Ficar a rapar o carolo
Depois de devorar o miolo
É talvez como chuchar no dedo
Rezar sem esperança um credo
Pois ter o estômago vazio
Esteja calor ou faça frio
É tão sofrida privação
Que se leva à noite p'ró colchão
Oh que injustiça tão feia
Que nem todos tenham mesa cheia
Desejava que houvesse fartura
Que a fome ninguém a atura
sábado, 17 de março de 2018
sexta-feira, 16 de março de 2018
Provérbios provados num verso branco em livro
Uma parte dos Provérbios provados já está impressa; precisamente aquela que nunca esperei... Agora só falta os contos e as rimas serem escarrapachados no papel.
No Dia Mundial da Poesia, 21 de Março, às 18:30, venham assistir ao lançamento do meu livro Verso branco, na Biblioteca Fernando Piteira Santos, na Amadora.
Estão todos convidadíssimos!
No Dia Mundial da Poesia, 21 de Março, às 18:30, venham assistir ao lançamento do meu livro Verso branco, na Biblioteca Fernando Piteira Santos, na Amadora.
Estão todos convidadíssimos!
quinta-feira, 15 de março de 2018
Provérbio provado rimado - CCCXLIV
Infelizmente esta vida
É uma eterna despedida
Dizemos adeus ao amor
Que estimámos com fervor
Mas feliz desse coração
Que canta nova saudação
E a sorrir te diz olá
Epá ainda bem que vens lá
Esse coração é um tolo
Tem feridas dentro do miolo
Mas num novo amor já aposta
Encanta-se e jura que gosta
Conforme a música dança
Inundado de tanta esperança
Deseja desta vez conseguir
Não todo em cacos se partir
É uma eterna despedida
Dizemos adeus ao amor
Que estimámos com fervor
Mas feliz desse coração
Que canta nova saudação
E a sorrir te diz olá
Epá ainda bem que vens lá
Esse coração é um tolo
Tem feridas dentro do miolo
Mas num novo amor já aposta
Encanta-se e jura que gosta
Conforme a música dança
Inundado de tanta esperança
Deseja desta vez conseguir
Não todo em cacos se partir
Provérbio provado num verso branco - XXX
O poema anuncia-se
- Olá sou o poema -
Pálido e esfarrapado
Uma mão atrás e outra à frente
Tão teso como um carapau
Nem pode mandar cantar um cego
O poema constipa-se
- Atchim ai de mim -
Anda descalço e ao deus dará
Tem febres e um peso no peito
É uma florzinha de estufa
Desejando o vento nos cabelos
O poema traz queixumes
- Ah se soubessem -
Gastou uma vida e meias solas
À procura do verso perfeito
Quase morreu e ainda vive
De tanto viver não vai morrer já
- Olá sou o poema -
Pálido e esfarrapado
Uma mão atrás e outra à frente
Tão teso como um carapau
Nem pode mandar cantar um cego
O poema constipa-se
- Atchim ai de mim -
Anda descalço e ao deus dará
Tem febres e um peso no peito
É uma florzinha de estufa
Desejando o vento nos cabelos
O poema traz queixumes
- Ah se soubessem -
Gastou uma vida e meias solas
À procura do verso perfeito
Quase morreu e ainda vive
De tanto viver não vai morrer já
Provérbio provado rimado - CCCXLIII
Se o papagaio come milho
O periquito leva a fama
P'ró periquito é sarilho
O papagaio é quem mama
Acontece isto tanta vez
Ser outro a ter o proveito
Quem se lixa não é quem fez
Mas quem se pensa tê-lo feito
O periquito leva a fama
P'ró periquito é sarilho
O papagaio é quem mama
Acontece isto tanta vez
Ser outro a ter o proveito
Quem se lixa não é quem fez
Mas quem se pensa tê-lo feito
Provérbio provado rimado - CCCXLII
Será que é por ser pequenino
Que é um país tão ladino?
