Fulano que é muito sisudo
E não se ri uma vez por mês
Suspeito que é abelhudo
Ou é tolo ou quem o fez
Se queres chegar a velho
Ser jarreta e divertido
Aceita aqui este conselho
Não andes de queixo caído
Quando tens uma gargalhada
Na garganta pronta a explodir
Faz por não a deixar encravada
Solta-a e ri a bom rir
quinta-feira, 15 de novembro de 2018
Provérbio provado rimado - CDXXVII
Lá numa aldeia do Minho
Ia um burro com jeitinho
Bem guiado pelo seu dono
Não ficava ao abandono
Um dia não se sabe porquê
A razão ninguém antevê
No estábulo ficou parado
Parecia um burro enjeitado
Veio o vizinho e logo disse
Ao dono sem nenhuma meiguice
Quem tem burro e anda a pé
Ó compadre mais burro é
Ia um burro com jeitinho
Bem guiado pelo seu dono
Não ficava ao abandono
Um dia não se sabe porquê
A razão ninguém antevê
No estábulo ficou parado
Parecia um burro enjeitado
Veio o vizinho e logo disse
Ao dono sem nenhuma meiguice
Quem tem burro e anda a pé
Ó compadre mais burro é
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
Provérbio provado rimado - CDXXVI
Não critiques uma rosa
Só porque ela tem espinhos
É uma flor amorosa
Que se oferece com beijinhos
Vê que a vida é tal e qual
Alegre mas com agruras
Quando tudo está bem afinal
Aparecem as amarguras
Não te deixes esmorecer
Vai em frente com um sorriso
Estarás sempre a aprender
Tenhas muito ou pouco juízo
Diz que basta um punhado
Para se conhecer o saco
Mesmo que sofras um bocado
Não queiras dar parte de fraco
Só porque ela tem espinhos
É uma flor amorosa
Que se oferece com beijinhos
Vê que a vida é tal e qual
Alegre mas com agruras
Quando tudo está bem afinal
Aparecem as amarguras
Não te deixes esmorecer
Vai em frente com um sorriso
Estarás sempre a aprender
Tenhas muito ou pouco juízo
Diz que basta um punhado
Para se conhecer o saco
Mesmo que sofras um bocado
Não queiras dar parte de fraco
Provérbio provado rimado - CDXXV
Mais vale um bom amigo
Que qualquer honra de parente
O parente é mais antigo
Mas a amizade é diferente
O parente é uma ligação
Vive muito da aparência
Que se faz de obrigação
E por vezes de divergência
Com o amigo podemos contar
Quando ele é verdadeiro
Está sempre pronto a ajudar
E corresponde por inteiro
Que qualquer honra de parente
O parente é mais antigo
Mas a amizade é diferente
O parente é uma ligação
Vive muito da aparência
Que se faz de obrigação
E por vezes de divergência
Com o amigo podemos contar
Quando ele é verdadeiro
Está sempre pronto a ajudar
E corresponde por inteiro
Provérbio provado rimado - CDXXIV
A matéria é um sonho finito
Que nos prende numa gaiola
Bonito é o que parece bonito
Mas não nos ensinaram na escola
A imaginação mais alto voa
Mais comprido e mais além
E o quotidiano não perdoa
Mata todos não sobra ninguém
Que nos prende numa gaiola
Bonito é o que parece bonito
Mas não nos ensinaram na escola
A imaginação mais alto voa
Mais comprido e mais além
E o quotidiano não perdoa
Mata todos não sobra ninguém
Provérbio provado rimado - CDXXIII
Trinta e dois anos na Europa
Vai Portugal de vento em popa
Os subsídios no bolso mete
E a economia compromete
Era bom se o país repartisse
Por todos como aquilo que disse
Na assinatura do acordo
A Espanha também ia a bordo
A política é um sujo jogo
Que por vezes só mete nojo
E a europeia desunião
Prova-se em cada reunião
Continuam a ler a cartilha
Os lobos todos da matilha
Aprendem em bebés a roubar
E no bolso a jogar bilhar
São senhores muito importantes
E no trato são arrogantes
Ao peito trazem medalhas
Que disfarçam as suas falhas
Mas enfim que mais há a dizer
Se nenhum se quer comprometer?
Quando a profissão não rendeu
A cada um aquilo que é seu
Vai Portugal de vento em popa
Os subsídios no bolso mete
E a economia compromete
Era bom se o país repartisse
Por todos como aquilo que disse
Na assinatura do acordo
A Espanha também ia a bordo
A política é um sujo jogo
Que por vezes só mete nojo
E a europeia desunião
Prova-se em cada reunião
Continuam a ler a cartilha
Os lobos todos da matilha
Aprendem em bebés a roubar
E no bolso a jogar bilhar
São senhores muito importantes
E no trato são arrogantes
Ao peito trazem medalhas
Que disfarçam as suas falhas
Mas enfim que mais há a dizer
Se nenhum se quer comprometer?
