quinta-feira, 27 de junho de 2019

Provérbio provado rimado - DLXXI

Será que o pequeno Bernardo
Costuma comprar fiado?
Vai às compras constantemente
E hoje não vai ser diferente

O Bernardo é bem mandado
Quando vai ao supermercado
Às vezes leva uma lista
Que ele não é egoísta

Provérbio provado rimado - DLXX

O Belchior é um garoto
Que tem um problema no escroto
Ele não tem vida sexual
O que nessa doença é normal

Os médicos não atinam
Quando o escroto escrutinam
Qual a origem da maleita
Que a tanto mal o sujeita

O Belchior é um modelo
Um exemplo de tal flagelo
Estudo de caso apresentado
E em conferências citado

Infelizmente não melhora
Tem dores a toda a hora
Pobrezinho do Belchior
Que está cada vez pior

Provérbio provado rimado - DLXIX

Apresento-vos a Celestina
Que é muito boa menina
Mas é um bocado obtusa
Porque obstinada e confusa

A Celestina é teimosa
Chata e muito orgulhosa
Costuma às vezes dizer
Dessa água não hei-de beber

Se a pudesse aconselhar
Haveria de a acalmar
Dizer-lhe não faças promessas
Pelo menos não faças dessas

Pois Celestina o futuro
Às vezes tem um rumo duro
E é desagradável espelunca
Por isso nunca digas nunca

Provérbio provado rimado - DLXVIII

O Francisco é um passarão
Bem parecido e engravatado
Muito loquaz e sabichão
Nas letras e leis encartado

A sua expressão é grave
É rico o seu cantinho
Que conforme o aspecto da ave
Assim lhe corresponde o ninho

Se um dia bater a asa
E deixar contas por pagar
Batam-lhe à porta de casa
E só vão encontrar ar

Provérbio provado rimado - DLXVII

Quando me vêm melgar
E me querem estragar o dia
Mando-os logo pregar
Para outra freguesia

Provérbio provado rimado - DLXVI

Dum útero tu nasceste
E na sua sombra cresceste
Mas vais perecer qualquer dia
Do adeus terás melodia

Tu não sabes como será
Quando já não andares cá
Há mil modos de morrer
Mas só há um de nascer

terça-feira, 25 de junho de 2019

Provérbio provado num verso branco - LIII

No passeio ninguém ia a passeio
No passeio chovia um rio cinzento
No passeio corria um espelho nu

No passeio havia uma mão escondida
Uma mão que tiritava em silêncio
Com vergonha de se estender ao passeio

Havia uma barriga a dar horas
Sem memória da última refeição
Que não via passar quem comeu

Ninguém ia a passeio porque chovia
A mão escondida então pendeu
O relógio da barriga então parou
E a vergonha morreu de fome

Provérbio provado rimado - DLXV

Chamaste-me impraticável
E eu fiquei amuada
Mas olha não sou detestável
Sou boa pessoa e mais nada

Às vezes sou muito bruta
Sem filtro e sem reflexão
Falta-me ser mais astuta
Ter mais frio o coração

Não gosto quando me põem
Entre a espada e a parede
Directo me indispõem
Defendo-me logo sem rede

Provérbio provado rimado - DLXIV

Tem projectos e ambições
Não temas os encontrões
Atira-te ao trabalho cedo
De o fazer não tenhas medo

Produz muito sem receio
Mas olha sempre ao meio
Pois nem tudo se justifica
Como a razão te explica

Em suma faz teu dia voraz
Não duvides que és capaz
Sê forte mas sê correcto
Aceita que te lance este repto

Mas mantém a despensa cheia
Já que às vezes a vida é feia
Guarda sempre o que comer
Só não guardes o que fazer

domingo, 23 de junho de 2019

Provérbio provado rimado - DLXIII

O silêncio é sabedoria
Das palavras uma poupança
Falar muito uma mania
De quem faz das ideias a dança

Andam na cabeça a bailar
As ideias ao empurrão
Tantas vezes a atropelar
Outras vezes em contramão

Observa o mais que puderes
Pois assim irás aprender
E cala-te quando comeres
É a melhor forma de fazer

Cada coisa na sua altura
Já que quem come calado
Mantém uma sóbria postura
E assim não perde bocado

Provérbio provado rimado - DLXII

Para cima e para baixo
Numa evolução constante
Desde que não sejas capacho
Te penses sempre importante

E desejes sempre crescer
As circunstâncias não te iludam
Já que quando é para descer
Todos os santos te ajudam

Provérbio provado rimado - DLXI

A Cila é a minha madrinha
Desde que foi o meu baptizado
E além de ser prima minha
Tem estado sempre ao meu lado

Às vezes estamos mais distantes
Mas a ligação não perdemos
É a vida e as condicionantes
Prioridades que estabelecemos

Quando enfim nos reunimos
O tempo como que não passou
Umas vezes choramos outras rimos
Falamos de quem foi e ficou

