Não há mês mais irritado
Do que Abril zangado
Nem mês mais agradecido
Do que o Maio florido
No que toca a Junho
Aqui deixo testemunho
Tem o dia mais extenso
Que eu o sol não dispenso
Em Julho os dias são quentes
Andam sorrisos nos dentes
Traz-nos a praia Agosto
Não é razão p'ra desgosto
Setembro vem com vindimas
Nunca mais acabam as rimas
Mas o Outono já espreita
Quando começa a colheita
Dali até ao Natal
O frio é coisa normal
E vem lá o novo ano
Repete-se o quotidiano
sábado, 6 de abril de 2019
terça-feira, 2 de abril de 2019
Provérbio provado rimado - CDXCIII
Se ferradura desse sorte
Burro não puxava carroça
Tinhas fortuna até à morte
Nunca levavas uma coça
A roupa lavava-se sozinha
A comida aparecia pronta
Era simpática a vizinha
Ao invés de ser uma tonta
Os teus filhos eram doutores
Engenheiros eram teus netos
Em velho não terias dores
Teus amigos eram selectos
Tinhas no banco milhares
Fazias férias no estrangeiro
Na vida nunca havia azares
Era Verão o ano inteiro
Burro não puxava carroça
Tinhas fortuna até à morte
Nunca levavas uma coça
A roupa lavava-se sozinha
A comida aparecia pronta
Era simpática a vizinha
Ao invés de ser uma tonta
Os teus filhos eram doutores
Engenheiros eram teus netos
Em velho não terias dores
Teus amigos eram selectos
Tinhas no banco milhares
Fazias férias no estrangeiro
Na vida nunca havia azares
Era Verão o ano inteiro
domingo, 31 de março de 2019
Provérbio provado rimado - CDXCII
Amanhã já é segunda feira
Só me apetece dizer uma asneira
Uma daquelas bem cabeludas
Que deixe as pessoas mudas
Mas aqui não é permitido
Aliás até é proibido
Então direi coisa elegante
Por exemplo cocó de elefante
Karaças é interjeição leve
Mas não é assim que se escreve
Apre abrenúncio e credo
Irra puxa ai que medo
Já esgotei as asneiras fugazes
Só me recordo das audazes
Termino com chiça penico
E mais aliviada eu fico
Só me apetece dizer uma asneira
Uma daquelas bem cabeludas
Que deixe as pessoas mudas
Mas aqui não é permitido
Aliás até é proibido
Então direi coisa elegante
Por exemplo cocó de elefante
Karaças é interjeição leve
Mas não é assim que se escreve
Apre abrenúncio e credo
Irra puxa ai que medo
Já esgotei as asneiras fugazes
Só me recordo das audazes
Termino com chiça penico
E mais aliviada eu fico
Provérbio provado rimado - CDXCI
Se queres mijar contra o vento
E não arranjas melhor pensamento
Entretém-te a coser meias
Pois as gavetas estão cheias
Muitas rotas e desirmanadas
E a maior parte mal dobradas
Azuis escuras ao lado das pretas
Anda lá não te ponhas com tretas
Vai ligeiro fazer o que peço
Que no saco das meias tropeço
Ou então vai passar a ferro
Se não queres que te mande um berro
É um passatempo de Inverno
Mas também tens o caderno
Prontinho cheio de equações
De gramática e definições
Coser meias tarefa de macho?
Cozer batatas dentro do tacho?
Neste século não há disso mais
Agora somos todos iguais
E não arranjas melhor pensamento
Entretém-te a coser meias
Pois as gavetas estão cheias
Muitas rotas e desirmanadas
E a maior parte mal dobradas
Azuis escuras ao lado das pretas
Anda lá não te ponhas com tretas
Vai ligeiro fazer o que peço
Que no saco das meias tropeço
Ou então vai passar a ferro
Se não queres que te mande um berro
É um passatempo de Inverno
Mas também tens o caderno
Prontinho cheio de equações
De gramática e definições
Coser meias tarefa de macho?
Cozer batatas dentro do tacho?
