Se tu tens daquela esperteza
Que saloia costumam chamar
Espera vou ali e já venho
É melhor que te queiras sentar
Se esfregas as mãos de contente
E demais actos de bazófia
Te esforças por ser espertalhão
Já se vê que é só farófia
Se és um espanta patrulhas
Talvez também seca adegas
Senta nesse banco pianinho
Cala a boca e vê lá se sossegas
Mas se nem com avisos lá vais
Não me deixas então outra escolha
Tiro um dia a faca da liga
Perco o tino e faço-te a folha
terça-feira, 26 de junho de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLXIX
Cada homem é um labirinto
De si mesmo se pode perder
E tardar em reaparecer
Assim tantas vezes me sinto
Da minha alma ando à procura
Ou do que chamam essência
Tento respirar paciência
Mas só encontro loucura
Nesse labirinto perdida
Já nem sei o que procurar
E desejo um outro lugar
Não esta busca repetida
Dentro do meu ser essa estrada
Onde o futuro se desfaz
Ora em frente ora para trás
Cada passo é uma encruzilhada
Assim volta e meia me deparo
Com mais um beco sem saída
Então amaldiçoo esta vida
Que me rouba sempre um amparo
Provérbio provado rimado - CCCLXVIII
Vê lá filha não faltes à aula
Dizia firme a mãe da Paula
Mas se não queres retroceder
Sempre custa um pouco aprender
A miúda lá ia de phones
Chamando a atenção dos mirones
Com os livros debaixo do braço
Que levava com muito embaraço
Foi-se baldando e de repente
Deu por si e era repetente
E a mãe obrigou-a a estudar
Que era proibido chumbar
Logo a Paula se tornou atenta
Não se queria formar aos quarenta
E então terminou o liceu
Com as notas que bem mereceu
Teve vaga numa faculdade
Que ficava na grande cidade
Queimou uma a uma pestana
Até estudava ao fim de semana
A mãe dela era proverbial
E mal chegou o curso ao final
Saiu-se com uma frase feita
Dirigida à filha perfeita
Paulinha muito te aplicaste
Tantos conceitos empinaste
Que o saber não ocupa lugar
Pode encher que não vai rebentar
Dizia firme a mãe da Paula
Mas se não queres retroceder
Sempre custa um pouco aprender
A miúda lá ia de phones
Chamando a atenção dos mirones
Com os livros debaixo do braço
Que levava com muito embaraço
Foi-se baldando e de repente
Deu por si e era repetente
E a mãe obrigou-a a estudar
Que era proibido chumbar
Logo a Paula se tornou atenta
Não se queria formar aos quarenta
E então terminou o liceu
Com as notas que bem mereceu
Teve vaga numa faculdade
Que ficava na grande cidade
Queimou uma a uma pestana
Até estudava ao fim de semana
A mãe dela era proverbial
E mal chegou o curso ao final
Saiu-se com uma frase feita
Dirigida à filha perfeita
Paulinha muito te aplicaste
Tantos conceitos empinaste
Que o saber não ocupa lugar
Pode encher que não vai rebentar
Provérbio provado rimado - CCCLXVII
O João é deveras sovina
Nunca põe o pé na piscina
Pois o mar é para ser desfrutado
Desta forma ele foi ensinado
Ainda bem que é grátis o sol
E dá na TV o futebol
O carro parado na garagem
Poupa ao João a portagem
Em criança na casa dos pais
Limpava o rabo aos jornais
Foi assim que desde pequenino
Aprendeu a torcer o pepino
Tanto torce que ao fazer salada
A alface fica mal lavada
De cebola só duas rodelas
De pepino uma data delas
(Ilustração: www.facebook.com/Junkhead)
