Gente que renuncia à paz
De criar o caos é capaz
Lança tamanha confusão
No seio de uma população
São cabeças maliciosas
Que deturpam todas as prosas
Levam a água ao seu moinho
No meio de tanto remoinho
Criam as próprias definições
Com caríssimos palavrões
E assim enganam os incautos
Lavram até novas leis nos autos
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
Provérbio provado rimado - CCXXIII
Viver é caso bem tramado
De acções sobrevarregado
Quem perdoa será perdoado
Quem magoa será magoado
É constação tão evidente
Não é preciso ser inteligente
Nem permanecer descontente
Quem a si mesmo não mente
De acções sobrevarregado
Quem perdoa será perdoado
Quem magoa será magoado
É constação tão evidente
Não é preciso ser inteligente
Nem permanecer descontente
Quem a si mesmo não mente
Provérbio provado rimado - CCXXII
O tempo é cavalo alucinado
Galopa num trilho acidentado
Quando dás por ti é passado
Por isso vive vida sossegada
Não faças sangria desatada
De cada emoção desbragada
Galopa num trilho acidentado
Quando dás por ti é passado
Por isso vive vida sossegada
Não faças sangria desatada
De cada emoção desbragada
Provérbio provado esperançado - II
Somos como podemos. Vamos sendo como sabemos ser a cada momento. Viver todos os dias cansa. Muitas vezes ao tentarmos agradar estragamos tudo e ainda acrescentamos a insegurança aos nossos múltiplos defeitos. Já se sabe que a humanidade podia ser mais humana. E o amor menos egoísta. Não conseguimos estar dentro e fora ao mesmo tempo, por isso a nossa perspectiva é sempre incompleta. Falta sempre alguma coisa. E continua a faltar, mesmo quando chegamos lá. A insatisfação é tramada. A busca de um sentido para a existência nunca termina. Tentamos a superação mas o mais das vezes falhamos. O quotidiano é uma estrada cheia de buracos e cruzamentos inesperados. Temos de escolher um caminho e perdemos os outros, e já não podemos regressar aos caminhos desaparecidos. E se pudéssemos escolhiamos mal outra vez, principalmente quando julgamos estar cheios de razão. O Eu é um território desconhecido e solitário. Os outros são sempre mais competentes a viver. É o que pensamos quando sentimos raiva e falta de fe. Por tudo isto, não temos de pedir desculpa por sermos imperfeitos. Acima de tudo vale a pena esta vida que é um erro. Vivamo-la pois errando.
- Enquanto há vida,
- Enquanto há vida,
Provérbio geracional
Esta geração d'hoje, que consente deixar-se representar assim, é uma geração sacripanta!
É um covil hipócrita e desprezível, que se vende por dá cá aquela palha. Aos bancos e seus supostos e compostos. Em nome do bem-estar.
Esta geração d'hoje é um burro impotente e teimoso, que finca as patas no terreno onde resvala. Escorrega em ideias, presumíveis ideias a que chama projectos – projectos são coisas viradas para um futuro medíocre. Ideias e projectos não são ideais: os ideais foram extintos por afinal serem demasiado grandes.
Esta geração quando vai às repartições, assina na cruz, e já acha que pode falar dos impostos dos outros. Esta geração se pudesse ainda era bufa da PIDE. Se pudesse fazia queixinhas ao chefe, se é que já não morde quando pode.
Esta geração d'hoje é caginchas e tem miúfa. Fala mal ou bem do 25 de Abril conforme o interlocutor. Acolhe petições online e partilha manifestos como se desse umas rapidinhas adúlteras só vagamente permitidas. Espera aplausos imerecidos, vê-se ao espelho em selfies e tem pressa de reconhecimento.
É tão mal educada que privilegia em vez do próximo o distante, interrompe conversas ao vivo para atender o telemóvel, prefere descrever um acontecimento depois do que vivê-lo enquanto. Fala de um púlpito imaginário para um público imaginário, cheia de vaidade e solidão.
Esta geração d'hoje, ai se mandasse!, fazia e desfazia, ao menos votasse…
É um covil hipócrita e desprezível, que se vende por dá cá aquela palha. Aos bancos e seus supostos e compostos. Em nome do bem-estar.