Nele abunda a desavença
Ao mal ninguém pede licença
O bem esse é descuidado
Por tão poucos alinhavado
Dedicam-se tantos a parecer
Esquecendo cultivar o ser
O mote é o desenrascanço
O povo não luta é manso
Mas nos cafés todos opinam
A erva daninha ajardinam
Plantado no cú da Europa
Rectângulo de tão suja roupa
Quando o mal é de nação
Nem vai lá a poder de sabão
Que é um país tão ladino?
Nele abunda a desavença
Ao mal ninguém pede licença
O bem esse é descuidado
Por tão poucos alinhavado
Dedicam-se tantos a parecer
Esquecendo cultivar o ser
O mote é o desenrascanço
O povo não luta é manso
Mas nos cafés todos opinam
A erva daninha ajardinam
Plantado no cú da Europa
Rectângulo de tão suja roupa
Quando o mal é de nação
Nem vai lá a poder de sabão
Provérbio provado rimado - CCCXLI
Aquela paz emocional
É tão difícil afinal
Nunca lhe dou atenção
Por ter tão cheio o coração
O mais das vezes estou triste
Porque o amor não me assiste
E consulto a almofada
Mas ela não responde nada
O segredo é continuar
Mesmo quando custa acordar
Sozinha hei-de conseguir
Esconder na almofada o sentir
É tão difícil afinal
Nunca lhe dou atenção
Por ter tão cheio o coração
O mais das vezes estou triste
Porque o amor não me assiste
E consulto a almofada
Mas ela não responde nada
O segredo é continuar
Mesmo quando custa acordar
Sozinha hei-de conseguir
Esconder na almofada o sentir
Provérbio provado rimado - CCCXL
Viver como belo burguês
E morfar lautos almoços
Subtrair sem porquês
Comer cascas e caroços
Querer todos enganar
Sem qualquer ingenuidade
E a ocasião aproveitar
Com muita sagacidade
Roubar como gente grande
Encher os bolsos com largueza
Por mais que às vezes abrande
Não deixa de ser à francesa
E morfar lautos almoços
Subtrair sem porquês
Comer cascas e caroços
Querer todos enganar
Sem qualquer ingenuidade
E a ocasião aproveitar
Com muita sagacidade
Roubar como gente grande
Encher os bolsos com largueza
Por mais que às vezes abrande
Não deixa de ser à francesa
sexta-feira, 9 de março de 2018
Provérbio provado desempregado
O Vicente vira-se desempregado quando a fábrica de rolhas de cortiça onde laborava abrira falência. Ficou a receber subsídio pois era demasiado novo para o reformarem. Era porém ainda demasiado activo para passar os dias em frente à televisão.
A sua Maria das Dores, que não tinha nenhuma - era ainda mais activa do que activo ele era - às vezes lá ligava o rádio e punha-se a cantarolar estridente, enquanto andava de divisão em divisão, tropeçando no Vicente e fazendo-o sentir-se um estorvo, pois todos os esforços que ensaiava para a ajudar resultavam em ralhos.
Foi assim que ele ganhou o hábito de ir para a biblioteca, as primeiras vezes porque não queria gastar dinheiro no jornal e lá havia-os diários e semanários, generalistas e desportivos. Depois descobriu as estantes e foi um vê-se-te-avias; começou a consumir enciclopédias no C de cortiça, mas cedo as mastigou de uma ponta à outra, até descobrir o Z com espanto. Claro que a partir daí se virou para a literatura, passando sem tabus de um policial para a literatura mais vagarosa e daí para a poesia. O Vicente andava satisfeito da vida com as suas leituras e ao fim do dia regressava a casa cheio de livros debaixo do braço: sentia que a sua vida tinha um propósito.