Nunca põe o pé na piscina
Pois o mar é para ser desfrutado
Desta forma ele foi ensinado
Ainda bem que é grátis o sol
E dá na TV o futebol
O carro parado na garagem
Poupa ao João a portagem
Em criança na casa dos pais
Limpava o rabo aos jornais
Foi assim que desde pequenino
Aprendeu a torcer o pepino
Tanto torce que ao fazer salada
A alface fica mal lavada
De cebola só duas rodelas
De pepino uma data delas
(Ilustração: www.facebook.com/Junkhead)
terça-feira, 1 de maio de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLXVI
Livra-te da redundância
É feia figura de estilo
Parece não ter importância
Mas há quem a use ao quilo
E lá diga elo de ligação
Também há dois anos atrás
Ai que nervos ai que comichão
Anos à frente é que não se faz
Há quem só suba para cima
Depois desça sempre para baixo
Mas eu que construo esta rima
Mais perfeita porém não me acho
Redundância põe-me um sorriso
Nos lábios tal como convém
Nos dentes é que era preciso
Para ser um bom riso também
Conviver juntos é disparate
O convívio não se faz sozinho
É sempre melhor o debate
Em grupo com um copo de vinho
Claro que o consenso é geral
Senão consenso não era
Seria uma frase normal
Ou um ponto de vista mais bera
Os detalhes minuciosos
E as surpresas inesperadas
São erros um pouco gravosos
Gramáticas mal alinhavadas
Tal como o novo lançamento
Dá sempre algum mau aspecto
A redundância do momento
Torna quem está a ouvir inquieto
A figura de estilo é arte
Por isso não faças figuras
Para ter estilo em qualquer parte
Vê lá se o português apuras
A minha opinião pessoal
É coisa que a mim me diz muito
Mesmo numa conversa informal
Ou num encontro fortuito
Tenho uma dúvida frequente
E constantemente me engano
Não sou como o ex presidente
Que se gaba de si todo ufano
Dar erros não é pecado
Sou o roto que diz para o nu
Trago o fato todo rasgado
Mas porque não te vestes tu?
É feia figura de estilo
Parece não ter importância
Mas há quem a use ao quilo
E lá diga elo de ligação
Também há dois anos atrás
Ai que nervos ai que comichão
Anos à frente é que não se faz
Há quem só suba para cima
Depois desça sempre para baixo
Mas eu que construo esta rima
Mais perfeita porém não me acho
Redundância põe-me um sorriso
Nos lábios tal como convém
Nos dentes é que era preciso
Para ser um bom riso também
Conviver juntos é disparate
O convívio não se faz sozinho
É sempre melhor o debate
Em grupo com um copo de vinho
Claro que o consenso é geral
Senão consenso não era
Seria uma frase normal
Ou um ponto de vista mais bera
Os detalhes minuciosos
E as surpresas inesperadas
São erros um pouco gravosos
Gramáticas mal alinhavadas
Tal como o novo lançamento
Dá sempre algum mau aspecto
A redundância do momento
Torna quem está a ouvir inquieto
A figura de estilo é arte
Por isso não faças figuras
Para ter estilo em qualquer parte
Vê lá se o português apuras
A minha opinião pessoal
É coisa que a mim me diz muito
Mesmo numa conversa informal
Ou num encontro fortuito
Tenho uma dúvida frequente
E constantemente me engano
Não sou como o ex presidente
Que se gaba de si todo ufano
Dar erros não é pecado
Sou o roto que diz para o nu
Trago o fato todo rasgado
Mas porque não te vestes tu?