Esta geração d'hoje é um burro impotente e teimoso, que finca as patas no terreno onde resvala. Escorrega em ideias, presumíveis ideias a que chama projectos – projectos são coisas viradas para um futuro medíocre. Ideias e projectos não são ideais: os ideais foram extintos por afinal serem demasiado grandes.
Esta geração quando vai às repartições, assina na cruz, e já acha que pode falar dos impostos dos outros. Esta geração se pudesse ainda era bufa da PIDE. Se pudesse fazia queixinhas ao chefe, se é que já não morde quando pode.
Esta geração d'hoje é caginchas e tem miúfa. Fala mal ou bem do 25 de Abril conforme o interlocutor. Acolhe petições online e partilha manifestos como se desse umas rapidinhas adúlteras só vagamente permitidas. Espera aplausos imerecidos, vê-se ao espelho em selfies e tem pressa de reconhecimento.
É tão mal educada que privilegia em vez do próximo o distante, interrompe conversas ao vivo para atender o telemóvel, prefere descrever um acontecimento depois do que vivê-lo enquanto. Fala de um púlpito imaginário para um público imaginário, cheia de vaidade e solidão.
Esta geração d'hoje, ai se mandasse!, fazia e desfazia, ao menos votasse…
- - Saúde e geração não se apura
Provérbio provado rimado - CCXXI
Nesta casinha estou viciada
Com tantos amigos encantada
Não esperava tanta partilha
Vocês são uma maravilha
São gente muito educada
Com a cabeça bem arejada
São uma bela quadrilha
E muito unida matilha
Por isso tão entusiasmada
Sinto-me uma previligiada
A cabeça de ideias fervilha
Não sigo nenhuma cartilha
Estou meia aparvalhada
Por estar tão bem acompanhada
Obrigada bonita pandilha
Nenhum homem é uma ilha
Com tantos amigos encantada
Não esperava tanta partilha
Vocês são uma maravilha
São gente muito educada
Com a cabeça bem arejada
São uma bela quadrilha
E muito unida matilha
Por isso tão entusiasmada
Sinto-me uma previligiada
A cabeça de ideias fervilha
Não sigo nenhuma cartilha
Estou meia aparvalhada
Por estar tão bem acompanhada
Obrigada bonita pandilha
Nenhum homem é uma ilha
Provérbio provado rimado - CCXX
Na aldeia em dia de festa
Na calma hora da sesta
Estava deserta a quermesse
O Serôdio chegou com interesse
Viu logo as rifas num cesto
Teve um desejo manifesto
De os prémios todos ganhar
Até aqueles com mau ar
Aproximou-se de mansinho
Sorrateiro bem devagarinho
E lançou ao cesto a mão
A ocasião faz o ladrão
Bem procuraram as beatas
Até no cesto das batatas
Mas as rifas não acharam
Zangadas enfim praguejaram
À noite foi uma maravilha
O Serôdio fez a partilha
Dos pechisbeques e das louças
E agradou a todas as moças
Diziam hoje tens de jogar
Pois a lotaria vais ganhar
Com essa sorte que tu tens
Qualquer uma feliz manténs
Na calma hora da sesta
Estava deserta a quermesse
O Serôdio chegou com interesse
Viu logo as rifas num cesto
Teve um desejo manifesto
De os prémios todos ganhar
Até aqueles com mau ar
Aproximou-se de mansinho
Sorrateiro bem devagarinho
E lançou ao cesto a mão
A ocasião faz o ladrão
Bem procuraram as beatas
Até no cesto das batatas
Mas as rifas não acharam
Zangadas enfim praguejaram
À noite foi uma maravilha
O Serôdio fez a partilha
Dos pechisbeques e das louças
E agradou a todas as moças
Diziam hoje tens de jogar
Pois a lotaria vais ganhar
Com essa sorte que tu tens
Qualquer uma feliz manténs
terça-feira, 26 de dezembro de 2017
Provérbio familiar - III
Em comum temos o pai e a mãe. De resto, não podíamos ser mais diferentes... tanto física como psicologicamente. Desde pequenas estamos habituadíssimas à exclamação: não parecem nada irmãs! E à pergunta: qual é a mais nova?
