Não percamos tempo aqui a encher linhas e linhas com palha para provar este provérbio. Sejamos sucintos e sintéticos e vamos mas é direitinhos à história.
A nossa heroína é um par de anos mais nova do que o marido. Ele divorciou-se da primeira mulher porque se encantou pela sua frescura e vai daí pediu-a em casamento. Então ela, anteriormente a ilegítima, casou com ele por interesse. No dinheiro, claro!, porque o interesse nele não era nenhum.
O marido foi operado à próstata e, como dizê-lo com elegância?, agora já não consegue consumar a conjugalidade no leito. Ela não perde tempo e arranja um amante viçoso na casa dos vinte a quem dá uma mesada com o dinheiro do marido que, por sua vez, afoga as tristezas não no álcool, mas a especular na bolsa em acções com capital de giro.
O mais que provável um dia dá-se: perde tudo e fica mais pobre do que ela em solteira. Arranca os poucos cabelos que ainda lhe restam, desespera-se, roga-lhe que não o deixe. Ela faz ouvidos de mercador e não vai de modas: pega nas malas de marca e nos sapatos de luxo e vai viver com o amante à beira da portagem da auto estrada. Fim da nossa história.
- Quando a pobreza bate à porta, o amor sai pela janela
quarta-feira, 11 de abril de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLVI
É tão difícil compreender
A sorte que tanto varia
Se um dia parece render
No seguinte logo contraria
Andamos aos seus desmandos
Mesmo quem não acredita nela
Tem lá seus comos e quandos
Vêmo-la passar da janela
Vai sempre a acelerar
No fundo atende a todos
Mas alguns saem a ganhar
Esses que têm sorte a rodos
Há quem leve a coisa a sério
E creia que tem tão má sorte
Que solte até o impropério
De preferir desejar a morte
A sorte que tanto varia
Se um dia parece render
No seguinte logo contraria
Andamos aos seus desmandos
Mesmo quem não acredita nela
Tem lá seus comos e quandos
Vêmo-la passar da janela
Vai sempre a acelerar
No fundo atende a todos
Mas alguns saem a ganhar
Esses que têm sorte a rodos
Há quem leve a coisa a sério
E creia que tem tão má sorte
Que solte até o impropério
De preferir desejar a morte
Provérbio provado rimado - CCCLV
Para te atribuirem a fama
De algo que não fizeste
Até podes nem sair da cama
Vão dizer que nada perdeste
E não adianta retaliar
Nem chorar opá não fui eu
Que irão continuar a afirmar
A dizer ele bem o mereceu
Coisas que não andam aos pares
Essas da fama e do proveito
Pois é que azar dos azares
Só sabem fazer dor de peito
De algo que não fizeste
Até podes nem sair da cama
Vão dizer que nada perdeste
E não adianta retaliar
Nem chorar opá não fui eu
Que irão continuar a afirmar
A dizer ele bem o mereceu
Coisas que não andam aos pares
Essas da fama e do proveito
Pois é que azar dos azares
Só sabem fazer dor de peito
Provérbio provado num verso branco - XXXIII
De uma vez por todas aceitem-se as derrotas
A soma dos infortúnios salda-se em aprendizagem
De tanto malhar em ferro frio obtém-se uma nova armadura
Resistente às intempéries e fogos fátuos
E que já não cega perante o espectáculo de uma aurora boreal
Não há fome que não dê em fartura
Sejam tamanhas perdas afinal melhores que muitas vitórias
Para que cresça o desejo da superação
Para que aconteça a rendição àquela felicidade decerto possível
A vida num sopro
Essa vida tão simples
A soma dos infortúnios salda-se em aprendizagem
De tanto malhar em ferro frio obtém-se uma nova armadura
Resistente às intempéries e fogos fátuos
E que já não cega perante o espectáculo de uma aurora boreal
Não há fome que não dê em fartura
Sejam tamanhas perdas afinal melhores que muitas vitórias
Para que cresça o desejo da superação
Para que aconteça a rendição àquela felicidade decerto possível
A vida num sopro
Essa vida tão simples
terça-feira, 10 de abril de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLIV
Amar é mar no feminino
Como a mais alta maré
É onda que rouba o tino
Cuidado não percas o pé
No meio de tanta água
Leva um barco contigo
Para o amor não ter mágoa
E o vento ser teu amigo
Composto de madeira forte
Que não seja um barco precário