Provérbio provado rimado - CCCLXV
É melhor não chegares a dizer
Desta água eu não beberei
Decerto te vais arrepender
Como me aconteceu quando errei
Desta água eu não beberei
Decerto te vais arrepender
Como me aconteceu quando errei
segunda-feira, 30 de abril de 2018
Provérbio provado num verso branco - XXXV
Cinquenta por cento de desconto em cartão
É principalmente a curiosidade que me impele
Mão batoteira empurrando para o dia seguinte
Uma fome de mais vida é que me faz viver demais
Sem mapa nem norte é a minha estrada
O passado será mais cedo do que diz o calendário
O meu amanhã já chegou atrasado ao que vem depois
Dou um passo e outro mais para lá de mim
À procura de altura com asas emprestadas
Nessa pressa o sono é o tempo que roubo à morte
O sonho um pecado sem penitência
Há apenas esta estrofe incerta como sombra
Este verso impuro ainda por descobrir
Acumulando pontos num quotidiano (a)normal
A vida não dá desconto a quem ousa ser mais do que si mesmo
Assim vou construindo castelos inconstantes nas nuvens
Oxalá se vendessem tijolos brancos lá no céu
É principalmente a curiosidade que me impele
Mão batoteira empurrando para o dia seguinte
Uma fome de mais vida é que me faz viver demais
Sem mapa nem norte é a minha estrada
O passado será mais cedo do que diz o calendário
O meu amanhã já chegou atrasado ao que vem depois
Dou um passo e outro mais para lá de mim
À procura de altura com asas emprestadas
Nessa pressa o sono é o tempo que roubo à morte
O sonho um pecado sem penitência
Há apenas esta estrofe incerta como sombra
Este verso impuro ainda por descobrir
Acumulando pontos num quotidiano (a)normal
A vida não dá desconto a quem ousa ser mais do que si mesmo
Assim vou construindo castelos inconstantes nas nuvens
Oxalá se vendessem tijolos brancos lá no céu
Provérbio provado rimado - CCCLXIV
A vida é um jogo de espelhos
Que engorda ou emagrece
Tão cedo chegamos a velhos
No futuro que cada um tece
Quase no fim chegaremos
Mais perto do que na partida
E os olhos enfim abriremos
Ao que chamam verdade da vida
O ontem já está terminado
Lutou-se até ao sol posto
De manhã o ar é pesado
Desponta na voz novo rosto
Um rio há que atravessar
Que nos leva até ao que somos
E não serve de nada adiar
Nem negar aquilo que fomos
Naquela infinita cidade
Nenhum cais é um abrigo
Que proteja da tempestade
Como faz qualquer bom amigo
Para cada sorriso mais triste
Há quem nos arranque gargalhada
Que vivamos alegres insiste
Sempre de cabeça levantada
Não estamos afinal tão sozinhos
Uns mais sérios outros brincalhões
Que connosco percorrem caminhos
Os amigos são para as ocasiões
Que engorda ou emagrece
Tão cedo chegamos a velhos
No futuro que cada um tece
Quase no fim chegaremos
Mais perto do que na partida
E os olhos enfim abriremos
Ao que chamam verdade da vida
O ontem já está terminado
Lutou-se até ao sol posto
De manhã o ar é pesado
Desponta na voz novo rosto
Um rio há que atravessar
Que nos leva até ao que somos
E não serve de nada adiar
Nem negar aquilo que fomos
Naquela infinita cidade
Nenhum cais é um abrigo
Que proteja da tempestade
Como faz qualquer bom amigo
Para cada sorriso mais triste
Há quem nos arranque gargalhada
Que vivamos alegres insiste
Sempre de cabeça levantada
Não estamos afinal tão sozinhos
Uns mais sérios outros brincalhões
Que connosco percorrem caminhos
Os amigos são para as ocasiões
segunda-feira, 16 de abril de 2018
Provérbios provados no Livro das caras
Este blog acaba por funcionar mais como arquivo do que como montra. Iniciado em 2008, foi-se enchendo timidamente de histórias e há alguns meses também de poesia. Há cerca de meio ano criei uma página no Facebook onde, além das publicações que aqui podem ver, tenho outras rubricas baseadas na cultura popular e feitas de uma maior interacção com os leitores. Querem ver? Aqui está o caminho:
www.facebook.com/ProverbiosProvados
www.facebook.com/ProverbiosProvados
Provérbios provados seleccionados - IV
Neste blog contam-se histórias a partir de provérbios, uns mais conhecidos que outros. Às vezes também me acontece escrever primeiro o texto e somente depois encontrar um adágio que encaixe. A receita não tem nada que enganar: misturam-se os ingredientes todos e no fim sai o provérbio quentinho do forno da cultura popular. Aqui vai um punhado de pequenos contos que seleccionei, desvendando à partida o final:
- A mulher quer-se pequenina como a sardinha
- Anda meio mundo a enganar outro meio
- No Outono o sol tem sono
- Morta sim, mas presa não
- Quem fala assim não é gago
- Quem feio ama bonito lhe parece
- Ninguém é amado se só de si tem cuidado
- Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão
- Quando o coxo de amores morre, que fará quem anda e pode?
