quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Provérbio provado rimado - CDXXVIII

Fulano que é muito sisudo
E não se ri uma vez por mês
Suspeito que é abelhudo
Ou é tolo ou quem o fez

Se queres chegar a velho
Ser jarreta e divertido
Aceita aqui este conselho
Não andes de queixo caído

Quando tens uma gargalhada
Na garganta pronta a explodir
Faz por não a deixar encravada
Solta-a e ri a bom rir

Provérbio provado rimado - CDXXVII

Lá numa aldeia do Minho
Ia um burro com jeitinho
Bem guiado pelo seu dono
Não ficava ao abandono

Um dia não se sabe porquê
A razão ninguém antevê
No estábulo ficou parado
Parecia um burro enjeitado

Veio o vizinho e logo disse
Ao dono sem nenhuma meiguice
Quem tem burro e anda a pé
Ó compadre mais burro é

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Provérbio provado rimado - CDXXVI

Não critiques uma rosa
Só porque ela tem espinhos
É uma flor amorosa
Que se oferece com beijinhos

Vê que a vida é tal e qual
Alegre mas com agruras
Quando tudo está bem afinal
Aparecem as amarguras

Não te deixes esmorecer
Vai em frente com um sorriso
Estarás sempre a aprender
Tenhas muito ou pouco juízo

Diz que basta um punhado
Para se conhecer o saco
Mesmo que sofras um bocado
Não queiras dar parte de fraco

Provérbio provado rimado - CDXXV

Mais vale um bom amigo
Que qualquer honra de parente
O parente é mais antigo
Mas a amizade é diferente

O parente é uma ligação
Vive muito da aparência
Que se faz de obrigação
E por vezes de divergência

Com o amigo podemos contar
Quando ele é verdadeiro
Está sempre pronto a ajudar
E corresponde por inteiro

Provérbio provado rimado - CDXXIV

A matéria é um sonho finito
Que nos prende numa gaiola
Bonito é o que parece bonito
Mas não nos ensinaram na escola

A imaginação mais alto voa
Mais comprido e mais além
E o quotidiano não perdoa
Mata todos não sobra ninguém

Provérbio provado rimado - CDXXIII

Trinta e dois anos na Europa
Vai Portugal de vento em popa
Os subsídios no bolso mete
E a economia compromete

Era bom se o país repartisse
Por todos como aquilo que disse
Na assinatura do acordo
A Espanha também ia a bordo

A política é um sujo jogo
Que por vezes só mete nojo
E a europeia desunião
Prova-se em cada reunião

Continuam a ler a cartilha
Os lobos todos da matilha
Aprendem em bebés a roubar
E no bolso a jogar bilhar

São senhores muito importantes
E no trato são arrogantes
Ao peito trazem medalhas
Que disfarçam as suas falhas

Mas enfim que mais há a dizer
Se nenhum se quer comprometer?
Quando a profissão não rendeu
A cada um aquilo que é seu

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Provérbio provado mal nomeado

Rebentaram-lhe as águas no primeiro dia de Janeiro quando ainda não se faziam peças televisivas sobre o primeiro bebé do ano. Ainda estavam todos a dormir e a Elvira não quis causar alarme: saiu pé ante pé da casa dos pais e caminhou com esforço as duas ruas que a separavam da casa da parteira. A Idalina recebeu-a ensonada, mas foi de imediato pôr água a ferver e assistiu ao parto que se processou com normalidade.
Nos dias seguintes, a Elvira teve de aprender a ser mãe à força, como o têm de fazer todas as mães por mais livros que tenham lido e conselhos que tenham escutado. O bebé chorava a noite toda e ela embalava-o horas a fio enquanto tentava que ele pegasse na mama.
A recente mãe teve de tratar do registo de nascimento e pediu a um dos irmãos mais velhos que a acompanhasse ao cartório mais próximo que não era nada próximo. Uma vez lá chegados, foram atendidos por um funcionário antipático que estava tão bem ali como numa loja a vender tapetes. Chegou enfim a pergunta que a Elvira mais temia:
- Nome do pai?
Silêncio. Ao vê-la tão constrangida, foi o irmão que tomou a iniciativa e respondeu:
- Incógnito! O menino pode ficar com o nome da mãe?
O senhor do cartório olhou-os demoradamente por cima dos óculos até chegar a dizer:


- Não há homem sem nome, nem nome sem sobrenome

sábado, 10 de novembro de 2018

Provérbio provado num verso branco - XLVI

Onde deixei o meu tempo?
Nem de dia nem de noite me encontro vivendo
Se não fosse este verso que aqui escrevo
Eu seria outra coisa qualquer
Nunca sei se estou a dar ou a receber
A quem empresto a verdade mal escondida
De ser humana e assim só saber errar?

