Está com o fogo no rabo
Quem anda muito apressado
Num instante a correria
Impede-lhe o que faria
Se o tempo porventura
Lhe sobrasse nessa altura
Para bem se dedicar
Ao que mais lhe agradar
A vida é uma maratona
Anda-se sempre numa fona
Nem sequer se ganha medalha
E essa é grande falha
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Provérbio provado avinhado
Néctar dos deuses, soro da verdade e da mentira, voluptuosa fruição: o vinho é o líquido mais adjectivado e metaforizado de todos os tempos. Ele é veludo, aromas frutados, os encantadores taninos, as castas mais ou menos castas e finais de boca persistentes, quiçá memoráveis, ali vai uma autêntica cepa poética rótulos afora. E já agora, vinho é tinto e o resto é conversa!
- In vino veritas
- In vino veritas
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Provérbio provado rimado - CCLXXIX
Se queres ter boa lareira
Lenha verde pouco acende
Tens de ter boa madeira
Pois dela o calor depende
Se queres saber cozinhar
Vai comprar onde se vende
Ingredientes para juntar
Num tacho que surpreende
Se queres escrever melhor
Teu texto não se compreende
Não durmas tanto por favor
Que a leitura assim não rende
Se queres em suma aprender
O conhecimento não ofende
Faz por o teu tempo estender
Quem muito dorme pouco aprende
Lenha verde pouco acende
Tens de ter boa madeira
Pois dela o calor depende
Se queres saber cozinhar
Vai comprar onde se vende
Ingredientes para juntar
Num tacho que surpreende
Se queres escrever melhor
Teu texto não se compreende
Não durmas tanto por favor
Que a leitura assim não rende
Se queres em suma aprender
O conhecimento não ofende
Faz por o teu tempo estender
Quem muito dorme pouco aprende
Provérbio provado rimado - CCLXXVIII
O Rodrigo era tão azarado
Que para a agulha procurar
No palheiro sobrelotado
Em cima dela se foi sentar
O rabo o Rodrigo picou
Mas quando procurava dinheiro
Nem uma só moeda achou
Só a agulha naquele palheiro
Que para a agulha procurar
No palheiro sobrelotado
Em cima dela se foi sentar
O rabo o Rodrigo picou
Mas quando procurava dinheiro
Nem uma só moeda achou
Só a agulha naquele palheiro
Provérbio provado num verso branco - XVII
Acabada de chegar
Foi mesmo agora: ainda mal sentes a minha presença
Foi mesmo agora: ainda mal sentes a minha presença
Na tua casa ocupo muito espaço
E os teus poentes são mais belos sem mim
Tocas-me como se eu as teclas de um piano
Eu o teu instrumento desafinado
Já rasgaste as pautas do passado
Mas nas tuas paredes ainda ecoa uma melodia de instantes semibreves
Hoje estás cinzento sentado no sofá
O pensamento lutando contra este Inverno
O desejo um bocejo que deixas escapar involuntário
Carregas a tua vontade de mim sem vontade
Queres-me lamentando não me querer
Cala-te: dizes-me
Não adivinhes já a despedida
É muito cedo para os meus poentes serem mais belos sozinho
Deste-me as frases que pedi na folha de rosto
A minha mão guiou-te cada palavra
Não inventaste um novo alfabeto para escrever o meu nome
Se tivesses deixado falar as letras do coração eu saberia
Eu sei ler nas entrelinhas
Tocas-me como se eu as teclas de um piano
Eu o teu instrumento desafinado
Já rasgaste as pautas do passado
Mas nas tuas paredes ainda ecoa uma melodia de instantes semibreves
Hoje estás cinzento sentado no sofá
O pensamento lutando contra este Inverno
O desejo um bocejo que deixas escapar involuntário
Carregas a tua vontade de mim sem vontade
Queres-me lamentando não me querer
Cala-te: dizes-me
Não adivinhes já a despedida
É muito cedo para os meus poentes serem mais belos sozinho
Deste-me as frases que pedi na folha de rosto
A minha mão guiou-te cada palavra
Não inventaste um novo alfabeto para escrever o meu nome
Se tivesses deixado falar as letras do coração eu saberia
Eu sei ler nas entrelinhas
Provérbio provado num verso branco - XVI
Nem a lã dos carneiros é toda igual
Até num rebanho cada par de cornos tem a sua nobreza
Os peixes mortos abandonam-se à maré
Esses que ainda vivem aprenderam a respirar debaixo de água
Podem remar contra a maré cheios de ar cheios de si
Só eu sou demasiado sólida
Não tomo a forma dos recipientes
Vivo na intensidade própria dos loucos
A anuência cega mortifica-me
A condescendência parola põe-me a milhas
A sobranceria dos sem mérito continua a surpreender-me
Para que desperto se nunca nasci?