- A mulher quer-se pequenina como a sardinha
- Anda meio mundo a enganar outro meio
- No Outono o sol tem sono
- Morta sim, mas presa não
- Quem fala assim não é gago
- Quem feio ama bonito lhe parece
- Ninguém é amado se só de si tem cuidado
- Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão
- Quando o coxo de amores morre, que fará quem anda e pode?
domingo, 15 de abril de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLXIII
Gente cusca dá-me nervinhos
Por gostar de criar burburinhos
E quando não sabe inventa
Lança boato ou ao menos tenta
Pior é que causa alguma mossa
Não é na sua vida é na nossa
Pois picam esses indiscretos
Muito mais que os mais chatos insectos
Por gostar de criar burburinhos
E quando não sabe inventa
Lança boato ou ao menos tenta
Pior é que causa alguma mossa
Não é na sua vida é na nossa
Pois picam esses indiscretos
Muito mais que os mais chatos insectos
Provérbio provado no supermercado
Gosto à brava de mulheres; pronto, gosto delas! A minha ex sogra dizia que eu era um mulherengo da pior espécie, que não podia ver um rabo de saias. E realmente meti os cornos à filha dela com aparato, não uma mas duas vezes. Já a minha querida mãe, generosa que só ela, chamava-me namoradeiro. Parece que a estou a ver, sempre a limpar as mãos ao avental: muito bom rapaz, o meu Paulo, mas um bocado namoradeiro, coitado, as mulheres são a sua perdição. E ela tinha razão, são mesmo!
Gosto delas altas, baixas, gordas, magras, pretas, brancas e amarelas às pintinhas. Até as um bocadinho feias marcham; aliás, tenho cá a minha teoria que as menos bonitas são bem mais esforçadas na cama. Gosto de as cortejar com afinco e de lhes dar tanta e tamanha graxa até lhes conseguir puxar pelo brilho que todas têm, mesmo as que julgam não ter. Para mim um elogio não tem hora nem lugar e o bom humor - ah, o bom humor que arranca até aquele sorriso mais difícil - faz milagres.
Só numa coisa sou um bocadito esquisito: gosto delas tenrinhas, atirem-me pedras, vá! Não digo com isto que goste de gaiatas na puberdade a cheirar a leite, mas aprecio umas mamas que ainda apontem para o céu e um rabinho bem torneado, é pecado?
Ao menos assumo-me, penso em mulheres vinte e quatro horas por dia. Tal como agora: estou aqui parado na fila a galar a moça que está atrás do balcão do supermercado. É gira todos os dias e há já alguns que venho reparando nela. A cada novo cliente que surge, pergunta bem intencionada: o que deseja? Estou cheiinho de vontade de lhe responder: desejo-a a si, minha flor! Mas não quero que se zangue, prefiro fazê-la rir. De modo que quando chega a minha vez, e ela repete sorrindo: o que deseja?, eu de imediato atiro: olhe, desejo
- Pão mole e uvas, às moças põe lindas e às velhas tira as rugas
Gosto delas altas, baixas, gordas, magras, pretas, brancas e amarelas às pintinhas. Até as um bocadinho feias marcham; aliás, tenho cá a minha teoria que as menos bonitas são bem mais esforçadas na cama. Gosto de as cortejar com afinco e de lhes dar tanta e tamanha graxa até lhes conseguir puxar pelo brilho que todas têm, mesmo as que julgam não ter. Para mim um elogio não tem hora nem lugar e o bom humor - ah, o bom humor que arranca até aquele sorriso mais difícil - faz milagres.
