quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Provérbio provado rimado - CDXIX

As férias não me fazem dano
Duas ou três vezes por ano
Mas é sol de pouca dura
Era bom se fosse fartura

Andar sempre a passear
E bem longe de casa estar
Que eu cá nasci p'ra ser rica
Mas não é quem pede que o fica

Provérbio provado rimado - CDXVIII

O Zé está a armar aos cucos
Aos cágados também se arma
Chama os outros de malucos
O Zé vai ter é mau karma

Armado em carapau de corrida
E já são tantos os animais
Que no zoológico da vida
O Zé tem de dar aos pedais

Ele é tão exibicionista
Quando arma ao pingarelho
Devia ser do circo um artista
Só que não entende um chavelho

Os que gostam de impressionar
Como o Zé ter uma plateia
Que aprendam a representar
E a não mostrar cara feia

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Provérbio provado continuamente apaixonado

Amo muito. Amo amar. Amo mesmo sem ser amada. Perco-me de amores com facilidade. Mas o melhor amor é o que é retribuído: amar pode ser um acto muito solitário. Amar pode ser

- Estar como um boi a olhar para um palácio

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Provérbio provado rimado - CDXXVII

Se tu fazes o quatro eu acho
Estás bêbado que nem um cacho
O melhor é ficares estacionado
Ou então irás ser multado

Que a operação stop da polícia
É feita com muita perícia
A patrulha fica escondida
E a carta é apreendida

O melhor é evitar rir
E nem te adianta fugir
Com o teu cu à seringa
Não tivesses bebido a pinga

Terás de soprar no balão
Uma vez e com repetição
E até vais ao tribunal
Se passares o valor legal

Para a próxima vai de comboio
Não receies que não és saloio
Ou divide o Uber por todos
Não é tanto dinheiro a rodos

Provérbio provado rimado - CDXXVI

À espera de ganhar um louvor
Bates pala a qualquer senhor
Andas fardado como gostas
Mas tira esse fardo das costas

Quem corre por gosto não cansa
Mas há um dia que descansa
Corre enfim e põe-te a fancos
Dessa estranha base de Tancos


sábado, 27 de outubro de 2018

Provérbio provado rimado - CDXXV

Se chegarmos a velhos é bom
A cantar ainda dentro do tom
Que a reforma possamos gozar
Depois duma vida a trabalhar

Voltamos a ser mais criança
Ainda cheiinha de esperança
Que ouvi dizer que a velhice
É a segunda meninice

sábado, 20 de outubro de 2018

Provérbio provado rimado - CDXXIV

Sonhava o cego que via
Assim sonhava o que queria
Viajava p'lo mundo inteiro
Com os bolsos cheios de dinheiro

O seu sonho limites não tinha
Que o cego não era fuinha
Não precisava de cão guia
Passeava de noite e de dia

E quando enfim acordava
Mandava o mundo à fava
Chateado com o que não vê
Esta rima o cego não lê

Provérbio provado rimado - CDXXIII

Vives com as costas quentes
És amigo dos presidentes
Já se vê estás bem protegido
Não precisas que já és crescido

Mas se tu não te acautelas
Podem bem ir-te às canelas
Que há inimigos à espreita
E te vão dizer é bem feita

Provérbio provado rimado - CDXXII

A confiança perdida
É difícil de recuperar
Se te desiludem na vida
Não sabes que mais esperar

Palavras podem ser ofensas
E os silêncios então dizem tudo
As acções essas são propensas
Fazem falar até um mudo

Mas às vezes tu percebes mal
E os teus ouvidos estão sujos
Pois não era ofensa afinal
Que te disseram os ditos cujos

Não há palavra mal dita
Se não for mal entendida
Pode ser ou não erudita
Não ter conta peso e medida

Provérbio provado rimado - CDXXI

O Tiago é um estafermo
Que anda perdido num ermo
Gosta de fazer caminhadas
Percorre tantas estradas

Normalmente vai sozinho
E se aparece alguém ao caminho
Afasta-se dele sem custo
Que é de meter medo ao susto

Provérbio provado rimado - CDXX

Se o apetite me consome
Creio bem poder escolher
E assim lá junto a fome
Com a vontade de comer

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Provérbio provado rimado - CDXIX