Cavo a minha própria sepultura
Não é bonito mas é profundo
Até num rebanho cada par de cornos tem a sua nobreza
Os peixes mortos abandonam-se à maré
Esses que ainda vivem aprenderam a respirar debaixo de água
Podem remar contra a maré cheios de ar cheios de si
Só eu sou demasiado sólida
Não tomo a forma dos recipientes
Vivo na intensidade própria dos loucos
A anuência cega mortifica-me
A condescendência parola põe-me a milhas
A sobranceria dos sem mérito continua a surpreender-me
Para que desperto se nunca nasci?
Cavo a minha própria sepultura
Não é bonito mas é profundo
Provérbio provado rimado - CCLXXVII
De manhã tens de saltar da cama
Pôr direitos os dois pés no chão
Pois vai acabar-se-te a mama
Não podes ficar no colchão
Tens de arranjar um emprego
Que o dinheiro não cai do céu
A vida é difícil não nego
Mas tenta fazer como eu
Tanto queres enriquecer
Não te percebo Fernando
Se tens inveja do meu viver
Vai trabalhar ó malandro
Pôr direitos os dois pés no chão
Pois vai acabar-se-te a mama
Não podes ficar no colchão
Tens de arranjar um emprego
Que o dinheiro não cai do céu
A vida é difícil não nego
Mas tenta fazer como eu
Tanto queres enriquecer
Não te percebo Fernando
Se tens inveja do meu viver
Vai trabalhar ó malandro
Provérbio provado rimado - CCLXXVI
Emprestei o arco à velha
Para ela fazer hula hoop
Mas ela olhou-me de esguelha
Foi juntar-se a outra trupe
Eu fiquei desconcertada
Triste e com grande telha
A situação não teve piada
Foi coisa do arco da velha
Para ela fazer hula hoop
Mas ela olhou-me de esguelha
Foi juntar-se a outra trupe
Eu fiquei desconcertada
Triste e com grande telha
A situação não teve piada
Foi coisa do arco da velha
Provérbio provado rimado - CCLXXIV
Quando te dão brinde de oferta
É porque vais pagá-lo pela certa
Black fridays são enganadoras
Feitas por mentes impostoras
Sobem e diminuem os preços
E aindas levas mais uns adereços
Trazes coisas de que não precisas
Com a carteira repleta de Visas
Depois quando chegas a casa
Das comprinhas fazes tábua rasa
Tens sapatos um número acima
Trouxeste sabonetes para a prima
Chegas-te mesmo a arrepender
Mas a tralha não podes devolver
É que não são grátis os almoços
Gratuitos só mesmo os tremoços
É porque vais pagá-lo pela certa
Black fridays são enganadoras
Feitas por mentes impostoras
Sobem e diminuem os preços
E aindas levas mais uns adereços
Trazes coisas de que não precisas
Com a carteira repleta de Visas
Depois quando chegas a casa
Das comprinhas fazes tábua rasa
Tens sapatos um número acima
Trouxeste sabonetes para a prima
Chegas-te mesmo a arrepender
Mas a tralha não podes devolver
É que não são grátis os almoços
Gratuitos só mesmo os tremoços
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
Provérbio provado tresloucado
Já se versejava nas paredes húmidas das grutas primitivas. Em vez de letras, desenhos: os poemas todos visuais.
