Conto aqui um acontecimento
Como mo contou a minha prima
Só que não é prosa é em rima
Interrompam-me a qualquer momento
Vou então começar a contar
O caso desse tal elefante
Que se conta num breve instante
Fica em Lisboa o tal bar
Na verdade é casa de alterne
As bebidas são à comissão
Tem sofás logo no rés do chão
Já nos outros só a quem concerne
A minha prima tem uma amiga
Que foi lá colaboradora
Mas de forma muito amadora
Se o diz ninguém a desdiga
Lá conheceu o agora marido
Que era famoso empreiteiro
Parece que cagava dinheiro
E no bar andava bem bebido
Uma noite perdeu um tamanco
Tacão alto tal qual Cinderela
E ele procurou o pé dela
Por todo o Elefante Branco
Quando achou parou a admirar
Aquele pé com tão belas unhas
Que mesmo em sapatos de cunhas
Queria para sempre idolatrar
Assim combinaram esponsais
E essa ex Gata Borralheira
Subiu logo na vida à maneira
E Elefante Branco jamais
Perguntei à prima a razão
Se sabia do nome as origens
Desse bar que causava vertigens
Ela disse é só uma expressão
Uma frase própria do idioma
Significa algo muito pesado
Bem difícil de ser partilhado
Mais ainda de pôr na redoma
domingo, 15 de abril de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLX
O Zé foi hoje para a festa
E convidou a Madalena
Ela fresca após a sesta
Aceitou e a mãe teve pena
Pois queria para a sua filhota
Um mais rico namorado
Que lhe desse mais que palhota
Ou qualquer T2 partilhado
Fez ao Zé grande questionário
E ia ele a meio do ditongo
Num discurso meio perdulário
Foi com sorte salvo pelo gongo
Já bate à porta a vizinha
Cheia de rolos na cabeça
E pede emprestada farinha
Tão depressa que quase tropeça
Aproveita a interrupção
Diz adeus à sogra futura
Agarra a Madalena pela mão
Deixa a treta para outra altura
Lá nessa festa de garagem
Pede a Madalena em namoro
E ela ganhando coragem
Dá-lhe grande beijo sem decoro
Diz-lhe ó Zé estou tão satisfeita
Por passar a tua namorada
Mas a mãe vai ficar contrafeita
Para já não lhe contamos nada
Pela rua de mão dada vão
Porém chegados a casa dela
Deixa a noiva junto ao corrimão
Não vá a mãe estar à janela
A sorte deveu-a à vizinha
Que ingenuamente o salvou
Quando tocou à campainha
E com o questionário acabou
E convidou a Madalena
Ela fresca após a sesta
Aceitou e a mãe teve pena
Pois queria para a sua filhota
Um mais rico namorado
Que lhe desse mais que palhota
Ou qualquer T2 partilhado
Fez ao Zé grande questionário
E ia ele a meio do ditongo
Num discurso meio perdulário
Foi com sorte salvo pelo gongo
Já bate à porta a vizinha
Cheia de rolos na cabeça
E pede emprestada farinha
Tão depressa que quase tropeça
Aproveita a interrupção
Diz adeus à sogra futura
Agarra a Madalena pela mão
Deixa a treta para outra altura
Lá nessa festa de garagem
Pede a Madalena em namoro
E ela ganhando coragem
Dá-lhe grande beijo sem decoro
Diz-lhe ó Zé estou tão satisfeita
Por passar a tua namorada
Mas a mãe vai ficar contrafeita
Para já não lhe contamos nada
Pela rua de mão dada vão
Porém chegados a casa dela
Deixa a noiva junto ao corrimão
Não vá a mãe estar à janela
