Convidaste-me para o cinema
Ver o filme foi um problema
Pois estiveste encostado a mim
Do princípio até ao fim
Tentaste dar-me a mão
Impossível a concentração
Mais um pouco seria um beijo
E a seguir de prenda um queijo
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
Provérbio provado após muito ter trabalhado
Passava os meus dias a encher chouriços numa pequena fábrica de enchidos. Parece piada, não é? Pois, mas não é, Sr. Carvalho! Muitos enchem chouriços no trabalho, mas eu fazia-o literalmente: abria a tripa vazia, enchia o conteúdo e fechava-lhe a boca com cuidado, antes de passar para o próximo. E assim sucessivamente, todos os dias nisto, os dias sempre iguais.
É verdade que tinha aquele emprego tão rotineiro porque não terminei os estudos, Sr. Carvalho. Comecei a trabalhar muito novo para ajudar a família: lá em casa eram oito filhos para sustentar. A minha mãezinha que Deus tem ficava em casa a criar oito bocas com apetite, sempre de avental e a braços com muitas tarefas em simultâneo e crianças nos braços. O meu pai que Deus também lá tem não dava conta das despesas sozinho, por isso quando fiz quinze anos - eu sou o mais velho - tive de sair abruptamente da escola. E até nem era mau aluno...
Desculpe estar a maçá-lo com as minhas histórias, Sr. Carvalho. Afinal não tive uma vida assim tão interessante que mereça ser contada... Trabalhei toda a vida no mesmo sítio: não havia falta de chouriços lá em casa, salvo seja! Enchi-me de enchidos mais do que devia e bebia um copito de tinto à refeição, só um!, que nunca fui de abusar da bebida.
De uma coisa me orgulho: os meus filhos puderam terminar os estudos. A minha Carlota até foi para a faculdade e tudo! O meu Miguel não quis continuar depois de acabar o liceu, mas muito lhe agradeço, Sr. Carvalho, a oportunidade que lhe deu lá no stand de automóveis, quem diria que seria tão bom vendedor, hein?
Eu comecei a trabalhar tão novo, mas agora posso gozar tranquilamente a minha reforma. À mesa já não há chouriços: agora temos ovos de todas as maneiras e feitios. É que, sabe, o pai da minha nora, a minha Dora, faz criação de galinhas e quando chega da terra atesta-nos a despensa.
- Quem em novo não trabalha, em velho come palha
É verdade que tinha aquele emprego tão rotineiro porque não terminei os estudos, Sr. Carvalho. Comecei a trabalhar muito novo para ajudar a família: lá em casa eram oito filhos para sustentar. A minha mãezinha que Deus tem ficava em casa a criar oito bocas com apetite, sempre de avental e a braços com muitas tarefas em simultâneo e crianças nos braços. O meu pai que Deus também lá tem não dava conta das despesas sozinho, por isso quando fiz quinze anos - eu sou o mais velho - tive de sair abruptamente da escola. E até nem era mau aluno...
Desculpe estar a maçá-lo com as minhas histórias, Sr. Carvalho. Afinal não tive uma vida assim tão interessante que mereça ser contada... Trabalhei toda a vida no mesmo sítio: não havia falta de chouriços lá em casa, salvo seja! Enchi-me de enchidos mais do que devia e bebia um copito de tinto à refeição, só um!, que nunca fui de abusar da bebida.
De uma coisa me orgulho: os meus filhos puderam terminar os estudos. A minha Carlota até foi para a faculdade e tudo! O meu Miguel não quis continuar depois de acabar o liceu, mas muito lhe agradeço, Sr. Carvalho, a oportunidade que lhe deu lá no stand de automóveis, quem diria que seria tão bom vendedor, hein?
Eu comecei a trabalhar tão novo, mas agora posso gozar tranquilamente a minha reforma. À mesa já não há chouriços: agora temos ovos de todas as maneiras e feitios. É que, sabe, o pai da minha nora, a minha Dora, faz criação de galinhas e quando chega da terra atesta-nos a despensa.
