Meu pequeno povo português
Vê lá se acordas de vez
Ficas aos poucos a morrer
Num canto os dentes a ranger
Dos teus tímidos balbuceios
Já tenho os ouvidos cheios
Antes te viesses num orgasmo
Que quebrasse este marasmo
Tantos anos de solidão
Não são desculpa nem razão
Liberta essa lágrima lenta
Expulsa de vez a placenta
Corta o cordão umbilical
Que te prende à capital
Mostra sem vergonha a face
Que descubra um desenlace
É simples dizer não há cura
Mania que há muito perdura
Começa já a empreender
É fácil falar difícil é fazer
sexta-feira, 31 de maio de 2019
Provérbio provado rimado - DXXXVII
Peça de teatro é a vida
A grande representação
Que levamos bem fingida
Haja pouca ou muita acção
O palco pisamos contentes
À espera de reconhecimento
Logo logo ficamos descrentes
Pois só obtemos sofrimento
Por vezes é uma maravilha
Há momentos de felicidade
Ela é o palco de quem brilha
E o brilho de quem aplaude
Nessa peça os outros actores
Ou ajudam ou prejudicam
Alguns são falsos mentores
Outros conquistam porque ficam
Há instantes de embaraço
E quem viva como num jogo
Que a alegria do palhaço
É ver o circo pegar fogo
A grande representação
Que levamos bem fingida
Haja pouca ou muita acção
O palco pisamos contentes
À espera de reconhecimento
Logo logo ficamos descrentes
Pois só obtemos sofrimento
Por vezes é uma maravilha
Há momentos de felicidade
Ela é o palco de quem brilha
E o brilho de quem aplaude
Nessa peça os outros actores
Ou ajudam ou prejudicam
Alguns são falsos mentores
Outros conquistam porque ficam
Há instantes de embaraço
E quem viva como num jogo
Que a alegria do palhaço
É ver o circo pegar fogo
quinta-feira, 30 de maio de 2019
Provérbio provado rimado - DXXXVI
Diz que gente do Minho
Veste pano de linho
Na Senhora da Agonia
Que é festa de romaria
Há muito ouro ao pescoço
E nas ruas alvoroço
Há noivas e também mordoma
E saias cheias de goma
E há ainda outro ditado
Que tem o seu quê de engraçado
Diz que em cada minhoto
Há um grande maroto
Veste pano de linho
Na Senhora da Agonia
Que é festa de romaria
Há muito ouro ao pescoço
E nas ruas alvoroço
Há noivas e também mordoma
E saias cheias de goma
E há ainda outro ditado
Que tem o seu quê de engraçado
Diz que em cada minhoto
Há um grande maroto
Provérbio provado rimado - DXXXV
És a tampa da minha panela
Porque encaixamos tão bem
E me dizes que sou a mais bela
Para mim és tão lindo também
Nem sempre é só paraíso
Por vezes também há contenda
Mas logo tu com um sorriso
Vens e montas a tua tenda
Não sei o que reserva o futuro
Sei que não sou nenhuma estampa
Ao teu lado tudo é menos duro
Toda a panela tem sua tampa
Porque encaixamos tão bem
E me dizes que sou a mais bela
Para mim és tão lindo também
Nem sempre é só paraíso
Por vezes também há contenda
Mas logo tu com um sorriso
Vens e montas a tua tenda
Não sei o que reserva o futuro
Sei que não sou nenhuma estampa
Ao teu lado tudo é menos duro
Toda a panela tem sua tampa
Provérbio provado rimado - DXXXIV
Como é que vamos namorar
Se tu vives atrás do sol posto?
Quando queremos algo combinar
Vê se dá p'ra ser antes de Agosto
Com dois meses de antecedência
Muitos planos e alguns desvarios
Munidos de muita paciência
Em Santo António dos Assobios
Que fica em cascos de rolha
Pelo menos é o que parece
Pelo mapa que tenho na folha
E as coordenadas no GPS
Se tu vives atrás do sol posto?