Todo o homem escreve, afinal. Mas em muitos as linhas que a alma tece são transparentes, invisíveis para quem não lê para lá do que está escrito, apesar do que está escrito. Muitos só escutam os seus versos dentro dos próprios ouvidos, nunca fora: é uma voz inaudível que os engasga e às vezes corrói.
Cada poeta em potência - o poeta impotente -, devia poder casar-se com a sua imperfeição poética: unir-se a ela irrediavelmente sem hipótese de divórcio nem viuvez. E essa união uma procriação eterna em quotidianos sem gaiolas, engolindo e evacuando versos, engordando de versos até rebentar.
- De poeta e de louco todos temos um pouco
Todo o homem escreve, afinal. Mas em muitos as linhas que a alma tece são transparentes, invisíveis para quem não lê para lá do que está escrito, apesar do que está escrito. Muitos só escutam os seus versos dentro dos próprios ouvidos, nunca fora: é uma voz inaudível que os engasga e às vezes corrói.
Cada poeta em potência - o poeta impotente -, devia poder casar-se com a sua imperfeição poética: unir-se a ela irrediavelmente sem hipótese de divórcio nem viuvez. E essa união uma procriação eterna em quotidianos sem gaiolas, engolindo e evacuando versos, engordando de versos até rebentar.
- De poeta e de louco todos temos um pouco
Provérbio provado rimado - CCLXXIII
O Paulo era um sujeito
Com imensos predicados
O pretérito perfeito
E outros escarrapachados
Mas o Paulo tinha um defeito
Nem sei se aqui o diga
Um intestino desfeito
E um grande rei na barriga
Não tenhamos preconceito
Há Paulos assim vaidosos
Que sempre arranjam um jeito
De parecer mais valiosos
Com imensos predicados
O pretérito perfeito
E outros escarrapachados
Mas o Paulo tinha um defeito
Nem sei se aqui o diga
Um intestino desfeito
E um grande rei na barriga
Não tenhamos preconceito
Há Paulos assim vaidosos
Que sempre arranjam um jeito
De parecer mais valiosos
Provérbio provado rimado - CCLXXII
Fazes figurinhas tristes
É coisa a que não resistes
Não sabes estar calada
Manter essa boca fechada
Não fales que não entra mosca
Em silêncio não és tão tosca
Provérbio provado numa prova auxiliado
- Olá, boa tarde, queria experimentar aquela camisola azul que está na montra, se faz favor. Tem o número 40?
- A senhora deseja experimentar o 40? Talvez o 42 seja melhor... Agora usa-se tudo muito largo, não é verdade?
É assim que lhes dou a volta para poupar idas ao armazém, evitando dar a entender que as clientes são mais gordas do que pensam. Imagine-se!, um 40 para aquelas costas e aquele par de mamas! Nem aqui nem na China, nem em qualquer outra parte do mundo. O 42 no mínimo. E, e...
- Se calhar tem razão... Olhe, traga-me então o 40 e o 42.
- Duas cabeças pensam melhor que uma
- A senhora deseja experimentar o 40? Talvez o 42 seja melhor... Agora usa-se tudo muito largo, não é verdade?
É assim que lhes dou a volta para poupar idas ao armazém, evitando dar a entender que as clientes são mais gordas do que pensam. Imagine-se!, um 40 para aquelas costas e aquele par de mamas! Nem aqui nem na China, nem em qualquer outra parte do mundo. O 42 no mínimo. E, e...
- Se calhar tem razão... Olhe, traga-me então o 40 e o 42.
