Meu pai é melhor que o teu
A mãe vale mais que a tua
Disto tanto aconteceu
A quem brincava na rua
É o tipo de picardias
Que têm muito as crianças
Lá no meio das correrias
Brincadeiras e andanças
Quando se dá o insulto
Que levanta salsifré
Surge a resposta de culto
Opá quem diz é quem é
domingo, 19 de maio de 2019
sábado, 18 de maio de 2019
Provérbio provado rimado - DXXV
O Pedro tem olhos de mar
Onde me poderei afogar
Os lábios sorriem pouco
E tem um ar meio louco
Tem também certa pancada
E isso não é coisa errada
O seu discurso é loquaz
Mas rimas ele não faz
É um homem interessante
Habita um corpo elegante
É o chamado gatinho
Um pedaço de mau caminho
Onde me poderei afogar
Os lábios sorriem pouco
E tem um ar meio louco
Tem também certa pancada
E isso não é coisa errada
O seu discurso é loquaz
Mas rimas ele não faz
É um homem interessante
Habita um corpo elegante
É o chamado gatinho
Um pedaço de mau caminho
Provérbio provado rimado - DXXIV
O Rui é um tipo viscoso
Nojento e andrajoso
Mesmo quando sai do banho
Ainda vem sujo de ranho
Dele é guardar-se distância
Não lhe dar muita importância
Vê-lo é melhor se sem luz
Não interessa ao menino Jesus
Nojento e andrajoso
Mesmo quando sai do banho
Ainda vem sujo de ranho
Dele é guardar-se distância
Não lhe dar muita importância
Vê-lo é melhor se sem luz
Não interessa ao menino Jesus
sexta-feira, 17 de maio de 2019
Provérbio provado rimado - DXXIII
Eu tenho três amores
Mais um que na canção
A nenhum devo favores
Ai que grande indecisão
Um pertence ao passado
Outro está aqui no presente
E o terceiro apalavrado
Num futuro que se pressente
Qual será o meu problema
É não saber o que quero?
Arriscar é o meu lema
Mas depois dá desespero
Lá terei de me decidir
Ou no fim ficarei triste
Dizendo o que estou a sentir
Que é o amor que não me assiste
Mais um que na canção
A nenhum devo favores
Ai que grande indecisão
Um pertence ao passado
Outro está aqui no presente
E o terceiro apalavrado
Num futuro que se pressente
Qual será o meu problema
É não saber o que quero?
Arriscar é o meu lema
Mas depois dá desespero
Lá terei de me decidir
Ou no fim ficarei triste
Dizendo o que estou a sentir
Que é o amor que não me assiste
Provérbio provado num verso branco - L
Já lá vai o dia rareando
Quase quase de mansinho chega
A sombra nocturna que lentamente se introduz
Tal como na aurora é a hora
Em que os pássaros trinam com mais urgência
Que se piarão entre ramos e voos?
Que se findou um dia mais
Um esforço inglório invertebrado
Morreu e com ele mais uma esperança?
Dir-se-ão a única certeza ser a morte estar no papo?
Ah quanto desejava ser pássaro!
Este verso escreveram-no todos os poetas
De todas as vezes que quiseram voar
Mas eu não almejava só as asas enormes
Queria poder cantar num coro afinado
O início das manhãs e das noites
Com alegria mas sem esperança
Sabendo que a vida é malhar em ferro frio
Batemos batemos e nada se modifica
Vivemos vivemos levados ao sabor do vento
A morte é a única vitória garantida
Quase quase de mansinho chega
A sombra nocturna que lentamente se introduz
Tal como na aurora é a hora
Em que os pássaros trinam com mais urgência
Que se piarão entre ramos e voos?
Que se findou um dia mais
Um esforço inglório invertebrado
Morreu e com ele mais uma esperança?
Dir-se-ão a única certeza ser a morte estar no papo?
Ah quanto desejava ser pássaro!