Quando queremos algo combinar
Vê se dá p'ra ser antes de Agosto
Com dois meses de antecedência
Muitos planos e alguns desvarios
Munidos de muita paciência
Em Santo António dos Assobios
Que fica em cascos de rolha
Pelo menos é o que parece
Pelo mapa que tenho na folha
E as coordenadas no GPS
Provérbio provado rimado - DXXXIII
O Zeca é o motorista
E um grande fala barato
Come com os olhos cada artista
Que transporta para o teatro
Fala das condições climatéricas
Dos incêndios do ano passado
Enquanto as divas pindéricas
Retocam o batom esborratado
Pelo espelho retrovisor
Vai controlando o que se passa
Abre as janelas com calor
Largando mais uma chalaça
O olhar do Zeca é comilão
Velhas ou novas não é esquisito
Solteiro é a sua condição
Ainda por cima não é bonito
A rebarba é tanta ou tão pouca
Que o Zeca já é conhecido
Mas factura a Ana a louca
Numa noite em que está distraído
E um grande fala barato
Come com os olhos cada artista
Que transporta para o teatro
Fala das condições climatéricas
Dos incêndios do ano passado
Enquanto as divas pindéricas
Retocam o batom esborratado
Pelo espelho retrovisor
Vai controlando o que se passa
Abre as janelas com calor
Largando mais uma chalaça
O olhar do Zeca é comilão
Velhas ou novas não é esquisito
Solteiro é a sua condição
Ainda por cima não é bonito
A rebarba é tanta ou tão pouca
Que o Zeca já é conhecido
Mas factura a Ana a louca
Numa noite em que está distraído
Provérbio provado rimado - DXXXII
Quem procura sempre alcança
Vê lá não percas a esperança
Que a vida é uma demanda
Ouve o que digo Fernanda
Mesmo coxa chegas lá
Fico a ver-te de cá
Ainda te dou um empurrão
Se precisares a minha mão
Tu não desistes facilmente
Consegues estar sempre contente
Quero que me dês a receita
Para acordar sempre refeita
Vê lá não percas a esperança
Que a vida é uma demanda
Ouve o que digo Fernanda
Mesmo coxa chegas lá
Fico a ver-te de cá
Ainda te dou um empurrão
Se precisares a minha mão
Tu não desistes facilmente
Consegues estar sempre contente
Quero que me dês a receita
Para acordar sempre refeita
domingo, 19 de maio de 2019
Provérbio provado rimado - DXXXI
Mais vale enxame em colmeia afastada
Que abelha perto que dê ferroada
Preferível é o cardume no mar
Que peixe na linha a agonizar
Claro que há sempre a questão
Da perspectiva da visão
Se está fora de água o peixe
Não adianta que alguém se queixe
É tão fácil estar deslocado
Quando se tem o fim marcado
O mais certo é acabar na travessa
Desde que alguém grelhado o peça
Que abelha perto que dê ferroada
Preferível é o cardume no mar
Que peixe na linha a agonizar
Claro que há sempre a questão
Da perspectiva da visão
Se está fora de água o peixe
Não adianta que alguém se queixe
É tão fácil estar deslocado
Quando se tem o fim marcado
O mais certo é acabar na travessa
Desde que alguém grelhado o peça
Provérbio provado rimado - DXXX
Luxo asiático é pena
Mas só o vi no cinema
Que eu vivo tanto à rasca
Só posso lanchar na tasca
Os trocos bem contadinhos
Os bolsos muito fininhos
Sempre a contar os tostões
Não dá para abrir excepções
Há quem gaste no farelo
E no pé use chinelo
Não é poupado e é só
Alimenta burro a pão de ló
Mas só o vi no cinema
Que eu vivo tanto à rasca
Só posso lanchar na tasca
Os trocos bem contadinhos
Os bolsos muito fininhos
Sempre a contar os tostões
Não dá para abrir excepções
Há quem gaste no farelo
E no pé use chinelo
Não é poupado e é só
Alimenta burro a pão de ló
Provérbio provado rimado - DXXIX
A criança tende a copiar
O que vê os pais fazer
Se à mesa estão a arrotar
Ela não vai o pum suspender