A sorte deveu-a à vizinha
Que ingenuamente o salvou
Quando tocou à campainha
E com o questionário acabou
Provérbio provado rimado - CCCLIX
Cala-me já essa matraca
Que provém duma língua velhaca
Pois as tuas artes marciais
Não são assim tão especiais
Achas que és palavroso
Mas és somente tendencioso
Ninguém consegues convencer
Quando o verbo queres dispender
Guarda mas é para melhores dias
Tais frases como as porfias
Para Domingos e dias feriados
E para os mal acostumados
Ou talvez para um referendo
Que às vezes vai acontecendo
Aí botarás faladura
Se não tiveres melhor altura
(Ilustração do Rui dos Prazeres Louraço www.instagram.com/condecascais)
Que provém duma língua velhaca
Pois as tuas artes marciais
Não são assim tão especiais
Achas que és palavroso
Mas és somente tendencioso
Ninguém consegues convencer
Quando o verbo queres dispender
Guarda mas é para melhores dias
Tais frases como as porfias
Para Domingos e dias feriados
E para os mal acostumados
Ou talvez para um referendo
Que às vezes vai acontecendo
Aí botarás faladura
Se não tiveres melhor altura
(Ilustração do Rui dos Prazeres Louraço www.instagram.com/condecascais)
Provérbio provado num verso branco - XXXIV
Não é necessária faca demasiado afiada
Ou queijo luxuoso do mais cremoso
Para que se tenha a faca e o queijo na mão
Basta um gesto desprendido até pouco ambicioso
Uma imaginação que torne tenro o pão bolorento
Qualquer vontade mais ou menos convidativa
Que dilua o instante numa memória eficaz
Assim um crê e dilui a verdade que se assemelha
Àquela vida abundante e crua
Rude autêntica fácil de mastigar
A faca corta o queijo dos dias com o polegar
Ou queijo luxuoso do mais cremoso
Para que se tenha a faca e o queijo na mão
Basta um gesto desprendido até pouco ambicioso
Uma imaginação que torne tenro o pão bolorento
Qualquer vontade mais ou menos convidativa
Que dilua o instante numa memória eficaz
Assim um crê e dilui a verdade que se assemelha
Àquela vida abundante e crua
Rude autêntica fácil de mastigar
A faca corta o queijo dos dias com o polegar
sábado, 14 de abril de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLVIII
Deixa-me em liberdade
Quietinha na prateleira
Digo-te com honestidade
Conhecer-me-ás de gingeira
Se te dizes apaixonado
Poderei ser tua mulher
Pois guardado está o bocado
Para quem o há-de comer
quarta-feira, 11 de abril de 2018
Provérbio provado mal vislumbrado
Dantes os sentimentos jorravam dos lábios, dos gestos, de uma perfeita sintonia com o meu corpo que se cria total. Agora só o vazio de um silêncio a espaços sem promessas com olhares tão profundos que quase doem. Gastámos as palavras que, ao menos, podiam tentar interpretar-se... mas um olhar?, como devolver um olhar podendo este ter mais de dez significados? Vejo-te tão calado. E só agora descubro que sempre estiveste assim. Nunca reparei porque enchia o ar com a minha presença, ocupada que estava com as minhas próprias sensações. É tão triste perder-te aos poucos, mas nem assim te queria sentir a partir mais rapidamente.