- Duas cabeças pensam melhor que uma
Provérbio provado num verso branco - XV
Os homens já teriam roubado o sol
Se houvesse onde o esconder
Já teriam comido a lua
Fosse ela feita de queijo como contam as histórias infantis
A ambição é tão grande
Os homens são tão pequenos
Não há mãos que replantem as florestas
Nem bocas que emprestem a paz às fronteiras
As pernas dos homens galgam caminhos com buracos
Tropeçam caiem desfalecem
O gesso não devolve o osso original
Se houvesse onde o esconder
Já teriam comido a lua
Fosse ela feita de queijo como contam as histórias infantis
A ambição é tão grande
Os homens são tão pequenos
Não há mãos que replantem as florestas
Nem bocas que emprestem a paz às fronteiras
As pernas dos homens galgam caminhos com buracos
Tropeçam caiem desfalecem
O gesso não devolve o osso original
Provérbio provado num verso branco - XIV
Se quiseres
Se eu puder
Se procurares pelos cantos com atenção
Encontrarás o melhor de mim
Encontrarás o pior de mim
Não estão escondidos
Não estão à vista desarmada
Não são prémios
Não são problemas
Se puderes
Se eu quiser
Sentir-me-ás com o coração
A minha pele também te fala
Os meus olhos também te comem
Se eu puder
Se procurares pelos cantos com atenção
Encontrarás o melhor de mim
Encontrarás o pior de mim
Não estão escondidos
Não estão à vista desarmada
Não são prémios
Não são problemas
Se puderes
Se eu quiser
Sentir-me-ás com o coração
A minha pele também te fala
Os meus olhos também te comem
Provérbio provado rimado - CCLXXI
Convidaste-me para o cinema
Ver o filme foi um problema
Pois estiveste encostado a mim
Do princípio até ao fim
Tentaste dar-me a mão
Impossível a concentração
Mais um pouco seria um beijo
E a seguir de prenda um queijo
Ver o filme foi um problema
Pois estiveste encostado a mim
Do princípio até ao fim
Tentaste dar-me a mão
Impossível a concentração
Mais um pouco seria um beijo
E a seguir de prenda um queijo
Provérbio provado após muito ter trabalhado
Passava os meus dias a encher chouriços numa pequena fábrica de enchidos. Parece piada, não é? Pois, mas não é, Sr. Carvalho! Muitos enchem chouriços no trabalho, mas eu fazia-o literalmente: abria a tripa vazia, enchia o conteúdo e fechava-lhe a boca com cuidado, antes de passar para o próximo. E assim sucessivamente, todos os dias nisto, os dias sempre iguais.
É verdade que tinha aquele emprego tão rotineiro porque não terminei os estudos, Sr. Carvalho. Comecei a trabalhar muito novo para ajudar a família: lá em casa eram oito filhos para sustentar. A minha mãezinha que Deus tem ficava em casa a criar oito bocas com apetite, sempre de avental e a braços com muitas tarefas em simultâneo e crianças nos braços. O meu pai que Deus também lá tem não dava conta das despesas sozinho, por isso quando fiz quinze anos - eu sou o mais velho - tive de sair abruptamente da escola. E até nem era mau aluno...
Desculpe estar a maçá-lo com as minhas histórias, Sr. Carvalho. Afinal não tive uma vida assim tão interessante que mereça ser contada... Trabalhei toda a vida no mesmo sítio: não havia falta de chouriços lá em casa, salvo seja! Enchi-me de enchidos mais do que devia e bebia um copito de tinto à refeição, só um!, que nunca fui de abusar da bebida.
De uma coisa me orgulho: os meus filhos puderam terminar os estudos. A minha Carlota até foi para a faculdade e tudo! O meu Miguel não quis continuar depois de acabar o liceu, mas muito lhe agradeço, Sr. Carvalho, a oportunidade que lhe deu lá no stand de automóveis, quem diria que seria tão bom vendedor, hein?
