Diz-se que as vozes de burro
Não chegam ao céu lá de cima
Mas ouço porém tanto zurro
Como vou contar nesta rima
Para tudo há imensos cronistas
Integram qualquer discussão
São tidos por ser alpinistas
Sociais e da televisão
Dizem tudo e um par de botas
Levantam o dedo presente
E nunca admitem derrotas
Desculpa não há cu que aguente
segunda-feira, 9 de julho de 2018
Provérbio provado no consultório
Às quartas feiras, em vez de ir do trabalho directamente para casa, a Fernanda cumpre sempre o mesmo ritual: desloca-se à cidade para a sua consulta semanal de psicoterapia.
Sente que ultimamente tem feito progressos, já que a médica não é muito inquiridora mas faz as perguntas certas, aquelas capazes de a pôr a pensar chegando às conclusões por si mesma.
A vida não tem sido fácil nos últimos anos: o marido de toda a vida quis divorciar-se na mesma altura em que os rapazes saíram de casa e a Fernanda sente-se terrivelmente só. No mês que vem vai fazer sessenta anos, efeméride que mais a faz pensar na solidão.
Nesta quarta feira, rói as unhas enquanto se tenta acomodar no cadeirão poído do consultório. A doutora hoje está mais faladora do que o habitual:
- Que acha da educação que recebeu dos seus pais? Educou os seus filhos da mesma forma?
- Os meus pais sempre foram muito bons para mim. É claro que o meu pai era muito rigoroso comigo: exigia que chegasse cedo a casa e não me deixava ir a festas sem estar acompanhada de alguma pessoa conhecida e de confiança. Sei que isso era para o meu bem, apesar de eu saber distinguir o que era correcto do que não era, eu tinha um bom discernimento. Mas enquanto morei com eles quando era solteira, devia-lhes obediência: era assim que as coisas eram! Os meus irmãos eram mais novos que eu mas tinham muito mais liberdade, como é natural... Os homens não são olhados pelos outros como o são as mulheres: podem chegar de madrugada a casa, ter muitas namoradas e até amantes que tudo é considerado muito normal. Com os meus filhos? Com os meus filhos a situação permaneceu mais ou menos igual: as coisas não mudaram assim tanto! Se tivesse tido filhas, teria cuidado mais delas do que fiz com os rapazes. Acho que as mulheres devem ser recatadas e desconfiarem muito dos homens que é para não serem enganadas.
- Espera de teu filho o mesmo que fizeste a teu pai
Sente que ultimamente tem feito progressos, já que a médica não é muito inquiridora mas faz as perguntas certas, aquelas capazes de a pôr a pensar chegando às conclusões por si mesma.
A vida não tem sido fácil nos últimos anos: o marido de toda a vida quis divorciar-se na mesma altura em que os rapazes saíram de casa e a Fernanda sente-se terrivelmente só. No mês que vem vai fazer sessenta anos, efeméride que mais a faz pensar na solidão.
Nesta quarta feira, rói as unhas enquanto se tenta acomodar no cadeirão poído do consultório. A doutora hoje está mais faladora do que o habitual:
- Que acha da educação que recebeu dos seus pais? Educou os seus filhos da mesma forma?
- Os meus pais sempre foram muito bons para mim. É claro que o meu pai era muito rigoroso comigo: exigia que chegasse cedo a casa e não me deixava ir a festas sem estar acompanhada de alguma pessoa conhecida e de confiança. Sei que isso era para o meu bem, apesar de eu saber distinguir o que era correcto do que não era, eu tinha um bom discernimento. Mas enquanto morei com eles quando era solteira, devia-lhes obediência: era assim que as coisas eram! Os meus irmãos eram mais novos que eu mas tinham muito mais liberdade, como é natural... Os homens não são olhados pelos outros como o são as mulheres: podem chegar de madrugada a casa, ter muitas namoradas e até amantes que tudo é considerado muito normal. Com os meus filhos? Com os meus filhos a situação permaneceu mais ou menos igual: as coisas não mudaram assim tanto! Se tivesse tido filhas, teria cuidado mais delas do que fiz com os rapazes. Acho que as mulheres devem ser recatadas e desconfiarem muito dos homens que é para não serem enganadas.