É pessoa de quem gosto tanto
E tem sempre um conselho bom
Mesmo quando reajo com espanto
Quando eu estou fora do tom

Ensina-me a saber esperar
A ter calma como convém
Se a vida não está a ajudar
Que há males que vêm por bem

Provérbio provado rimado - DLX

Namorado muito ciumento
É igual à besta muar
Por mais que se prove um evento
Sempre uns coices hão-de dar

Tudo lhe cheira a esturro
Da verdade nada é abono
Por isso albarda-se o burro
Ao que for a vontade do dono

Que o ciúme e a teimosia
Dúvida constante e gratuita
Insistem na aleivosia
Na desconfiança fortuita

É dar razão ao burrito
E até aumentar a parada
Pode ser que afinal o dito
Perceba que não vale nada

Que não há razão na tortura
Psicológica que inflige
E desista enfim da postura
E da rigidez que exige

sábado, 22 de junho de 2019

Provérbio provado rimado - DLIX

Foi assim que a Alemanha
Se diz que perdeu a guerra
É assim que se arreganha
Quem em si esse fetiche encerra

É um pouco fora da caixa
Pensar o que o provérbio oferece
Já que a quem muito se abaixa
Logo o rabo lhe aparece

Afinal o que quer prevenir
É a auto humilhação
Não é a bainha a subir
Mas sim o nariz junto ao chão

Haja um pouco de dignidade
E se estime o próprio ser
Não se mostre sequer nem metade
Que o rabo é para esconder

Não se lambam cus nem botas
Nem se vergue a espinha dorsal
Isto é tema de anedotas
Mas firmeza é fundamental

Provérbio provado rimado - DLVIII

Se te pões a miar ao gato
Ou até a ladrar ao cão
Se dizes que ande ao sapato
Ai senhor tantas tolices são

Se para a rima te falta assunto
Mas na almofada não sossegas
Matas mais do que está o defunto
Cantas cantas mas não me alegras

Vá lá pousa lá a caneta
E acaba com a cantilena
A tua conversa é da treta
Chegas até a dar pena

Tão cromo como tu nunca vi
Mesmo que nas trombas to esfreguem
Mas ao menos ris-te de ti
Que é o que muitos não conseguem

Provérbio provado rimado - DLVII

Se procurares no dicionário
Com afinco como deve ser
Uma expressão que não encontras
É o vazio verbo de encher

É uma pessoa sem préstimo
Ou uma coisa desnecessária
Que só serve para fazer número
Para encher mal uma área

Conheço muitos verbos desses
Que abundam em tanto trabalho
E não laboram só fingem
São espertos que nem um alho

Provérbio provado perguntado

Os anos que levo desta vida fugaz fazem-me responder cada vez mais verdadeiramente quando questionada. Por isso, não esperem um sorriso amarelo quando me perguntam Está tudo bem?, se não aguentam a verdade...

- Conforme a pergunta, assim a resposta

Provérbio provado rimado - DLVI

Escuta-me com atenção
E se puderes redobrada
Já que a minha opinião
É tão boa e fundamentada

Dar bitaites e conselhos
É muito fácil postura
E mostrar sinais vermelhos
A quem ainda me atura

Porque bom exemplo dar
É difícil comportamento
Toda a gente sabe opinar
Para onde sopra o vento

Não contemples as minhas acções
Que elas o que digo não espelham
Escuta antes as opiniões
Que com os mestres emparelham

Por isso se és meu amigo
E me guardas um abraço
Olha só para o que te digo
Não olhes para o que eu faço


sexta-feira, 21 de junho de 2019

Provérbio provado rimado - DLV

Quem muito saber procura
E quer aumentar a cultura
Aconselho a estar muito atento
A todo o tipo de conhecimento

Pode não parecer importante
Ou talvez pouco interessante
Mas todo o saber é cultivo
Que o cérebro é um arquivo

Por isso treina a cabeça
Para que essa ciência apareça
E pesquisa o mais que puderes
Todo o tipo de saberes

Pois quem procura sempre acha
Se não é um prego é uma tacha
Grão a grão lá aumentarás
Como ser humano prosperarás

Provérbio provado rimado - DLIV

Foi na primeira comunhão
Que a madrinha do João
Juntamente com a catequista
Num gesto talvez repentista

À confissão o levaram
Até quase o empurraram
Como quem ao dentista vai
E nem pode soltar um ai

O João lá se ajoelhou
E ao padre se confessou
Para a hóstia poder comungar
No tal dia em frente ao altar

Mas a madrinha não sabia
Que o João lá tinha fobia
De confessionários com trancas
De missais e batinas brancas

Por isso inventou uns pecados
E uns actos mal amanhados
No fim as orações rezou
E da confissão se livrou

A catequista tão orgulhosa
Já da comunhão desejosa
Não sabe que confissão forçada
Acaba por não valer nada