Quando a profissão não rendeu
A cada um aquilo que é seu
terça-feira, 13 de novembro de 2018
Provérbio provado mal nomeado
Rebentaram-lhe as águas no primeiro dia de Janeiro quando
ainda não se faziam peças televisivas sobre o primeiro bebé do ano. Ainda
estavam todos a dormir e a Elvira não quis causar alarme: saiu pé ante pé da
casa dos pais e caminhou com esforço as duas ruas que a separavam da casa da
parteira. A Idalina recebeu-a ensonada, mas foi de imediato pôr água a ferver e
assistiu ao parto que se processou com normalidade.
Nos dias seguintes, a Elvira teve de aprender a ser mãe à
força, como o têm de fazer todas as mães por mais livros que tenham lido e
conselhos que tenham escutado. O bebé chorava a noite toda e ela embalava-o
horas a fio enquanto tentava que ele pegasse na mama.
A recente mãe teve de tratar do registo de nascimento e
pediu a um dos irmãos mais velhos que a acompanhasse ao cartório mais próximo
que não era nada próximo. Uma vez lá chegados, foram atendidos por um
funcionário antipático que estava tão bem ali como numa loja a vender tapetes.
Chegou enfim a pergunta que a Elvira mais temia:
- Nome do pai?
Silêncio. Ao vê-la tão constrangida, foi o irmão que tomou a
iniciativa e respondeu:
- Incógnito! O menino pode ficar com o nome da mãe?
O senhor do cartório olhou-os demoradamente por cima dos
óculos até chegar a dizer:
- Não há homem sem nome, nem nome sem sobrenome
sábado, 10 de novembro de 2018
Provérbio provado num verso branco - XLVI
Onde deixei o meu tempo?
Nem de dia nem de noite me encontro vivendo
Se não fosse este verso que aqui escrevo
Eu seria outra coisa qualquer
Nunca sei se estou a dar ou a receber
A quem empresto a verdade mal escondida
De ser humana e assim só saber errar?
Nem de dia nem de noite me encontro vivendo
Se não fosse este verso que aqui escrevo
Eu seria outra coisa qualquer
Nunca sei se estou a dar ou a receber
A quem empresto a verdade mal escondida
De ser humana e assim só saber errar?
Provérbio provado rimado - CDXXII
Quando há fome que tanto aperta
Há muita magreza p'la certa
Que na casa onde não há pão
É difícil haver união
Por isso melhor é aproveitar
Dar valor ao que há p'ra jantar
Amigos comamos e bebamos
E depois nunca mais ralhamos
Há muita magreza p'la certa
Que na casa onde não há pão
É difícil haver união
Por isso melhor é aproveitar
Dar valor ao que há p'ra jantar
Amigos comamos e bebamos
E depois nunca mais ralhamos
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
Provérbio provado rimado - CDXXI
Meu amor dá-me miminhos
Abraços e muitos beijinhos
Que eu gosto tanto de ti
E em ti o mesmo já vi
Oh que sentimento bonito
Espero que seja infinito
Por favor não te feches em copas
Decide-te ou sim ou sopas
Abraços e muitos beijinhos
Que eu gosto tanto de ti
E em ti o mesmo já vi
Oh que sentimento bonito
Espero que seja infinito
Por favor não te feches em copas
Decide-te ou sim ou sopas
Provérbio provado rimado - CDXX
Se vens já de manhã chatear
Ninguém está para te aturar
E alguém te mandará à fava
Para ver se os teus actos trava
Vá lá mete a viola no saco
Já que de sorrisos és fraco
Pois podias ser mais educado
Mais alegre e menos mimado
Ninguém está para te aturar
E alguém te mandará à fava
Para ver se os teus actos trava
Vá lá mete a viola no saco
Já que de sorrisos és fraco
Pois podias ser mais educado
Mais alegre e menos mimado
quarta-feira, 7 de novembro de 2018
Provérbios provados seleccionados - VI
Neste blog temático criado em 2008 pode observar-se sempre a mesma estrutura: primeiro o texto, o provérbio no fim (no caso da prosa, já que também há muitas rimas e provérbios provados em verso branco).
Em relação à prosa, o provérbio aparece só no fim de propósito: pretende-se que os leitores descubram com surpresa qual é o desfecho/moral da história.