Como definir a nossa relação? Somos irmãs e basta!, mesmo quando isso não basta. Tenho amigas que talvez me conheçam melhor, mas ninguém me conhece tão por inteiro, ninguém tem tantas memórias inúteis minhas, ninguém foi tão cúmplice no disparate e na alegria mais pura. Ah, as cantorias no Toyota amarelo, os jogos de bisca com o avô, os bolos de terra na várzea! E as conversas no alto das arribas. Tanto, tanto, minha irmã!
Somos como a água e o vinho: uma refresca, a outra inebria, uma mata a sede, a outra mata bicho. Somos como a água e o azeite: convivem, mas não se misturam, trazem a verdade à tona e juntas mantêm-se à tona. Une-nos um fio invisível, indizível. Só nos resta permanecer.
- Os dedos da mão são irmãos mas não são iguais
Como definir a nossa relação? Somos irmãs e basta!, mesmo quando isso não basta. Tenho amigas que talvez me conheçam melhor, mas ninguém me conhece tão por inteiro, ninguém tem tantas memórias inúteis minhas, ninguém foi tão cúmplice no disparate e na alegria mais pura. Ah, as cantorias no Toyota amarelo, os jogos de bisca com o avô, os bolos de terra na várzea! E as conversas no alto das arribas. Tanto, tanto, minha irmã!
Somos como a água e o vinho: uma refresca, a outra inebria, uma mata a sede, a outra mata bicho. Somos como a água e o azeite: convivem, mas não se misturam, trazem a verdade à tona e juntas mantêm-se à tona. Une-nos um fio invisível, indizível. Só nos resta permanecer.
- Os dedos da mão são irmãos mas não são iguais
Provérbio provado rimado - CCXIX
Ando muito como o Aleixo
Neste livro que vos deixo
Versinhos de pés quebrados
Pequenos e bem ritmados
Não sei bem o que se passa
A rimar nunca achei graça
E nem uso o dicionário
Só apenas o abecedário
Se a vossa paciência torro
É dizer e já me desforro
Faço logo outra rima
P'ra mim p'ra ti e p'rá prima
Neste livro que vos deixo
Versinhos de pés quebrados
Pequenos e bem ritmados
Não sei bem o que se passa
A rimar nunca achei graça
E nem uso o dicionário
Só apenas o abecedário
Se a vossa paciência torro
É dizer e já me desforro
Faço logo outra rima
P'ra mim p'ra ti e p'rá prima
Provérbio provado paginado
Nas primeiras páginas de um livro começa a desenhar-se uma história e apresentam-se as personagens centrais; corresponde este início à infância, na qual floresce o ser e se vai preparando para viver.
À medida que se desenrolam os capítulos, o enredo vai progredindo ao sabor das aventuras e desventuras dos heróis numa dança agitada, e por vezes uma ginástica irregular composta de acrobacias difíceis de coordenar. É aqui que se aprende a vida e se adquire conhecimento de acordo com os acontecimentos que se sucedem ininterruptamente, tantas vezes sem piedade das incapacidades de cada um, calando estados de alma e secando lágrimas. Mas também outras tantas alegrias vibrantes, amores e saudades: laços duradouros que se estabelecem, acompanhando a busca incessante de novas sensações e aprendizagens.
Sobre o fim do livro sabe-se pouco, tem mesmo de se ler até ao fim.
- A vida é um livro aberto
À medida que se desenrolam os capítulos, o enredo vai progredindo ao sabor das aventuras e desventuras dos heróis numa dança agitada, e por vezes uma ginástica irregular composta de acrobacias difíceis de coordenar. É aqui que se aprende a vida e se adquire conhecimento de acordo com os acontecimentos que se sucedem ininterruptamente, tantas vezes sem piedade das incapacidades de cada um, calando estados de alma e secando lágrimas. Mas também outras tantas alegrias vibrantes, amores e saudades: laços duradouros que se estabelecem, acompanhando a busca incessante de novas sensações e aprendizagens.
Sobre o fim do livro sabe-se pouco, tem mesmo de se ler até ao fim.