Uma vez chegado ao lar, dava com a Maria das Dores a arengar, acalorada entre tachos e vassouras, reclamando que a pilha da roupa suja não parava de crescer:
- Ó homem, sujas mais roupa do que quando estavas na fábrica! Era só a farda para lavar... Agora é este disparate: uma camisa lavada todos os dias, benza-te Deus! Mas tu tens alguma necessidade de andares para aí armado em doutor? Ganhaste-me este hábito de ir todos os dias para a biblioteca ler, vejam-me bem! Umas palavritas cruzadas não te bastariam para te entreteres? Um baralho de cartas, um dominó belga com o Zé Neves? Mas não, não senhor! Vens de lá carregadinho de livralhada, até poesias trazes para a ceia em vez de fazeres companhia à tua mulher. Mas tu julgas que é com esta idade que vais aprender alguma coisa, homem? Olha que
- Burro carregado de livros não é doutor
A sua Maria das Dores, que não tinha nenhuma - era ainda mais activa do que activo ele era - às vezes lá ligava o rádio e punha-se a cantarolar estridente, enquanto andava de divisão em divisão, tropeçando no Vicente e fazendo-o sentir-se um estorvo, pois todos os esforços que ensaiava para a ajudar resultavam em ralhos.
Foi assim que ele ganhou o hábito de ir para a biblioteca, as primeiras vezes porque não queria gastar dinheiro no jornal e lá havia-os diários e semanários, generalistas e desportivos. Depois descobriu as estantes e foi um vê-se-te-avias; começou a consumir enciclopédias no C de cortiça, mas cedo as mastigou de uma ponta à outra, até descobrir o Z com espanto. Claro que a partir daí se virou para a literatura, passando sem tabus de um policial para a literatura mais vagarosa e daí para a poesia. O Vicente andava satisfeito da vida com as suas leituras e ao fim do dia regressava a casa cheio de livros debaixo do braço: sentia que a sua vida tinha um propósito.
Uma vez chegado ao lar, dava com a Maria das Dores a arengar, acalorada entre tachos e vassouras, reclamando que a pilha da roupa suja não parava de crescer:
- Ó homem, sujas mais roupa do que quando estavas na fábrica! Era só a farda para lavar... Agora é este disparate: uma camisa lavada todos os dias, benza-te Deus! Mas tu tens alguma necessidade de andares para aí armado em doutor? Ganhaste-me este hábito de ir todos os dias para a biblioteca ler, vejam-me bem! Umas palavritas cruzadas não te bastariam para te entreteres? Um baralho de cartas, um dominó belga com o Zé Neves? Mas não, não senhor! Vens de lá carregadinho de livralhada, até poesias trazes para a ceia em vez de fazeres companhia à tua mulher. Mas tu julgas que é com esta idade que vais aprender alguma coisa, homem? Olha que
- Burro carregado de livros não é doutor
Provérbio provado rimado - CCCXXXIX
Do ponto A até ao ponto B
Pode traçar-se curva ou recta
Numa trajectória discreta
Ou bem marcada para quem vê
A diferença está no caminho
Pois é do prato para a boca
Que se perde ou se ganha a sopa
E esse gesto faz-se sozinho
Cada um será dono e senhor
De manejar a sua colher
E mexê-la o melhor que souber
Para assim orientar seu labor
Não é de comida que falo
É de partilhar a ciência
Do acto e sua consequência
E viver será um regalo
Pode traçar-se curva ou recta
Numa trajectória discreta
Ou bem marcada para quem vê
A diferença está no caminho
Pois é do prato para a boca
Que se perde ou se ganha a sopa
E esse gesto faz-se sozinho
Cada um será dono e senhor
De manejar a sua colher
E mexê-la o melhor que souber
Para assim orientar seu labor
Não é de comida que falo
É de partilhar a ciência
Do acto e sua consequência
E viver será um regalo
Provérbio provado rimado - CCCXXXVIII
Calças ao contrário as botas
Metes as mãos pelos pés
Ficas com as pernas tortas
E com um olhar de viés
Faz tudo mais devagar
Dá cada passo com jeitinho
Apenas consegues provar
Tudo é certinho direitinho
Se cuidas que aqui não aprendes
Nada com estas rimas tontas
É verdade porém não te ofendes
Pior era se fossem afrontas
Aqui há grande brincadeira
E passamos um bom bocado
Noutros sítios de toda a maneira
Poderás aprender de bom grado
Não te lembras qual a expressão
Que deu a esta rima o mote
Foi meter os pés pela mão
Tão trocada que é um fartote
Metes as mãos pelos pés
Ficas com as pernas tortas
E com um olhar de viés
Faz tudo mais devagar
Dá cada passo com jeitinho
Apenas consegues provar
Tudo é certinho direitinho
Se cuidas que aqui não aprendes
Nada com estas rimas tontas
É verdade porém não te ofendes
Pior era se fossem afrontas
Aqui há grande brincadeira
E passamos um bom bocado
Noutros sítios de toda a maneira
Poderás aprender de bom grado
Não te lembras qual a expressão
Que deu a esta rima o mote
Foi meter os pés pela mão
Tão trocada que é um fartote
domingo, 4 de março de 2018
Provérbio provado num verso branco - XXIX
Rascunho do que não fomos
1.
