Ele sabe-se bem orientar
Pelas estrelas e pelo sol
Passou a vida a navegar
E a cantar com' um rouxinol
Quand' a sereia vem provocar
O marinheiro morde o anzol
E acabam por se encantar
Enrolam-se rápido no lençol
As estrelas iluminam a praia
Dançam nus nos canaviais
E logo alcançam a baia
Suspiram prolongados ais
Já se estão a envolver
Ambos se prestam atenção
Não querem ter nad' a temer
Quem tem medo compra um cão
sábado, 11 de novembro de 2017
Provérbio provado rimado - CXVIII
O flirt está a aquecer
O adultério é de temer
É melhor pôr pimenta na língua
E ficarmos os dois à míngua
Pois se crês na habilidade
De te deixar doido de verdade
Dou-te com muita pinta a volta
Depois até precisas de escolta
O adultério é de temer
É melhor pôr pimenta na língua
E ficarmos os dois à míngua
Pois se crês na habilidade
De te deixar doido de verdade
Dou-te com muita pinta a volta
Depois até precisas de escolta
Provérbio provado rimado - CXVII
O amor não correspondido
D' experimentar é lixado
Fogo que não se vê ser ardido
Como disse o poeta estouvado
Tem selo mas não é expedido
Não chega a ser enviado
No marco do correio retido
Como se fosse num feriado
Fica num baú bem escondido
Sem ser porém divulgado
Melhor é nem ser assumido
E estar a sete chaves guardado
D' experimentar é lixado
Fogo que não se vê ser ardido
Como disse o poeta estouvado
Tem selo mas não é expedido
Não chega a ser enviado
No marco do correio retido
Como se fosse num feriado
Fica num baú bem escondido
Sem ser porém divulgado
Melhor é nem ser assumido
E estar a sete chaves guardado
Provérbio provado rimado - CXVI
Tu deste-me do melhor sexo
Digno d' uns quantos sábios
Se me tocavas era um sucesso
Punhas-m' um sorriso nos lábios
Tive sempr' imenso prazer
Passámos uns bons bocados
E saudades tuas vou ter
Ao recordar tempos passados
O pior foi que m' apaixonei
Não fiquei apenas p'la tesão
A todo teu ser m' aficcionei
Pus-m' a jeito p'rá decepção
Tenho de ler de novo a cartilha
Que tanta sabedoria encerra
E aprender a guardar a partilha
Dá e leva quem vai à guerra
Digno d' uns quantos sábios
Se me tocavas era um sucesso
Punhas-m' um sorriso nos lábios
Tive sempr' imenso prazer
Passámos uns bons bocados
E saudades tuas vou ter
Ao recordar tempos passados
O pior foi que m' apaixonei
Não fiquei apenas p'la tesão
A todo teu ser m' aficcionei
Pus-m' a jeito p'rá decepção
Tenho de ler de novo a cartilha
Que tanta sabedoria encerra
E aprender a guardar a partilha
Dá e leva quem vai à guerra
Provérbio provado rimado - CXV
A vida é feita d' escolhas
Tens d' aprender a aguentar
E vais a ver quando olhas
O amor soubeste espantar
Agora engole a desilusão
Em frente sem pestanejar
E cuida bem do coração
Não te voltes a apaixonar
Aceita se te vão preterir
Tenta não te entusiasmar
Acredita em mim podes fugir
Quando no amor não tens lugar
Tem menos sexo e mais cafuné
É fácil poderes-te excitar
Pois nem tudo o que parece é
Assim só te vais decepcionar
Tens d' aprender a aguentar
E vais a ver quando olhas
O amor soubeste espantar
Agora engole a desilusão
Em frente sem pestanejar
E cuida bem do coração
Não te voltes a apaixonar
Aceita se te vão preterir
Tenta não te entusiasmar
Acredita em mim podes fugir
Quando no amor não tens lugar
Tem menos sexo e mais cafuné
É fácil poderes-te excitar
Pois nem tudo o que parece é
Assim só te vais decepcionar
Provérbio provado rimado - CXIV
O José Serra é um leitor
Educado e grande senhor
Mas p'la religião obcecado
Deve ser muito ajuízado
Já é um bocadinho velho
Mas ainda lê o evangelho
Que conta a vida de Jesus
Envolto num halo de luz
Lê revistas da Opus Dei
Faz perguntas que só eu sei
É apaixonado pelo Lutero
Que reduziu o Vaticano a zero
Tudo o que seja do cristianismo
Devora sem nenhum secretismo
E gosta do apóstolo Paulo
Que foi de pecador a vassalo
Desconfio que o senhor José