Este verso escreveram-no todos os poetas
De todas as vezes que quiseram voar
Mas eu não almejava só as asas enormes
Queria poder cantar num coro afinado
O início das manhãs e das noites
Com alegria mas sem esperança
Sabendo que a vida é malhar em ferro frio
Batemos batemos e nada se modifica
Vivemos vivemos levados ao sabor do vento
A morte é a única vitória garantida
Provérbio provado rimado - DXXII
As bebidas espirituosas
Dão bezanas espantosas
Que o diga o senhor Furtado
Adormece em qualquer lado
Quando fala até delira
Se alguém de esguelha o mira
Acha-se o anjo Gabriel
Que engravida a Rapunzel
Não fala baixo só grita
E em ninguém acredita
Com a mania da perseguição
Sempre que está borrachão
Se ele de vida mudasse
E os bons conselhos escutasse
De quem lhe bate à porta
Mas não sai da cepa torta
Dão bezanas espantosas
Que o diga o senhor Furtado
Adormece em qualquer lado
Quando fala até delira
Se alguém de esguelha o mira
Acha-se o anjo Gabriel
Que engravida a Rapunzel
Não fala baixo só grita
E em ninguém acredita
Com a mania da perseguição
Sempre que está borrachão
Se ele de vida mudasse
E os bons conselhos escutasse
De quem lhe bate à porta
Mas não sai da cepa torta
terça-feira, 14 de maio de 2019
Provérbio provado rimado - DXXI
Pediste-me hoje um poema
Mas não me deste um tema
E agora o que hei-de fazer?
Ai como irei corresponder?
Vou fazer figura de urso
Embora isto não seja concurso
Que me despache é melhor
Tu nem pediste por favor
Cá vai uma rima para ti
Foi o que se arranjou aqui
Espero que gostes mas se não
Não há lugar para repetição
Mas não me deste um tema
E agora o que hei-de fazer?
Ai como irei corresponder?
Vou fazer figura de urso
Embora isto não seja concurso
Que me despache é melhor
Tu nem pediste por favor
Cá vai uma rima para ti
Foi o que se arranjou aqui
Espero que gostes mas se não
Não há lugar para repetição
Provérbio provado rimado - DXX
Anda o mundo mal parado
De pernas para o ar virado
A justiça está tão desigual
O pecador não vai ao tribunal
Paga o justo pelo pecador
E ainda pede por favor
Pede desculpa e com licença
Pois ganhar não é sua pertença
De pernas para o ar virado
A justiça está tão desigual
O pecador não vai ao tribunal
Paga o justo pelo pecador
E ainda pede por favor
Pede desculpa e com licença
Pois ganhar não é sua pertença
Provérbio provado rimado - DXIX
No ginásio só há boazonas
E músculos à custa de hormonas
Os esteróides anabolizantes
Fazem inchados os estudantes
Comem barras de proteínas
Claras de ovo e vitaminas
Ficam horas a transpirar
E ao espelho sempre a espreitar
Içar ferro com maré vazia
Isso sim é halterofilia
Mas não há sem suplemento
Quem consiga ser um portento
São todos campeões da tanga
Que treinam sempre sem manga
E faça sol ou caia chuva
É muita parra e pouca uva
E músculos à custa de hormonas
Os esteróides anabolizantes
Fazem inchados os estudantes
Comem barras de proteínas
Claras de ovo e vitaminas
Ficam horas a transpirar
E ao espelho sempre a espreitar
Içar ferro com maré vazia
Isso sim é halterofilia
Mas não há sem suplemento
Quem consiga ser um portento
São todos campeões da tanga
Que treinam sempre sem manga
E faça sol ou caia chuva
É muita parra e pouca uva
Provérbio provado aprisionado
O companheiro de cela ainda ressonava no seu catre. Com uma série de movimentos hesitantes, pouco animados, conseguiu levantar-se e foi até à estreita janela ver o sol nascer quadrado. O mundo oferecia outro quente começo de dia. O pedaço de rua que se via estava vazio, como se durante a noite uma praga houvesse varrido toda a população e somente os tivesse deixado, aos dois condenados, a sorver a última réstia de vida.
Mais tarde viria o capelão para a derradeira confissão; o companheiro continuava encolhido lá no seu canto sem abrir os olhos. Ele limitou-se a prescindir monossilabicamente dos serviços religiosos, passando o resto do dia em passos tão largos quanto a cela lhe permitia, passos decididos, sem remorsos. Aqui e ali, alguns passos hesitantes, de auto comiseração, de quase arrependimento, passos de ses e porquês.