Não te faça rumar para norte
Onde todo o vento é contrário
É capricho da Natureza
Se depois de chuva nevoeiro
Terás peixe na tua mesa
E bom tempo marinheiro
Como a mais alta maré
É onda que rouba o tino
Cuidado não percas o pé
No meio de tanta água
Leva um barco contigo
Para o amor não ter mágoa
E o vento ser teu amigo
Composto de madeira forte
Que não seja um barco precário
Não te faça rumar para norte
Onde todo o vento é contrário
É capricho da Natureza
Se depois de chuva nevoeiro
Terás peixe na tua mesa
E bom tempo marinheiro
Provérbio provado rimado - CCCLIII
Estar com um grãozito na asa
Acontece em muita casa
Às vezes é o que faz falta
Para animar bem a malta
Com os cotovelos na mesa
Afasta qualquer tristeza
Na companhia de amigos
Livra de todos os perigos
E se não houver mau vinho
Só embebeda um bocadinho
Pode dar em cantoria
Partilha e muita alegria
Acontece em muita casa
Às vezes é o que faz falta
Para animar bem a malta
Com os cotovelos na mesa
Afasta qualquer tristeza
Na companhia de amigos
Livra de todos os perigos
E se não houver mau vinho
Só embebeda um bocadinho
Pode dar em cantoria
Partilha e muita alegria
sexta-feira, 6 de abril de 2018
Provérbio provado do amor duplicado
Continuavam a juntar-se no primeiro Domingo de cada mês, embora fosse sempre um pouco complicado gerir o mau humor dos respectivos maridos que por uma tarde lá acediam a ficar a ajudar os putos com os trabalhos de casa. O da Solange era o mais compreensivo e transferia a prole para casa dos sogros, deixando-lhes a mesa da sala, liberta de cadernos, guaches e brinquedos, que se vestia de uma toalha bordada de enxoval e do serviço já incompleto que tinha pertencido à avó dela. Por causa disso, e porque fosse uma criatura saudosista, a Solange contava sempre alguma história da aldeia da sua infância. Iam sorvendo o líquido em goles lentos, mastigando biscoitos com ar pensativo, escutando-se umas às outras as habituais agruras: os desmandos da cabra da cunhada da Cláudia, a hipertensão, diabetes e artroses da Sandra, as más notas na escola dos miúdos da Leonor.
Eis que enfim a Luísa lá chegava, atrasada como sempre, desbocada como sempre. O chá já tinha arrefecido, a conversa das amigas também. Todas despertavam, vivazes como molas, e emprestavam os ouvidos às sempre insólitas aventuras que ela relatava. Divorciada há vários anos do pinguço do primeiro marido, no último Domingo a Luísa surgira particularmente excitada. Primeiro porque tinha batido com a carrinha no dia anterior e tivera uma altercação com o outro condutor. Depois - e aqui é que vinha a novidade sumarenta - porque o já antecipado flirt com o tal professor de Pilates, uma brasa!, um corpão!, chegara a vias de facto e resultara numa relação tórrida que a trazia num incêndio só.
- O problema é o Gonçalo - dizia a Luísa, meio envergonhada meio divertida - é que também gosto dele, tão fofinho, tão certinho, regrado e atinado. A água e o vinho, meninas!
Fez-se um silêncio constrangedor: as amigas de semblante incriminatório, intimamente invejosas da vida amorosa superlativa da Luísa. Foi a Solange que quebrou o gelo:
- Luísa, sua devassa!, assim não dá. Tens de optar, amiga... A minha avó é que costumava dizer - já há bocado falei dela quando a Leonor lhe partiu mais uma chávena do serviço, a desastrada! - ela é que costumava dizer que
- Mulher que a dois ama, ambos engana
Eis que enfim a Luísa lá chegava, atrasada como sempre, desbocada como sempre. O chá já tinha arrefecido, a conversa das amigas também. Todas despertavam, vivazes como molas, e emprestavam os ouvidos às sempre insólitas aventuras que ela relatava. Divorciada há vários anos do pinguço do primeiro marido, no último Domingo a Luísa surgira particularmente excitada. Primeiro porque tinha batido com a carrinha no dia anterior e tivera uma altercação com o outro condutor. Depois - e aqui é que vinha a novidade sumarenta - porque o já antecipado flirt com o tal professor de Pilates, uma brasa!, um corpão!, chegara a vias de facto e resultara numa relação tórrida que a trazia num incêndio só.