Só numa coisa sou um bocadito esquisito: gosto delas tenrinhas, atirem-me pedras, vá! Não digo com isto que goste de gaiatas na puberdade a cheirar a leite, mas aprecio umas mamas que ainda apontem para o céu e um rabinho bem torneado, é pecado?
Ao menos assumo-me, penso em mulheres vinte e quatro horas por dia. Tal como agora: estou aqui parado na fila a galar a moça que está atrás do balcão do supermercado. É gira todos os dias e há já alguns que venho reparando nela. A cada novo cliente que surge, pergunta bem intencionada: o que deseja? Estou cheiinho de vontade de lhe responder: desejo-a a si, minha flor! Mas não quero que se zangue, prefiro fazê-la rir. De modo que quando chega a minha vez, e ela repete sorrindo: o que deseja?, eu de imediato atiro: olhe, desejo
- Pão mole e uvas, às moças põe lindas e às velhas tira as rugas
Provérbio provado rimado - CCCLXI
Conto aqui um acontecimento
Como mo contou a minha prima
Só que não é prosa é em rima
Interrompam-me a qualquer momento
Vou então começar a contar
O caso desse tal elefante
Que se conta num breve instante
Fica em Lisboa o tal bar
Na verdade é casa de alterne
As bebidas são à comissão
Tem sofás logo no rés do chão
Já nos outros só a quem concerne
A minha prima tem uma amiga
Que foi lá colaboradora
Mas de forma muito amadora
Se o diz ninguém a desdiga
Lá conheceu o agora marido
Que era famoso empreiteiro
Parece que cagava dinheiro
E no bar andava bem bebido
Uma noite perdeu um tamanco
Tacão alto tal qual Cinderela
E ele procurou o pé dela
Por todo o Elefante Branco
Quando achou parou a admirar
Aquele pé com tão belas unhas
Que mesmo em sapatos de cunhas
Queria para sempre idolatrar
Assim combinaram esponsais
E essa ex Gata Borralheira
Subiu logo na vida à maneira
E Elefante Branco jamais
Perguntei à prima a razão
Se sabia do nome as origens
Desse bar que causava vertigens
Ela disse é só uma expressão
Uma frase própria do idioma
Significa algo muito pesado
Bem difícil de ser partilhado
Mais ainda de pôr na redoma
Como mo contou a minha prima
Só que não é prosa é em rima
Interrompam-me a qualquer momento
Vou então começar a contar
O caso desse tal elefante
Que se conta num breve instante
Fica em Lisboa o tal bar
Na verdade é casa de alterne
As bebidas são à comissão
Tem sofás logo no rés do chão
Já nos outros só a quem concerne
A minha prima tem uma amiga
Que foi lá colaboradora
Mas de forma muito amadora
Se o diz ninguém a desdiga
Lá conheceu o agora marido
Que era famoso empreiteiro
Parece que cagava dinheiro
E no bar andava bem bebido
Uma noite perdeu um tamanco
Tacão alto tal qual Cinderela
E ele procurou o pé dela
Por todo o Elefante Branco
Quando achou parou a admirar
Aquele pé com tão belas unhas
Que mesmo em sapatos de cunhas
Queria para sempre idolatrar
Assim combinaram esponsais
E essa ex Gata Borralheira
Subiu logo na vida à maneira
E Elefante Branco jamais
Perguntei à prima a razão
Se sabia do nome as origens
Desse bar que causava vertigens
Ela disse é só uma expressão
Uma frase própria do idioma
Significa algo muito pesado
Bem difícil de ser partilhado
Mais ainda de pôr na redoma
Provérbio provado rimado - CCCLX
O Zé foi hoje para a festa
E convidou a Madalena
Ela fresca após a sesta
Aceitou e a mãe teve pena
Pois queria para a sua filhota
