Se no YouTube sonhas aparecer
Como está na moda querer
Não basta desejar ser famoso
E carregar um vídeo jeitoso
Se é nas revistas cor de rosa
Que queres fotografar airosa
Não basta ter um lindo vestido
E ter o braço dado com o querido
Os teus quinze minutos de fama
Não se têm dormindo na cama
Terás de trabalhar um pouco
Ou então serás sábio ou louco
domingo, 31 de março de 2019
Provérbio provado rimado - CDLXXXIII
O João é alto e lingrinhas
E tem as pernas fininhas
Corre lento como um caracol
Para ganhar um lugar ao sol
Não tem preparação muscular
Cansa-se fica logo a ofegar
Essa é uma das suas facetas
É que não se aguenta nas canetas
E tem as pernas fininhas
Corre lento como um caracol
Para ganhar um lugar ao sol
Não tem preparação muscular
Cansa-se fica logo a ofegar
Essa é uma das suas facetas
É que não se aguenta nas canetas
Provérbio provado rimado - CDLXXXII
Levas a colher à boca
Bem cheia de quente sopa
Sorves tudo num instante
O gesto é reconfortante
Mal acabas de o fazer
Nem chegou a arrefecer
É que bocado engolido
É logo sabor perdido
Bem cheia de quente sopa
Sorves tudo num instante
O gesto é reconfortante
Mal acabas de o fazer
Nem chegou a arrefecer
É que bocado engolido
É logo sabor perdido
terça-feira, 26 de março de 2019
Provérbio provado rimado - CDLXXXI
Há gentinha assaz invejosa
De insucesso alheio desejosa
Tudo faz para o azar mirar
Com infortúnio se deleitar
É uma gente que anda aos pares
Todos juntos são muitos milhares
A inveja é um comum factor
Defeito que grassa com fervor
Tanto Judas como outros matreiros
Sempre ganham trinta dinheiros
Beijam Cristo numa das faces
Invejando seus poderes fugazes
Ladrões e corruptos q.b.
Mais roubam se o Estado não vê
Nunca o invejoso medrou
Nem quem ao pé dele morou
De insucesso alheio desejosa
Tudo faz para o azar mirar
Com infortúnio se deleitar
É uma gente que anda aos pares
Todos juntos são muitos milhares
A inveja é um comum factor
Defeito que grassa com fervor
Tanto Judas como outros matreiros
Sempre ganham trinta dinheiros
Beijam Cristo numa das faces
Invejando seus poderes fugazes
Ladrões e corruptos q.b.
Mais roubam se o Estado não vê
Nunca o invejoso medrou
Nem quem ao pé dele morou
Provérbio provado rimado - CDLXXX
A vida passa a correr
Num instante vamos morrer
Hoje bem e amanhã mal
Numa cama de hospital
As dificuldades enfrenta
Se chegares aos setenta
Com poder e sabedoria
Tenta sempre ter alegria
Por isso vá põe-te fino
Vá lá não sejas menino
Digo-te cresce e aparece
A vida fácil fenece
Num instante vamos morrer
Hoje bem e amanhã mal
Numa cama de hospital
As dificuldades enfrenta
Se chegares aos setenta
Com poder e sabedoria
Tenta sempre ter alegria
Por isso vá põe-te fino
Vá lá não sejas menino
Digo-te cresce e aparece
A vida fácil fenece
Provérbio provado rimado - CDLXXIX
A minha irmã Catarina
É uma mulher poderosa
Mas por vezes desatina
Com a sua prole numerosa
Duas meninas e um menino
Que fazem birras à vez
Foi assim que quis o destino
Três é a conta que Deus fez
É uma mulher poderosa
Mas por vezes desatina
Com a sua prole numerosa
Duas meninas e um menino
Que fazem birras à vez
Foi assim que quis o destino
Três é a conta que Deus fez
segunda-feira, 25 de março de 2019
Provérbio provado rimado - CDLXXVIII
A minha vizinha Maria
Só sabe dar-me arrelia
É grande coscuvilheira
Espreita de toda a maneira
Faz conluio com a de cima
Às vezes também com a prima
E finge varrer as escadas
Quando elas já estão lavadas
Já viram o meu azar?
Neste prédio tenho meu lar
É que má vizinha à porta
É pior que lagarta na horta
Só sabe dar-me arrelia
É grande coscuvilheira
Espreita de toda a maneira
Faz conluio com a de cima
Às vezes também com a prima
E finge varrer as escadas
Quando elas já estão lavadas
Já viram o meu azar?