- Espera de teu filho o mesmo que fizeste a teu pai
Provérbio provado rimado - CCCXC
Com um QI tão pouco elevado
Ainda acabas é em deputado
À República Assembleia
Terás de ir volta e meia
Lá é como um regimento
Batem palmas a cada momento
Lá é como um rebanho
Onde o anuir é tamanho
As bancadas estão divididas
E muitas faces contraídas
Há partidos de todas as cores
Que têm entre si dissabores
Mas tu irás enturmar-te
E a discursar terás arte
Não te esqueças é que no trabalho
É cada macaco no seu galho
Ainda acabas é em deputado
À República Assembleia
Terás de ir volta e meia
Lá é como um regimento
Batem palmas a cada momento
Lá é como um rebanho
Onde o anuir é tamanho
As bancadas estão divididas
E muitas faces contraídas
Há partidos de todas as cores
Que têm entre si dissabores
Mas tu irás enturmar-te
E a discursar terás arte
Não te esqueças é que no trabalho
É cada macaco no seu galho
Provérbio provado num verso branco - XLI
O mundo não pode estar todo errado
Dou a mão à palmatória
E viajo para cada vez mais longe
Dos primeiros sonhos
Que o que sou não se pode chamar eu
Dou a mão à palmatória
E viajo para cada vez mais longe
Dos primeiros sonhos
Que o que sou não se pode chamar eu
Provérbio provado rimado - CCCLXXXIX
Se morreres não digas adeus
Despede-te com até já
Leva os sonhos que são teus
Espera-me do lado de lá
Lá onde nos encontrarmos
Seja no inferno ou no céu
É bom se juntos ficarmos
Isto é que nos desejo eu
Nossas más e boas acções
Estão apontadas numa folha
Face às nossas contradições
Que venha o Diabo e escolha
Despede-te com até já
Leva os sonhos que são teus
Espera-me do lado de lá
Lá onde nos encontrarmos
Seja no inferno ou no céu
É bom se juntos ficarmos
Isto é que nos desejo eu
Nossas más e boas acções
Estão apontadas numa folha
Face às nossas contradições
Que venha o Diabo e escolha
Provérbio provado rimado - CCCLXXXVIII
Acotovelam-se as beatas
No seu traje domingueiro
Se na escolha não são sensatas
Parece a igreja um cinzeiro
O sinal da cruz tanto fazem
E são amigas do vigário
Mesmo que a missa atrasem
Não são contas do meu rosário
Lá no fundo o padre deseja
Falar com quem fica nos cantos
Nem todos os que vão à igreja
Podem ser chamados de santos
No seu traje domingueiro
Se na escolha não são sensatas
Parece a igreja um cinzeiro
O sinal da cruz tanto fazem
E são amigas do vigário
Mesmo que a missa atrasem
Não são contas do meu rosário
Lá no fundo o padre deseja
Falar com quem fica nos cantos
Nem todos os que vão à igreja
Podem ser chamados de santos
Provérbio provado rimado - CCCLXXXVII
Com pontes e troços de estrada
E mais tantas construções
Alegra-se a rapaziada
E fazem-se inaugurações
Com subsídios e benesses
Corrupção e outras subtilezas
Neste mundo feito de interesses
Conseguem-se grandes riquezas
Grassa tal impunidade
Disso não fazem reclames
Prospera a mediocridade
Dá vontade de ir aos arames
E mais tantas construções
Alegra-se a rapaziada
E fazem-se inaugurações
Com subsídios e benesses
Corrupção e outras subtilezas
Neste mundo feito de interesses
Conseguem-se grandes riquezas
Grassa tal impunidade
Disso não fazem reclames
Prospera a mediocridade
Dá vontade de ir aos arames
domingo, 8 de julho de 2018
Provérbios provados seleccionados - V
Os provérbios andam de boca em boca e neste blog contam-se histórias a partir deles. Fui aos arquivos seleccionar alguns pequenos contos que aqui apresento de forma oposta ao habitual: nos links que se seguem, deslindo à partida o final e nestes casos os excelentíssimos leitores saberão de antemão a moral da história (ou a falta dela).
sábado, 7 de julho de 2018
Provérbio provado dialogado
- És feliz?
- Queres que minta? Porque normalmente é uma pergunta de retórica. As pessoas não querem exactamente saber...
- Quero uma resposta sincera. Mas não acredito na felicidade absoluta: não existe.
- Claro que existe! Só que são apenas momentos, não períodos alargados no tempo...
- Concordo, são momentos. Tudo o resto é contentamento. E conheces-te bem?
- Conheço-me e é tudo! No entanto, quero descobrir facetas diferentes em mim.
- Será uma aventura interior? Não serão mais limites que desconheces?
