Quando me estão a aborrecer
E eu só me queria entreter
Digo vou ali e já venho
Vou mesmo e não me contenho
quinta-feira, 20 de junho de 2019
sábado, 15 de junho de 2019
Provérbio provado rimado - DLII
Quando chega finalmente o Estio
Que do tempo quente se reveste
Vê-se que Deus dá o frio
Conforme a roupa que se veste
Já no Inverno é bem diferente
Deus dá frio e dá também vento
Veste-se roupa muito quente
E a lareira é normal pensamento
Que do tempo quente se reveste
Vê-se que Deus dá o frio
Conforme a roupa que se veste
Já no Inverno é bem diferente
Deus dá frio e dá também vento
Veste-se roupa muito quente
E a lareira é normal pensamento
quinta-feira, 13 de junho de 2019
Provérbio provado rimado - DLII
Queres sauna e banho de vapor?
Sobe dez andares sem elevador
Faz músculo na barriga das pernas
E ao menos com o ginásio alternas
Queres tornar-te um peso pesado?
Carrega os sacos do supermercado
Faz músculo que se nota no braço
E à noite estás doido de cansaço
Queres cuidar do teu intelecto?
Nas leituras sê bem mais selecto
Faz escolhas de forma consciente
E com um pensamento abrangente
Queres tornar-te melhor pessoa?
Mas pelas mãos a vida se escoa
Faz escolhas com ponto de interrogação
E questiona a tua insatisfação
Se tens todo e tanto ideal
Não pares até ser normal
Dedica-te com todo o afã
Como se não houvesse amanhã
É verdade que o tempo urge
E a ceifeira entretanto surge
Vamos todos bonitos e feios
Morrer sós apesar dos meios
Sobe dez andares sem elevador
Faz músculo na barriga das pernas
E ao menos com o ginásio alternas
Queres tornar-te um peso pesado?
Carrega os sacos do supermercado
Faz músculo que se nota no braço
E à noite estás doido de cansaço
Queres cuidar do teu intelecto?
Nas leituras sê bem mais selecto
Faz escolhas de forma consciente
E com um pensamento abrangente
Queres tornar-te melhor pessoa?
Mas pelas mãos a vida se escoa
Faz escolhas com ponto de interrogação
E questiona a tua insatisfação
Se tens todo e tanto ideal
Não pares até ser normal
Dedica-te com todo o afã
Como se não houvesse amanhã
É verdade que o tempo urge
E a ceifeira entretanto surge
Vamos todos bonitos e feios
Morrer sós apesar dos meios
Provérbios provados seleccionados - IX
Neste blog temático pode observar-se sempre a mesma estrutura: primeiro o texto, o provérbio no fim - isto no caso da prosa, pois depois comecei a alinhavar umas rimas imperfeitas e até já faço uma perninha no verso branco armada em poeta séria. No caso da prosa, o provérbio aparece só no fim de propósito: pretende-se que os leitores descubram com surpresa qual é o ditado-desfecho-moral da história.
Nesta compilação que fiz procedi de forma inversa: apresento o provérbio final com o link para a respectiva ficção. Segue então uma selecção das histórias em depósito dos provérbios mais populares de entre os provérbios populares:
sábado, 8 de junho de 2019
Provérbio provado num verso branco - LII
Bem sei o que te repetem a toda a hora
Mas não cedas nem um milímetro
Jura fidelidade ao tu que és tu
Não mudes o tom nem baixes o volume
Quem fia fininho nunca grita a insatisfação
Não assines em branco nas páginas da lógica
Que a razão dos demais pode bem ser legítima porém não é a tua
Não prepares a tua alma para condizer com a moda
Veste-a de cores berrantes ou de luto conforme a tua disposição
Segue sem lástima as tuas fixações mais violentas
Trilha os caminhos inconvencionais
Não faz mal quantas portas se te fecharem na cara
Algures abrir-se-á uma janela
Mas não cedas nem um milímetro
Jura fidelidade ao tu que és tu
Não mudes o tom nem baixes o volume
Quem fia fininho nunca grita a insatisfação
Não assines em branco nas páginas da lógica
Que a razão dos demais pode bem ser legítima porém não é a tua
Não prepares a tua alma para condizer com a moda