Eu comecei a trabalhar tão novo, mas agora posso gozar tranquilamente a minha reforma. À mesa já não há chouriços: agora temos ovos de todas as maneiras e feitios. É que, sabe, o pai da minha nora, a minha Dora, faz criação de galinhas e quando chega da terra atesta-nos a despensa.
- Quem em novo não trabalha, em velho come palha
É verdade que tinha aquele emprego tão rotineiro porque não terminei os estudos, Sr. Carvalho. Comecei a trabalhar muito novo para ajudar a família: lá em casa eram oito filhos para sustentar. A minha mãezinha que Deus tem ficava em casa a criar oito bocas com apetite, sempre de avental e a braços com muitas tarefas em simultâneo e crianças nos braços. O meu pai que Deus também lá tem não dava conta das despesas sozinho, por isso quando fiz quinze anos - eu sou o mais velho - tive de sair abruptamente da escola. E até nem era mau aluno...
Desculpe estar a maçá-lo com as minhas histórias, Sr. Carvalho. Afinal não tive uma vida assim tão interessante que mereça ser contada... Trabalhei toda a vida no mesmo sítio: não havia falta de chouriços lá em casa, salvo seja! Enchi-me de enchidos mais do que devia e bebia um copito de tinto à refeição, só um!, que nunca fui de abusar da bebida.
De uma coisa me orgulho: os meus filhos puderam terminar os estudos. A minha Carlota até foi para a faculdade e tudo! O meu Miguel não quis continuar depois de acabar o liceu, mas muito lhe agradeço, Sr. Carvalho, a oportunidade que lhe deu lá no stand de automóveis, quem diria que seria tão bom vendedor, hein?
Eu comecei a trabalhar tão novo, mas agora posso gozar tranquilamente a minha reforma. À mesa já não há chouriços: agora temos ovos de todas as maneiras e feitios. É que, sabe, o pai da minha nora, a minha Dora, faz criação de galinhas e quando chega da terra atesta-nos a despensa.
- Quem em novo não trabalha, em velho come palha
Provérbio provado rimado - CCLXX
Podes uma rima inventar
Mas antes prepara o jantar
Podes rechear o perú
Promete não o comes cru
Podes levantar a mesa
À vontade não está presa
Podes puxar a cadeira
E arrastá-la inteira
Podes fazê-lo com a mão
Depois senta-te no chão
Mas antes prepara o jantar
Podes rechear o perú
Promete não o comes cru
Podes levantar a mesa
À vontade não está presa
Podes puxar a cadeira
E arrastá-la inteira
Podes fazê-lo com a mão
Depois senta-te no chão
Provérbio provado rimado - CCLXIX
Assim é de tostão em tostão
Que se faz quase um milhão
Mas que exige concentração
E logo se junta um quinhão
É precisa boa disciplina
Ao menino assim como à menina
Não ter uma doida rotina
Pois não há nenhuma mina
Quem consegue ser poupado
Mesmo depois de almoçado
É bom de ser imitado
E numa rima consagrado
Que se faz quase um milhão
Mas que exige concentração
E logo se junta um quinhão
É precisa boa disciplina
Ao menino assim como à menina
Não ter uma doida rotina
Pois não há nenhuma mina
Quem consegue ser poupado
Mesmo depois de almoçado
É bom de ser imitado
E numa rima consagrado
Provérbio provado rimado - CCLXVIII
Se for hábil e laboriosa
Não serve apenas para a prosa
Há que pô-la a dar a dar
E com outras não a comparar
Mas se não for há remédio
Preciso é afastar o tédio
Quando uma língua é sem papas
De a experimentar não te escapas
Não serve apenas para a prosa
Há que pô-la a dar a dar
E com outras não a comparar
Mas se não for há remédio
Preciso é afastar o tédio
Quando uma língua é sem papas
De a experimentar não te escapas
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