Neste prédio tenho meu lar
É que má vizinha à porta
É pior que lagarta na horta
sábado, 23 de março de 2019
Provérbio provado rimado - CDLXXVII
Jacaré que não corre apressado
Acaba transformado em calçado
E o que dorme vira mala
Com alsa e fivela para atá-la
Vê lá tu não durmas na forma
Andar bem desperto é norma
Põe as tuas antenas ligadas
Que estejam bem sintonizadas
Acaba transformado em calçado
E o que dorme vira mala
Com alsa e fivela para atá-la
Vê lá tu não durmas na forma
Andar bem desperto é norma
Põe as tuas antenas ligadas
Que estejam bem sintonizadas
Provérbio provado rimado - CDLXXVI
A minha terra é rés vés
A coroa de Lisboa
Enganam-se não é Algés
Disseram um nome à toa
É a capital da BD
E de equipamentos perfeitos
Eu trabalho onde muito se lê
Mas há alguns bairros suspeitos
Muita imigração no concelho
O Babilónia é uma referência
Também há muito povo velho
Há que ter nas filas paciência
A Academia Militar
Com os seus mancebos fardados
Não pára nunca de formar
Ano após ano soldados
Até já tem metro agora
Que facilita a mobilidade
Não falo da boca para fora
É a minha Amadora cidade
A coroa de Lisboa
Enganam-se não é Algés
Disseram um nome à toa
É a capital da BD
E de equipamentos perfeitos
Eu trabalho onde muito se lê
Mas há alguns bairros suspeitos
Muita imigração no concelho
O Babilónia é uma referência
Também há muito povo velho
Há que ter nas filas paciência
A Academia Militar
Com os seus mancebos fardados
Não pára nunca de formar
Ano após ano soldados
Até já tem metro agora
Que facilita a mobilidade
Não falo da boca para fora
É a minha Amadora cidade
sexta-feira, 22 de março de 2019
Provérbio provado rimado - CDLXXV
Quando se vai à taberna
E do copo três se abusa
No dia seguinte se hiberna
Levantar da cama é recusa
Queres fiado toma o cartaz
Que nas paredes está exposto
O WC na parte de trás
Ao lado da pipa com mosto
O Senhor Saraiva ao balcão
Com o seu cabelo oleoso
Limpa ao avental logo a mão
Serve os copos com ar pesaroso
Não se sabe o copo qual
Que a moca despoletou
Bebedeira monumental
Que na sanita terminou
Mas que grande ressaca irra
Como dar com a cabeça na porta
Não adianta sequer fazer birra
Se não se sai da cepa torta
Dizer não irei beber mais
E no dia seguinte ir lá
São promessas que já são demais
Coerência e estrutura não há
E do copo três se abusa
No dia seguinte se hiberna
Levantar da cama é recusa
Queres fiado toma o cartaz
Que nas paredes está exposto
O WC na parte de trás
Ao lado da pipa com mosto
O Senhor Saraiva ao balcão
Com o seu cabelo oleoso
Limpa ao avental logo a mão
Serve os copos com ar pesaroso
Não se sabe o copo qual
Que a moca despoletou
Bebedeira monumental
Que na sanita terminou
Mas que grande ressaca irra
Como dar com a cabeça na porta
Não adianta sequer fazer birra
Se não se sai da cepa torta
Dizer não irei beber mais
E no dia seguinte ir lá
São promessas que já são demais
Coerência e estrutura não há
Provérbio provado rimado - CDLXXIV
A juventude da qual te orgulhas
Só passa depois das borbulhas
Agora és imberbe miúdo
Com um cabelo de veludo
Pareces-me ser atraente
Seria tua pretendente
Se não fosse muito mais velha
Podia ser tua parelha
Que cresças fico aqui à espera
Matures com a Primavera
Espero não me vás preterir
Mais te digo que hás-de cá vir
Só passa depois das borbulhas
Agora és imberbe miúdo
Com um cabelo de veludo
Pareces-me ser atraente
Seria tua pretendente
Se não fosse muito mais velha
Podia ser tua parelha