- Quem não sabe o que quer, perde o que tem
- Queres que minta? Porque normalmente é uma pergunta de retórica. As pessoas não querem exactamente saber...
- Quero uma resposta sincera. Mas não acredito na felicidade absoluta: não existe.
- Claro que existe! Só que são apenas momentos, não períodos alargados no tempo...
- Concordo, são momentos. Tudo o resto é contentamento. E conheces-te bem?
- Conheço-me e é tudo! No entanto, quero descobrir facetas diferentes em mim.
- Será uma aventura interior? Não serão mais limites que desconheces?
- Quem não sabe o que quer, perde o que tem
Provérbio provado rimado - CCCLXXXVI
Tem cuidado com o que dizes
Para não magoares ninguém
Se não é para dizer bem
Não faças outros infelizes
Sê sempre bem intencionada
Da língua não sejas escrava
Que mais fere uma má palavra
Do que espada bem afiada
Para não magoares ninguém
Se não é para dizer bem
Não faças outros infelizes
Sê sempre bem intencionada
Da língua não sejas escrava
Que mais fere uma má palavra
Do que espada bem afiada
Provérbio provado rimado - CCCLXXXV
A César o que é de César
É matéria de imperador
Que lá na sua rica terra
Era um grande senhor
Sua mulher tinha um ditado
Não lhe bastava só sê-lo
Se queria ser considerada
Também devia parecê-lo
É matéria de imperador
Que lá na sua rica terra
Era um grande senhor
Sua mulher tinha um ditado
Não lhe bastava só sê-lo
Se queria ser considerada
Também devia parecê-lo
Provérbio provado embelezado
Nasceram as três no mesmo dia. Num daqueles hospitais dos subúrbios como grandes cogumelos ao lado de cemitérios, construídos com evidente bom humor.Como o pai queria três rapazes em vez de três meninas, vingou-se do cromossoma X na atribuição dos nomes às três bebés:
- Vou chamar-lhes as três Marias, como a minha mãe, a minha avó e a minha bisavó antes dela. Mas terão um segundo nome próprio igualzinho, sem tirar nem pôr, aos nomes que eu já tinha escolhido, faço questão! E quando forem mulherzinhas ainda me vão agradecer!
A Maria Jorge era a irmã mais versátil. Era quase sempre divertida, alegre e até ousada. Tinha uma imaginação fértil e era uma amante acérrima da liberdade. Em virtude de ter os ouvidos muito sensíveis, não gostava de receber ordens.
A Maria Manuel também preservava a liberdade, mas a do seu umbigo. Vivia constantemente em busca de dinheiro, por vezes de formas totalmente inusitadas, sem medinho nenhum de correr riscos, atirando-se de cabeça.
A Maria Miguel atirava-se aos livros:gostava de estudar e de saber, para poder atingir os seus objectivos com mais facilidade. Era a cientista da família e almejava um Nobel - ou dois! Por ser tão sabichona, tomavam-na por arrogante e inflexível.
Uma coisa era certa: as três Marias eram muito bonitas. Tinham olhos amendoados cor de mel, uns lábios bem desenhados e o nariz perfeito, arrebitado.
- Não há bela sem senão
- Vou chamar-lhes as três Marias, como a minha mãe, a minha avó e a minha bisavó antes dela. Mas terão um segundo nome próprio igualzinho, sem tirar nem pôr, aos nomes que eu já tinha escolhido, faço questão! E quando forem mulherzinhas ainda me vão agradecer!
A Maria Jorge era a irmã mais versátil. Era quase sempre divertida, alegre e até ousada. Tinha uma imaginação fértil e era uma amante acérrima da liberdade. Em virtude de ter os ouvidos muito sensíveis, não gostava de receber ordens.
A Maria Manuel também preservava a liberdade, mas a do seu umbigo. Vivia constantemente em busca de dinheiro, por vezes de formas totalmente inusitadas, sem medinho nenhum de correr riscos, atirando-se de cabeça.
A Maria Miguel atirava-se aos livros:gostava de estudar e de saber, para poder atingir os seus objectivos com mais facilidade. Era a cientista da família e almejava um Nobel - ou dois! Por ser tão sabichona, tomavam-na por arrogante e inflexível.
Uma coisa era certa: as três Marias eram muito bonitas. Tinham olhos amendoados cor de mel, uns lábios bem desenhados e o nariz perfeito, arrebitado.