Do passado que não vivemos
Já sinto falta
Do futuro onde não estaremos
Já estou farta
O presente não faz um livro
Só este verso despido
Em que me dispo de ti
Quando falarem do casal do século vinte e um
Não dirão nada de nós
2.
As minhas avenidas são novas
O meu século é lá longe mais além
O meu tempo não tem ponteiros
Nem fronteiras ou desertos
As vielas onde me deito
Têm os olhos das corujas
Um dia é da caça outro do caçador
1.
Do passado que não vivemos
Já sinto falta
Do futuro onde não estaremos
Já estou farta
O presente não faz um livro
Só este verso despido
Em que me dispo de ti
Quando falarem do casal do século vinte e um
Não dirão nada de nós
2.
As minhas avenidas são novas
O meu século é lá longe mais além
O meu tempo não tem ponteiros
Nem fronteiras ou desertos
As vielas onde me deito
Têm os olhos das corujas
Um dia é da caça outro do caçador
sábado, 3 de março de 2018
Provérbio citado (RORIZ)
"Lembro-me da história que a Felícia me leu - em "O Banquete" de Sócrates - que fala dos andrágoras (seriam andrágoras?) que eram uns seres que tinham quatro braços e quatro pernas num total de oito membros e que se movimentavam rodando sobre esses oito membros. Os deuses teriam acabado por os dividir ao meio para que fossem menos poderosos o que deu origem à raça humana e fez com que cada um de nós ande desesperadamente à procura da sua metade. Ou, como diz o povo - que povo será este? -, cada panela tem sua tampa."
In Avenida de Roma, duas da tarde - Jaime Roriz
In Avenida de Roma, duas da tarde - Jaime Roriz
Provérbio provado rimado - CCCXXXVII
As revistas cor de rosa
Nos consultórios são lidas
Têm má qualidade na prosa
E fotografias fingidas
Estão cheias de Photoshop
Sem celulite no Verão
Há gente rica a galope
Muita moda da estação
As senhoras nos cabeleireiros
Leem-nas de fio a pavio
Comentam actores estrangeiros
Nos cruzeiros de navio
Notícias sem relevância
De plásticas cirurgias
E frases de circunstância
Vaidades e muitas manias
São públicas as figuras
E outras são mais ou menos
De amor abundam as juras
Com sentimentos terrenos
Revistas com grande tiragem
Se não houvesse quem escutasse
E apreciasse a mensagem
Não haveria quem falasse
Nos consultórios são lidas
Têm má qualidade na prosa
E fotografias fingidas
Estão cheias de Photoshop
Sem celulite no Verão
Há gente rica a galope
Muita moda da estação
As senhoras nos cabeleireiros
Leem-nas de fio a pavio
Comentam actores estrangeiros
Nos cruzeiros de navio
Notícias sem relevância
De plásticas cirurgias
E frases de circunstância
Vaidades e muitas manias
São públicas as figuras
E outras são mais ou menos
De amor abundam as juras
Com sentimentos terrenos
Revistas com grande tiragem
Se não houvesse quem escutasse
E apreciasse a mensagem
Não haveria quem falasse
quinta-feira, 1 de março de 2018
Provérbio citado (MCCULLOUGH)
«Existe uma lenda acerca de um pássaro que só canta uma vez na vida, com mais suavidade que qualquer outra criatura sobre a Terra. A partir do momento em que deixa o ninho, começa a procurar um espinheiro, e só descansa quando o encontra. Depois, cantando entre os galhos selvagens empala-se no acúleo mais agudo e mais comprido. E, morrendo, sublima a própria agonia e solta um canto mais belo que o da cotovia e do rouxinol. Um canto superlativo, cujo preço é a existência. Mas o mundo inteiro pára para ouvi-lo, e Deus sorri no céu. Pois o melhor só se adquire à custa de um grande sofrimento... Pelo menos é o que diz a lenda.»