Ó Manel come do que tens
E não só do que sonhaste
Pode até custar dois vinténs
Não chores o que gastaste

Faz à família o almoço
Arranja grande a panela
E no meio de tanto alvoroço
Defende que limpa é ela

A malta fica enfartada
Já se sabe depois de comer
Não consegue ficar calada
Cada qual dá o seu parecer

Provérbio provado rimado - CDXVIII

Se te sentas numa esplanada
Onde voam muitos pombos
Perdoa-me lá a tirada
É certo que te cagam nos ombros

Mas o descuido não foi teu
E quase parece enguiço
Eles sobrevoam o céu
Tu deixa lá caga nisso

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Provérbio provado rimado - CDXVII

Ó Maria não sejas alarve
Comer menos não é grave
No prato te alambazaste
Insististe e até vomitaste

Agora vai tomar Compensan
Vais ficar melhor de manhã
Pois eu bem te dizia Maria
Que papas à noite faziam azia

Provérbio provado roubado

A mãe do Evaristo abandonou-o em criança e ao marido e foi para paragens desconhecidas com um amante de circunstância nunca mais dando notícias. Ficaram ambos no casebre em ruínas daquela terriola montanhosa sem uma mão feminina.
O Evaristo apresentou, desde muito novo, uma enorme propensão para a maldade no seu estado puro: um dos seus passatempos favoritos era cegar os cães e gatos sem dono que pela aldeia vagueavam. Também ele vagueava pelas terras circundantes deitando a mão ao que podia, à época em que as pessoas ainda deixavam as chaves nas portas à confiança. O Evaristo não era amigo de ninguém, só do alheio. Os aldeãos bem se queixavam ao pai que apenas encolhia os ombros, meio desinteressado meio triste de não conseguir que o filho encarrilasse.
Ainda decorria a adolescência, eram já somados muitos roubos no currículo e o Evaristo foi bater com os costados no reformatório. Foi a sua escola: lá aprendeu o ofício de bandido encartado e se viciou nas drogas duras que lhe retiraram a expressão doce de menino.
Regressou à aldeia e, no tempo que ao retorno se seguiu, não houve casa que não visitasse. O tio Chico ficou sem o dinheiro amealhado para a reforma do telhado, a Alice sem a televisão e o DVD, o Sr. Fernandes sem os whiskeys de colecção. O Evaristo não era esquisito: tudo o que fosse passível de venda por ele era subtraído. Os habitantes da terra, depois de perdidos alguns dos seus bens, desataram a reforçar as fechaduras. Nunca o António serralheiro tivera tanto trabalho.

- Depois da casa roubada, trancas à porta

sábado, 13 de outubro de 2018

Provérbio provado rimado - CDXVI

É provérbio de adega
Bom p'rá hora da sossega
Seja bom ou mau o comer
É preciso três vezes beber

Mas ter o estômago vazio
É sinal de muito fastio
É melhor qualquer coisa trincar
Não beber antes de almoçar

Provérbio provado rimado - CDXV

Se é erro e já o fizeste
Foi a vida que te fez um teste
E o que remédio não tem
Está remediado porém

Vai em frente não olhes p'ra trás
Que a vida estas provas faz
Não andes sempre arrependido
Já devias ter compreendido

O provérbio mete na cabeça
E monta o lego peça a peça
Para construir teu caminho
Felizmente não estás sozinho

Provérbio provado rimado - CDXIV

Aqui na alegre casinha
Nunca me sinto sozinha
Pois vocês estão desse lado
A ler o meu provérbio provado

Sejam todos muito bem vindos
Já que são amigos tão lindos
Quem aqui chega por bem
Que rime comigo também

Rima pobre ou rima rica
O que interessa é quem cá fica
E os que deixam de gostar
Serão bem vindos ao voltar

Provérbio provado rimado - CDXIII

Não sejas coscuvilheiro
É pecado de cabeleireiro
Dos outros contar a vidinha
É conversa comezinha

Se dás com a língua nos dentes
Até podem julgar que mentes
Tu é que ficas mal visto
Eu de falar contigo desisto

Provérbio provado rimado - CDXII

Nas roupas sê poupadinho
Não precisas de usar linho
Um par de calças de ganga
Usa por cima da tanga

E quando a roupa se descose
Com o velho também fazes pose
Remenda pois o teu pano
Que te dura mais um ano