- O problema é o Gonçalo - dizia a Luísa, meio envergonhada meio divertida - é que também gosto dele, tão fofinho, tão certinho, regrado e atinado. A água e o vinho, meninas!
Fez-se um silêncio constrangedor: as amigas de semblante incriminatório, intimamente invejosas da vida amorosa superlativa da Luísa. Foi a Solange que quebrou o gelo:
- Luísa, sua devassa!, assim não dá. Tens de optar, amiga... A minha avó é que costumava dizer - já há bocado falei dela quando a Leonor lhe partiu mais uma chávena do serviço, a desastrada! - ela é que costumava dizer que
- Mulher que a dois ama, ambos engana
Provérbio provado num verso branco - XXXII
A música nunca vem do quarto que se espera
Ou a melhor melodia daqueles lençóis com mais cor
Por estas e por outras de nada adianta aquecer o caldeirão
O feitiço acaba sempre por se virar
Contra o suposto poderoso feiticeiro
O segredo é deixar a inaudível percussão
Assemelhar-se ao bater do coração
E nesse improvável compasso
Bailar ao sabor das madrugadas
Que transportam os dias das certezas derradeiras
Ou a melhor melodia daqueles lençóis com mais cor
Por estas e por outras de nada adianta aquecer o caldeirão
O feitiço acaba sempre por se virar
Contra o suposto poderoso feiticeiro
O segredo é deixar a inaudível percussão
Assemelhar-se ao bater do coração
E nesse improvável compasso
Bailar ao sabor das madrugadas
Que transportam os dias das certezas derradeiras
Provérbio provado rimado - CCCLII
As modas vão a reboque
E o que era no século passado
Dito um corpo bem desenhado
Agora é considerado batoque
Pois tecer loas à gordura
Está hoje ultrapassado
Não dá um provérbio provado
Que ela já não é formosura
E o que era no século passado
Dito um corpo bem desenhado
Agora é considerado batoque
Pois tecer loas à gordura
Está hoje ultrapassado
Não dá um provérbio provado
Que ela já não é formosura
quinta-feira, 29 de março de 2018
Provérbios provados seleccionados - III
Este blog temático conta histórias ficcionadas a
partir de provérbios populares. Surge primeiro o texto e o provérbio vem no fim de propósito, à laia de moral da história: pretende-se que os leitores
descubram com surpresa qual é o ditado-desfecho.
Nesta compilação com alguns pequenos contos procedi de
forma inversa: apresento o provérbio final com o link para a respectiva ficção.