Veste-a de cores berrantes ou de luto conforme a tua disposição
Segue sem lástima as tuas fixações mais violentas
Trilha os caminhos inconvencionais
Não faz mal quantas portas se te fecharem na cara
Algures abrir-se-á uma janela
Provérbio provado rimado - DLI
Não se lembra a sogra que já foi nora
Não guarda a opinião da porta para fora
Não resiste à tentação de o bedelho meter
Na casa do filho vai-se intrometer
A mulher do filho sente-se vexada
Com a sogrinha fica muito irritada
Quando ela sai diz baixinho ao marido
Não convidamos mais a tua mãe querido
Não guarda a opinião da porta para fora
Não resiste à tentação de o bedelho meter
Na casa do filho vai-se intrometer
A mulher do filho sente-se vexada
Com a sogrinha fica muito irritada
Quando ela sai diz baixinho ao marido
Não convidamos mais a tua mãe querido
Provérbio provado rimado - DL
Os martelos e rodas dentadas
Dão muitas unhas esmagadas
E o ferreiro que o diga
Já está farto dessa cantiga
Que na casa do ferreiro
O espeto é de pau por inteiro
Ele é hábil no seu labor
Mas em casa não é batedor
Dão muitas unhas esmagadas
E o ferreiro que o diga
Já está farto dessa cantiga
Que na casa do ferreiro
O espeto é de pau por inteiro
Ele é hábil no seu labor
Mas em casa não é batedor
Provérbio provado rimado - DXLIX
O Verão já está a chegar
Para podermos relaxar
Ir de férias para o Sul
É mesmo ouro sobre azul
Mas eu cá vou para Norte
Este ano é a minha sorte
Irei para ilhas espanholas
Mas não levo as castanholas
Para podermos relaxar
Ir de férias para o Sul
É mesmo ouro sobre azul
Mas eu cá vou para Norte
Este ano é a minha sorte
Irei para ilhas espanholas
Mas não levo as castanholas
sexta-feira, 7 de junho de 2019
Provérbio provado rimado - DXLVIII
Em questões de vizinhança
Parte-se sempre com esperança
Tem-se sorte ou tem-se azar
Que os vizinhos dão que contar
A boa vizinha é uma santa
Quando está frio traz a manta
E tem sempre chá e bolinhos
Para oferecer aos vizinhos
Mas pelo contrário a má
Não traz bolinhos nem chá
E até mesmo essa má vizinha
Empresta a agulha sem linha
Parte-se sempre com esperança
Tem-se sorte ou tem-se azar
Que os vizinhos dão que contar
A boa vizinha é uma santa
Quando está frio traz a manta
E tem sempre chá e bolinhos
Para oferecer aos vizinhos
Mas pelo contrário a má
Não traz bolinhos nem chá
E até mesmo essa má vizinha
Empresta a agulha sem linha
Provérbio provado rimado - DXLVII
Quando contigo teimam
E sabes que não têm razão
Até as pestanas queimam
Tudo lhes faz confusão
Percebes que não vale a pena
Comprar essa tão vã guerra
A teimosia é uma cena
Que em si vaidade encerra
Por isso não sejas nhurro
Mesmo que estejas com sono
O melhor é atares o burro
Onde te manda o dono
quinta-feira, 6 de junho de 2019
Provérbio provado rimado - DXLVI
És cá do sítio o espertalhão
Quem te ouve não te leva preso
Tens um ditote sempre à mão
És pespineto e rabiteso
Psicólogo de meia tijela
E doutor da mula russa
A tua opinião não vou nela
Nem mesmo que a vaca tussa
Por isso guarda a viola no saco
Mais as tuas conversas de café
O teu raciocínio é fraco
Sabes muito mas andas a pé
Quem te ouve não te leva preso
Tens um ditote sempre à mão
És pespineto e rabiteso
Psicólogo de meia tijela
E doutor da mula russa
A tua opinião não vou nela
Nem mesmo que a vaca tussa
Por isso guarda a viola no saco
Mais as tuas conversas de café
O teu raciocínio é fraco
Sabes muito mas andas a pé
Provérbio provado rimado - DXLV
Marcianos querem-se verdes e puros
Nunca por nunca a cair de maduros
Ao conquistar a Terra vindos de Marte
Querem-na toda não só uma parte
Têm antenas e um olho na testa
Comem corações que vai ser uma festa
Têm seis braços e pernas compridas
E tal como os gatos têm sete vidas
Planeiam lançar massiva invasão
Que não fique nem uma pedra no chão
Toda a vida na Terra vai perecer