Provérbio provado rimado - CDXXII

Quando há fome que tanto aperta
Há muita magreza p'la certa
Que na casa onde não há pão
É difícil haver união

Por isso melhor é aproveitar
Dar valor ao que há p'ra jantar
Amigos comamos e bebamos
E depois nunca mais ralhamos

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Provérbio provado rimado - CDXXI

Meu amor dá-me miminhos
Abraços e muitos beijinhos
Que eu gosto tanto de ti
E em ti o mesmo já vi

Oh que sentimento bonito
Espero que seja infinito
Por favor não te feches em copas
Decide-te ou sim ou sopas

Provérbio provado rimado - CDXX

Se vens já de manhã chatear
Ninguém está para te aturar
E alguém te mandará à fava
Para ver se os teus actos trava

Vá lá mete a viola no saco
Já que de sorrisos és fraco
Pois podias ser mais educado
Mais alegre e menos mimado


quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Provérbios provados seleccionados - VI

Neste blog temático criado em 2008 pode observar-se sempre a mesma estrutura: primeiro o texto, o provérbio no fim (no caso da prosa, já que também há muitas rimas e provérbios provados em verso branco).
 Em relação à prosa, o provérbio aparece só no fim de propósito: pretende-se que os leitores descubram com surpresa qual é o desfecho/moral da história.

Em mais esta compilação de provérbios seleccionados procedi de forma inversa: apresento o ditado popular com o link para a respectiva ficção. Segue então uma selecção das histórias em depósito dos provérbios mais populares de entre os provérbios populares:











Provérbio provado rimado - CDXIX

As férias não me fazem dano
Duas ou três vezes por ano
Mas é sol de pouca dura
Era bom se fosse fartura

Andar sempre a passear
E bem longe de casa estar
Que eu cá nasci p'ra ser rica
Mas não é quem pede que o fica

Provérbio provado rimado - CDXVIII

O Zé está a armar aos cucos
Aos cágados também se arma
Chama os outros de malucos
O Zé vai ter é mau karma

Armado em carapau de corrida
E já são tantos os animais
Que no zoológico da vida
O Zé tem de dar aos pedais

Ele é tão exibicionista
Quando arma ao pingarelho
Devia ser do circo um artista
Só que não entende um chavelho

Os que gostam de impressionar
Como o Zé ter uma plateia
Que aprendam a representar
E a não mostrar cara feia

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Provérbio provado continuamente apaixonado

Amo muito. Amo amar. Amo mesmo sem ser amada. Perco-me de amores com facilidade. Mas o melhor amor é o que é retribuído: amar pode ser um acto muito solitário. Amar pode ser

- Estar como um boi a olhar para um palácio

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Provérbio provado rimado - CDXXVII

Se tu fazes o quatro eu acho
Estás bêbado que nem um cacho
O melhor é ficares estacionado
Ou então irás ser multado

Que a operação stop da polícia
É feita com muita perícia
A patrulha fica escondida
E a carta é apreendida

O melhor é evitar rir
E nem te adianta fugir
Com o teu cu à seringa
Não tivesses bebido a pinga

Terás de soprar no balão
Uma vez e com repetição
E até vais ao tribunal
Se passares o valor legal

Para a próxima vai de comboio
Não receies que não és saloio
Ou divide o Uber por todos
Não é tanto dinheiro a rodos

Provérbio provado rimado - CDXXVI

À espera de ganhar um louvor
Bates pala a qualquer senhor
Andas fardado como gostas
Mas tira esse fardo das costas

Quem corre por gosto não cansa
Mas há um dia que descansa
Corre enfim e põe-te a fancos
Dessa estranha base de Tancos


sábado, 27 de outubro de 2018

Provérbio provado rimado - CDXXV

Se chegarmos a velhos é bom
A cantar ainda dentro do tom
Que a reforma possamos gozar
Depois duma vida a trabalhar

Voltamos a ser mais criança
Ainda cheiinha de esperança
Que ouvi dizer que a velhice
É a segunda meninice

sábado, 20 de outubro de 2018

Provérbio provado rimado - CDXXIV

Sonhava o cego que via
Assim sonhava o que queria
Viajava p'lo mundo inteiro
Com os bolsos cheios de dinheiro

O seu sonho limites não tinha
Que o cego não era fuinha
Não precisava de cão guia
Passeava de noite e de dia

E quando enfim acordava
Mandava o mundo à fava
Chateado com o que não vê
Esta rima o cego não lê

Provérbio provado rimado - CDXXIII

Vives com as costas quentes
És amigo dos presidentes
Já se vê estás bem protegido
Não precisas que já és crescido

Mas se tu não te acautelas
Podem bem ir-te às canelas
Que há inimigos à espreita
E te vão dizer é bem feita