raras
Gosto de a língua dobrar
Não custa nada variar
Que a nossa língua portuguesa
É tão rica com toda a certeza
É preciso tirar-lhe o pó
Arejá-la não a deixar só
Se dou erros e me corrigem
Não percebo porque se afligem
Gosto de estar sempre a aprender
Se os ouço não me vou conter
Às vezes chamam-me chata
Acusam-me de ter muita lata
Por me armar em professora
Muito atenta e castradora
Mas também é uma vantagem
Não deixar ninguém à margem
Gosto muito de dar uma mão
E faço-o com satisfação
Que não são assim tão raras
Gosto de a língua dobrar
Não custa nada variar
Que a nossa língua portuguesa
É tão rica com toda a certeza
É preciso tirar-lhe o pó
Arejá-la não a deixar só
Se dou erros e me corrigem
Não percebo porque se afligem
Gosto de estar sempre a aprender
Se os ouço não me vou conter
Às vezes chamam-me chata
Acusam-me de ter muita lata
Por me armar em professora
Muito atenta e castradora
Mas também é uma vantagem
Não deixar ninguém à margem
Gosto muito de dar uma mão
E faço-o com satisfação
Provérbio provado desconversado
O Anacleto falava sozinho. Mal ouvia um tema que lhe despertava interesse havia como que uma mola que lhe disparava no cérebro e só parava no Samouco. Nem sequer reparava se o interlocutor estava a prestar atenção nem tão pouco se preocupava se este tinha algo a dizer sobre o assunto em questão: aí ia ele a mil à hora em verborreia vertiginosa. O pior era que o que dizia nem sequer era o resultado de uma maturada reflexão. Não, senhor!; o discurso do Anacleto era polvilhado de um misto de puro absurdo e disparate pegado e quem tivesse a infinita paciência de o escutar horas a fio não aprendia absolutamente nada.
Por isso ficou tão admirado quando um dia o Eugénio, já fartinho de o ouvir discorrer sobre o sexo dos anjos ateus que se abstêm nos referendos, se virou para ele de repente e lhe disse:
- Sabes, Anacleto; não sabes, é claro, senão já me tinhas perguntado se sequer acredito em anjos, homem!... Sabes que
- Bem dizer e bem ouvir é a arte de conversar
Por isso ficou tão admirado quando um dia o Eugénio, já fartinho de o ouvir discorrer sobre o sexo dos anjos ateus que se abstêm nos referendos, se virou para ele de repente e lhe disse:
- Sabes, Anacleto; não sabes, é claro, senão já me tinhas perguntado se sequer acredito em anjos, homem!... Sabes que
- Bem dizer e bem ouvir é a arte de conversar
Provérbio provado rimado - DLXXV
Quando a ovelha berra
Está distraída da terra
Assim perde o seu bocado
P'las outras é abocanhado
Nos humanos também é igual
Falar menos é essencial
Enquanto faladura botam
Perdem muito e nem notam
Está distraída da terra
Assim perde o seu bocado
P'las outras é abocanhado
Nos humanos também é igual
Falar menos é essencial
Enquanto faladura botam
Perdem muito e nem notam
Provérbio provado rimado - DLXXIV
Não venhas meter o bedelho
Pois não te pedi um conselho
Mete lá no saco a viola
Não preciso da tua esmola
Não gosto de intromissões
Muito menos de discussões
Por isso tem lá paciência
Deixa-me com a minha essência
Pois não te pedi um conselho
Mete lá no saco a viola
Não preciso da tua esmola
Não gosto de intromissões
Muito menos de discussões
Por isso tem lá paciência
Deixa-me com a minha essência
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