- Pior cego é aquele que não quer ver
- Pior cego é aquele que não quer ver
Provérbio provado rimado - CCCLVII
Às vezes tenho a sensação
De estar a falar p'ró boneco
Se ninguém me presta atenção
Fico perto de me dar um treco
Pois gosto de ter audiência
Feed back e vários ouvidos
Assim haja paciência
E não estejam entupidos
Cheiinhos de bastante cera
Da que não sai com cotonete
Eu fico rápido uma fera
E vou falar mas é com a retrete
Mas a pior cera que existe
É a que está dentro da cabeça
Esse boneco é mais triste
Mais burro essa é que é essa
Com este discurso não quero
Parecer de todo arrogante
Muita tolerância espero
Vá lá não me achem pedante
Já estou bem habituada
A ninguém ser indiferente
Ou de mim não gostam nada
Ou veem o meu coração quente
Quando comecei esta rima
O meu assunto era um
Mas logo ideia peregrina
Levou-me para tema nenhum
Pois bem aqui me despeço
Perdoem-me a parvoíce
Às vezes a palavra não meço
E descamba em grande chatice
De estar a falar p'ró boneco
Se ninguém me presta atenção
Fico perto de me dar um treco
Pois gosto de ter audiência
Feed back e vários ouvidos
Assim haja paciência
E não estejam entupidos
Cheiinhos de bastante cera
Da que não sai com cotonete
Eu fico rápido uma fera
E vou falar mas é com a retrete
Mas a pior cera que existe
É a que está dentro da cabeça
Esse boneco é mais triste
Mais burro essa é que é essa
Com este discurso não quero
Parecer de todo arrogante
Muita tolerância espero
Vá lá não me achem pedante
Já estou bem habituada
A ninguém ser indiferente
Ou de mim não gostam nada
Ou veem o meu coração quente
Quando comecei esta rima
O meu assunto era um
Mas logo ideia peregrina
Levou-me para tema nenhum
Pois bem aqui me despeço
Perdoem-me a parvoíce
Às vezes a palavra não meço
E descamba em grande chatice
Provérbio provado amantizado
Não percamos tempo aqui a encher linhas e linhas com palha para provar este provérbio. Sejamos sucintos e sintéticos e vamos mas é direitinhos à história.
A nossa heroína é um par de anos mais nova do que o marido. Ele divorciou-se da primeira mulher porque se encantou pela sua frescura e vai daí pediu-a em casamento. Então ela, anteriormente a ilegítima, casou com ele por interesse. No dinheiro, claro!, porque o interesse nele não era nenhum.
O marido foi operado à próstata e, como dizê-lo com elegância?, agora já não consegue consumar a conjugalidade no leito. Ela não perde tempo e arranja um amante viçoso na casa dos vinte a quem dá uma mesada com o dinheiro do marido que, por sua vez, afoga as tristezas não no álcool, mas a especular na bolsa em acções com capital de giro.
O mais que provável um dia dá-se: perde tudo e fica mais pobre do que ela em solteira. Arranca os poucos cabelos que ainda lhe restam, desespera-se, roga-lhe que não o deixe. Ela faz ouvidos de mercador e não vai de modas: pega nas malas de marca e nos sapatos de luxo e vai viver com o amante à beira da portagem da auto estrada. Fim da nossa história.
- Quando a pobreza bate à porta, o amor sai pela janela
A nossa heroína é um par de anos mais nova do que o marido. Ele divorciou-se da primeira mulher porque se encantou pela sua frescura e vai daí pediu-a em casamento. Então ela, anteriormente a ilegítima, casou com ele por interesse. No dinheiro, claro!, porque o interesse nele não era nenhum.
O marido foi operado à próstata e, como dizê-lo com elegância?, agora já não consegue consumar a conjugalidade no leito. Ela não perde tempo e arranja um amante viçoso na casa dos vinte a quem dá uma mesada com o dinheiro do marido que, por sua vez, afoga as tristezas não no álcool, mas a especular na bolsa em acções com capital de giro.
O mais que provável um dia dá-se: perde tudo e fica mais pobre do que ela em solteira. Arranca os poucos cabelos que ainda lhe restam, desespera-se, roga-lhe que não o deixe. Ela faz ouvidos de mercador e não vai de modas: pega nas malas de marca e nos sapatos de luxo e vai viver com o amante à beira da portagem da auto estrada. Fim da nossa história.
