Depois de acabar a Primavera
Foi quando nos tranformámos em sonhadores
E deixamos de olhar para o relógio
Eu e tu
Querendo acrescentar mais tempo à ausência
Cantar a voz dos mudos
Ver o arco íris dos cegos
Fizemos tudo errado meu amor
E no fim sentimos nos lábios
O sal que nos escorria abundantemente dos olhos
Mas eram lágrimas de crocodilo as nossas
Sempre soubemos que eu e tu não era igual a nós
quinta-feira, 28 de junho de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLXXIII
Mudar fraldas e dar a papa
É rotina de qualquer mãe
Mesmo que queira não escapa
Sentir-se-á sempre aquém
E lá no fundo ela acha
Que podia fazer melhor
Por mais que faça não relaxa
Quer dar cada vez mais amor
Os bebés crescem e vão à escola
Aprendem a ler e a escrever
Se progridem a mãe se consola
Se relembra que é uma mulher
À medida que os anos passam
Vão precisando menos dela
E às vezes a mãe escorraçam
Se se vai despedir à janela
Quando ela enfim pensa
Que os filhos já estão criados
Tiram de condução a licença
E só dão trabalhos dobrados
É rotina de qualquer mãe
Mesmo que queira não escapa
Sentir-se-á sempre aquém
E lá no fundo ela acha
Que podia fazer melhor
Por mais que faça não relaxa
Quer dar cada vez mais amor
Os bebés crescem e vão à escola
Aprendem a ler e a escrever
Se progridem a mãe se consola
Se relembra que é uma mulher
À medida que os anos passam
Vão precisando menos dela
E às vezes a mãe escorraçam
Se se vai despedir à janela
Quando ela enfim pensa
Que os filhos já estão criados
Tiram de condução a licença
E só dão trabalhos dobrados
Provérbio provado rimado - CCCLXXII
A festa lá da terrinha
Costumava estar à pinha
Mas naquele dia aziago
Só apareceu o Tiago
A mãe a prima e a tia
E os dois filhos da Maria
Meia dúzia de gatos pingados
Porém muito bem engomados
As sardinhas ficaram cruas
Não se via gente nas ruas
A banda nem chegou a tocar
Pois ninguém queria dançar
O que terá acontecido?
Não se ouvia sequer um zumbido
Foi a festa mais triste que houve
Só se leiloou uma couve
Costumava estar à pinha
Mas naquele dia aziago
Só apareceu o Tiago
A mãe a prima e a tia
E os dois filhos da Maria
Meia dúzia de gatos pingados
Porém muito bem engomados
As sardinhas ficaram cruas
Não se via gente nas ruas
A banda nem chegou a tocar
Pois ninguém queria dançar
O que terá acontecido?
Não se ouvia sequer um zumbido
Foi a festa mais triste que houve
Só se leiloou uma couve
Provérbio provado rimado - CCCLXXI
O Jorge é mentiroso
Cobarde e muito teimoso
Está sempre a inventar
E a pés juntos jurar
Se houver justiça divina
O Jorge há-de ter má sina
Um futuro encalacrado
E o intestino obstipado
Terá do mau colesterol
Fará xixi no lençol
Será um precoce xéxé
Ninguém nele terá fé
Cobarde e muito teimoso
Está sempre a inventar
E a pés juntos jurar
Se houver justiça divina
O Jorge há-de ter má sina
Um futuro encalacrado
E o intestino obstipado
Terá do mau colesterol
Fará xixi no lençol
Será um precoce xéxé
Ninguém nele terá fé
Provérbio provado num verso branco - XXXVI
Ontem parecer-me-á já ter vivido tanto
Amanhã foi há muito tempo e não soube nada
E tudo sobra por descobrir
A vida sempre essa busca incessante
Uma novidade que se repete e um novo passado
Teimosamente regresso às mesmas perguntas
Já sei que não sei responder que não sei
Por isso escrevo nos antípodas
Nunca numa monotonia morna
As velas do meu moinho à roda à roda
A mó de baixo inspira-me e a de cima exalta-me
O vento é a caneta que a mão me guia
Não é suficiente a farinha com que componho versos como pão para a boca
Mas escrevo em primeiro lugar para meu alimento
Para satisfazer a fome das palavras dentro de mim
Amanhã foi há muito tempo e não soube nada
E tudo sobra por descobrir
A vida sempre essa busca incessante
Uma novidade que se repete e um novo passado
Teimosamente regresso às mesmas perguntas
Já sei que não sei responder que não sei
Por isso escrevo nos antípodas
Nunca numa monotonia morna
As velas do meu moinho à roda à roda
A mó de baixo inspira-me e a de cima exalta-me
O vento é a caneta que a mão me guia
Não é suficiente a farinha com que componho versos como pão para a boca
Mas escrevo em primeiro lugar para meu alimento
Para satisfazer a fome das palavras dentro de mim
quarta-feira, 27 de junho de 2018
Provérbio provado apaixonado - III
Na época
das expectativas, escrevi-te quase uma oração.