- Não há bela sem senão
quinta-feira, 5 de julho de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLXXXIV
Olha tens de te desenrascar
E só contigo poderes contar
Se o frigorífico está vazio
Vai às compras até se está frio
O desfecho é sair da toca
E preparar a tua paparoca
Pagar contas no dia correcto
Dá-te um objectivo concreto
Se o pão duro faz uma torrada
Cuida só que não fique queimada
Se com o gel fores exagerado
O cabelo fica-te empastado
Tudo isto é para preceder
A coisa feia que vou já dizer
No fundo tens de te afoitar
Até ao fim de te desenmerdar
E só contigo poderes contar
Se o frigorífico está vazio
Vai às compras até se está frio
O desfecho é sair da toca
E preparar a tua paparoca
Pagar contas no dia correcto
Dá-te um objectivo concreto
Se o pão duro faz uma torrada
Cuida só que não fique queimada
Se com o gel fores exagerado
O cabelo fica-te empastado
Tudo isto é para preceder
A coisa feia que vou já dizer
No fundo tens de te afoitar
Até ao fim de te desenmerdar
sábado, 30 de junho de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLXXXIII
Claro que é necessário o dinheiro
Mas no bolso é tão passageiro
O custo de vida a aumentar
Nunca dá para comprar caviar
Quando se começa a pedir
Emprestado só faz mais sumir
É bom que te fiques pelo teu
Conselho de borla te dou eu
Porque se as contas mal paradas
Dificilmente são sanadas
Não queiras contas com parentes
Nem sequer dívidas com ausentes
Mas no bolso é tão passageiro
O custo de vida a aumentar
Nunca dá para comprar caviar
Quando se começa a pedir
Emprestado só faz mais sumir
É bom que te fiques pelo teu
Conselho de borla te dou eu
Porque se as contas mal paradas
Dificilmente são sanadas
Não queiras contas com parentes
Nem sequer dívidas com ausentes
Provérbio provado rimado - CCCLXXXII
O professor lá na sala
Pôs o Joãozinho com tala
Com porradinha se fazia
A antiga pedagogia
Mas havia truques infalíveis
Que se tornavam inesquecíveis
Mnemónicas a decorar
Muito fáceis de memorizar
Uma dica muito valorosa
É que a lua é mentirosa
Quando cresce faz um D
E quando mingua um C
Pôs o Joãozinho com tala
Com porradinha se fazia
A antiga pedagogia
Mas havia truques infalíveis
Que se tornavam inesquecíveis
Mnemónicas a decorar
Muito fáceis de memorizar
Uma dica muito valorosa
É que a lua é mentirosa
Quando cresce faz um D
E quando mingua um C
Provérbio provado num verso branco - XL
Com um pé atrás
A cada manhã nova espera
Principia uma esperança
Ele veste-se de si mais uma vez
E só por esse dia aprende a colorir a dúvida
Fingirá que sabe ao que veio
Dará passos adiante com suposta firmeza
A cada noite que chega
O medo do escuro da solidão
Ele despe-se de si até amanhã
E por umas horas larga os pincéis
Fingirá que consegue dormir
Retrocederá um passo com infinita tristeza
A cada manhã nova espera
Principia uma esperança
Ele veste-se de si mais uma vez
E só por esse dia aprende a colorir a dúvida
Fingirá que sabe ao que veio
Dará passos adiante com suposta firmeza
A cada noite que chega
O medo do escuro da solidão
Ele despe-se de si até amanhã
E por umas horas larga os pincéis
Fingirá que consegue dormir
Retrocederá um passo com infinita tristeza
Provérbio provado desdenhado
Triângulos amorosos são geometrias bem antigas neste mundo. É o que temos em mãos: o Gonçalo conheceu a Susana e a Filipa numa festa, apaixonou-se perdidamente pela primeira, não ligou nenhuma à segunda e a primeira, por sua vez, não lhe prestou atenção. Na semana seguinte, apareceu sem avisar na loja onde a Filipa trabalhava para lhe pedir conselhos e que fizesse o favor de lhe traçar um retrato da Susana a fim de lhe chegar mais rápido às portas do coração. Uma Filipa surpreendida engoliu em seco e prestou-se então à descrição pormenorizada da amiga de infância, lamentando-se interiormente que ele não pendesse para o seu lado. Pediu-lhe que aguardasse e, logo que pôde, fechou a pesada grade da porta da loja e encaminhou-o para o café mais próximo.