- Quem em novo não trabalha, em velho come palha
Provérbio provado rimado - CCLXX
Podes uma rima inventar
Mas antes prepara o jantar
Podes rechear o perú
Promete não o comes cru
Podes levantar a mesa
À vontade não está presa
Podes puxar a cadeira
E arrastá-la inteira
Podes fazê-lo com a mão
Depois senta-te no chão
Mas antes prepara o jantar
Podes rechear o perú
Promete não o comes cru
Podes levantar a mesa
À vontade não está presa
Podes puxar a cadeira
E arrastá-la inteira
Podes fazê-lo com a mão
Depois senta-te no chão
Provérbio provado rimado - CCLXIX
Assim é de tostão em tostão
Que se faz quase um milhão
Mas que exige concentração
E logo se junta um quinhão
É precisa boa disciplina
Ao menino assim como à menina
Não ter uma doida rotina
Pois não há nenhuma mina
Quem consegue ser poupado
Mesmo depois de almoçado
É bom de ser imitado
E numa rima consagrado
Que se faz quase um milhão
Mas que exige concentração
E logo se junta um quinhão
É precisa boa disciplina
Ao menino assim como à menina
Não ter uma doida rotina
Pois não há nenhuma mina
Quem consegue ser poupado
Mesmo depois de almoçado
É bom de ser imitado
E numa rima consagrado
Provérbio provado rimado - CCLXVIII
Se for hábil e laboriosa
Não serve apenas para a prosa
Há que pô-la a dar a dar
E com outras não a comparar
Mas se não for há remédio
Preciso é afastar o tédio
Quando uma língua é sem papas
De a experimentar não te escapas
Não serve apenas para a prosa
Há que pô-la a dar a dar
E com outras não a comparar
Mas se não for há remédio
Preciso é afastar o tédio
Quando uma língua é sem papas
De a experimentar não te escapas
Provérbio provado rimado - CCLXVII
São olhos de rato de esgoto
Ou de carneiro mal morto
A beleza de uns olhos verdes
É porque em poucos os vedes
Ou de carneiro mal morto
A beleza de uns olhos verdes
É porque em poucos os vedes
domingo, 7 de janeiro de 2018
Provérbio provado rimado - CCLXVI
Perninhas de rã é petisco
Que a comer não me arrisco
Mas gosto de caracoletas
Há quem as ache abjectas
Uma sardinha bem assada
Com broa é melhor que nada
Ou polvo em saladinha
E uma empada de galinha
Amêijoas e choco frito
Gosto tanto até apito
Bivalves nunca são demais
De comer e chorar por mais
Qualquer sandes mista está bem
De atum e tomate também
Até parece que gulosa sou
Mas muito aos petiscos não vou
Que a comer não me arrisco
Mas gosto de caracoletas
Há quem as ache abjectas
Uma sardinha bem assada
Com broa é melhor que nada
Ou polvo em saladinha
E uma empada de galinha
Amêijoas e choco frito
Gosto tanto até apito
Bivalves nunca são demais
De comer e chorar por mais
Qualquer sandes mista está bem
De atum e tomate também
Até parece que gulosa sou
Mas muito aos petiscos não vou
Provérbio honesto
Esta vida é um viver entre sonos que nunca são suficientes. Acordo muito cedo, fico ali uns cinco minutos sentada na cama a espreguiçar-me e a bocejar, a pensar se no calendário hoje é ontem ou hoje é amanhã. Depois de um banho apressado, preparo a marmita do almoço com as sobras do jantar, visto-me e desço as escadas do prédio a correr para não perder o autocarro. Vai sempre à pinha: nunca me posso sentar e sinto-me encurralada, uma mão no varão, outra segurando a marmita, nenhuma mão para afastar a franja dos olhos que não cheguei a secar com o secador.
Assim começa a minha semana de seis dias que o emprego exige. Oito horas de trabalho diário e um ordenado que vai direitinho para pagar contas, mal sobra para comer, vestir e calçar. Ao princípio, quando arranjei este emprego, ainda julguei que ia dar para juntar uns trocados para frequentar um ginásio - um dos doze desejos de começo de ano que nunca se cumpre ano após ano...
O subsídio de Natal esvai-se na comida própria das festividases e em presentes para a família; às vezes sobra alguma coisa para um trapito barato nos saldos. O subsídio de férias serve o propósito que o nome lhe dá: vou acampar todos os anos com a minha filha para a Costa da Caparica.
A minha filha Rebeca está na idade do armário e, neste preciso momento, está para ali a reclamar de não termos armário na tenda:
- Ó mãe, estou tão farta de acampar! As latas de atum, as filas para o banho, as toalhas de praia que desaparecem do estendal. E as costas, ai as minhas costas!, que me doem tanto de me estar sempre a baixar e de dormir no chão. Porque é que não vamos para um hotel?