In Pássaros feridos - Colleen McCullough
In Pássaros feridos - Colleen McCullough
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Provérbio provado rimado - CCCXXXVI
Por aqui estamos de passagem
Dum tempo contado ignorantes
E somos eternos viajantes
Seguindo paralelos à margem
Temos dentro o belo e o feio
E uma grande insatisfação
Contudo capazes de perdão
Da bondade não temos receio
Tão confusos mas inteligentes
Falta-nos em simplicidade
O que sobra de originalidade
Resgatando os elos pendentes
Nossa imperfeição maior
É uma grande falta de cuidado
Fica aqui porém o recado
Para vivermos sempre melhor
Que se há coisa certa na vida
Todos teremos nossas mortes
Mas entretanto sejamos fortes
Enquanto não estamos de partida
E quando nos assaltam os dias
Em que tudo parece cinzento
Não quebremos com esse tormento
Deixemos entrar as alegrias
É assim com mensagem de esperança
Que termino este longo poema
E aceito a vida como um esquema
Ou brincadeira de criança
Dum tempo contado ignorantes
E somos eternos viajantes
Seguindo paralelos à margem
Temos dentro o belo e o feio
E uma grande insatisfação
Contudo capazes de perdão
Da bondade não temos receio
Tão confusos mas inteligentes
Falta-nos em simplicidade
O que sobra de originalidade
Resgatando os elos pendentes
Nossa imperfeição maior
É uma grande falta de cuidado
Fica aqui porém o recado
Para vivermos sempre melhor
Que se há coisa certa na vida
Todos teremos nossas mortes
Mas entretanto sejamos fortes
Enquanto não estamos de partida
E quando nos assaltam os dias
Em que tudo parece cinzento
Não quebremos com esse tormento
Deixemos entrar as alegrias
É assim com mensagem de esperança
Que termino este longo poema
E aceito a vida como um esquema
Ou brincadeira de criança
Provérbio provado rimado - CCCXXXV
Quem gosta de música dar
E até faz disso profissão
Acaba a tocar num bar
A suar com satisfação
Normalmente há um vocalista
Que os clientes entretém
E não esquecer o baterista
Faz barulho como convém
A melodia da guitarra
Mais rápida ou mais lenta
Às vezes ninguém a agarra
Toca como nos anos oitenta
Se a malta não dança nem nada
E nem sequer animou o café
É mais cedo a festa acabada
Quando os músicos se põem de pé
E até faz disso profissão
Acaba a tocar num bar
A suar com satisfação
Normalmente há um vocalista
Que os clientes entretém
E não esquecer o baterista
Faz barulho como convém
A melodia da guitarra
Mais rápida ou mais lenta
Às vezes ninguém a agarra
Toca como nos anos oitenta
Se a malta não dança nem nada
E nem sequer animou o café
É mais cedo a festa acabada
Quando os músicos se põem de pé
Provérbio provado rimado - CCCXXXIV
Espermatozóide bom nadador
É o melhor fecundador
Espera conseguir facturar
Se flores à mulher comprar
É o primeiro da corrida
Até faz o jantar à querida
Veste a melhor fatiota
Mas espera ficar em pelota
E põe ligeiro o avental
Vai apanhar salsa ao quintal
Abre um bom e caro vinho
Com o saca rolhas do vizinho
Faz tão depressa o risotto
Quando come até dá um arroto
Mal acaba o jantar põe-se nú
Mas quem tem pressa come cru
O sacaninha do nadador
P'lo caminho perde o vigor
Ele lá muito esperto não é