A força
que me dás nasce e explode logo a seguir, sem dizer ao que vem e não
vem quando é precisa. O teu todo é um dedo que me aponta para ti,
universo que me apareceste e me indicas o caminho para que te siga:
és a minha via. E acalentas-me no mais íntimo voo. Trazes o olhar
dos gatos e o teu nome é o da noite perfeita. Sei que me saberias,
mas pergunto-me se conservarás a hora em que cresceste para mim, bem
me lembro…
Tenho
necessidade de ti quando longe sem ti. Aí tenho mais vontade de ti
do que quando contigo. Ridículo e estranho, mas pensando bem é
mesmo essa contradição. É que o amor dever-se-ia encontrar com
outros braços – outros! - e não prolongamentos dos que temos.
Agora
vou esconder-me de ti até sentires a minha falta. Corro o risco de
me esqueceres definitivamente, mas não corro atrás de ti. Não levo
ninguém comigo.
- Quem
não aparece, esquece
Provérbio provado amargurado
Tudo
nos tempos modernos se baseia na usabilidade. Se não frui
imediatamente, não sobra nada que se possa emoldurar. Deita-se fora,
segue-se adiante. Os remorsos não entram na equação: cada um que
se amanhe como puder e de preferência com um sorriso na cara.
A
escrita inteligente transforma a escrita reflectida. Quando se
escreve agora amor, a sugestão é amordaçar: o que não deixa de
ter uma certa graça para um humor algo ácido.
Este
amor mais presente escreve-se no plural. Ousou ser para toda a vida,
mas já se sabe que o mercado não permite essas inclinações
sentimentais. Todas as metáforas outrora apropriadas estão
obsoletas. Onde é que já se viu comparar o amor a uma flor que
todos os dias tem de ser regada? A uma ponte que une as duas margens?
Coisa de gente tola e crédula!
Romântico
é passado. Desenraizado é que é bom. Descomprometido, pronto para
a próxima aventura. Bem
se podem tentar as
duas abordagens, que
só
pode sobrar
o melhor amor: o filial. Esse sim, certinho como o destino. Só que
depois é uma merda. A falta de amor vai-nos fodendo
por dentro.
Que
me perdoem os que julgam viver um amor verdadeiro: nunca esperei
servi-lo com palavrões num mesmo parágrafo.