Que cresças fico aqui à espera
Matures com a Primavera
Espero não me vás preterir
Mais te digo que hás-de cá vir
Provérbio provado rimado - CDLXXIII
Todos cometemos erros
E a asneira é um polme
Que reveste como ferros
Ninguém escapa incólume
Quem pensa que está livre
Da burrice cometer
Não terá savoir-vivre
E vai-se arrepender
Melhor é baixar a garimpa
No processo pôr uma estaca
Ter a consciência limpa
É ter a memória fraca
E a asneira é um polme
Que reveste como ferros
Ninguém escapa incólume
Quem pensa que está livre
Da burrice cometer
Não terá savoir-vivre
E vai-se arrepender
Melhor é baixar a garimpa
No processo pôr uma estaca
Ter a consciência limpa
É ter a memória fraca
Provérbio provado rimado - CDLXXII
Invejam muito o que valho
Mas pouco o que trabalho
Esta semana foi dose
Deu-me cabo da escoliose
Por vezes é uma correria
Não pensem que tenho a mania
Picar o relógio de ponto
Deixa o cérebro tonto
E o público atender
É caso para esmorecer
Às vezes só me saem duques
Ladinos e cheios de truques
Mas pouco o que trabalho
Esta semana foi dose
Deu-me cabo da escoliose
Por vezes é uma correria
Não pensem que tenho a mania
Picar o relógio de ponto
Deixa o cérebro tonto
E o público atender
É caso para esmorecer
Às vezes só me saem duques
Ladinos e cheios de truques
Provérbio provado num verso branco - XLVIII
O bom filho a casa torna
(Mortuus erat et revixit)
I
Segui um dia num barco
Cores vivas acesso ilimitado
Que passou à minha porta
Embarquei até onde as vagas rebentam
Emoções tão pesadas que bailava
Rumo ao disperso mar incerto
Procurava um porto onde atracar
Rodeavam-me horizontes
A caminho do desmaio
II
Vira a marcha à ré
Capitão maquinista almirante
Quero voltar à partida
Retornar aos mansos ventos
Agora onde só o desespero me cerca
Devia ter-te ignorado
Primeiro barco luz depois triste
Fechava os olhos e dormia
E já o sonho me leva à tua proa
Donde vejo perdida a vida
III
Pai querido pai
Porque não me ensinaste
Que é mais saudável
A emoção sentida de fora
Que na paz se apreciam os momentos
Que o mar não é seguro
Debaixo dos meus pés?
Porquê pai não deixei passar
De mansinho o barco
Na corrente do rio?
IV
Disse o pai aos seus criados: "Trazei depressa o fato melhor e vesti-lho; ponde-lhe um anel na mão e calçado nos pés. Trazei o vitelo gordo, matai-o; e comamos em festa, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e encontrou-se."
(Mortuus erat et revixit)
I
Segui um dia num barco
Cores vivas acesso ilimitado
Que passou à minha porta
Embarquei até onde as vagas rebentam
Emoções tão pesadas que bailava
Rumo ao disperso mar incerto
Procurava um porto onde atracar
Rodeavam-me horizontes
A caminho do desmaio
II
Vira a marcha à ré
Capitão maquinista almirante
Quero voltar à partida
Retornar aos mansos ventos
Agora onde só o desespero me cerca
Devia ter-te ignorado
Primeiro barco luz depois triste
Fechava os olhos e dormia
E já o sonho me leva à tua proa
Donde vejo perdida a vida
III
Pai querido pai
Porque não me ensinaste
Que é mais saudável
A emoção sentida de fora
Que na paz se apreciam os momentos
Que o mar não é seguro
Debaixo dos meus pés?
Porquê pai não deixei passar
De mansinho o barco
Na corrente do rio?
IV
Disse o pai aos seus criados: "Trazei depressa o fato melhor e vesti-lho; ponde-lhe um anel na mão e calçado nos pés. Trazei o vitelo gordo, matai-o; e comamos em festa, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e encontrou-se."