Tão atinado assim não é
Às vezes deve saber-lhe a pouco
Ser um santinho do pau oco
Educado e grande senhor
Mas p'la religião obcecado
Deve ser muito ajuízado
Já é um bocadinho velho
Mas ainda lê o evangelho
Que conta a vida de Jesus
Envolto num halo de luz
Lê revistas da Opus Dei
Faz perguntas que só eu sei
É apaixonado pelo Lutero
Que reduziu o Vaticano a zero
Tudo o que seja do cristianismo
Devora sem nenhum secretismo
E gosta do apóstolo Paulo
Que foi de pecador a vassalo
Desconfio que o senhor José
Tão atinado assim não é
Às vezes deve saber-lhe a pouco
Ser um santinho do pau oco
Provérbio provado rimado - CXIII
Adoro a casa das Tostas
Tem empregadas bem dispostas
De seu nome Sabor divino
Vou agora cantar-lhe um hino
Como sempre a tosta de salmão
Faz muito bem ao coração
Mas hoje provei a de pesto
Apetece trazê-la num cesto
Há a tosta de bacalhau
Saborosa a dar c' um pau
Também uma com farinheira
Que enche e de que maneira
A tosta de patê de tremoço
Essa satisfaz qualquer moço
E aquela feita com cogumelos
É muito melhor que farelos
Têm também sempre croissants
Quentinhos todas as manhãs
São recheados com Nutela
Por cima têm cor amarela
Aconselho a todos os gulosos
De novidades sequiosos
E que andem p'la Amadora
Ou mesmo que venham de fora
Vão ver que m' agradecerão
E me darão toda a razão
Não estou nada a exagerar
É mesmo d' água na boca dar
Tem empregadas bem dispostas
De seu nome Sabor divino
Vou agora cantar-lhe um hino
Como sempre a tosta de salmão
Faz muito bem ao coração
Mas hoje provei a de pesto
Apetece trazê-la num cesto
Há a tosta de bacalhau
Saborosa a dar c' um pau
Também uma com farinheira
Que enche e de que maneira
A tosta de patê de tremoço
Essa satisfaz qualquer moço
E aquela feita com cogumelos
É muito melhor que farelos
Têm também sempre croissants
Quentinhos todas as manhãs
São recheados com Nutela
Por cima têm cor amarela
Aconselho a todos os gulosos
De novidades sequiosos
E que andem p'la Amadora
Ou mesmo que venham de fora
Vão ver que m' agradecerão
E me darão toda a razão
Não estou nada a exagerar
É mesmo d' água na boca dar
Provérbio provado rimado - CXII
Padeço muito de sinusite
Volta e meia de faringite
Tenho a voz super rouca
Continuo a fumar feita louca
Hoje estou cheia de gripe
Espero matar esta estirpe
Nas doenças tenho azar
Sofro p'ra poder afugentar
Maleitas que muito m' assaltam
E aguardar p'las que me faltam
Pois afinal ninguém está bem
Com a sorte marreca que tem
Volta e meia de faringite
Tenho a voz super rouca
Continuo a fumar feita louca
Hoje estou cheia de gripe
Espero matar esta estirpe
Nas doenças tenho azar
Sofro p'ra poder afugentar
Maleitas que muito m' assaltam
E aguardar p'las que me faltam
Pois afinal ninguém está bem
Com a sorte marreca que tem
Provérbio provado rimado - CXI
O Hélder ê um cigano
Que m' aparece no trabalho
Gosta d' enganar tod' o ano
Pede que lhe quebre um galho
Traz perfumes de contrafacção
Écharpes e malas de marca
E confia logo d' antemão
Em quem na sua lábia embarca
Promete p'rá próxima um presente
Pede trocos p'ró leite do filho
Quanto mais chora mais mente
Levar com ele é um sarilho
No fundo o Hélder é um coitado
Quando conta petas a sorrir
A mochila leva p'ra tod' o lado
E fala a verdade a mentir
Que m' aparece no trabalho
Gosta d' enganar tod' o ano
Pede que lhe quebre um galho
Traz perfumes de contrafacção
Écharpes e malas de marca
E confia logo d' antemão
Em quem na sua lábia embarca
Promete p'rá próxima um presente
Pede trocos p'ró leite do filho
Quanto mais chora mais mente
Levar com ele é um sarilho
No fundo o Hélder é um coitado
Quando conta petas a sorrir
A mochila leva p'ra tod' o lado
E fala a verdade a mentir
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
Provérbios provados no Livro das caras
Já somos mil e trezentos
Não tarda mil e quatrocentos