Se tratam mal os demais
E se metem em sarilhos
Já se vê que conduta dos pais
Será o caminho dos filhos
O que vê os pais fazer
Se à mesa estão a arrotar
Ela não vai o pum suspender
Se tratam mal os demais
E se metem em sarilhos
Já se vê que conduta dos pais
Será o caminho dos filhos
Provérbio provado rimado - DXXVIII
Eu rimo porque a prosa
É muito mais vagarosa
Demora tempo a pensar
Num texto a alinhavar
A rima é tão imediata
Tanto ata como desata
Quando vou a ler já está
Uma rima boa ou má
Por isso são mais de quinhentas
Estas rimas desatentas
Que aqui convosco partilho
Como se parisse um filho
Um parto daqueles sem dor
Sem contrações nem suor
Vai-se a ver e já nasceu
A rima que à costa deu
Cereja em cima do bolo
É fazer um verso tolo
Como este que não conta nada
Cá vai mais uma rima lavrada
É muito mais vagarosa
Demora tempo a pensar
Num texto a alinhavar
A rima é tão imediata
Tanto ata como desata
Quando vou a ler já está
Uma rima boa ou má
Por isso são mais de quinhentas
Estas rimas desatentas
Que aqui convosco partilho
Como se parisse um filho
Um parto daqueles sem dor
Sem contrações nem suor
Vai-se a ver e já nasceu
A rima que à costa deu
Cereja em cima do bolo
É fazer um verso tolo
Como este que não conta nada
Cá vai mais uma rima lavrada
Provérbio provado rimado - DXXVII
Meu pai é melhor que o teu
A mãe vale mais que a tua
Disto tanto aconteceu
A quem brincava na rua
É o tipo de picardias
Que têm muito as crianças
Lá no meio das correrias
Brincadeiras e andanças
Quando se dá o insulto
Que levanta salsifré
Surge a resposta de culto
Opá quem diz é quem é
A mãe vale mais que a tua
Disto tanto aconteceu
A quem brincava na rua
É o tipo de picardias
Que têm muito as crianças
Lá no meio das correrias
Brincadeiras e andanças
Quando se dá o insulto
Que levanta salsifré
Surge a resposta de culto
Opá quem diz é quem é
sábado, 18 de maio de 2019
Provérbio provado rimado - DXXV
O Pedro tem olhos de mar
Onde me poderei afogar
Os lábios sorriem pouco
E tem um ar meio louco
Tem também certa pancada
E isso não é coisa errada
O seu discurso é loquaz
Mas rimas ele não faz
É um homem interessante
Habita um corpo elegante
É o chamado gatinho
Um pedaço de mau caminho
Onde me poderei afogar
Os lábios sorriem pouco
E tem um ar meio louco
Tem também certa pancada
E isso não é coisa errada
O seu discurso é loquaz
Mas rimas ele não faz
É um homem interessante
Habita um corpo elegante
É o chamado gatinho
Um pedaço de mau caminho
Provérbio provado rimado - DXXIV
O Rui é um tipo viscoso
Nojento e andrajoso
Mesmo quando sai do banho
Ainda vem sujo de ranho
Dele é guardar-se distância
Não lhe dar muita importância
Vê-lo é melhor se sem luz
Não interessa ao menino Jesus
Nojento e andrajoso
Mesmo quando sai do banho
Ainda vem sujo de ranho
Dele é guardar-se distância
Não lhe dar muita importância
Vê-lo é melhor se sem luz
Não interessa ao menino Jesus
sexta-feira, 17 de maio de 2019
Provérbio provado rimado - DXXIII
Eu tenho três amores
Mais um que na canção
A nenhum devo favores
Ai que grande indecisão
Um pertence ao passado
Outro está aqui no presente
E o terceiro apalavrado
Num futuro que se pressente
Qual será o meu problema
É não saber o que quero?
Arriscar é o meu lema
Mas depois dá desespero
Lá terei de me decidir
Ou no fim ficarei triste
Dizendo o que estou a sentir
Que é o amor que não me assiste
Mais um que na canção
A nenhum devo favores
Ai que grande indecisão
Um pertence ao passado
Outro está aqui no presente
E o terceiro apalavrado
Num futuro que se pressente
Qual será o meu problema
É não saber o que quero?