- A vida é um livro aberto
Provérbio provado rimado - CCXVIII
Ainda andam por aí uns pides
São mais que as mães e as pevides
Agora escondem-se atrás dum ecrã
E partilham fotos no Instagram
Se te puserem gostos no perfil
Manda-os mas é embora a mil
São mais que as mães e as pevides
Agora escondem-se atrás dum ecrã
E partilham fotos no Instagram
Se te puserem gostos no perfil
Manda-os mas é embora a mil
Provérbio provado amigado
Quero falar aqui da amizade, não porque seja uma novidade, mas por necessidade de colocar no pódio esta emoção tão e cada vez mais importante. Entronizá-la, medalhá-la. Na amizade descobrimo-nos com renovada surpresa. Percebemos que a nossa imperfeição tem ouvidos. Na casa que cada amigo é não há paredes, só janelas com vistas desafogadas. Cada amigo é um pássaro com quem se pode migrar para descobrir onde acaba o infinito, cada amigo uma poltrona estendendo os braços onde se descansa do duro ofício de viver, um amigo uma sesta, um mergulho, uma refeição que mata a fome.
Ninguém é tão democraticamente tolerante como o amigo que nos aceita tal como somos, que permite que sejamos livremente inteiros.
Muito obrigada às amigas e amigos que me têm acompanhado, mimado, estimulado e contrariado. Não faz mal que não nos vejamos quando queremos, não faz mal o hamburguer em vez da lagosta, não faz mal a lágrima e ausência de gargalhadas, nem aquele telefonema que não chegou a ouvir-se. Aos amigos tudo desculpamos. Não estamos cá só para casamentos, visitas à maternidade, baptizados e funerais. Estamos cá para saber que somos, existimos e fazemos falta
- Amigo certo conhece-se na hora incerta
Ninguém é tão democraticamente tolerante como o amigo que nos aceita tal como somos, que permite que sejamos livremente inteiros.
Muito obrigada às amigas e amigos que me têm acompanhado, mimado, estimulado e contrariado. Não faz mal que não nos vejamos quando queremos, não faz mal o hamburguer em vez da lagosta, não faz mal a lágrima e ausência de gargalhadas, nem aquele telefonema que não chegou a ouvir-se. Aos amigos tudo desculpamos. Não estamos cá só para casamentos, visitas à maternidade, baptizados e funerais. Estamos cá para saber que somos, existimos e fazemos falta
- Amigo certo conhece-se na hora incerta
Provérbio provado rimado - CCXVII
A tristeza nem se nota
Certas vezes que eu cá sei
E até bater a bota
Nesse dia não pensei
A alegria uma miragem
Noutros outros tantos dias
Vou correndo p'la paisagem
Alimentando simpatias
Aspirando liberdade
Deixo a gaiola aberta
E retorno com vontade
Quando a vontade desperta
Sou pássaro muito leve
Há quem não goste assim
Com uma loucura breve
Que nasce dentro de mim
Mas não me pisem os calos
Se a defesa impera
Levam um par de estalos
E ataco como uma fera
Certas vezes que eu cá sei
E até bater a bota
Nesse dia não pensei
A alegria uma miragem
Noutros outros tantos dias
Vou correndo p'la paisagem
Alimentando simpatias
Aspirando liberdade
Deixo a gaiola aberta
E retorno com vontade
Quando a vontade desperta
Sou pássaro muito leve
Há quem não goste assim
Com uma loucura breve
Que nasce dentro de mim
Mas não me pisem os calos
Se a defesa impera
Levam um par de estalos
E ataco como uma fera
Provérbio provado rimado - XXCVI
Aceitar conselhos alheios
Até mesmo olhando a meios
É uma faca de dois gumes
Boa para cortar legumes
São bons quando são pedidos
Rejeitados se oferecidos
Tem-se sempre a sensação
De que estão ali à mão
E quem se está a imiscuir
Do momento não pode fugir
Deve aguentar insucessos
Aqui e além alguns excessos
Conselhos são contribuintes
Considerados pedintes
Quando são isentos de imposto
Mesmo assim deixam desgosto
É que a galinha dos ovos de ouro
Não sabe aceitar desaforo