Neste século não há disso mais
Agora somos todos iguais
Provérbio provado rimado - CDXC
Dois que se defrontam no ringue
Até que um deles se extingue
KO que leva ao tapete de vez
Não é preciso contar até dez
Vem o árbitro e levanta a mão
Assinala qual é o campeão
Tira as luvas e a coisa dos dentes
Olha em volta para mais oponentes
Depois de mirar tanto em redor
Nem sequer agradece ao treinador
Tem tão insuflado o seu Eu
Que cospe no prato que comeu
Até que um deles se extingue
KO que leva ao tapete de vez
Não é preciso contar até dez
Vem o árbitro e levanta a mão
Assinala qual é o campeão
Tira as luvas e a coisa dos dentes
Olha em volta para mais oponentes
Depois de mirar tanto em redor
Nem sequer agradece ao treinador
Tem tão insuflado o seu Eu
Que cospe no prato que comeu
Provérbio provado rimado - CDLXXXIX
Há provérbios que não compreendo
Pois não sou tão esperta assim
E logo quando não os entendo
Invento uma rima porque enfim
É o caso deste que se segue
Diz que o casamento e a mortalha
Não há nada porém que o negue
É no céu que a coisa se talha
Talhar é por molde cortar
Lá no céu os anjinhos burilam
O fato do fim e o de casar
Mortos e vivos rejubilam
Pois não sou tão esperta assim
E logo quando não os entendo
Invento uma rima porque enfim
É o caso deste que se segue
Diz que o casamento e a mortalha
Não há nada porém que o negue
É no céu que a coisa se talha
Talhar é por molde cortar
Lá no céu os anjinhos burilam
O fato do fim e o de casar
Mortos e vivos rejubilam
Provérbio provado rimado - CDLXXXVIII
Estamos a entrar em Abril
Que dizem ter águas mil
A chuva faz tanta falta
Para regar os campos da malta
Não quero do contra ser
Mas se já pudesse escolher
Entrava directa no verão
É a predilecta estação
Ia dar um mergulho no mar
Depois para a toalha secar
E andava com roupas leves
Estou farta de dias breves
Que dizem ter águas mil
A chuva faz tanta falta
Para regar os campos da malta
Não quero do contra ser
Mas se já pudesse escolher
Entrava directa no verão
É a predilecta estação
Ia dar um mergulho no mar
Depois para a toalha secar
E andava com roupas leves
Estou farta de dias breves
Provérbio provado rimado - CDLXXXVII
Somos amigas desde os seis anos
Já nem sequer é preciso falar
Juntas em alegrias e enganos
Sabemos o que a outra está a pensar
Partilhámos trabalho e escola
Férias grandes e roupas emprestadas
Alinhamos pela mesma bitola
Continuamos mesmo se separadas
Tantas histórias há para contar
Vividas de noite e de dia
Por vezes tive de me zangar
E dizer-lhe mau mau Maria
Já nem sequer é preciso falar
Juntas em alegrias e enganos
Sabemos o que a outra está a pensar
Partilhámos trabalho e escola
Férias grandes e roupas emprestadas
Alinhamos pela mesma bitola
Continuamos mesmo se separadas
Tantas histórias há para contar
Vividas de noite e de dia
Por vezes tive de me zangar
E dizer-lhe mau mau Maria
Provérbio provado rimado - CDLXXXVI
Uma discussão no trabalho
Já ia num rumo perigoso
O Bruno armou-se em paspalho
Mostrou o punho vigoroso
O Nuno não foi de modas
Arregaçou logo as mangas
Opá de uma vez por todas
Já estou farto das tuas tangas
A Ana foi a salvação
E veio pôr panos quentes
Lá acalmou a situação
E ninguém partiu os dentes
Já ia num rumo perigoso
O Bruno armou-se em paspalho
Mostrou o punho vigoroso
O Nuno não foi de modas
Arregaçou logo as mangas
Opá de uma vez por todas
Já estou farto das tuas tangas
A Ana foi a salvação
E veio pôr panos quentes
Lá acalmou a situação
E ninguém partiu os dentes
Provérbio provado rimado - CDLXXXV
Já ontem descuidaste
E hoje tu não pensas
Pois se não te enlutaste
São as famílias propensas
Aqui te dou um conselho
Com carinho os teus estima
Um dia serás tu velho
Recordarás esta rima
Terás teus filhos também
Não vais querer que te desprezem
Que amem o pai e a mãe
E restante família prezem
Ensina-lhes bem a lição
Num silêncio exemplar
Que reflicta a acção
No seio familiar
Logo será como queres
Filho és e pai serás
Assim como fizeres
Assim tu acharás
E hoje tu não pensas
Pois se não te enlutaste
São as famílias propensas
Aqui te dou um conselho
Com carinho os teus estima