Arriscar é o meu lema
Mas depois dá desespero
Lá terei de me decidir
Ou no fim ficarei triste
Dizendo o que estou a sentir
Que é o amor que não me assiste
Provérbio provado num verso branco - L
Já lá vai o dia rareando
Quase quase de mansinho chega
A sombra nocturna que lentamente se introduz
Tal como na aurora é a hora
Em que os pássaros trinam com mais urgência
Que se piarão entre ramos e voos?
Que se findou um dia mais
Um esforço inglório invertebrado
Morreu e com ele mais uma esperança?
Dir-se-ão a única certeza ser a morte estar no papo?
Ah quanto desejava ser pássaro!
Este verso escreveram-no todos os poetas
De todas as vezes que quiseram voar
Mas eu não almejava só as asas enormes
Queria poder cantar num coro afinado
O início das manhãs e das noites
Com alegria mas sem esperança
Sabendo que a vida é malhar em ferro frio
Batemos batemos e nada se modifica
Vivemos vivemos levados ao sabor do vento
A morte é a única vitória garantida
Quase quase de mansinho chega
A sombra nocturna que lentamente se introduz
Tal como na aurora é a hora
Em que os pássaros trinam com mais urgência
Que se piarão entre ramos e voos?
Que se findou um dia mais
Um esforço inglório invertebrado
Morreu e com ele mais uma esperança?
Dir-se-ão a única certeza ser a morte estar no papo?
Ah quanto desejava ser pássaro!
Este verso escreveram-no todos os poetas
De todas as vezes que quiseram voar
Mas eu não almejava só as asas enormes
Queria poder cantar num coro afinado
O início das manhãs e das noites
Com alegria mas sem esperança
Sabendo que a vida é malhar em ferro frio
Batemos batemos e nada se modifica
Vivemos vivemos levados ao sabor do vento
A morte é a única vitória garantida
Provérbio provado rimado - DXXII
As bebidas espirituosas
Dão bezanas espantosas
Que o diga o senhor Furtado
Adormece em qualquer lado
Quando fala até delira
Se alguém de esguelha o mira
Acha-se o anjo Gabriel
Que engravida a Rapunzel
Não fala baixo só grita
E em ninguém acredita
Com a mania da perseguição
Sempre que está borrachão
Se ele de vida mudasse
E os bons conselhos escutasse
De quem lhe bate à porta
Mas não sai da cepa torta
Dão bezanas espantosas
Que o diga o senhor Furtado
Adormece em qualquer lado
Quando fala até delira
Se alguém de esguelha o mira
Acha-se o anjo Gabriel
Que engravida a Rapunzel
Não fala baixo só grita
E em ninguém acredita
Com a mania da perseguição
Sempre que está borrachão
Se ele de vida mudasse
E os bons conselhos escutasse
De quem lhe bate à porta
Mas não sai da cepa torta
terça-feira, 14 de maio de 2019
Provérbio provado rimado - DXXI
Pediste-me hoje um poema
Mas não me deste um tema
E agora o que hei-de fazer?
Ai como irei corresponder?
Vou fazer figura de urso
Embora isto não seja concurso
Que me despache é melhor
Tu nem pediste por favor
Cá vai uma rima para ti
Foi o que se arranjou aqui
Espero que gostes mas se não
Não há lugar para repetição
Mas não me deste um tema
E agora o que hei-de fazer?
Ai como irei corresponder?
Vou fazer figura de urso
Embora isto não seja concurso
Que me despache é melhor
Tu nem pediste por favor
Cá vai uma rima para ti
Foi o que se arranjou aqui
Espero que gostes mas se não
Não há lugar para repetição
Provérbio provado rimado - DXX
Anda o mundo mal parado
De pernas para o ar virado
A justiça está tão desigual
O pecador não vai ao tribunal
Paga o justo pelo pecador
E ainda pede por favor
Pede desculpa e com licença
Pois ganhar não é sua pertença
De pernas para o ar virado
A justiça está tão desigual
O pecador não vai ao tribunal
Paga o justo pelo pecador
E ainda pede por favor
Pede desculpa e com licença
Pois ganhar não é sua pertença
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