- Estás com tempo, Gonçalo? É que não te consigo descrever a Susana em duas linhas; como qualquer mulher, é bastante complexa e guarda muitos segredos no coração. Enfim... conheço alguns e prometi que te ajudava, não foi? O estímulo intelectual é, de longe, o maior afrodisíaco para a Susana, não há nada que a atraia mais do que uma conversa interessante, É uma mente aberta, comunicativa e imaginativa e não tem medo de correr riscos. Mas, se o que desejas é um relacionamento a longo prazo, então terás de ser íntegro e honesto. A Susana é leal e comprometer-se-á, caso venha a gostar de ti, sem nunca ser possessiva. Até a conheceres melhor, há-de parecer-te um pouco fria e até distante. Porém não te amedrontes, Gonçalo, já sabes que
- Quem desdenha quer comprar
- Estás com tempo, Gonçalo? É que não te consigo descrever a Susana em duas linhas; como qualquer mulher, é bastante complexa e guarda muitos segredos no coração. Enfim... conheço alguns e prometi que te ajudava, não foi? O estímulo intelectual é, de longe, o maior afrodisíaco para a Susana, não há nada que a atraia mais do que uma conversa interessante, É uma mente aberta, comunicativa e imaginativa e não tem medo de correr riscos. Mas, se o que desejas é um relacionamento a longo prazo, então terás de ser íntegro e honesto. A Susana é leal e comprometer-se-á, caso venha a gostar de ti, sem nunca ser possessiva. Até a conheceres melhor, há-de parecer-te um pouco fria e até distante. Porém não te amedrontes, Gonçalo, já sabes que
- Quem desdenha quer comprar
Provérbio provado rimado - CCCLXXXI
Cuidado estás a meter água
E nos outros podes causar mágoa
Com água por todos os lados
Ficam os peixes bem lavados
E nos outros podes causar mágoa
Com água por todos os lados
Ficam os peixes bem lavados
Provérbio provado rimado - CCCLXXX
Se há coisa mesmo certa
É saber onde o sapato aperta
Dizer direitinho o local
Sabe-o bem cada qual
E quando há um joanete
Sapato que exala pivete
É bem pior a chatice
Só aumenta a rabujice
Não há sapatos perfeitos
Quando oa pés são mal feitos
Melhor andar de cú tremido
Ir a pé não faz muito sentido
É saber onde o sapato aperta
Dizer direitinho o local
Sabe-o bem cada qual
E quando há um joanete
Sapato que exala pivete
É bem pior a chatice
Só aumenta a rabujice
Não há sapatos perfeitos
Quando oa pés são mal feitos
Melhor andar de cú tremido
Ir a pé não faz muito sentido
Provérbio provado num verso branco - XXXIX
Tenho o nome de uma flor quando me chamas
És uma flor do campo nem bonita nem feia
Mas o teu odor é tão característico que incomoda os narizes
Não é desagradável
Não me interpretes mal
Se eu nem sequer usei do olfacto quando estavas no berço
Tinha os sentidos ainda a dormir na hora em que nasceste
Quando despertei já tu eras grande
Sem tempo para me tirar as medidas da corola
És um espinho que se crava nas memórias
Ainda não te conheço e já chupei o sangue dos meus dedos
E já sabes com toda a certeza que também sou uma flor
Daquelas flores tristes que abundam pelas cidades
Habitando numa nesga de terra suja sem erguer as pétalas para a luz
Como um navio naufragado cheio de tesouros escondidos
Eu ainda a aprender como se faz
Que viver não custa
O que custa é saber viver
Ambos flores tão juntas porque separadas
Sabendo que amanhã e depois continuaremos assim
És uma flor do campo nem bonita nem feia
Mas o teu odor é tão característico que incomoda os narizes
Não é desagradável
Não me interpretes mal
Se eu nem sequer usei do olfacto quando estavas no berço
Tinha os sentidos ainda a dormir na hora em que nasceste
Quando despertei já tu eras grande
Sem tempo para me tirar as medidas da corola
És um espinho que se crava nas memórias
Ainda não te conheço e já chupei o sangue dos meus dedos
E já sabes com toda a certeza que também sou uma flor
Daquelas flores tristes que abundam pelas cidades
Habitando numa nesga de terra suja sem erguer as pétalas para a luz
Como um navio naufragado cheio de tesouros escondidos
Eu ainda a aprender como se faz
Que viver não custa
O que custa é saber viver
Ambos flores tão juntas porque separadas
Sabendo que amanhã e depois continuaremos assim
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