A todos muito obrigada
Estou deveras emocionada
O blog tem imensas entradas
Umas boas outras estragadas
Já são cem provérbios rimados
Que também se apresentam provados
Mas o meu lar é mais a prosa
Posso ser mais audaciosa
Gostava de publicar livro
Todavia dele não sobrevivo
www.facebook.com/ProverbiosProvados
Não tarda mil e quatrocentos
A todos muito obrigada
Estou deveras emocionada
O blog tem imensas entradas
Umas boas outras estragadas
Já são cem provérbios rimados
Que também se apresentam provados
Mas o meu lar é mais a prosa
Posso ser mais audaciosa
Gostava de publicar livro
Todavia dele não sobrevivo
www.facebook.com/ProverbiosProvados
Provérbio provado rimado - CX
A Ana é meteorologista
Esperta que nem um alho
E ao canário dá alpista
Quando chega do trabalho
Por ser cientista séria
Ela sabe o que vale afinal
E estuda muito a matéria
Do tempo que faz em Portugal
Ao estar chegando o Inverno
Avisa das inundações
Que fazem da vida um inferno
E atrasam as multidões
Com tecnologias e inventos
Informa as autoridades
Sabe que quem semeia ventos
No fim vai colher tempestades
Esperta que nem um alho
E ao canário dá alpista
Quando chega do trabalho
Por ser cientista séria
Ela sabe o que vale afinal
E estuda muito a matéria
Do tempo que faz em Portugal
Ao estar chegando o Inverno
Avisa das inundações
Que fazem da vida um inferno
E atrasam as multidões
Com tecnologias e inventos
Informa as autoridades
Sabe que quem semeia ventos
No fim vai colher tempestades
Provérbio provado rimado - CIX
São dois para dançar o tango
Sem par não se pode bailar
P'ra ter champanhe e morango
É preciso o ambiente criar
Entre o homem e a mulher
Nem é preciso que casem
É sabido que o que um não quer
Dois com certeza não fazem
Sem par não se pode bailar
P'ra ter champanhe e morango
É preciso o ambiente criar
Entre o homem e a mulher
Nem é preciso que casem
É sabido que o que um não quer
Dois com certeza não fazem
Provérbio provado rimado - CVIII
Quem sabe provérbios provar
Muito gosta d' aliterações
E apesar de não ser trabalhar
É pena que não ganh' uns tostões
Escrever é a grande paixão
Qu' a miúda tem nesta vida
Cola-se-lh' a pena à mão
Armada em carapau de corrida
Tem a mania qu' é engraçada
Na casinha já tem mil amigos
D' os estimar não s' importa nada
Desde que não lhe deêm castigos
Muito gosta d' aliterações
E apesar de não ser trabalhar
É pena que não ganh' uns tostões
Escrever é a grande paixão
Qu' a miúda tem nesta vida
Cola-se-lh' a pena à mão
Armada em carapau de corrida
Tem a mania qu' é engraçada
Na casinha já tem mil amigos
D' os estimar não s' importa nada
Desde que não lhe deêm castigos
Provérbio provado rimado -CVII
O Torcato é engraxador
E não falamos de calçado
No navio é galã cantor
Por viagens é apaixonado
Tem o posto de capitão
Não faz a ponta dum corno
Cozinham-lhe a refeição
Enquanto espera p'lo retorno
E passeia pelo convés
Fazendo revistas sumárias
Espreita os barcos de viés
Cobra taxas portuárias
Ele tem engomada a farda
Era melhor qu' assim não fosse
O regresso a terra aguarda
Mas é marinheiro de água doce
E não falamos de calçado
No navio é galã cantor
Por viagens é apaixonado
Tem o posto de capitão
Não faz a ponta dum corno
Cozinham-lhe a refeição
Enquanto espera p'lo retorno
E passeia pelo convés
Fazendo revistas sumárias
Espreita os barcos de viés
Cobra taxas portuárias
Ele tem engomada a farda
Era melhor qu' assim não fosse
O regresso a terra aguarda
Mas é marinheiro de água doce
Provérbio provado rimado - CVI
O Luís era treinador
Punh' alunos a dar no ferro
Até que cheios de calor
Pudessem cometer um erro
Pela resistência puxava
Gostava d' aumentar as cargas
Longe sua fama soava
Por ter as costas tão largas
Um dia desapareceu dinheiro
Lá do ginásio do patrão
E por ser muit' aventureiro
Logo o acusaram de ladrão