domingo, 25 de março de 2018
Provérbio provado rimado - CCCLI
Era um costume do liceu
Ir para trás do pavilhão
Se não era tímida a mão
E lá também andei eu
Mas no tempo da minha avó
Ia-se para trás da moita
Se a mão era muito afoita
E o estômago dava um nó
Coisas próprias da juventude
Que se fazem só nessa idade
São brincadeiras sem maldade
Que se repetem amiúde
Assim creio que começaram
Escondidos tantos namoros
Muitos descambaram em choros
E em plena rua terminaram
Ir para trás do pavilhão
Se não era tímida a mão
E lá também andei eu
Mas no tempo da minha avó
Ia-se para trás da moita
Se a mão era muito afoita
E o estômago dava um nó
Coisas próprias da juventude
Que se fazem só nessa idade
São brincadeiras sem maldade
Que se repetem amiúde
Assim creio que começaram
Escondidos tantos namoros
Muitos descambaram em choros
E em plena rua terminaram
Provérbio provado rimado - CCCL
Educação e moeda de ouro
Em toda a parte tem valor
Guardadas em bolsa de couro
Ensinadas pelo professor
Mas é preciso que no lar
Se ensine o que é a poupança
E aos outros sempre bem tratar
Vivam ou não em abastança
Em toda a parte tem valor
Guardadas em bolsa de couro
Ensinadas pelo professor
Mas é preciso que no lar
Se ensine o que é a poupança
E aos outros sempre bem tratar
Vivam ou não em abastança
Provérbio provado rimado - CCCXLIX
Nem sei porque tanto te quero
E que te amo eu já desconfio
Com meu ser todo me atavio
Para te encontrar tanto espero
Em findo o comer e o coçar
Lá diz o povo e com razão
Nestas coisas do coração
O mal está bem no começar
E que te amo eu já desconfio
Com meu ser todo me atavio
Para te encontrar tanto espero
Em findo o comer e o coçar
Lá diz o povo e com razão
Nestas coisas do coração
O mal está bem no começar
domingo, 18 de março de 2018
Provérbio provado num verso branco - XXXI
Nem tudo o que vai volta
Olha a morte que não devolve quem roubou
Olha uma palavra mal dita que só te responde silêncio
Olha esse amor perdido envolto na eterna neblina
Todo o arrependimento não transforma os acontecimentos
O relógio não anda para trás apenas por quereres
O poço do esquecimento não se apieda das tuas lágrimas
É só hoje que podes evitar o remorso futuro
Um dia vais colher o que semeaste
Olha a morte que não devolve quem roubou
Olha uma palavra mal dita que só te responde silêncio
Olha esse amor perdido envolto na eterna neblina
Todo o arrependimento não transforma os acontecimentos
O relógio não anda para trás apenas por quereres
O poço do esquecimento não se apieda das tuas lágrimas
É só hoje que podes evitar o remorso futuro
Um dia vais colher o que semeaste
Provérbio provado rimado - CCCXLVIII
Eu adoro uma boa conversa
Até com as paredes eu falo
E dificilmente me calo
Mesmo se esta for controversa
Já não compro toda a guerra
Mas gosto de uma boa peleja
Desde que civilizada ela seja
Qualquer ponto de vista encerra
Até tento ser atenciosa
Ouvir e não apenas falar
E algumas ideias trocar
Quando dou dois dedos de prosa
Até com as paredes eu falo
E dificilmente me calo
Mesmo se esta for controversa
Já não compro toda a guerra
Mas gosto de uma boa peleja
Desde que civilizada ela seja
Qualquer ponto de vista encerra
Até tento ser atenciosa
Ouvir e não apenas falar
E algumas ideias trocar
Quando dou dois dedos de prosa
Provérbio provado enforcado
Ninguém sabia porque é que ultimamente no rosto dele se haviam desenhado aquelas olheiras tão fundas e parecera ter envelhecido dez anos. Só depois do acontecido é que a avó nos contou que ele não pregava olho há coisa de um mês: as noites todas na cama ora para cá ora para lá, vira para a esquerda, vira para a direita, e nem a aurora, que traz sempre uma certa redenção, o deixava abandonar-se a um sono retemperador. Sem dormir e sem conseguir desvendar uma saída para fazer face às dívidas que se acumulavam, também isto a avó nos contou. Contava tudo isto ainda não acreditando, com os olhos marejados, transbordantes, depois de ter recebido os credores, um por um, com toda a dignidade que conseguiu arranjar. Estávamos todos na sala, um silêncio gritante, escutando a avó falar da avidez dos prejudicados, das mil e uma desculpas que pedira em nome dele prometendo devolver o dinheiro até ao último tostão. Eu ouvia a avó também não querendo acreditar, mas o luto carregado dela entrava-me pelos olhos como uma evidência.
- Oh, meu Deus, como vou eu arranjar uma fortuna destas? Mas onde, meu Deus? Já não há nada para vender... Só resta esta casa e a várzea da figueira onde fui encontrar o vosso pai e avô. Ah, Severino, porque foste fazer uma coisa destas? Como foste capaz de me deixar a braços com tantos problemas?