Pois no fim não nasceu um bebé
(Ilustração: Rui dos Prazeres Louraço)
www.instagram.com/condecascais
É o melhor fecundador
Espera conseguir facturar
Se flores à mulher comprar
É o primeiro da corrida
Até faz o jantar à querida
Veste a melhor fatiota
Mas espera ficar em pelota
E põe ligeiro o avental
Vai apanhar salsa ao quintal
Abre um bom e caro vinho
Com o saca rolhas do vizinho
Faz tão depressa o risotto
Quando come até dá um arroto
Mal acaba o jantar põe-se nú
Mas quem tem pressa come cru
O sacaninha do nadador
P'lo caminho perde o vigor
Ele lá muito esperto não é
Pois no fim não nasceu um bebé
(Ilustração: Rui dos Prazeres Louraço)
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sábado, 24 de fevereiro de 2018
Provérbio provado num verso branco - XXVIII
Pássaro enjaulado não voa
Dia e noite só vê grades
A gaiola até pode ser dourada
Que acabará por detestar essa casa
Com toda a força das suas penas
Mudo se queda sem abrir o bico
Só é mais só que sozinho é
Um dia um descuido porta aberta
O verbo voar ganha asas
Então o desejo de a todo o lado ir
Sem sequer saber onde poisar
Está perdido e a descoberta torna-se
Maior que o pássaro todo
Quase deseja o regresso à prisão
Tanta liberdade traz-lhe o fim
(Ilustração: Rui dos Prazeres Louraço)
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Dia e noite só vê grades
A gaiola até pode ser dourada
Que acabará por detestar essa casa
Com toda a força das suas penas
Mudo se queda sem abrir o bico
Só é mais só que sozinho é
Um dia um descuido porta aberta
O verbo voar ganha asas
Então o desejo de a todo o lado ir
Sem sequer saber onde poisar
Está perdido e a descoberta torna-se
Maior que o pássaro todo
Quase deseja o regresso à prisão
Tanta liberdade traz-lhe o fim
(Ilustração: Rui dos Prazeres Louraço)
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
Provérbio provado rimado - CCCXXXIII
Se te pões a cantar de galo
Lá cantas mas não me alegras
Pensas que serei teu vassalo
Tem calma vê lá se sossegas
Enches tanto o peito de ar
O teu canto é tão fraquinho
E com a crista a dar a dar
Vais ficar a cantar sozinho
O mal é que há certas galinhas
Que se encantam com tuas balelas
Quando pias ficam doidinhas
Só que são galináceas fatelas
Tu ficas tão envaidecido
Nem vês que não prestam p'ra nada
És um cantor muito convencido
Promoves-te da forma errada
Ó galo não te exibas tanto
Não chames assim à atenção
Perderás nem sabes o quanto
E não te virão comer à mão
(Ilustração: Rui dos Prazeres Louraço)
Lá cantas mas não me alegras
Pensas que serei teu vassalo
Tem calma vê lá se sossegas
Enches tanto o peito de ar
O teu canto é tão fraquinho
E com a crista a dar a dar
Vais ficar a cantar sozinho
O mal é que há certas galinhas
Que se encantam com tuas balelas
Quando pias ficam doidinhas
Só que são galináceas fatelas
Tu ficas tão envaidecido
Nem vês que não prestam p'ra nada
És um cantor muito convencido
Promoves-te da forma errada
Ó galo não te exibas tanto
Não chames assim à atenção
Perderás nem sabes o quanto
E não te virão comer à mão
(Ilustração: Rui dos Prazeres Louraço)
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