Nisto se passou o dia. Já o sol caminhava para Oeste, vieram conceder-lhes uma ceia final. O outro habitante do exíguo espaço finalmente animou-se:
- Comamos e bebamos porque amanhã morreremos
Mais tarde viria o capelão para a derradeira confissão; o companheiro continuava encolhido lá no seu canto sem abrir os olhos. Ele limitou-se a prescindir monossilabicamente dos serviços religiosos, passando o resto do dia em passos tão largos quanto a cela lhe permitia, passos decididos, sem remorsos. Aqui e ali, alguns passos hesitantes, de auto comiseração, de quase arrependimento, passos de ses e porquês.
Nisto se passou o dia. Já o sol caminhava para Oeste, vieram conceder-lhes uma ceia final. O outro habitante do exíguo espaço finalmente animou-se:
- Comamos e bebamos porque amanhã morreremos
Provérbio provado rimado - DXVIII
A minha amiga Natacha
É uma bela muchacha
É querida e é uma gata
Também é muito sensata
Às vezes ela me procura
Pois duma coisa é segura
Eu dou sempre a opinião
Que me vai no coração
Nem sempre de ouvir é boa
Mas a Natacha perdoa
Pois prefere a sinceridade
Que espelha a nossa amizade
Connosco o seguinte ditado
Não se passa como é citado
Podemos dizer as verdades
Que não perdemos as amizades
É uma bela muchacha
É querida e é uma gata
Também é muito sensata
Às vezes ela me procura
Pois duma coisa é segura
Eu dou sempre a opinião
Que me vai no coração
Nem sempre de ouvir é boa
Mas a Natacha perdoa
Pois prefere a sinceridade
Que espelha a nossa amizade
Connosco o seguinte ditado
Não se passa como é citado
Podemos dizer as verdades
Que não perdemos as amizades
Provérbio provado rimado - DXVII
Se comeres como um pisco
Não vais engordar Francisco
Se beberes como um passarito
Vais ver ficas mais bonito
Pois a parcimónia encanta
Ninguém à volta espanta
Faz com que durmas melhor
E andes de bom humor
Francisco segue este conselho
Assim chegarás a velho
Come pouco e bebe pouco
E dormirás como louco
Não vais engordar Francisco
Se beberes como um passarito
Vais ver ficas mais bonito
Pois a parcimónia encanta
Ninguém à volta espanta
Faz com que durmas melhor
E andes de bom humor
Francisco segue este conselho
Assim chegarás a velho
Come pouco e bebe pouco
E dormirás como louco
quinta-feira, 9 de maio de 2019
Provérbio provado rimado - DXVI
De noite tudo faz sentido
Penso eu com os meus botões
Mesmo que me tenhas mentido
E eu esteja em divagações
Quando rompe a manhã clara
Desperto para a realidade
Que estivesses comigo tomara
Unidos em felicidade
Penso eu com os meus botões
Mesmo que me tenhas mentido
E eu esteja em divagações
Quando rompe a manhã clara
Desperto para a realidade
Que estivesses comigo tomara
Unidos em felicidade
Provérbio provado rimado - DXV
Não há festa nem há festança
Onde não esteja a Maria Constança
Dança a valsa e dança o vira
Sem par para a pista se atira
Vai a pés juntos e ao pé coxinho
Vai a correr ou vai de mansinho
O Luís ao vê-la do seu metro e meio
Foi convidá-la mesmo sendo feio
Diz-lhe a amiga vê lá tem cuidado
Parece que nunca ouviste o ditado
Reza assim que homem pequenino
Ou é velhaco ou bom dançarino
Onde não esteja a Maria Constança
Dança a valsa e dança o vira
Sem par para a pista se atira
Vai a pés juntos e ao pé coxinho
Vai a correr ou vai de mansinho
O Luís ao vê-la do seu metro e meio
Foi convidá-la mesmo sendo feio
Diz-lhe a amiga vê lá tem cuidado
Parece que nunca ouviste o ditado
Reza assim que homem pequenino
Ou é velhaco ou bom dançarino
domingo, 5 de maio de 2019
Provérbio provado rimado - DXIV
Já tens nova namorada
Que tem um ar de enjoada
Disseste a quem quis ver
Que te querias comprometer
É tudo tão prematuro
Para quem se arma em duro
E se dá ares de pintas
Eu cá estou-me nas tintas
Tua amiga mais não serei
Nem com a tua ajuda contarei
Está na altura do ponto final
Seis anos é muito afinal
Que tem um ar de enjoada
Disseste a quem quis ver
Que te querias comprometer
É tudo tão prematuro
Para quem se arma em duro
E se dá ares de pintas
Eu cá estou-me nas tintas
Tua amiga mais não serei
Nem com a tua ajuda contarei
Está na altura do ponto final
Seis anos é muito afinal
sábado, 4 de maio de 2019
Provérbio provado rimado - DXIII
Chegando o mês de Maio
Meus braços ficam ao léu
No teu desmaio eu caio
Para mais perto do céu
Em Junho ficarei contigo
Se assim tu me quiseres
És mais do que um amigo
Terás tu outras mulheres?