- Quando a pobreza bate à porta, o amor sai pela janela
Provérbio provado rimado - CCCLVI
É tão difícil compreender
A sorte que tanto varia
Se um dia parece render
No seguinte logo contraria
Andamos aos seus desmandos
Mesmo quem não acredita nela
Tem lá seus comos e quandos
Vêmo-la passar da janela
Vai sempre a acelerar
No fundo atende a todos
Mas alguns saem a ganhar
Esses que têm sorte a rodos
Há quem leve a coisa a sério
E creia que tem tão má sorte
Que solte até o impropério
De preferir desejar a morte
A sorte que tanto varia
Se um dia parece render
No seguinte logo contraria
Andamos aos seus desmandos
Mesmo quem não acredita nela
Tem lá seus comos e quandos
Vêmo-la passar da janela
Vai sempre a acelerar
No fundo atende a todos
Mas alguns saem a ganhar
Esses que têm sorte a rodos
Há quem leve a coisa a sério
E creia que tem tão má sorte
Que solte até o impropério
De preferir desejar a morte
Provérbio provado rimado - CCCLV
Para te atribuirem a fama
De algo que não fizeste
Até podes nem sair da cama
Vão dizer que nada perdeste
E não adianta retaliar
Nem chorar opá não fui eu
Que irão continuar a afirmar
A dizer ele bem o mereceu
Coisas que não andam aos pares
Essas da fama e do proveito
Pois é que azar dos azares
Só sabem fazer dor de peito
De algo que não fizeste
Até podes nem sair da cama
Vão dizer que nada perdeste
E não adianta retaliar
Nem chorar opá não fui eu
Que irão continuar a afirmar
A dizer ele bem o mereceu
Coisas que não andam aos pares
Essas da fama e do proveito
Pois é que azar dos azares
Só sabem fazer dor de peito
Provérbio provado num verso branco - XXXIII
De uma vez por todas aceitem-se as derrotas
A soma dos infortúnios salda-se em aprendizagem
De tanto malhar em ferro frio obtém-se uma nova armadura
Resistente às intempéries e fogos fátuos
E que já não cega perante o espectáculo de uma aurora boreal
Não há fome que não dê em fartura
Sejam tamanhas perdas afinal melhores que muitas vitórias
Para que cresça o desejo da superação
Para que aconteça a rendição àquela felicidade decerto possível
A vida num sopro
Essa vida tão simples
A soma dos infortúnios salda-se em aprendizagem
De tanto malhar em ferro frio obtém-se uma nova armadura
Resistente às intempéries e fogos fátuos
E que já não cega perante o espectáculo de uma aurora boreal
Não há fome que não dê em fartura
Sejam tamanhas perdas afinal melhores que muitas vitórias
Para que cresça o desejo da superação
Para que aconteça a rendição àquela felicidade decerto possível
A vida num sopro
Essa vida tão simples
terça-feira, 10 de abril de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLIV
Amar é mar no feminino
Como a mais alta maré
É onda que rouba o tino
Cuidado não percas o pé
No meio de tanta água
Leva um barco contigo
Para o amor não ter mágoa
E o vento ser teu amigo
Composto de madeira forte
Que não seja um barco precário
Não te faça rumar para norte
Onde todo o vento é contrário
É capricho da Natureza
Se depois de chuva nevoeiro
Terás peixe na tua mesa
E bom tempo marinheiro
Como a mais alta maré
É onda que rouba o tino
Cuidado não percas o pé
No meio de tanta água
Leva um barco contigo
Para o amor não ter mágoa
E o vento ser teu amigo
Composto de madeira forte
Que não seja um barco precário
Não te faça rumar para norte
Onde todo o vento é contrário
É capricho da Natureza
Se depois de chuva nevoeiro
Terás peixe na tua mesa
E bom tempo marinheiro
Provérbio provado rimado - CCCLIII
Estar com um grãozito na asa
Acontece em muita casa
Às vezes é o que faz falta
Para animar bem a malta
Com os cotovelos na mesa