- Porque nem para um de uma estrela temos dinheiro, Rebeca! Tu és a única riqueza da minha vida, filha. Somos pobres: aceita o facto. Nunca roubei, sempre trabalhei honestamente. O teu pai pirou-se e deixou-me aquelas dívidas todas: levei onze anos para as pagar, quase tanto como o tempo que tens de vida... E os teus avós só me deixaram uma nesga de terra com um poço seco e três pés de videira que não vale um chavo. Eles também eram pobres e assim o eram os seus pais antes deles. Aliás, a tua avó costumava sair-se com uma muito engraçada, com licença da mesa:
- Quem não rouba ou não herda não vale uma merda
Assim começa a minha semana de seis dias que o emprego exige. Oito horas de trabalho diário e um ordenado que vai direitinho para pagar contas, mal sobra para comer, vestir e calçar. Ao princípio, quando arranjei este emprego, ainda julguei que ia dar para juntar uns trocados para frequentar um ginásio - um dos doze desejos de começo de ano que nunca se cumpre ano após ano...
O subsídio de Natal esvai-se na comida própria das festividases e em presentes para a família; às vezes sobra alguma coisa para um trapito barato nos saldos. O subsídio de férias serve o propósito que o nome lhe dá: vou acampar todos os anos com a minha filha para a Costa da Caparica.
A minha filha Rebeca está na idade do armário e, neste preciso momento, está para ali a reclamar de não termos armário na tenda:
- Ó mãe, estou tão farta de acampar! As latas de atum, as filas para o banho, as toalhas de praia que desaparecem do estendal. E as costas, ai as minhas costas!, que me doem tanto de me estar sempre a baixar e de dormir no chão. Porque é que não vamos para um hotel?
- Porque nem para um de uma estrela temos dinheiro, Rebeca! Tu és a única riqueza da minha vida, filha. Somos pobres: aceita o facto. Nunca roubei, sempre trabalhei honestamente. O teu pai pirou-se e deixou-me aquelas dívidas todas: levei onze anos para as pagar, quase tanto como o tempo que tens de vida... E os teus avós só me deixaram uma nesga de terra com um poço seco e três pés de videira que não vale um chavo. Eles também eram pobres e assim o eram os seus pais antes deles. Aliás, a tua avó costumava sair-se com uma muito engraçada, com licença da mesa:
- Quem não rouba ou não herda não vale uma merda
Provérbio provado rimado - CCLXV
O Jaime era um advogado
Que não se vendia fiado
Tinha milhares de processos
Punha os juízes possessos
Defendia os desfavorecidos
Muito pela vida vencidos
E atacava com ciência
A doméstica violência
Ele rejeitava o ditado
Que achava disparatado
Entre marido e mulher
Não metas tu a colher
Que não se vendia fiado
Tinha milhares de processos
Punha os juízes possessos
Defendia os desfavorecidos
Muito pela vida vencidos
E atacava com ciência
A doméstica violência
Ele rejeitava o ditado
Que achava disparatado
Entre marido e mulher
Não metas tu a colher
Provérbio provado excitado
A sala está às escuras. Um único foco ilumina a mesa do computador onde Humberto está sentado com a mão direita no rato.
A oito quilómetros de distância, a luz fraca do candeeiro da mesinha de cabeceira enche o quarto de Sara de sombras. Está sentada na cama com o telefone na mão, presa à parede pelo fio do carregador.
Entabularam mesmo agora conversa num site de encontros; vejamos então o que dizem em silêncio numa janela:
Humberto - Estive a ver as tuas fotografias. Estás sempre assim sorridente?
Sara - Sim, tenho sempre um sorriso: são de borla. Às vezes é nervoso miudinho. Outras rio para não chorar.
H - Nervoso miudinho é o que estou a sentir agora...
S - Oh, não sintas! Sou pródiga em deixar as pessoas à vontade.
H - Pronto, já relaxei. Sou um pouco tímido... pelo menos até me conseguir soltar.
S - A timidez é o colesterol que bloqueia a veia das novas amizades, nunca ouviste dizer?
H - Não, mas sinto a timidez mesmo assim, é uma verdadeira obstrução! Às vezes faltam-me as palavras para me exprimir...
S - Eu uso muitas muletas na linguagem. Ultimamente abuso da expressão sem espinhas. Quando quero referir-me a algo puro, sem artifícios.
H - Também uso essa para coisas que são fáceis, sem complicações. Estar aqui a conversar contigo está a ser sem espinhas!
S - Neste momento, o que mais desejo é uma vida sem espinhas.