-
Amor de Verão não dura mais que uma estação
terça-feira, 26 de junho de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLXX
Se tu tens daquela esperteza
Que saloia costumam chamar
Espera vou ali e já venho
É melhor que te queiras sentar
Se esfregas as mãos de contente
E demais actos de bazófia
Te esforças por ser espertalhão
Já se vê que é só farófia
Se és um espanta patrulhas
Talvez também seca adegas
Senta nesse banco pianinho
Cala a boca e vê lá se sossegas
Mas se nem com avisos lá vais
Não me deixas então outra escolha
Tiro um dia a faca da liga
Perco o tino e faço-te a folha
Que saloia costumam chamar
Espera vou ali e já venho
É melhor que te queiras sentar
Se esfregas as mãos de contente
E demais actos de bazófia
Te esforças por ser espertalhão
Já se vê que é só farófia
Se és um espanta patrulhas
Talvez também seca adegas
Senta nesse banco pianinho
Cala a boca e vê lá se sossegas
Mas se nem com avisos lá vais
Não me deixas então outra escolha
Tiro um dia a faca da liga
Perco o tino e faço-te a folha
Provérbio provado rimado - CCCLXIX
Cada homem é um labirinto
De si mesmo se pode perder
E tardar em reaparecer
Assim tantas vezes me sinto
Da minha alma ando à procura
Ou do que chamam essência
Tento respirar paciência
Mas só encontro loucura
Nesse labirinto perdida
Já nem sei o que procurar
E desejo um outro lugar
Não esta busca repetida
Dentro do meu ser essa estrada
Onde o futuro se desfaz
Ora em frente ora para trás
Cada passo é uma encruzilhada
Assim volta e meia me deparo
Com mais um beco sem saída
Então amaldiçoo esta vida
Que me rouba sempre um amparo
Provérbio provado rimado - CCCLXVIII
Vê lá filha não faltes à aula
Dizia firme a mãe da Paula
Mas se não queres retroceder
Sempre custa um pouco aprender
A miúda lá ia de phones
Chamando a atenção dos mirones
Com os livros debaixo do braço
Que levava com muito embaraço
Foi-se baldando e de repente
Deu por si e era repetente
E a mãe obrigou-a a estudar
Que era proibido chumbar
Logo a Paula se tornou atenta
Não se queria formar aos quarenta
E então terminou o liceu
Com as notas que bem mereceu
Teve vaga numa faculdade
Que ficava na grande cidade
Queimou uma a uma pestana
Até estudava ao fim de semana
A mãe dela era proverbial
E mal chegou o curso ao final
Saiu-se com uma frase feita
Dirigida à filha perfeita
Paulinha muito te aplicaste
Tantos conceitos empinaste
Que o saber não ocupa lugar
Pode encher que não vai rebentar
Dizia firme a mãe da Paula
Mas se não queres retroceder
Sempre custa um pouco aprender
A miúda lá ia de phones
Chamando a atenção dos mirones
Com os livros debaixo do braço
Que levava com muito embaraço
Foi-se baldando e de repente
Deu por si e era repetente
E a mãe obrigou-a a estudar
Que era proibido chumbar
Logo a Paula se tornou atenta
Não se queria formar aos quarenta
E então terminou o liceu
Com as notas que bem mereceu
Teve vaga numa faculdade
Que ficava na grande cidade
Queimou uma a uma pestana
Até estudava ao fim de semana
A mãe dela era proverbial
E mal chegou o curso ao final
Saiu-se com uma frase feita
Dirigida à filha perfeita
Paulinha muito te aplicaste
Tantos conceitos empinaste
Que o saber não ocupa lugar
Pode encher que não vai rebentar
Provérbio provado rimado - CCCLXVII
O João é deveras sovina
Nunca põe o pé na piscina
Pois o mar é para ser desfrutado
Desta forma ele foi ensinado
Ainda bem que é grátis o sol
E dá na TV o futebol
O carro parado na garagem
Poupa ao João a portagem
Em criança na casa dos pais
Limpava o rabo aos jornais
Foi assim que desde pequenino
Aprendeu a torcer o pepino
Tanto torce que ao fazer salada
A alface fica mal lavada
De cebola só duas rodelas
De pepino uma data delas
(Ilustração: www.facebook.com/Junkhead)
Nunca põe o pé na piscina
Pois o mar é para ser desfrutado
Desta forma ele foi ensinado
Ainda bem que é grátis o sol
E dá na TV o futebol
O carro parado na garagem