Por todo o Verão afora
Estaremos juntinhos espero
Só começou Maio agora
Mas tu és aquele que eu quero
Não quero de ti duvidar
Mas o amor vou preservando
Não o quero desperdiçar
Confio desconfiando
Meus braços ficam ao léu
No teu desmaio eu caio
Para mais perto do céu
Em Junho ficarei contigo
Se assim tu me quiseres
És mais do que um amigo
Terás tu outras mulheres?
Por todo o Verão afora
Estaremos juntinhos espero
Só começou Maio agora
Mas tu és aquele que eu quero
Não quero de ti duvidar
Mas o amor vou preservando
Não o quero desperdiçar
Confio desconfiando
Provérbio provado rimado - DXII
Caminhar com o credo na boca
É como levar água para o mar
Só acrescenta coisa pouca
E o perigo continua a espreitar
Assim os judeus se livravam
Da fogueira da Inquisição
Quando lho pediam rezavam
Esta tão comprida oração
Se alguém anda constantemente
Ao mesmo a fazer referência
É pedir-lhe encarecidamente
Que ao credo faça abstinência
É como levar água para o mar
Só acrescenta coisa pouca
E o perigo continua a espreitar
Assim os judeus se livravam
Da fogueira da Inquisição
Quando lho pediam rezavam
Esta tão comprida oração
Se alguém anda constantemente
Ao mesmo a fazer referência
É pedir-lhe encarecidamente
Que ao credo faça abstinência
Provérbio provado rimado - DXI
No Inverno lá no convento
Há excesso de sentimento
Não abunda a liberdade
Mas vai havendo intimidade
O frade durante o advento
Não tem opções a contento
Como não pode ir à cidade
Dá azo à promiscuidade
Leque de opções eu lamento
Mas faz muito pouco vento
Assim diz faltando à verdade
Por não obter diversidade
Falta-lhe o discernimento
E concorda com o casamento
Pois em caso de necessidade
Casa a freira com o frade
Há excesso de sentimento
Não abunda a liberdade
Mas vai havendo intimidade
O frade durante o advento
Não tem opções a contento
Como não pode ir à cidade
Dá azo à promiscuidade
Leque de opções eu lamento
Mas faz muito pouco vento
Assim diz faltando à verdade
Por não obter diversidade
Falta-lhe o discernimento
E concorda com o casamento
Pois em caso de necessidade
Casa a freira com o frade
quarta-feira, 17 de abril de 2019
Provérbio provado rimado - DX
Há algumas mentiras que prego
Que fazem muito bem ao ego
Costumo chamar-lhes piedosas
Por estarem delas desejosas
Bem sei que não são verdade
Não prejudicam a sociedade
E torno alguém mais feliz
Quando lhe elogio o nariz
Pode ser um nariz todo torto
Que se partiu numa ida ao Porto
Mas a pessoa sorri de contente
Cada vez que me vê à frente
Nota-se que vem predisposta
Que numa boa conversa aposta
Sabe que não me ponho com fintas
Por isso está nas suas sete quintas
Que fazem muito bem ao ego
Costumo chamar-lhes piedosas
Por estarem delas desejosas
Bem sei que não são verdade
Não prejudicam a sociedade
E torno alguém mais feliz
Quando lhe elogio o nariz
Pode ser um nariz todo torto
Que se partiu numa ida ao Porto
Mas a pessoa sorri de contente
Cada vez que me vê à frente
Nota-se que vem predisposta
Que numa boa conversa aposta
Sabe que não me ponho com fintas
Por isso está nas suas sete quintas
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