H - Vida sem espinhas é uma ambição global. O curioso é que nós é que pomos algumas delas... E depois ficam-nos atravessadas na garganta! Sabes, estou aqui cheio de vontade de te convidar para uma cerveja.
S - Estás muito afoito, rapazolas! É demasiado precoce... Conheçamo-nos um pouco melhor primeiro para descobrirmos os mistérios insondáveis de ambos.
H - Era mais para quebrar o gelo, mas eu sei esperar: é raro aparecer por estas persianas mulher tão interessante como tu! E, para que compreendas os meus mistérios, vou escrever o livro Como conhecer um Humberto. Achas que vende?
S - Talvez não venda muito: o enredo é fraquinho.
H - Pronto, acabaste com a minha carreira de escritor! Posso fazer uma pergunta marota?
S - Ah, essa timidez esfuma-se a olhos vistos! Mas podes, sim. Resta saber se responderei..
H - Gostava de saber o que te dá tesão. Responde sem espinhas!
S - A inteligência e o sentido de humor. E a aparência alguma coisa: é sempre atraente um corpo bem desenhado ou uma cara bonita, mas acabo por achar mais piada a essa coisa meio inqualificável chamada charme. No fundo, a tesão é uma questão de feed back, não se alimenta sozinha e quando há empatia tende a crescer. As palavras dão-me tesão: uma palavra bem escolhida faz maravilhas! E a atenção aos pormenores também é excitante; quando as pessoas são boas observadoras, podem estimular-te mais e melhor.
H - Não esperava uma resposta tão detalhada... Vejo que já tinhas pensado sobre o assunto, que te conheces bem! O que me dá tesão são várias coisas, como o corpo e a sensualidade, mas sem dúvida o que mais me deixa louco são pessoas extrovertidas, que se riem com vontade e não têm medo de dizer o que pensam. Como tu, Sara. Estás a dar-me uma tesão doida!
- Sem tesão não há solução
A oito quilómetros de distância, a luz fraca do candeeiro da mesinha de cabeceira enche o quarto de Sara de sombras. Está sentada na cama com o telefone na mão, presa à parede pelo fio do carregador.
Entabularam mesmo agora conversa num site de encontros; vejamos então o que dizem em silêncio numa janela:
Humberto - Estive a ver as tuas fotografias. Estás sempre assim sorridente?
Sara - Sim, tenho sempre um sorriso: são de borla. Às vezes é nervoso miudinho. Outras rio para não chorar.
H - Nervoso miudinho é o que estou a sentir agora...
S - Oh, não sintas! Sou pródiga em deixar as pessoas à vontade.
H - Pronto, já relaxei. Sou um pouco tímido... pelo menos até me conseguir soltar.
S - A timidez é o colesterol que bloqueia a veia das novas amizades, nunca ouviste dizer?
H - Não, mas sinto a timidez mesmo assim, é uma verdadeira obstrução! Às vezes faltam-me as palavras para me exprimir...
S - Eu uso muitas muletas na linguagem. Ultimamente abuso da expressão sem espinhas. Quando quero referir-me a algo puro, sem artifícios.
H - Também uso essa para coisas que são fáceis, sem complicações. Estar aqui a conversar contigo está a ser sem espinhas!
S - Neste momento, o que mais desejo é uma vida sem espinhas.
H - Vida sem espinhas é uma ambição global. O curioso é que nós é que pomos algumas delas... E depois ficam-nos atravessadas na garganta! Sabes, estou aqui cheio de vontade de te convidar para uma cerveja.
S - Estás muito afoito, rapazolas! É demasiado precoce... Conheçamo-nos um pouco melhor primeiro para descobrirmos os mistérios insondáveis de ambos.
H - Era mais para quebrar o gelo, mas eu sei esperar: é raro aparecer por estas persianas mulher tão interessante como tu! E, para que compreendas os meus mistérios, vou escrever o livro Como conhecer um Humberto. Achas que vende?
S - Talvez não venda muito: o enredo é fraquinho.
H - Pronto, acabaste com a minha carreira de escritor! Posso fazer uma pergunta marota?
S - Ah, essa timidez esfuma-se a olhos vistos! Mas podes, sim. Resta saber se responderei..
H - Gostava de saber o que te dá tesão. Responde sem espinhas!
S - A inteligência e o sentido de humor. E a aparência alguma coisa: é sempre atraente um corpo bem desenhado ou uma cara bonita, mas acabo por achar mais piada a essa coisa meio inqualificável chamada charme. No fundo, a tesão é uma questão de feed back, não se alimenta sozinha e quando há empatia tende a crescer. As palavras dão-me tesão: uma palavra bem escolhida faz maravilhas! E a atenção aos pormenores também é excitante; quando as pessoas são boas observadoras, podem estimular-te mais e melhor.