Provérbio provado rimado - CDLXXI
Icterícia e bonito cabelo
Faz-te belo e amarelo
Todo airoso e todo janota
Ninguém diz que já és um cota
A juntar à prisão de ventre
Tu bem tentas seguir em frente
Até vais até ao consultório
Para pedir um supositório
O médico receita dieta
Radical muito completa
Só a esposa te atura
Deita água na fervura
Leva com o teu mau feitio
Sem um ai e sem um pio
E teus desmandos perdoa
Ela é uma esposa boa
Faz-te belo e amarelo
Todo airoso e todo janota
Ninguém diz que já és um cota
A juntar à prisão de ventre
Tu bem tentas seguir em frente
Até vais até ao consultório
Para pedir um supositório
O médico receita dieta
Radical muito completa
Só a esposa te atura
Deita água na fervura
Leva com o teu mau feitio
Sem um ai e sem um pio
E teus desmandos perdoa
Ela é uma esposa boa
Provérbio provado rimado - CDLXX
Vim aqui dizer um poema
Decorá-lo foi um problema
Terei de a voz projectar
E tentar não tremelicar
Desculpem se estou nervosa
Melhor era só ler em prosa
Mas quis dar-me um objectivo
Já nem sei qual foi o motivo
Ó senhores façam silêncio
Tu também aí ó Prudêncio
Pois vou começar a dizer
O poema que aqui quis trazer
Que rápido foi e já acabou
Nem sequer um minuto levou
Talvez parecesse corriqueiro
Agora é o descanso do guerreiro
Decorá-lo foi um problema
Terei de a voz projectar
E tentar não tremelicar
Desculpem se estou nervosa
Melhor era só ler em prosa
Mas quis dar-me um objectivo
Já nem sei qual foi o motivo
Ó senhores façam silêncio
Tu também aí ó Prudêncio
Pois vou começar a dizer
O poema que aqui quis trazer
Que rápido foi e já acabou
Nem sequer um minuto levou
Talvez parecesse corriqueiro
Agora é o descanso do guerreiro
quinta-feira, 21 de março de 2019
Provérbio provado rimado - CDLXIX
O ditado a verdade encerra
Os mais fortes reinam na terra
Só o pensamento é ciência
Contra a força não há resistência
Os mais fortes reinam na terra
Só o pensamento é ciência
Contra a força não há resistência
Provérbio provado rimado - CDLXVIII
Mudam-se os tempos
Mudam-se as vontades
Ora temos contratempos
Ora bem são liberdades
O mundo pula e avança
Em constante construção
Numa obstinada dança
E alegre renovação
Objectivos como meta
E que nos fazem mudar
Como a cauda de um cometa
Deixam rasto a brilhar
A mudança é tão boa
É sal que tempera a vida
Impede que andemos à toa
Até vir a despedida
Quando o dia chega ao fim
Com alívio suspiramos
Amanhã será assim
Novo dia que tragamos
Mudam-se as vontades
Ora temos contratempos
Ora bem são liberdades
O mundo pula e avança
Em constante construção
Numa obstinada dança
E alegre renovação
Objectivos como meta
E que nos fazem mudar
Como a cauda de um cometa
Deixam rasto a brilhar
A mudança é tão boa
É sal que tempera a vida
Impede que andemos à toa
Até vir a despedida
Quando o dia chega ao fim
Com alívio suspiramos
Amanhã será assim
Novo dia que tragamos
Provérbio provado rimado - CDLXVII
Estou-te cá com umas ganas
Não quero esperar semanas
Devolveste-me o sorriso
Tens tudo o que é preciso
Quem haveria de dizer
Que te iria conhecer
Numa circunstância invulgar
Quando saímos para jantar?
Desejo é viver o presente
E o futuro que aguente
Não quero andar com sonda
Vamos na crista da onda
É de aproveitar a maré
Ser um do outro ó Zé
Suspeito que estaremos bem
Arriscando como convém
Não quero esperar semanas
Devolveste-me o sorriso
Tens tudo o que é preciso
Quem haveria de dizer
Que te iria conhecer
Numa circunstância invulgar
Quando saímos para jantar?
Desejo é viver o presente
E o futuro que aguente
Não quero andar com sonda
Vamos na crista da onda
É de aproveitar a maré
Ser um do outro ó Zé
Suspeito que estaremos bem
Arriscando como convém
Provérbio provado num verso branco - XLVII
A gente cria os filhos para o mundo
Espelho do que desejámos viver
Oscilando entre a vontade de que voem para longe
Querendo ao mesmo tempo protegê-los debaixo da asa
O ninho sempre à espera que regressem saudáveis e pródigos
Eles sobrevoam-no e afinal ficam por perto
A maçã nunca cai longe da macieira
Sabe onde nasceu porque os pinheiros não dão uvas
E as videiras não produzem pinhões
A seiva é o sangue que sobe da terra e lhe diz estás em casa
Os ramos o abraço do sol e da chuva
Espelho do que desejámos viver
Oscilando entre a vontade de que voem para longe
Querendo ao mesmo tempo protegê-los debaixo da asa
O ninho sempre à espera que regressem saudáveis e pródigos
Eles sobrevoam-no e afinal ficam por perto
A maçã nunca cai longe da macieira
Sabe onde nasceu porque os pinheiros não dão uvas
E as videiras não produzem pinhões
A seiva é o sangue que sobe da terra e lhe diz estás em casa
Os ramos o abraço do sol e da chuva
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