Assim é nos filmes um vazio a valer
Os terráqueos ao vê-los estão assustados
E os circuitos ficam todos queimados
Plantas e legumes quedam-se murchos
Agora é queimar os últimos cartuchos
Nunca por nunca a cair de maduros
Ao conquistar a Terra vindos de Marte
Querem-na toda não só uma parte
Têm antenas e um olho na testa
Comem corações que vai ser uma festa
Têm seis braços e pernas compridas
E tal como os gatos têm sete vidas
Planeiam lançar massiva invasão
Que não fique nem uma pedra no chão
Toda a vida na Terra vai perecer
Assim é nos filmes um vazio a valer
Os terráqueos ao vê-los estão assustados
E os circuitos ficam todos queimados
Plantas e legumes quedam-se murchos
Agora é queimar os últimos cartuchos
Provérbio provado rimado - DXLIV
Tal como o roto e o nu
Andam a mostrar o cu
Também anda cada pardal
Em parelha com seu igual
Há tendência para se unirem
Os que na vida coincidirem
Seja num laço familiar
Ou numa união singular
Andam a mostrar o cu
Também anda cada pardal
Em parelha com seu igual
Há tendência para se unirem
Os que na vida coincidirem
Seja num laço familiar
Ou numa união singular
quarta-feira, 5 de junho de 2019
Provérbio provado hierarquizado
O edifício era um labirinto onde as pessoas pagavam para se perderem. Quando se estavam quase a encontrar, vinha um assistente para os ajudar a perderem-se mais um bocadinho. Quando soava a hora de fecho, subitamente todos encontravam a porta de saída e deixavam de estar perdidos por aquele dia.
Havia o chefe de departamento, o chefe de divisão e o chefe do equipamento propriamente dito. Lá dentro, os peões, que ali se chamavam assistentes, podiam ter várias categorias, mediante a sua altura: altos, médios e baixos. Por exemplo, os assistentes altos nunca eram colocados no labirinto, pois serviriam como um bom ponto de referência para as pessoas se encontrarem lá dentro. Já os assistentes baixos não operavam as luzes e os mecanismos de alarme que estavam posicionados por cima da estrutura do labirinto, pois não altura, digamos, à altura dos acontecimentos.
Tudo ia decorrendo hierarquicamente como num carrossel de cores esbatidas: cada peça da engrenagem, mau grado o cansaço rotineiro das tarefas, sabia o seu lugar e aquele equipamento desempenhava a sua função sem grandes sobressaltos.
Um dia, o chefe de departamento entrou labirinto adentro sem se anunciar. Despiu-se de quaisquer elementos que o pudessem identificar e misturou-se com os utentes. O chefe era alto, mas encolheu-se de modo a não sobressair, e dispôs-se a acatar as sugestões dos assistentes baixos que o ajudariam a perder-se. Sabia de antemão que bastaria erguer-se e olhar para cima para as luzes e para os alarmes para se conseguir evadir dali, mas o chefe de departamento queria perceber efectivamente quem afinal poderia realizar que funções, pois suspeitava não ser a altura em metros um bom indicador de desempenho e, sim, haver outras coisas que faziam uma pessoa grande.
- A pessoa é grande quando respeita os pequenos
Havia o chefe de departamento, o chefe de divisão e o chefe do equipamento propriamente dito. Lá dentro, os peões, que ali se chamavam assistentes, podiam ter várias categorias, mediante a sua altura: altos, médios e baixos. Por exemplo, os assistentes altos nunca eram colocados no labirinto, pois serviriam como um bom ponto de referência para as pessoas se encontrarem lá dentro. Já os assistentes baixos não operavam as luzes e os mecanismos de alarme que estavam posicionados por cima da estrutura do labirinto, pois não altura, digamos, à altura dos acontecimentos.
Tudo ia decorrendo hierarquicamente como num carrossel de cores esbatidas: cada peça da engrenagem, mau grado o cansaço rotineiro das tarefas, sabia o seu lugar e aquele equipamento desempenhava a sua função sem grandes sobressaltos.