H - Não esperava uma resposta tão detalhada... Vejo que já tinhas pensado sobre o assunto, que te conheces bem! O que me dá tesão são várias coisas, como o corpo e a sensualidade, mas sem dúvida o que mais me deixa louco são pessoas extrovertidas, que se riem com vontade e não têm medo de dizer o que pensam. Como tu, Sara. Estás a dar-me uma tesão doida!
- Sem tesão não há solução
sábado, 6 de janeiro de 2018
Provérbio provado rimado - CCLXIV
É tudo bom o que a vida contém
Não a vejamos com desdém
E até mesmo as coisinhas más
Deitemos das costas para trás
São muito largas felizmente
Virá-las ao problema é frequente
Mas o que longe delas dizem
São meras impressões não afligem
Melhor é que as partilhemos
E uns olhos de frente enfrentemos
Já que atrás de um portão
É fácil ladrar qualquer cão
Não a vejamos com desdém
E até mesmo as coisinhas más
Deitemos das costas para trás
São muito largas felizmente
Virá-las ao problema é frequente
Mas o que longe delas dizem
São meras impressões não afligem
Melhor é que as partilhemos
E uns olhos de frente enfrentemos
Já que atrás de um portão
É fácil ladrar qualquer cão
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
Provérbio provado rimado - CCLXIII
Quem prega a comida saudável
É tão chato não há paciência
Se a prega com insistência
É conversa desagradável
Não é carne nem é peixe
Além de que não come ovos
E se quer ter adeptos novos
Não me convença que me deixe
É tão chato não há paciência
Se a prega com insistência
É conversa desagradável
Não é carne nem é peixe
Além de que não come ovos
E se quer ter adeptos novos
Não me convença que me deixe
Provérbio provado rimado - CCLXII
Um leitor que te quer falar
Diz ao telefone a Filomena
Só que eu estou a almoçar
Agora não dá temos pena
Ele que venha a outra hora
Desabafar o problema
Não atendo o leitor agora
Vê lá tu qual é o tema
Diz ao telefone a Filomena
Só que eu estou a almoçar
Agora não dá temos pena
Ele que venha a outra hora
Desabafar o problema
Não atendo o leitor agora
Vê lá tu qual é o tema
quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
Provérbio provado rimado - CCLXI
Amigo estás aqui na terra
E não há cura para isso
É verdade que o facto encerra
Não não te lançaram feitiço
Finca bem os dois pés na terra
Mas esvoaça os olhos p'lo céu
Assim tua mente não emperra
É o conselho que te dou eu
E não há cura para isso
É verdade que o facto encerra
Não não te lançaram feitiço
Finca bem os dois pés na terra
Mas esvoaça os olhos p'lo céu
Assim tua mente não emperra
É o conselho que te dou eu
Provérbio provado rimado - CCLX
Uma terra bem adubada
Dá sempre boa sementeira
E mal é a semente lançada
Dá bela colheita à primeira
Valha-nos o bom agricultor
Pois se ele no campo não planta
Da terra não cuida com amor
O homem da cidade não janta
Dá sempre boa sementeira
E mal é a semente lançada
Dá bela colheita à primeira
Valha-nos o bom agricultor
Pois se ele no campo não planta
Da terra não cuida com amor
O homem da cidade não janta
Provérbio provado num verso branco - XIII
Desenvolve interesses
Desenvolve-te
A vida é mais do que isto que vês
Olha quantas as pessoas que passam
Tão leves, ligeiras, orgânicas
Desenvolve interesses
Interessa-te
São tantas as coisas, livros, música
Fronteiras para atravessar
O teu passaporte és tu e o carimbo é a tua mão
Repara como o mundo é rico
Como transborda de valiosíssimos tesouros
Essa gente estimulante aguarda-te
Essas almas bonitas desejam afagar-te
O mundo espera-te
Não sabes tudo, não sabes demais
Ninguém é tão sábio que não possa aprender
Nem tão tolo que não possa ensinar
Ultrapassa-te
Esquece-te de ti
Absorve tudo o que puderes
Partilha tudo o que conseguires
Desenvolve-te
A vida é mais do que isto que vês
Olha quantas as pessoas que passam
Tão leves, ligeiras, orgânicas
Desenvolve interesses
Interessa-te
São tantas as coisas, livros, música