Em mais esta compilação de provérbios seleccionados procedi de forma inversa: apresento o ditado popular com o link para a respectiva ficção. Segue então uma selecção das histórias em depósito dos provérbios mais populares de entre os provérbios populares:
Provérbio provado rimado - CDXIX
As férias não me fazem dano
Duas ou três vezes por ano
Mas é sol de pouca dura
Era bom se fosse fartura
Andar sempre a passear
E bem longe de casa estar
Que eu cá nasci p'ra ser rica
Mas não é quem pede que o fica
Duas ou três vezes por ano
Mas é sol de pouca dura
Era bom se fosse fartura
Andar sempre a passear
E bem longe de casa estar
Que eu cá nasci p'ra ser rica
Mas não é quem pede que o fica
Provérbio provado rimado - CDXVIII
O Zé está a armar aos cucos
Aos cágados também se arma
Chama os outros de malucos
O Zé vai ter é mau karma
Armado em carapau de corrida
E já são tantos os animais
Que no zoológico da vida
O Zé tem de dar aos pedais
Ele é tão exibicionista
Quando arma ao pingarelho
Devia ser do circo um artista
Só que não entende um chavelho
Os que gostam de impressionar
Como o Zé ter uma plateia
Que aprendam a representar
E a não mostrar cara feia
Aos cágados também se arma
Chama os outros de malucos
O Zé vai ter é mau karma
Armado em carapau de corrida
E já são tantos os animais
Que no zoológico da vida
O Zé tem de dar aos pedais
Ele é tão exibicionista
Quando arma ao pingarelho
Devia ser do circo um artista
Só que não entende um chavelho
Os que gostam de impressionar
Como o Zé ter uma plateia
Que aprendam a representar
E a não mostrar cara feia
terça-feira, 6 de novembro de 2018
Provérbio provado continuamente apaixonado
Amo muito. Amo amar. Amo mesmo sem ser amada. Perco-me de amores com facilidade. Mas o melhor amor é o que é retribuído: amar pode ser um acto muito solitário. Amar pode ser
- Estar como um boi a olhar para um palácio
- Estar como um boi a olhar para um palácio
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
Provérbio provado rimado - CDXXVII
Se tu fazes o quatro eu acho
Estás bêbado que nem um cacho
O melhor é ficares estacionado
Ou então irás ser multado
Que a operação stop da polícia
É feita com muita perícia
A patrulha fica escondida
E a carta é apreendida
O melhor é evitar rir
E nem te adianta fugir
Com o teu cu à seringa
Não tivesses bebido a pinga
Terás de soprar no balão
Uma vez e com repetição
E até vais ao tribunal
Se passares o valor legal
Para a próxima vai de comboio
Não receies que não és saloio
Ou divide o Uber por todos
Não é tanto dinheiro a rodos
Estás bêbado que nem um cacho
O melhor é ficares estacionado
Ou então irás ser multado
Que a operação stop da polícia
É feita com muita perícia
A patrulha fica escondida
E a carta é apreendida
O melhor é evitar rir
E nem te adianta fugir
Com o teu cu à seringa
Não tivesses bebido a pinga
Terás de soprar no balão
Uma vez e com repetição
E até vais ao tribunal
Se passares o valor legal
Para a próxima vai de comboio
Não receies que não és saloio
Ou divide o Uber por todos
Não é tanto dinheiro a rodos
Provérbio provado rimado - CDXXVI
À espera de ganhar um louvor
Bates pala a qualquer senhor
Andas fardado como gostas
Mas tira esse fardo das costas
Quem corre por gosto não cansa
Mas há um dia que descansa
Corre enfim e põe-te a fancos
Dessa estranha base de Tancos
Bates pala a qualquer senhor
Andas fardado como gostas
Mas tira esse fardo das costas
Quem corre por gosto não cansa
Mas há um dia que descansa
Corre enfim e põe-te a fancos
Dessa estranha base de Tancos
sábado, 27 de outubro de 2018
Provérbio provado rimado - CDXXV
Se chegarmos a velhos é bom
A cantar ainda dentro do tom
Que a reforma possamos gozar
Depois duma vida a trabalhar
Voltamos a ser mais criança
Ainda cheiinha de esperança
Que ouvi dizer que a velhice
É a segunda meninice
A cantar ainda dentro do tom
Que a reforma possamos gozar
Depois duma vida a trabalhar
Voltamos a ser mais criança
Ainda cheiinha de esperança
Que ouvi dizer que a velhice
É a segunda meninice
sábado, 20 de outubro de 2018
Provérbio provado rimado - CDXXIV
Sonhava o cego que via
Assim sonhava o que queria
Viajava p'lo mundo inteiro
Com os bolsos cheios de dinheiro
O seu sonho limites não tinha
Que o cego não era fuinha
Não precisava de cão guia
Passeava de noite e de dia
E quando enfim acordava
Mandava o mundo à fava
Chateado com o que não vê
Esta rima o cego não lê
Assim sonhava o que queria
Viajava p'lo mundo inteiro
Com os bolsos cheios de dinheiro
O seu sonho limites não tinha
Que o cego não era fuinha
Não precisava de cão guia
Passeava de noite e de dia
E quando enfim acordava
Mandava o mundo à fava
Chateado com o que não vê
Esta rima o cego não lê
Provérbio provado rimado - CDXXIII
Vives com as costas quentes
És amigo dos presidentes
Já se vê estás bem protegido
Não precisas que já és crescido
Mas se tu não te acautelas
Podem bem ir-te às canelas
Que há inimigos à espreita
E te vão dizer é bem feita
És amigo dos presidentes
Já se vê estás bem protegido
Não precisas que já és crescido
Mas se tu não te acautelas
Podem bem ir-te às canelas
Que há inimigos à espreita
E te vão dizer é bem feita
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