Um mais rico namorado
Que lhe desse mais que palhota
Ou qualquer T2 partilhado
Fez ao Zé grande questionário
E ia ele a meio do ditongo
Num discurso meio perdulário
Foi com sorte salvo pelo gongo
Já bate à porta a vizinha
Cheia de rolos na cabeça
E pede emprestada farinha
Tão depressa que quase tropeça
Aproveita a interrupção
Diz adeus à sogra futura
Agarra a Madalena pela mão
Deixa a treta para outra altura
Lá nessa festa de garagem
Pede a Madalena em namoro
E ela ganhando coragem
Dá-lhe grande beijo sem decoro
Diz-lhe ó Zé estou tão satisfeita
Por passar a tua namorada
Mas a mãe vai ficar contrafeita
Para já não lhe contamos nada
Pela rua de mão dada vão
Porém chegados a casa dela
Deixa a noiva junto ao corrimão
Não vá a mãe estar à janela
A sorte deveu-a à vizinha
Que ingenuamente o salvou
Quando tocou à campainha
E com o questionário acabou
E convidou a Madalena
Ela fresca após a sesta
Aceitou e a mãe teve pena
Pois queria para a sua filhota
Um mais rico namorado
Que lhe desse mais que palhota
Ou qualquer T2 partilhado
Fez ao Zé grande questionário
E ia ele a meio do ditongo
Num discurso meio perdulário
Foi com sorte salvo pelo gongo
Já bate à porta a vizinha
Cheia de rolos na cabeça
E pede emprestada farinha
Tão depressa que quase tropeça
Aproveita a interrupção
Diz adeus à sogra futura
Agarra a Madalena pela mão
Deixa a treta para outra altura
Lá nessa festa de garagem
Pede a Madalena em namoro
E ela ganhando coragem
Dá-lhe grande beijo sem decoro
Diz-lhe ó Zé estou tão satisfeita
Por passar a tua namorada
Mas a mãe vai ficar contrafeita
Para já não lhe contamos nada
Pela rua de mão dada vão
Porém chegados a casa dela
Deixa a noiva junto ao corrimão
Não vá a mãe estar à janela
A sorte deveu-a à vizinha
Que ingenuamente o salvou
Quando tocou à campainha
E com o questionário acabou
Provérbio provado rimado - CCCLIX
Cala-me já essa matraca
Que provém duma língua velhaca
Pois as tuas artes marciais
Não são assim tão especiais
Achas que és palavroso
Mas és somente tendencioso
Ninguém consegues convencer
Quando o verbo queres dispender
Guarda mas é para melhores dias
Tais frases como as porfias
Para Domingos e dias feriados
E para os mal acostumados
Ou talvez para um referendo
Que às vezes vai acontecendo
Aí botarás faladura
Se não tiveres melhor altura
(Ilustração do Rui dos Prazeres Louraço www.instagram.com/condecascais)
Que provém duma língua velhaca
Pois as tuas artes marciais
Não são assim tão especiais
Achas que és palavroso
Mas és somente tendencioso
Ninguém consegues convencer
Quando o verbo queres dispender
Guarda mas é para melhores dias
Tais frases como as porfias
Para Domingos e dias feriados
E para os mal acostumados
Ou talvez para um referendo
Que às vezes vai acontecendo
Aí botarás faladura
Se não tiveres melhor altura
(Ilustração do Rui dos Prazeres Louraço www.instagram.com/condecascais)
Provérbio provado num verso branco - XXXIV
Não é necessária faca demasiado afiada
Ou queijo luxuoso do mais cremoso
Para que se tenha a faca e o queijo na mão
Basta um gesto desprendido até pouco ambicioso
Uma imaginação que torne tenro o pão bolorento
Qualquer vontade mais ou menos convidativa
Que dilua o instante numa memória eficaz
Assim um crê e dilui a verdade que se assemelha
Àquela vida abundante e crua
Rude autêntica fácil de mastigar