Ficou o Luís muito triste
De o reputarem assim
E pôs logo um dedo em riste
Por ter as costas largas no fim
Punh' alunos a dar no ferro
Até que cheios de calor
Pudessem cometer um erro
Pela resistência puxava
Gostava d' aumentar as cargas
Longe sua fama soava
Por ter as costas tão largas
Um dia desapareceu dinheiro
Lá do ginásio do patrão
E por ser muit' aventureiro
Logo o acusaram de ladrão
Ficou o Luís muito triste
De o reputarem assim
E pôs logo um dedo em riste
Por ter as costas largas no fim
Provérbio provado rimado - CV
Gosto do tratamento por tu
Para mim usted é o rei
Prefiro um debate cru
Mas já antipatias ganhei
Sou assim mesmo à vontade
Não sou cheia de nove horas
Isso só aumenta com a idade
Põe-te a jeito que já coras
Para mim usted é o rei
Prefiro um debate cru
Mas já antipatias ganhei
Sou assim mesmo à vontade
Não sou cheia de nove horas
Isso só aumenta com a idade
Põe-te a jeito que já coras
Provérbio provado inventado
A minha paixão por provérbios e expressões populares é antiga e às vezes dou por mim a inventar novos adágios. O meu favorito é este:
- Os cobardes só são valentes quando têm as costas quentes
- Os cobardes só são valentes quando têm as costas quentes
Provérbio provado rimado - CIV
Hoje sinto-me sem resistência
Cheia de alergia a fungar
Dai-me Deus meu paciência
E um paninho p'rá embrulhar
Logo à noite tinha um concerto
Com o Gajo e a sua campaniça
Mas vou-me cortar não é perto
D' ir p'ra Lisboa tenho preguiça
Desculpa lá faltar à festa
Meu querido amigo Hugo
Se pudesse dormia a sesta
Hibernava como um texugo
Cheia de alergia a fungar
Dai-me Deus meu paciência
E um paninho p'rá embrulhar
Logo à noite tinha um concerto
Com o Gajo e a sua campaniça
Mas vou-me cortar não é perto
D' ir p'ra Lisboa tenho preguiça
Desculpa lá faltar à festa
Meu querido amigo Hugo
Se pudesse dormia a sesta
Hibernava como um texugo
Provérbio provado rimado - CIII
Não consigo gostar da castanha
É seca e muito enfadonha
Dá p'ra comida tamanha
Mas p'ra mim é coisa medonha
Por acaso até sou boa boca
Como dizia a minha avó
A minha esquisitice é pouca
Até me chega uma sopa só
Amanhã é São Martinho
Tenho festa nos escuteiros
Vou à adega provar o vinho
Da castanha evito os cheiros
É seca e muito enfadonha
Dá p'ra comida tamanha
Mas p'ra mim é coisa medonha
Por acaso até sou boa boca
Como dizia a minha avó
A minha esquisitice é pouca
Até me chega uma sopa só
Amanhã é São Martinho
Tenho festa nos escuteiros
Vou à adega provar o vinho
Da castanha evito os cheiros
Provérbio provado rimado - CII
Eu cá com o cabelo
Já fiz cada atropelo
Esteve de toda a maneira
Parece quase brincadeira
Já fui ruiva e morena
Também o rapei sem pena
Já esteve muito comprido
De cor mesmo preta tingido
Entretanto escolhi ser loura
Fica-me assim bem agora
Só de azul não o pinto
Então meio doida me sinto
Hei-de aproveitar este poema
Que é bom de ler e tem tema
E com ele um provérbio provar
Como aqueles em que uso rimar
Conta do cabelo o tamanho
De cortá-lo não me acanho
Se depois me arrepender
Não há mesmo nada a fazer
Depois de ir ao cabeleireiro
Não quero chorar o dinheiro
Pôr madeixas não sou avara
Mas custa-me os olhos da cara
Já fiz cada atropelo
Esteve de toda a maneira
Parece quase brincadeira
Já fui ruiva e morena
Também o rapei sem pena
Já esteve muito comprido
De cor mesmo preta tingido
Entretanto escolhi ser loura
Fica-me assim bem agora
Só de azul não o pinto
Então meio doida me sinto
Hei-de aproveitar este poema
Que é bom de ler e tem tema
E com ele um provérbio provar
Como aqueles em que uso rimar
Conta do cabelo o tamanho
De cortá-lo não me acanho
Se depois me arrepender
Não há mesmo nada a fazer
Depois de ir ao cabeleireiro
Não quero chorar o dinheiro
Pôr madeixas não sou avara
Mas custa-me os olhos da cara
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