Canta inchada no poleiro
Um canto um pouco foleiro
Pode também ser mesquinha
Até bastante fuinha
E um revés nunca aceitar
Se não a souberem levar
Por isso vos digo amigos
Que não querem passar perigos
Conselhos devem escutar
Mas depois bem devagar
E de forma algo leviana
Fazer o que dá na real gana
Até mesmo olhando a meios
É uma faca de dois gumes
Boa para cortar legumes
São bons quando são pedidos
Rejeitados se oferecidos
Tem-se sempre a sensação
De que estão ali à mão
E quem se está a imiscuir
Do momento não pode fugir
Deve aguentar insucessos
Aqui e além alguns excessos
Conselhos são contribuintes
Considerados pedintes
Quando são isentos de imposto
Mesmo assim deixam desgosto
É que a galinha dos ovos de ouro
Não sabe aceitar desaforo
Canta inchada no poleiro
Um canto um pouco foleiro
Pode também ser mesquinha
Até bastante fuinha
E um revés nunca aceitar
Se não a souberem levar
Por isso vos digo amigos
Que não querem passar perigos
Conselhos devem escutar
Mas depois bem devagar
E de forma algo leviana
Fazer o que dá na real gana
Provérbio provado num verso branco - IX
Marketing directo
For sale
Cérebro com corredores
Atreito a ventanias
Correntes de ar
Janelas partidas
Portas fora dos gonzos
Sem eira nem beira
Preço negociável
This side up
Corpo já carunchoso
Ombros curvados
Escoliose severa
Cervical sempre tensa
Perna maior que a outra
Deveras assimétrico
Muito preguiçoso
Melhor oferta
Handle with care
Alma bastante frágil
Coração partido
Pensamento volátil
Forte inconstância
Palavras em catadupa
Perda de oportunidades
Falta de empenho
Contacte-nos hoje
For sale
Cérebro com corredores
Atreito a ventanias
Correntes de ar
Janelas partidas
Portas fora dos gonzos
Sem eira nem beira
Preço negociável
This side up
Corpo já carunchoso
Ombros curvados
Escoliose severa
Cervical sempre tensa
Perna maior que a outra
Deveras assimétrico
Muito preguiçoso
Melhor oferta
Handle with care
Alma bastante frágil
Coração partido
Pensamento volátil
Forte inconstância
Palavras em catadupa
Perda de oportunidades
Falta de empenho
Contacte-nos hoje
Provérbio provado rimado - CCXV
Quero que se solte o beijo
Como naquela canção
E faça jus ao desejo
Que habita no meu coração
A coisa ainda é fresquinha
Faz de conta que não disse
Até o gato da vizinha
Mia com tanta cusquice
Tenho de lhe fazer xiu
Mas ela abre a porta
Finge porém que não viu
E que afinal não se importa
Nasce em mim um amor
Que nem às paredes confesso
Espero não me traga dor
As palavras já nem meço
Como naquela canção
E faça jus ao desejo
Que habita no meu coração
A coisa ainda é fresquinha
Faz de conta que não disse
Até o gato da vizinha
Mia com tanta cusquice
Tenho de lhe fazer xiu
Mas ela abre a porta
Finge porém que não viu
E que afinal não se importa
Nasce em mim um amor
Que nem às paredes confesso
Espero não me traga dor
As palavras já nem meço
Provérbio provado rimado - CCXIV
Somos colecção de instantes
E já nada é como dantes
Quando a curta juventude
Nos espreitava em plenitude
Numa cabeça muito leve
A hipótese é cada vez mais breve
Os sonhos tornam-se irreais
Despertam com menos vogais
Ninguém faz um gesto de basta
Nesta caminhada tão vasta
Parecia muito mais comprida
A estrada a que chamamos vida
E já nada é como dantes
Quando a curta juventude
Nos espreitava em plenitude
Numa cabeça muito leve
A hipótese é cada vez mais breve
Os sonhos tornam-se irreais
Despertam com menos vogais
Ninguém faz um gesto de basta
Nesta caminhada tão vasta
Parecia muito mais comprida
A estrada a que chamamos vida
Provérbio provado rimado - CCXIII
Comprem que é muito barato
A inveja servida num prato
Deve aceitar-se como facto
Bem comida pela menina
Torna-se um pouco mais fina
É vero negócio da China