Um dia serás tu velho
Recordarás esta rima
Terás teus filhos também
Não vais querer que te desprezem
Que amem o pai e a mãe
E restante família prezem
Ensina-lhes bem a lição
Num silêncio exemplar
Que reflicta a acção
No seio familiar
Logo será como queres
Filho és e pai serás
Assim como fizeres
Assim tu acharás
Provérbio provado rimado - CDLXXXIV
Se no YouTube sonhas aparecer
Como está na moda querer
Não basta desejar ser famoso
E carregar um vídeo jeitoso
Se é nas revistas cor de rosa
Que queres fotografar airosa
Não basta ter um lindo vestido
E ter o braço dado com o querido
Os teus quinze minutos de fama
Não se têm dormindo na cama
Terás de trabalhar um pouco
Ou então serás sábio ou louco
Como está na moda querer
Não basta desejar ser famoso
E carregar um vídeo jeitoso
Se é nas revistas cor de rosa
Que queres fotografar airosa
Não basta ter um lindo vestido
E ter o braço dado com o querido
Os teus quinze minutos de fama
Não se têm dormindo na cama
Terás de trabalhar um pouco
Ou então serás sábio ou louco
Provérbio provado rimado - CDLXXXIII
O João é alto e lingrinhas
E tem as pernas fininhas
Corre lento como um caracol
Para ganhar um lugar ao sol
Não tem preparação muscular
Cansa-se fica logo a ofegar
Essa é uma das suas facetas
É que não se aguenta nas canetas
E tem as pernas fininhas
Corre lento como um caracol
Para ganhar um lugar ao sol
Não tem preparação muscular
Cansa-se fica logo a ofegar
Essa é uma das suas facetas
É que não se aguenta nas canetas
Provérbio provado rimado - CDLXXXII
Levas a colher à boca
Bem cheia de quente sopa
Sorves tudo num instante
O gesto é reconfortante
Mal acabas de o fazer
Nem chegou a arrefecer
É que bocado engolido
É logo sabor perdido
Bem cheia de quente sopa
Sorves tudo num instante
O gesto é reconfortante
Mal acabas de o fazer
Nem chegou a arrefecer
É que bocado engolido
É logo sabor perdido
terça-feira, 26 de março de 2019
Provérbio provado rimado - CDLXXXI
Há gentinha assaz invejosa
De insucesso alheio desejosa
Tudo faz para o azar mirar
Com infortúnio se deleitar
É uma gente que anda aos pares
Todos juntos são muitos milhares
A inveja é um comum factor
Defeito que grassa com fervor
Tanto Judas como outros matreiros
Sempre ganham trinta dinheiros
Beijam Cristo numa das faces
Invejando seus poderes fugazes
Ladrões e corruptos q.b.
Mais roubam se o Estado não vê
Nunca o invejoso medrou
Nem quem ao pé dele morou
De insucesso alheio desejosa
Tudo faz para o azar mirar
Com infortúnio se deleitar
É uma gente que anda aos pares
Todos juntos são muitos milhares
A inveja é um comum factor
Defeito que grassa com fervor
Tanto Judas como outros matreiros
Sempre ganham trinta dinheiros
Beijam Cristo numa das faces
Invejando seus poderes fugazes
Ladrões e corruptos q.b.
Mais roubam se o Estado não vê
Nunca o invejoso medrou
Nem quem ao pé dele morou
Provérbio provado rimado - CDLXXX
A vida passa a correr
Num instante vamos morrer
Hoje bem e amanhã mal
Numa cama de hospital
As dificuldades enfrenta
Se chegares aos setenta
Com poder e sabedoria
Tenta sempre ter alegria
Por isso vá põe-te fino
Vá lá não sejas menino
Digo-te cresce e aparece
A vida fácil fenece
Num instante vamos morrer
Hoje bem e amanhã mal
Numa cama de hospital
As dificuldades enfrenta
Se chegares aos setenta
Com poder e sabedoria
Tenta sempre ter alegria
Por isso vá põe-te fino
Vá lá não sejas menino
Digo-te cresce e aparece
A vida fácil fenece
Provérbio provado rimado - CDLXXIX
A minha irmã Catarina
É uma mulher poderosa
Mas por vezes desatina
Com a sua prole numerosa
Duas meninas e um menino
Que fazem birras à vez
Foi assim que quis o destino
Três é a conta que Deus fez
É uma mulher poderosa
Mas por vezes desatina
Com a sua prole numerosa
Duas meninas e um menino
Que fazem birras à vez
Foi assim que quis o destino
Três é a conta que Deus fez
segunda-feira, 25 de março de 2019
Provérbio provado rimado - CDLXXVIII
A minha vizinha Maria
Só sabe dar-me arrelia
É grande coscuvilheira
Espreita de toda a maneira
Faz conluio com a de cima
Às vezes também com a prima
E finge varrer as escadas
Quando elas já estão lavadas
Já viram o meu azar?