A faca corta o queijo dos dias com o polegar
Ou queijo luxuoso do mais cremoso
Para que se tenha a faca e o queijo na mão
Basta um gesto desprendido até pouco ambicioso
Uma imaginação que torne tenro o pão bolorento
Qualquer vontade mais ou menos convidativa
Que dilua o instante numa memória eficaz
Assim um crê e dilui a verdade que se assemelha
Àquela vida abundante e crua
Rude autêntica fácil de mastigar
A faca corta o queijo dos dias com o polegar
sábado, 14 de abril de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLVIII
Deixa-me em liberdade
Quietinha na prateleira
Digo-te com honestidade
Conhecer-me-ás de gingeira
Se te dizes apaixonado
Poderei ser tua mulher
Pois guardado está o bocado
Para quem o há-de comer
quarta-feira, 11 de abril de 2018
Provérbio provado mal vislumbrado
Dantes os sentimentos jorravam dos lábios, dos gestos, de uma perfeita sintonia com o meu corpo que se cria total. Agora só o vazio de um silêncio a espaços sem promessas com olhares tão profundos que quase doem. Gastámos as palavras que, ao menos, podiam tentar interpretar-se... mas um olhar?, como devolver um olhar podendo este ter mais de dez significados? Vejo-te tão calado. E só agora descubro que sempre estiveste assim. Nunca reparei porque enchia o ar com a minha presença, ocupada que estava com as minhas próprias sensações. É tão triste perder-te aos poucos, mas nem assim te queria sentir a partir mais rapidamente.
- Pior cego é aquele que não quer ver
- Pior cego é aquele que não quer ver
Provérbio provado rimado - CCCLVII
Às vezes tenho a sensação
De estar a falar p'ró boneco
Se ninguém me presta atenção
Fico perto de me dar um treco
Pois gosto de ter audiência
Feed back e vários ouvidos
Assim haja paciência
E não estejam entupidos
Cheiinhos de bastante cera
Da que não sai com cotonete
Eu fico rápido uma fera
E vou falar mas é com a retrete
Mas a pior cera que existe
É a que está dentro da cabeça
Esse boneco é mais triste
Mais burro essa é que é essa
Com este discurso não quero
Parecer de todo arrogante
Muita tolerância espero
Vá lá não me achem pedante
Já estou bem habituada
A ninguém ser indiferente
Ou de mim não gostam nada
Ou veem o meu coração quente
Quando comecei esta rima
O meu assunto era um
Mas logo ideia peregrina
Levou-me para tema nenhum
Pois bem aqui me despeço
Perdoem-me a parvoíce
Às vezes a palavra não meço
E descamba em grande chatice
De estar a falar p'ró boneco
Se ninguém me presta atenção
Fico perto de me dar um treco
Pois gosto de ter audiência
Feed back e vários ouvidos
Assim haja paciência
E não estejam entupidos
Cheiinhos de bastante cera
Da que não sai com cotonete
Eu fico rápido uma fera
E vou falar mas é com a retrete
Mas a pior cera que existe
É a que está dentro da cabeça
Esse boneco é mais triste
Mais burro essa é que é essa
Com este discurso não quero
Parecer de todo arrogante
Muita tolerância espero
Vá lá não me achem pedante
Já estou bem habituada
A ninguém ser indiferente
Ou de mim não gostam nada
Ou veem o meu coração quente
Quando comecei esta rima
O meu assunto era um
Mas logo ideia peregrina
Levou-me para tema nenhum
Pois bem aqui me despeço
Perdoem-me a parvoíce
Às vezes a palavra não meço
E descamba em grande chatice
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