Afasta qualquer tristeza
Na companhia de amigos
Livra de todos os perigos
E se não houver mau vinho
Só embebeda um bocadinho
Pode dar em cantoria
Partilha e muita alegria
Acontece em muita casa
Às vezes é o que faz falta
Para animar bem a malta
Com os cotovelos na mesa
Afasta qualquer tristeza
Na companhia de amigos
Livra de todos os perigos
E se não houver mau vinho
Só embebeda um bocadinho
Pode dar em cantoria
Partilha e muita alegria
sexta-feira, 6 de abril de 2018
Provérbio provado do amor duplicado
Continuavam a juntar-se no primeiro Domingo de cada mês, embora fosse sempre um pouco complicado gerir o mau humor dos respectivos maridos que por uma tarde lá acediam a ficar a ajudar os putos com os trabalhos de casa. O da Solange era o mais compreensivo e transferia a prole para casa dos sogros, deixando-lhes a mesa da sala, liberta de cadernos, guaches e brinquedos, que se vestia de uma toalha bordada de enxoval e do serviço já incompleto que tinha pertencido à avó dela. Por causa disso, e porque fosse uma criatura saudosista, a Solange contava sempre alguma história da aldeia da sua infância. Iam sorvendo o líquido em goles lentos, mastigando biscoitos com ar pensativo, escutando-se umas às outras as habituais agruras: os desmandos da cabra da cunhada da Cláudia, a hipertensão, diabetes e artroses da Sandra, as más notas na escola dos miúdos da Leonor.
Eis que enfim a Luísa lá chegava, atrasada como sempre, desbocada como sempre. O chá já tinha arrefecido, a conversa das amigas também. Todas despertavam, vivazes como molas, e emprestavam os ouvidos às sempre insólitas aventuras que ela relatava. Divorciada há vários anos do pinguço do primeiro marido, no último Domingo a Luísa surgira particularmente excitada. Primeiro porque tinha batido com a carrinha no dia anterior e tivera uma altercação com o outro condutor. Depois - e aqui é que vinha a novidade sumarenta - porque o já antecipado flirt com o tal professor de Pilates, uma brasa!, um corpão!, chegara a vias de facto e resultara numa relação tórrida que a trazia num incêndio só.
- O problema é o Gonçalo - dizia a Luísa, meio envergonhada meio divertida - é que também gosto dele, tão fofinho, tão certinho, regrado e atinado. A água e o vinho, meninas!
Fez-se um silêncio constrangedor: as amigas de semblante incriminatório, intimamente invejosas da vida amorosa superlativa da Luísa. Foi a Solange que quebrou o gelo:
- Luísa, sua devassa!, assim não dá. Tens de optar, amiga... A minha avó é que costumava dizer - já há bocado falei dela quando a Leonor lhe partiu mais uma chávena do serviço, a desastrada! - ela é que costumava dizer que
- Mulher que a dois ama, ambos engana
Eis que enfim a Luísa lá chegava, atrasada como sempre, desbocada como sempre. O chá já tinha arrefecido, a conversa das amigas também. Todas despertavam, vivazes como molas, e emprestavam os ouvidos às sempre insólitas aventuras que ela relatava. Divorciada há vários anos do pinguço do primeiro marido, no último Domingo a Luísa surgira particularmente excitada. Primeiro porque tinha batido com a carrinha no dia anterior e tivera uma altercação com o outro condutor. Depois - e aqui é que vinha a novidade sumarenta - porque o já antecipado flirt com o tal professor de Pilates, uma brasa!, um corpão!, chegara a vias de facto e resultara numa relação tórrida que a trazia num incêndio só.
- O problema é o Gonçalo - dizia a Luísa, meio envergonhada meio divertida - é que também gosto dele, tão fofinho, tão certinho, regrado e atinado. A água e o vinho, meninas!