Poupa ao João a portagem
Em criança na casa dos pais
Limpava o rabo aos jornais
Foi assim que desde pequenino
Aprendeu a torcer o pepino
Tanto torce que ao fazer salada
A alface fica mal lavada
De cebola só duas rodelas
De pepino uma data delas
(Ilustração: www.facebook.com/Junkhead)
terça-feira, 1 de maio de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLXVI
Livra-te da redundância
É feia figura de estilo
Parece não ter importância
Mas há quem a use ao quilo
E lá diga elo de ligação
Também há dois anos atrás
Ai que nervos ai que comichão
Anos à frente é que não se faz
Há quem só suba para cima
Depois desça sempre para baixo
Mas eu que construo esta rima
Mais perfeita porém não me acho
Redundância põe-me um sorriso
Nos lábios tal como convém
Nos dentes é que era preciso
Para ser um bom riso também
Conviver juntos é disparate
O convívio não se faz sozinho
É sempre melhor o debate
Em grupo com um copo de vinho
Claro que o consenso é geral
Senão consenso não era
Seria uma frase normal
Ou um ponto de vista mais bera
Os detalhes minuciosos
E as surpresas inesperadas
São erros um pouco gravosos
Gramáticas mal alinhavadas
Tal como o novo lançamento
Dá sempre algum mau aspecto
A redundância do momento
Torna quem está a ouvir inquieto
A figura de estilo é arte
Por isso não faças figuras
Para ter estilo em qualquer parte
Vê lá se o português apuras
A minha opinião pessoal
É coisa que a mim me diz muito
Mesmo numa conversa informal
Ou num encontro fortuito
Tenho uma dúvida frequente
E constantemente me engano
Não sou como o ex presidente
Que se gaba de si todo ufano
Dar erros não é pecado
Sou o roto que diz para o nu
Trago o fato todo rasgado
Mas porque não te vestes tu?
É feia figura de estilo
Parece não ter importância
Mas há quem a use ao quilo
E lá diga elo de ligação
Também há dois anos atrás
Ai que nervos ai que comichão
Anos à frente é que não se faz
Há quem só suba para cima
Depois desça sempre para baixo
Mas eu que construo esta rima
Mais perfeita porém não me acho
Redundância põe-me um sorriso
Nos lábios tal como convém
Nos dentes é que era preciso
Para ser um bom riso também
Conviver juntos é disparate
O convívio não se faz sozinho
É sempre melhor o debate
Em grupo com um copo de vinho
Claro que o consenso é geral
Senão consenso não era
Seria uma frase normal
Ou um ponto de vista mais bera
Os detalhes minuciosos
E as surpresas inesperadas
São erros um pouco gravosos
Gramáticas mal alinhavadas
Tal como o novo lançamento
Dá sempre algum mau aspecto
A redundância do momento
Torna quem está a ouvir inquieto
A figura de estilo é arte
Por isso não faças figuras
Para ter estilo em qualquer parte
Vê lá se o português apuras
A minha opinião pessoal
É coisa que a mim me diz muito
Mesmo numa conversa informal
Ou num encontro fortuito
Tenho uma dúvida frequente
E constantemente me engano
Não sou como o ex presidente
Que se gaba de si todo ufano
Dar erros não é pecado
Sou o roto que diz para o nu
Trago o fato todo rasgado
Mas porque não te vestes tu?
Provérbio provado rimado - CCCLXV
É melhor não chegares a dizer
Desta água eu não beberei
Decerto te vais arrepender
Como me aconteceu quando errei
Desta água eu não beberei
Decerto te vais arrepender
Como me aconteceu quando errei
segunda-feira, 30 de abril de 2018
Provérbio provado num verso branco - XXXV
Cinquenta por cento de desconto em cartão
É principalmente a curiosidade que me impele
Mão batoteira empurrando para o dia seguinte
Uma fome de mais vida é que me faz viver demais
Sem mapa nem norte é a minha estrada
O passado será mais cedo do que diz o calendário
O meu amanhã já chegou atrasado ao que vem depois
Dou um passo e outro mais para lá de mim
À procura de altura com asas emprestadas
Nessa pressa o sono é o tempo que roubo à morte
O sonho um pecado sem penitência
Há apenas esta estrofe incerta como sombra