Neste prédio tenho meu lar
É que má vizinha à porta
É pior que lagarta na horta
Só sabe dar-me arrelia
É grande coscuvilheira
Espreita de toda a maneira
Faz conluio com a de cima
Às vezes também com a prima
E finge varrer as escadas
Quando elas já estão lavadas
Já viram o meu azar?
Neste prédio tenho meu lar
É que má vizinha à porta
É pior que lagarta na horta
sábado, 23 de março de 2019
Provérbio provado rimado - CDLXXVII
Jacaré que não corre apressado
Acaba transformado em calçado
E o que dorme vira mala
Com alsa e fivela para atá-la
Vê lá tu não durmas na forma
Andar bem desperto é norma
Põe as tuas antenas ligadas
Que estejam bem sintonizadas
Acaba transformado em calçado
E o que dorme vira mala
Com alsa e fivela para atá-la
Vê lá tu não durmas na forma
Andar bem desperto é norma
Põe as tuas antenas ligadas
Que estejam bem sintonizadas
Provérbio provado rimado - CDLXXVI
A minha terra é rés vés
A coroa de Lisboa
Enganam-se não é Algés
Disseram um nome à toa
É a capital da BD
E de equipamentos perfeitos
Eu trabalho onde muito se lê
Mas há alguns bairros suspeitos
Muita imigração no concelho
O Babilónia é uma referência
Também há muito povo velho
Há que ter nas filas paciência
A Academia Militar
Com os seus mancebos fardados
Não pára nunca de formar
Ano após ano soldados
Até já tem metro agora
Que facilita a mobilidade
Não falo da boca para fora
É a minha Amadora cidade
A coroa de Lisboa
Enganam-se não é Algés
Disseram um nome à toa
É a capital da BD
E de equipamentos perfeitos
Eu trabalho onde muito se lê
Mas há alguns bairros suspeitos
Muita imigração no concelho
O Babilónia é uma referência
Também há muito povo velho
Há que ter nas filas paciência
A Academia Militar
Com os seus mancebos fardados
Não pára nunca de formar
Ano após ano soldados
Até já tem metro agora
Que facilita a mobilidade
Não falo da boca para fora
É a minha Amadora cidade
sexta-feira, 22 de março de 2019
Provérbio provado rimado - CDLXXV
Quando se vai à taberna
E do copo três se abusa
No dia seguinte se hiberna
Levantar da cama é recusa
Queres fiado toma o cartaz
Que nas paredes está exposto
O WC na parte de trás
Ao lado da pipa com mosto
O Senhor Saraiva ao balcão
Com o seu cabelo oleoso
Limpa ao avental logo a mão
Serve os copos com ar pesaroso
Não se sabe o copo qual
Que a moca despoletou
Bebedeira monumental
Que na sanita terminou
Mas que grande ressaca irra
Como dar com a cabeça na porta
Não adianta sequer fazer birra
Se não se sai da cepa torta
Dizer não irei beber mais
E no dia seguinte ir lá
São promessas que já são demais
Coerência e estrutura não há
E do copo três se abusa
No dia seguinte se hiberna
Levantar da cama é recusa
Queres fiado toma o cartaz
Que nas paredes está exposto
O WC na parte de trás
Ao lado da pipa com mosto
O Senhor Saraiva ao balcão
Com o seu cabelo oleoso
Limpa ao avental logo a mão
Serve os copos com ar pesaroso
Não se sabe o copo qual
Que a moca despoletou
Bebedeira monumental
Que na sanita terminou
Mas que grande ressaca irra
Como dar com a cabeça na porta
Não adianta sequer fazer birra
Se não se sai da cepa torta
Dizer não irei beber mais
E no dia seguinte ir lá
São promessas que já são demais
Coerência e estrutura não há
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