A avó carpia assim, entre soluços, quando entrou a filha da vizinha perguntando se tínhamos com que atar o balde do poço, que tinha desaparecido a antiga... a antiga... E quase imediatamente se calou pois
- Em casa de enforcado não se fala em corda
- Oh, meu Deus, como vou eu arranjar uma fortuna destas? Mas onde, meu Deus? Já não há nada para vender... Só resta esta casa e a várzea da figueira onde fui encontrar o vosso pai e avô. Ah, Severino, porque foste fazer uma coisa destas? Como foste capaz de me deixar a braços com tantos problemas?
A avó carpia assim, entre soluços, quando entrou a filha da vizinha perguntando se tínhamos com que atar o balde do poço, que tinha desaparecido a antiga... a antiga... E quase imediatamente se calou pois
- Em casa de enforcado não se fala em corda
Provérbio provado rimado - CCCXLVII
Um T0 ou um casebre
No coração de Lisboa
Vale maquia bem boa
É vender gato por lebre
Agências imobiliárias
De duas ou uma pessoa
Põem anúncios à toa
Enganam clientes várias
Que têm sempre um gatinho
Cinzeiros a transbordar
Dispostas a arrendar
O seu próprio cantinho
Querem dar tuta e meia
Mas pagam cara a renda
Mais valeria uma tenda
Noutra cidade feia
No coração de Lisboa
Vale maquia bem boa
É vender gato por lebre
Agências imobiliárias
De duas ou uma pessoa
Põem anúncios à toa
Enganam clientes várias
Que têm sempre um gatinho
Cinzeiros a transbordar
Dispostas a arrendar
O seu próprio cantinho
Querem dar tuta e meia
Mas pagam cara a renda
Mais valeria uma tenda
Noutra cidade feia
sábado, 17 de março de 2018
Provérbio provado rimado - CCCXLVI
Para que o flirt tenha pinta
É preciso ser-se cavalheiro
Se não há beleza não minta
Se a há não seja brejeiro
Tente ter alguma calma
Mas também não vá devagar
Primeiro consiga-lhe a alma
Só depois peça para se deitar
Não se fie no que é mostrado
Atente bem nas emoções
Mesmo se é muito desejado
Quem vê caras não vê corações
(Ilustração: Rui dos Prazeres Louraço
www.instagram.com/condecascais)
É preciso ser-se cavalheiro
Se não há beleza não minta
Se a há não seja brejeiro
Tente ter alguma calma
Mas também não vá devagar
Primeiro consiga-lhe a alma
Só depois peça para se deitar
Não se fie no que é mostrado
Atente bem nas emoções
Mesmo se é muito desejado
Quem vê caras não vê corações
(Ilustração: Rui dos Prazeres Louraço
www.instagram.com/condecascais)
Provérbio provado rimado - CCCXLV
Ficar a rapar o carolo
Depois de devorar o miolo
É talvez como chuchar no dedo
Rezar sem esperança um credo
Pois ter o estômago vazio
Esteja calor ou faça frio
É tão sofrida privação
Que se leva à noite p'ró colchão
Oh que injustiça tão feia
Que nem todos tenham mesa cheia
Desejava que houvesse fartura
Que a fome ninguém a atura
Depois de devorar o miolo
É talvez como chuchar no dedo
Rezar sem esperança um credo
Pois ter o estômago vazio
Esteja calor ou faça frio
É tão sofrida privação
Que se leva à noite p'ró colchão
Oh que injustiça tão feia
Que nem todos tenham mesa cheia
Desejava que houvesse fartura
Que a fome ninguém a atura
sexta-feira, 16 de março de 2018
Provérbios provados num verso branco em livro
Uma parte dos Provérbios provados já está impressa; precisamente aquela que nunca esperei... Agora só falta os contos e as rimas serem escarrapachados no papel.
No Dia Mundial da Poesia, 21 de Março, às 18:30, venham assistir ao lançamento do meu livro Verso branco, na Biblioteca Fernando Piteira Santos, na Amadora.
Estão todos convidadíssimos!
No Dia Mundial da Poesia, 21 de Março, às 18:30, venham assistir ao lançamento do meu livro Verso branco, na Biblioteca Fernando Piteira Santos, na Amadora.
Estão todos convidadíssimos!
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