Este verso impuro ainda por descobrir
Acumulando pontos num quotidiano (a)normal
A vida não dá desconto a quem ousa ser mais do que si mesmo
Assim vou construindo castelos inconstantes nas nuvens
Oxalá se vendessem tijolos brancos lá no céu
É principalmente a curiosidade que me impele
Mão batoteira empurrando para o dia seguinte
Uma fome de mais vida é que me faz viver demais
Sem mapa nem norte é a minha estrada
O passado será mais cedo do que diz o calendário
O meu amanhã já chegou atrasado ao que vem depois
Dou um passo e outro mais para lá de mim
À procura de altura com asas emprestadas
Nessa pressa o sono é o tempo que roubo à morte
O sonho um pecado sem penitência
Há apenas esta estrofe incerta como sombra
Este verso impuro ainda por descobrir
Acumulando pontos num quotidiano (a)normal
A vida não dá desconto a quem ousa ser mais do que si mesmo
Assim vou construindo castelos inconstantes nas nuvens
Oxalá se vendessem tijolos brancos lá no céu
Provérbio provado rimado - CCCLXIV
A vida é um jogo de espelhos
Que engorda ou emagrece
Tão cedo chegamos a velhos
No futuro que cada um tece
Quase no fim chegaremos
Mais perto do que na partida
E os olhos enfim abriremos
Ao que chamam verdade da vida
O ontem já está terminado
Lutou-se até ao sol posto
De manhã o ar é pesado
Desponta na voz novo rosto
Um rio há que atravessar
Que nos leva até ao que somos
E não serve de nada adiar
Nem negar aquilo que fomos
Naquela infinita cidade
Nenhum cais é um abrigo
Que proteja da tempestade
Como faz qualquer bom amigo
Para cada sorriso mais triste
Há quem nos arranque gargalhada
Que vivamos alegres insiste
Sempre de cabeça levantada
Não estamos afinal tão sozinhos
Uns mais sérios outros brincalhões
Que connosco percorrem caminhos
Os amigos são para as ocasiões
Que engorda ou emagrece
Tão cedo chegamos a velhos
No futuro que cada um tece
Quase no fim chegaremos
Mais perto do que na partida
E os olhos enfim abriremos
Ao que chamam verdade da vida
O ontem já está terminado
Lutou-se até ao sol posto
De manhã o ar é pesado
Desponta na voz novo rosto
Um rio há que atravessar
Que nos leva até ao que somos
E não serve de nada adiar
Nem negar aquilo que fomos
Naquela infinita cidade
Nenhum cais é um abrigo
Que proteja da tempestade
Como faz qualquer bom amigo
Para cada sorriso mais triste
Há quem nos arranque gargalhada
Que vivamos alegres insiste
Sempre de cabeça levantada
Não estamos afinal tão sozinhos
Uns mais sérios outros brincalhões
Que connosco percorrem caminhos
Os amigos são para as ocasiões
segunda-feira, 16 de abril de 2018
Provérbios provados no Livro das caras
Este blog acaba por funcionar mais como arquivo do que como montra. Iniciado em 2008, foi-se enchendo timidamente de histórias e há alguns meses também de poesia. Há cerca de meio ano criei uma página no Facebook onde, além das publicações que aqui podem ver, tenho outras rubricas baseadas na cultura popular e feitas de uma maior interacção com os leitores. Querem ver? Aqui está o caminho:
www.facebook.com/ProverbiosProvados
www.facebook.com/ProverbiosProvados
Provérbios provados seleccionados - IV
Neste blog contam-se histórias a partir de provérbios, uns mais conhecidos que outros. Às vezes também me acontece escrever primeiro o texto e somente depois encontrar um adágio que encaixe. A receita não tem nada que enganar: misturam-se os ingredientes todos e no fim sai o provérbio quentinho do forno da cultura popular. Aqui vai um punhado de pequenos contos que seleccionei, desvendando à partida o final:
- A mulher quer-se pequenina como a sardinha
- Anda meio mundo a enganar outro meio
- No Outono o sol tem sono
- Morta sim, mas presa não
- Quem fala assim não é gago
- Quem feio ama bonito lhe parece
- Ninguém é amado se só de si tem cuidado
- Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão
- Quando o coxo de amores morre, que fará quem anda e pode?