Fronteiras para atravessar
O teu passaporte és tu e o carimbo é a tua mão
Repara como o mundo é rico
Como transborda de valiosíssimos tesouros
Essa gente estimulante aguarda-te
Essas almas bonitas desejam afagar-te
O mundo espera-te
Não sabes tudo, não sabes demais
Ninguém é tão sábio que não possa aprender
Nem tão tolo que não possa ensinar
Ultrapassa-te
Esquece-te de ti
Absorve tudo o que puderes
Partilha tudo o que conseguires
Provérbio provado rimado - CCLIX
Ela é gorducha que se preza
Não faz dieta nem se pesa
E faz concorrência à baleia
Se se baixa a calçar a meia
Chamam-lhe a Piggy dos Marretas
Para ela alcunhas são tretas
Desdenha gente maliciosa
Da sua celulite é vaidosa
Tem um par de mamas brutal
E também pescoço colossal
Uma perna faz duas das minhas
O cú rebola fora das calcinhas
Ama um bom bacalhau assado
Come tudo e demora um bocado
Com natas ou à lagareiro
Refogado com alho primeiro
Se uma bela posta mirandesa
Vem em sangue para cima da mesa
Não resta nadinha p'rá história
Só as ancas lhe guardam memória
A mastigar faz muito barulho
Vai comendo e enchendo o bandulho
Qualquer dia virá um enfarte
E comer deixará de ser arte
Não faz dieta nem se pesa
E faz concorrência à baleia
Se se baixa a calçar a meia
Chamam-lhe a Piggy dos Marretas
Para ela alcunhas são tretas
Desdenha gente maliciosa
Da sua celulite é vaidosa
Tem um par de mamas brutal
E também pescoço colossal
Uma perna faz duas das minhas
O cú rebola fora das calcinhas
Ama um bom bacalhau assado
Come tudo e demora um bocado
Com natas ou à lagareiro
Refogado com alho primeiro
Se uma bela posta mirandesa
Vem em sangue para cima da mesa
Não resta nadinha p'rá história
Só as ancas lhe guardam memória
A mastigar faz muito barulho
Vai comendo e enchendo o bandulho
Qualquer dia virá um enfarte
E comer deixará de ser arte
Provérbio provado rimado - CCLVIII
É uma destas instituições
Tanto rouba que caga milhões
Mas é toda legal entidade
A sede é ma principal cidade
Quer livrar-se do povo horroroso
Só que ninguém é tão poderoso
Que possa prescindir da ajuda
Do pequeno que nem o saúda
Banco com o juro menos ruim
Só se for mesmo o do jardim
Que não tem correcção monetária
Nem ítem na descrição sumária
Tanto rouba que caga milhões
Mas é toda legal entidade
A sede é ma principal cidade
Quer livrar-se do povo horroroso
Só que ninguém é tão poderoso
Que possa prescindir da ajuda
Do pequeno que nem o saúda
Banco com o juro menos ruim
Só se for mesmo o do jardim
Que não tem correcção monetária
Nem ítem na descrição sumária
Provérbio provado rimado - CCLVII
Eu não vivo para comer
Mas como só para viver
Sento-me e engulo apressada
Não faço a digestão nem nada
E depois engordar não consigo
Emagrecer tanto é um perigo
Mas já tenho saudades do Verão
Que ao petisco presto atenção
E ando com os braços ao léu
Com apetite para um pitéu
Mas como só para viver
Sento-me e engulo apressada
Não faço a digestão nem nada
E depois engordar não consigo
Emagrecer tanto é um perigo
Mas já tenho saudades do Verão
Que ao petisco presto atenção
E ando com os braços ao léu
Com apetite para um pitéu
Provérbio provado rimado - CCLVI
Ai como é pequeno o mundo
Diz assim na rua a pessoa
Se outra encontra muito à toa
Reconhece-a vindo lá ao fundo
Cumprimentam então como vais?
Dão-se abraços muito apertados
E vários beijos bem repenicados
São saudosos amigos ideais
Como tem passado a tua filha?
Os teus sogros e a tua mulher?
Este encontro não vou esquecer
O mundo é mesmo uma erviha
Diz assim na rua a pessoa
Se outra encontra muito à toa
Reconhece-a vindo lá ao fundo
Cumprimentam então como vais?
Dão-se abraços muito apertados
E vários beijos bem repenicados
São saudosos amigos ideais
Como tem passado a tua filha?
Os teus sogros e a tua mulher?
Este encontro não vou esquecer
O mundo é mesmo uma erviha
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