Fez-se um silêncio constrangedor: as amigas de semblante incriminatório, intimamente invejosas da vida amorosa superlativa da Luísa. Foi a Solange que quebrou o gelo:
- Luísa, sua devassa!, assim não dá. Tens de optar, amiga... A minha avó é que costumava dizer - já há bocado falei dela quando a Leonor lhe partiu mais uma chávena do serviço, a desastrada! - ela é que costumava dizer que
- Mulher que a dois ama, ambos engana
Provérbio provado num verso branco - XXXII
A música nunca vem do quarto que se espera
Ou a melhor melodia daqueles lençóis com mais cor
Por estas e por outras de nada adianta aquecer o caldeirão
O feitiço acaba sempre por se virar
Contra o suposto poderoso feiticeiro
O segredo é deixar a inaudível percussão
Assemelhar-se ao bater do coração
E nesse improvável compasso
Bailar ao sabor das madrugadas
Que transportam os dias das certezas derradeiras
Ou a melhor melodia daqueles lençóis com mais cor
Por estas e por outras de nada adianta aquecer o caldeirão
O feitiço acaba sempre por se virar
Contra o suposto poderoso feiticeiro
O segredo é deixar a inaudível percussão
Assemelhar-se ao bater do coração
E nesse improvável compasso
Bailar ao sabor das madrugadas
Que transportam os dias das certezas derradeiras
Provérbio provado rimado - CCCLII
As modas vão a reboque
E o que era no século passado
Dito um corpo bem desenhado
Agora é considerado batoque
Pois tecer loas à gordura
Está hoje ultrapassado
Não dá um provérbio provado
Que ela já não é formosura
E o que era no século passado
Dito um corpo bem desenhado
Agora é considerado batoque
Pois tecer loas à gordura
Está hoje ultrapassado
Não dá um provérbio provado
Que ela já não é formosura
quinta-feira, 29 de março de 2018
Provérbios provados seleccionados - III
Este blog temático conta histórias ficcionadas a
partir de provérbios populares. Surge primeiro o texto e o provérbio vem no fim de propósito, à laia de moral da história: pretende-se que os leitores
descubram com surpresa qual é o ditado-desfecho.
Nesta compilação com alguns pequenos contos procedi de
forma inversa: apresento o provérbio final com o link para a respectiva ficção.
domingo, 25 de março de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLI
Era um costume do liceu
Ir para trás do pavilhão
Se não era tímida a mão
E lá também andei eu
Mas no tempo da minha avó
Ia-se para trás da moita
Se a mão era muito afoita
E o estômago dava um nó
Coisas próprias da juventude
Que se fazem só nessa idade
São brincadeiras sem maldade
Que se repetem amiúde
Assim creio que começaram
Escondidos tantos namoros
Muitos descambaram em choros
E em plena rua terminaram
Ir para trás do pavilhão
Se não era tímida a mão
E lá também andei eu
Mas no tempo da minha avó
Ia-se para trás da moita
Se a mão era muito afoita
E o estômago dava um nó
Coisas próprias da juventude
Que se fazem só nessa idade
São brincadeiras sem maldade
Que se repetem amiúde
Assim creio que começaram
Escondidos tantos namoros
Muitos descambaram em choros
E em plena rua terminaram
Provérbio provado rimado - CCCL
Educação e moeda de ouro
Em toda a parte tem valor
Guardadas em bolsa de couro
Ensinadas pelo professor
Mas é preciso que no lar
Se ensine o que é a poupança
E aos outros sempre bem tratar
Vivam ou não em abastança
Em toda a parte tem valor
Guardadas em bolsa de couro
Ensinadas pelo professor
Mas é preciso que no lar
Se ensine o que é a poupança
E aos outros sempre bem tratar
Vivam ou não em abastança
Provérbio provado rimado - CCCXLIX
Nem sei porque tanto te quero
E que te amo eu já desconfio
Com meu ser todo me atavio
Para te encontrar tanto espero
Em findo o comer e o coçar
Lá diz o povo e com razão
Nestas coisas do coração
O mal está bem no começar
E que te amo eu já desconfio
Com meu ser todo me atavio
Para te encontrar tanto espero
Em findo o comer e o coçar
Lá diz o povo e com razão
Nestas coisas do coração
O mal está bem no começar
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