- A mulher quer-se pequenina como a sardinha
- Anda meio mundo a enganar outro meio
- No Outono o sol tem sono
- Morta sim, mas presa não
- Quem fala assim não é gago
- Quem feio ama bonito lhe parece
- Ninguém é amado se só de si tem cuidado
- Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão
- Quando o coxo de amores morre, que fará quem anda e pode?
domingo, 15 de abril de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLXIII
Gente cusca dá-me nervinhos
Por gostar de criar burburinhos
E quando não sabe inventa
Lança boato ou ao menos tenta
Pior é que causa alguma mossa
Não é na sua vida é na nossa
Pois picam esses indiscretos
Muito mais que os mais chatos insectos
Por gostar de criar burburinhos
E quando não sabe inventa
Lança boato ou ao menos tenta
Pior é que causa alguma mossa
Não é na sua vida é na nossa
Pois picam esses indiscretos
Muito mais que os mais chatos insectos
Provérbio provado no supermercado
Gosto à brava de mulheres; pronto, gosto delas! A minha ex sogra dizia que eu era um mulherengo da pior espécie, que não podia ver um rabo de saias. E realmente meti os cornos à filha dela com aparato, não uma mas duas vezes. Já a minha querida mãe, generosa que só ela, chamava-me namoradeiro. Parece que a estou a ver, sempre a limpar as mãos ao avental: muito bom rapaz, o meu Paulo, mas um bocado namoradeiro, coitado, as mulheres são a sua perdição. E ela tinha razão, são mesmo!
Gosto delas altas, baixas, gordas, magras, pretas, brancas e amarelas às pintinhas. Até as um bocadinho feias marcham; aliás, tenho cá a minha teoria que as menos bonitas são bem mais esforçadas na cama. Gosto de as cortejar com afinco e de lhes dar tanta e tamanha graxa até lhes conseguir puxar pelo brilho que todas têm, mesmo as que julgam não ter. Para mim um elogio não tem hora nem lugar e o bom humor - ah, o bom humor que arranca até aquele sorriso mais difícil - faz milagres.
Só numa coisa sou um bocadito esquisito: gosto delas tenrinhas, atirem-me pedras, vá! Não digo com isto que goste de gaiatas na puberdade a cheirar a leite, mas aprecio umas mamas que ainda apontem para o céu e um rabinho bem torneado, é pecado?
Ao menos assumo-me, penso em mulheres vinte e quatro horas por dia. Tal como agora: estou aqui parado na fila a galar a moça que está atrás do balcão do supermercado. É gira todos os dias e há já alguns que venho reparando nela. A cada novo cliente que surge, pergunta bem intencionada: o que deseja? Estou cheiinho de vontade de lhe responder: desejo-a a si, minha flor! Mas não quero que se zangue, prefiro fazê-la rir. De modo que quando chega a minha vez, e ela repete sorrindo: o que deseja?, eu de imediato atiro: olhe, desejo
- Pão mole e uvas, às moças põe lindas e às velhas tira as rugas
Gosto delas altas, baixas, gordas, magras, pretas, brancas e amarelas às pintinhas. Até as um bocadinho feias marcham; aliás, tenho cá a minha teoria que as menos bonitas são bem mais esforçadas na cama. Gosto de as cortejar com afinco e de lhes dar tanta e tamanha graxa até lhes conseguir puxar pelo brilho que todas têm, mesmo as que julgam não ter. Para mim um elogio não tem hora nem lugar e o bom humor - ah, o bom humor que arranca até aquele sorriso mais difícil - faz milagres.
Só numa coisa sou um bocadito esquisito: gosto delas tenrinhas, atirem-me pedras, vá! Não digo com isto que goste de gaiatas na puberdade a cheirar a leite, mas aprecio umas mamas que ainda apontem para o céu e um rabinho bem torneado, é pecado?
Ao menos assumo-me, penso em mulheres vinte e quatro horas por dia. Tal como agora: estou aqui parado na fila a galar a moça que está atrás do balcão do supermercado. É gira todos os dias e há já alguns que venho reparando nela. A cada novo cliente que surge, pergunta bem intencionada: o que deseja? Estou cheiinho de vontade de lhe responder: desejo-a a si, minha flor! Mas não quero que se zangue, prefiro fazê-la rir. De modo que quando chega a minha vez, e ela repete sorrindo: o que deseja?, eu de imediato atiro: olhe, desejo
- Pão mole e uvas, às moças põe lindas e às velhas tira as rugas
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