Um dia, o chefe de departamento entrou labirinto adentro sem se anunciar. Despiu-se de quaisquer elementos que o pudessem identificar e misturou-se com os utentes. O chefe era alto, mas encolheu-se de modo a não sobressair, e dispôs-se a acatar as sugestões dos assistentes baixos que o ajudariam a perder-se. Sabia de antemão que bastaria erguer-se e olhar para cima para as luzes e para os alarmes para se conseguir evadir dali, mas o chefe de departamento queria perceber efectivamente quem afinal poderia realizar que funções, pois suspeitava não ser a altura em metros um bom indicador de desempenho e, sim, haver outras coisas que faziam uma pessoa grande.
- A pessoa é grande quando respeita os pequenos
terça-feira, 4 de junho de 2019
Provérbio provado num verso branco - LI
Foram as minhas próprias pernas
Que me passaram a perna
Os meus próprios dentes um por um
Que me roeram a corda
Os dedos não me chegam para contar
Os compromissos que rompi
Por não saber sobreviver
Que me passaram a perna
Os meus próprios dentes um por um
Que me roeram a corda
Os dedos não me chegam para contar
Os compromissos que rompi
Por não saber sobreviver
Provérbio provado rimado - DXLII
A calúnia é arma afiada
Que prejudica tanta gente
Se parte duma ideia errada
Mais se torna um acto indecente
Se nasce num evento fictício
E logo ganha amplitude
A calúnia poupa o vício
E persegue a virtude
Que prejudica tanta gente
Se parte duma ideia errada
Mais se torna um acto indecente
Se nasce num evento fictício
E logo ganha amplitude
A calúnia poupa o vício
E persegue a virtude
Provérbio provado rimado - DXLI
Hoje está um calor de ananáses
Suam velhos e suam rapazes
E só apetecem ventoinhas
Gelados imperiais e sombrinhas
Vamos todos para a beira mar
Para sentir a brisa passar
Só assim se aguenta o calor
Pior é quem está no interior
Suam velhos e suam rapazes
E só apetecem ventoinhas
Gelados imperiais e sombrinhas
Vamos todos para a beira mar
Para sentir a brisa passar
Só assim se aguenta o calor
Pior é quem está no interior
sábado, 1 de junho de 2019
Provérbio provado rimado - DXL
Corno manso era como se dizia
Que era o marido da Maria
Ele sabia perfeitamente
Que era traído constantemente
Mas ele não se importava
E a Maria feliz andava
Era um homem amistoso
Plácido e pouco curioso
Ela saía à tardinha
Dizendo que ia à vizinha
Mas ia à casa do João
Satisfazer toda a tesão
Este é um ditado de corno
Que agora eu tirei do forno
Onde come um comem dois
E não há remorsos depois
Que era o marido da Maria
Ele sabia perfeitamente
Que era traído constantemente
Mas ele não se importava
E a Maria feliz andava
Era um homem amistoso
Plácido e pouco curioso
Ela saía à tardinha
Dizendo que ia à vizinha
Mas ia à casa do João
Satisfazer toda a tesão
Este é um ditado de corno
Que agora eu tirei do forno
Onde come um comem dois
E não há remorsos depois
Provérbio provado rimado - DXXXIX
Tão frequente a redundância
Parece ter mais importância
Tão vazia de sentido
É apenas um gemido
É como noite de mau sexo
Ou como um texto sem nexo
É uma comida sem sal
É defecação infernal
Tão mázinha que dá dó
A palavra nunca vem só
É mesmo caso para dizer
Vem em par quer bem parecer
O amigo La Palisse
De certeza que a disse
Todos nós no fundo usamos
Da redundância abusamos
Por isso às vezes é melhor
Fazer ouvidos de mercador
E fingir que somos parolos
Deixar que nos comam por tolos
Parece ter mais importância
Tão vazia de sentido
É apenas um gemido
É como noite de mau sexo
Ou como um texto sem nexo
É uma comida sem sal
É defecação infernal
Tão mázinha que dá dó
A palavra nunca vem só
É mesmo caso para dizer
Vem em par quer bem parecer
O amigo La Palisse
De certeza que a disse
Todos nós no fundo usamos
Da redundância abusamos
Por isso às vezes é melhor
Fazer ouvidos de mercador
E fingir que somos parolos
Deixar que nos comam por tolos
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