Mas se aparecer um matulão
E a sorver voraz com a mão
Pode terminar num caixão
Que ela é em bom português
Usada por quem é má rês
Sem esperar pela sua vez
Inveja tem mais que um sinónimo
Também um ou outro antónimo
É cuspida da boca do anónimo
E por vezes é vomitada
Sem sequer ser mastigada
Cuidado que não tarda nada
Sentimento tão negativo
De identificar intuitivo
Melhor é guardá-la no arquivo
Parece ser uma tragédia
Mas é uma coisa intermédia
Com o seu quê de comédia
Pois está à espreita à janela
Com cor de merda amarela
E medo que digam mal dela
Por isso aviso senhores
Se a vir na casa de penhores
Talvez lhe teça louvores
A inveja servida num prato
Deve aceitar-se como facto
Bem comida pela menina
Torna-se um pouco mais fina
É vero negócio da China
Mas se aparecer um matulão
E a sorver voraz com a mão
Pode terminar num caixão
Que ela é em bom português
Usada por quem é má rês
Sem esperar pela sua vez
Inveja tem mais que um sinónimo
Também um ou outro antónimo
É cuspida da boca do anónimo
E por vezes é vomitada
Sem sequer ser mastigada
Cuidado que não tarda nada
Sentimento tão negativo
De identificar intuitivo
Melhor é guardá-la no arquivo
Parece ser uma tragédia
Mas é uma coisa intermédia
Com o seu quê de comédia
Pois está à espreita à janela
Com cor de merda amarela
E medo que digam mal dela
Por isso aviso senhores
Se a vir na casa de penhores
Talvez lhe teça louvores
Provérbio provado num verso branco - VIII
O tempo é um pássaro: voa
É um médico: cura tudo
Um professor: ensina sempre qualquer coisa
O tempo tem cornos
A vida ângulos rectos
Nas esquinas onde se aguarda pelo resto
Onde se espera o que já não vem
Enquanto viver arrebata e enlouquece
Saber não colocar tudo numa só esperança
Quando se dá muito e demais
Os olhos alheios desviam-se
Os ouvidos tapam-se
E as mãos fecham-se nos bolsos
O excesso enferruja rápido
Ser apenas simples e lento
Calar mais e deixar falar o silêncio
A ausência de palavras canta uma verdade que prende os momentos
Não forçar os acontecimentos
Não ser mais papista que o papa
Nem teimar que se conhece de antemão a corrida
O rio nada para a foz e não volta para trás
É um médico: cura tudo
Um professor: ensina sempre qualquer coisa
O tempo tem cornos
A vida ângulos rectos
Nas esquinas onde se aguarda pelo resto
Onde se espera o que já não vem
Enquanto viver arrebata e enlouquece
Saber não colocar tudo numa só esperança
Quando se dá muito e demais
Os olhos alheios desviam-se
Os ouvidos tapam-se
E as mãos fecham-se nos bolsos
O excesso enferruja rápido
Ser apenas simples e lento
Calar mais e deixar falar o silêncio
A ausência de palavras canta uma verdade que prende os momentos
Não forçar os acontecimentos
Não ser mais papista que o papa
Nem teimar que se conhece de antemão a corrida
O rio nada para a foz e não volta para trás
Provérbio provado rimado - CCXII
Faço umas rimas incertas
Por dá cá aquela palha
Só para mentes abertas
Ou talvez coisa que o valha
Podem talvez correr mal
P'ra quem se leva muito a sério
Pero a mí me dá igual
Não é esse o meu ministério
Posso ofender os poetas
Que abundam p'la nossa praça
Cheios de razões concretas
E que não me acham graça
Por isso desculpa peço
Neste soalheiro domingo
Porém as palavras não meço
E feliz sigo p'ra bingo
Por dá cá aquela palha
Só para mentes abertas
Ou talvez coisa que o valha
Podem talvez correr mal
P'ra quem se leva muito a sério
Pero a mí me dá igual
Não é esse o meu ministério
Posso ofender os poetas
Que abundam p'la nossa praça
Cheios de razões concretas
E que não me acham graça
Por isso desculpa peço
Neste soalheiro domingo
Porém as palavras não meço
E feliz sigo p'ra bingo
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